terça-feira, 31 de agosto de 2021

MILAGRES ORIGINAIS DE JESUS NOS EVANGELHOS – PARTE III

 Este artigo pretende apresentar a terceira parte (de um total de 5) dos milagres aqui chamados “originais”, isto é, não repetidos, relatados nos 4 evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João. Escrevi vários outros artigos apresentando todos os milagres descritos pelos 4 evangelistas, fazendo pequenos comentários e ressaltando aqui e ali algumas comparações entre milagres que se repetiam com versões ligeiramente ou bastante diferentes. Foram identificados 120 milagres no total. Eliminando-se aqueles que se repetiam, mantendo-se apenas um representante dos repetidos, resultaram 71 milagres ditos “originais” (não repetidos).

29. JESUS CURA MUITOS DOENTES: Ao pôr do sol, todos os que tinham doentes atingidos por diversos males, os levavam a Jesus. Jesus colocava as mãos em cada um deles e os curava. De muitas pessoas também saíam demônios, gritando: “Tu és o Filho de Deus”. Jesus os ameaçava e não os deixava falar, porque os demônios sabiam que ele era o Messias (Lc 4, 40-41). – Em Marcos (Mc 1, 32-34; 3, 9-12) e em Mateus (8,16; 14,14) episódios semelhantes foram relatados. O fato comum é que eram muitos doentes e, também, possessos do demônio, e todos eram curados e os demônios expulsos. Dos Evangelhos fica a impressão de que Jesus curava multidões, e no meio dessas, muitos demônios eram expulsos! Quem, senão o verdadeiro Deus Filho – a quem os demônios reconheciam e gritavam o Nome – para fazer tais curas?

30. A PESCA MILAGROSA: Certo dia, Jesus estava na margem do lago de Genesaré. [...] Quando acabou de falar, disse a Simão: “Avance para águas mais profundas e lancem as redes para a pesca.”. Simão respondeu: “Mestre, tentamos a noite inteira e não pescamos nada. Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes.”. Assim fizeram e apanharam tamanha quantidade de peixes que as redes se arrebentavam. [...] Ao ver isso, Simão Pedro atirou-se aos pés de Jesus dizendo: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou um pecador!” (Lc 5, 1.4-6.8). – Este episódio é narrado apenas por Lucas. Sabe-se que o apóstolo Lucas, que foi discípulo, amigo e companheiro de Paulo, era médico e, portanto, uma pessoa muito dada aos estudos. Tudo indica que ele tenha pesquisado e entrevistado muitas pessoas e, inclusive, Maria, a Mãe de Jesus. Esse milagre nos mostra, mais uma vez, que Jesus quando intervém para realizar algo portentoso, o faz sem economias: “... as redes se arrebentavam.”. A reação de Pedro mostra a mentalidade dos judeus diante de Deus: os pecadores que somos devemos nos afastar de Deus, que é três vezes Santo. É mais um testemunho da crença de Pedro de que estava diante de um Homem-Deus!

 

31. JESUS CURA UM HOMEM COM LEPRA: Aconteceu que Jesus estava numa cidade, e havia aí um homem leproso. Vendo Jesus, caiu a seus pés e pediu: “Senhor, se quiseres, tens o poder de me purificar.”. Jesus estendeu a mão, tocou nele, e disse: “Eu quero, fique purificado.”. No mesmo instante a lepra o deixou. Jesus ordenou que não dissesse nada a ninguém (Lc 5, 12-14a). – Episódio semelhante ao que narram Mateus (8,2-3a) e, também, Marcos (1, 40-42). Este milagre mostra, mais uma vez, que Jesus não tem medo de tocar no doente com hanseníase (como hoje se refere à lepra), como tinham todos as pessoas daquela época. Toca-o e o cura instantaneamente! E cura completa, como costumam ser todas as intervenções de Jesus: ele restaura completamente a pessoa doente e não pelas metades. Que nós tenhamos esta fé do doente que pediu a Jesus: “Se quiseres, tu tens o poder de me curar”. E Jesus, sem sombra de dúvidas tem o poder. E quem duvida que Ele queira nos curar, proteger, amar e nos dar a vida plena?

 

32. A CURA DO PARALÍTICO DESCIDO PELO TELHADO: Certo dia, Jesus estava ensinando. Estavam aí, sentados, fariseus e doutores da Lei, vindos de todos os povoados da Galileia, da Judeia e até de Jerusalém. Chegaram, então, algumas pessoas levando, numa cama, um homem que estava paralítico. Subiram, então, ao terraço e, através das telhas, desceram o homem com a cama, no meio, diante de Jesus. Vendo a fé que eles tinham, Jesus disse: “Homem, seus pecados estão perdoados”. Os doutores da Lei e os fariseus começaram a pensar: “Quem é esse que está falando blasfêmias?”.  Mas Jesus percebeu o que eles estavam pensando. Tomou então a palavra e disse: “Por que vocês pensam assim? O que é mais fácil? Dizer: ‘Seus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘Levante-se e ande’? Pois bem: para vocês saberem que o Filho do Homem tem poder para perdoar pecados, – disse Jesus ao paralítico – eu ordeno a você: Levante-se, pegue a sua cama, e volte para casa”. No mesmo instante, o homem se levantou diante deles, pegou a cama onde estava deitado, e foi para casa, louvando a Deus” (Lc 5, 17ab.18a.19b.20-21b.22-25). – Nesta passagem, similar a Mateus (9, 2-7) e a Marcos (2, 3-12), Jesus nos mostra que mais importante que a cura física é a cura espiritual. Aliás, muitas vezes, a cura física é decorrência das dimensões mental ou espiritual da pessoa: doenças mentais ou espirituais costumam ter consequências (chamadas psicossomáticas ou pneumossomáticas) no corpo físico. No entanto, como sinal de sua messianidade, e para espanto dos fariseus, Jesus resolve curar fisicamente o paralítico, e de forma instantânea. Quem, se não Deus para fazer isto?

 

33. JESUS CURA UM HOMEM COM A MÃO SECA: Em outro sábado, Jesus entrou na sinagoga e começou a ensinar. Aí havia um homem com a mão direita seca. Os doutores e os fariseus espiavam para ver se Jesus iria curá-lo durante o sábado e, assim, encontrarem motivo para acusá-lo. Mas Jesus sabia o que eles estavam pensando e disse ao homem da mão seca: “Levante-se e fique no meio”. Ele se levantou e ficou de pé. Jesus disse aos outros: “Eu pergunto a vocês: a Lei permite no sábado fazer o bem ou fazer o mal, salvar uma vida ou deixar que se perca?”. Então Jesus olhou para todos os que estavam ao seu redor e disse ao homem: “Estenda a mão”. O homem assim o fez, e sua mão ficou boa (Lc 6, 6-10). – Neste episódio, similar ao que se relata em Mateus (12, 9-13) e em Marcos (3, 1-6), Jesus nos ensina que a Lei deve ser interpretada em vista do bem do ser humano e que guardar o dia de descanso do Senhor, deixando-se de fazer as atividades rotineiras para o sustento da vida, é bem diferente de se deixar de fazer o bem: este se impõe em qualquer dia ou qualquer situação.

 

34. JESUS CURA A TODOS: Jesus desceu da montanha com os doze apóstolos e parou num lugar plano. Estava aí numerosa multidão de seus discípulos com muita gente do povo de toda a Judeia, de Jerusalém e do litoral de Tiro e Sidônia. Foram para ouvir Jesus e serem curados de suas doenças. E aqueles que estavam atormentados por espíritos maus foram curados. Toda a multidão procurava tocar em Jesus, porque uma força saída dele e curava a todos (Lc 6, 17-19). – Como em Mateus (4, 24-25) e Marcos (3, 7-12) aqui também Jesus cura a todos os que buscam ouvir seus ensinamentos e serem curados. E, mais uma vez, Jesus cura doentes e endemoniados (atormentados por espíritos maus), o que mostra que o povo de então sabia bem diferenciar um doente de uma pessoa atacada por espíritos maus! Isto é, se não soubessem, o autor teria dito simplesmente: todos eram doentes ou todos eram endemoniados...

 

35. JESUS CURA O EMPREGADO DO OFICIAL ROMANO: Jesus entrou na cidade de Cafarnaum. Havia ali um oficial romano que tinha um empregado, a quem estimava muito. O empregado estava doente, a ponto de morrer. O oficial ouviu falar de Jesus e enviou alguns anciãos dos judeus para pedir a Jesus que fosse salvar o empregado. Então Jesus pôs-se a caminho com eles. Porém, quando já estava perto da casa, o oficial mandou alguns amigos dizer a Jesus: “Senhor, não te incomodes, pois eu não sou digno de que entres em minha casa; nem sequer me atrevi a ir pessoalmente ao teu encontro. Mas dize uma palavra, e o meu empregado ficará curado”. Ouvindo isso, Jesus ficou admirado. Voltou-se para a multidão que o seguia e disse: “Eu declaro a vocês que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé”. Os mensageiros voltaram para a casa do oficial e encontraram o empregado em perfeita saúde (Lc 7, 1b-3.6-7.9-10). – É um episódio semelhante ao que relatam tanto Mateus (8,5-10.13) como João (4,46-54). Impressiona a fé do oficial romano (ou centurião) que, mesmo não sendo judeu, demonstrou enorme fé na pessoa de Jesus, a ponto de fazê-lo declarar à multidão nunca ter encontrado tamanha fé em Israel! E a Igreja Católica utiliza a expressão do oficial romano na sua Missa, ao final da Oração Eucarística, em que a assembleia diz, exatamente: “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo”. Esta é uma entre muitas palavras evangélicas que a Igreja utiliza na Celebração Eucarística (ou Missa).

 

36. JESUS CURA O FILHO DA VIÚVA DE NAIM: Em seguida, Jesus foi para uma cidade chamada Naim. Quando chegou à porta da cidade, eis que levavam um defunto para enterrar; era filho único e sua mãe era viúva. Grande multidão da cidade ia com ela. Ao vê-la, o Senhor teve compaixão dela e lhe disse: “Não chore!”. Depois, aproximou-se, tocou no caixão, e os que o carregavam pararam. Então Jesus disse: “Jovem, eu lhe ordeno, levante-se!”. O morto sentou-se e começou a falar. E Jesus o entregou à sua mãe. Todos ficaram com muito medo e glorificavam a Deus, dizendo: “Um grande profeta apareceu entre nós, e Deus veio visitar o seu povo!” (Lc 7, 11a-16). – É um relato próprio do evangelista Lucas, mostrando que Jesus é o Messias, pois logo à frente, em seu Evangelho, Lucas vai colocar na boca de Jesus a resposta a João Batista: “Voltem e contem a João o que vocês viram e ouviram: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, e a Boa Notícia é anunciada aos pobres. E feliz é aquele que não se escandaliza de mim!” (Lc, 7,22-23).

 

37. VÁRIAS MULHERES CURADAS DE ESPÍRITOS MAUS: Depois disso, Jesus andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a Boa Notícia do Reino de Deus. Os Doze iam com ele, e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos maus e doenças: Maria, chamada Madalena, da qual haviam saído sete demônios; Joana, mulher de Cuza, alto funcionário de Herodes; Suzana, e várias outras mulheres que ajudavam a Jesus e aos discípulos com os bens que possuíam (Lc 8, 1-3). –  Esta citação mostra como Jesus se importava com as mulheres (que eram muito pouco valorizadas naquele tempo e naquela cultura), curando-as de doenças e dos espíritos maus, como fazia em relação aos homens: tratava-as, portanto, como iguais aos homens, no que toca aos direitos de serem curadas e de serem ouvidas.

 

38. JESUS EXPULSA UMA LEGIÃO DE DEMÔNIOS: Jesus e os discípulos desembarcaram na região dos gerasenos, que está diante da Galileia. Ao descer à terra, um homem da cidade foi ao encontro de Jesus. Ele era possuído por demônios, e há muito tempo não se vestia, nem morava em casa, mas nos túmulos. Vendo Jesus, o homem começou a gritar, caiu aos pés dele, e falou com voz forte: “Que há entre mim e ti, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Eu te peço, não me atormentes!”. (...) Então Jesus lhe perguntou: “Qual é o seu nome?”. Ele respondeu; “Meu nome é Legião”. Pois muitos demônios tinham entrado nele. (...) Havia aí perto uma numerosa manada de porcos, pastando na montanha. Os demônios pediram a Jesus que os deixasse entrar nos porcos. Jesus deixou. Os demônios saíram do homem e entraram nos porcos. E a manada atirou-se monte abaixo, para dentro do lago, onde afogou-se (Lc 8, 26-28.30.32-33). – 0 relato, semelhante aos que se encontram em Mateus (8,28-32) e em Marcos (5,6-13), mostra algumas verdades cristãs e evangélicas: 1) Jesus é reconhecido pelos demônios, aos gritos, como sendo o Filho do Deus Altíssimo; 2) os demônios existem, de fato, caso contrário Jesus estaria confirmando uma crença inverídica, mas, ao contrário, a confirma ao não negá-la; 3) os demônios podem entrar, vários ao mesmo tempo, em uma pessoa; 4) eles são ávidos pela morte das criaturas de Deus, pois somente desejaram entrar na manada para, imediatamente, matá-la; 5) Jesus é tão bondoso que, mesmo aos demônios, não lhes negou seu pedido...

 

39. A MULHER QUE SOFRIA DE HEMORRAGIA: Em certo momento chegou uma mulher sofrendo de hemorragia há doze anos, e ninguém tinha conseguido curá-la. Ela foi por trás e tocou na barra da roupa de Jesus. No mesmo instante a hemorragia parou. Então Jesus perguntou: “Quem foi que tocou em mim?”. Todos negaram, e Pedro disse: “Mestre, as multidões te cercam e te apertam!”. Então Jesus disse: “Alguém me tocou, pois senti que uma força saiu de mim”. A mulher, vendo que tinha sido descoberta, foi tremendo e caiu aos pés de Jesus. Contou diante de todos o motivo por que ela havia tocado em Jesus e como tinha sido curada no mesmo instante. Jesus disse à mulher: “Minha filha, sua fé curou você. Vá em paz” (Lc 8,43-48). – Esta passagem, que também ocorre em Mateus (9,20-22) e em Marcos (5,25-29), mostra-nos a importância da fé na misericórdia de Deus: Ele não exige que façamos orações das mais belas, ou grandes sacrifícios ou, ainda, grandes ofertas no templo, mas acolhe toda e qualquer manifestação de fé humilde e confiante. A mulher, na sua humildade social, em sua vergonhosa doença, não se quis expor e confiou que, apenas tocando a roupa de Jesus, seria curada. E tal aconteceu... Que também nós possamos confiar que nossas pequenas manifestações de fé (beijar um crucifixo, usar a água benta, persignar-se, etc.) possam render-nos grandes graças do Céu!

 

40. JESUS CURA A FILHA DE JAIRO: Nesse momento, chegou um homem chamado Jairo, chefe da sinagoga do lugar. Caiu aos pés de Jesus e pediu com insistência que Jesus fosse à sua casa porque ele tinha uma filha única, de doze anos, que estava morrendo. (...) Um mensageiro da casa do chefe da sinagoga chegou dizendo: “Sua filha morreu; não incomode mais o Metre”. Jesus ouviu a notícia e disse a Jairo: “Não tenha medo; apenas tenha fé, e ela será salva”. Quando chegou à casa, Jesus não deixou ninguém entrar com ele, a não ser Pedro, João e Tiago, juntos com o pai e a mãe da menina. (...) Jesus tomou a menina pela mão e a chamou, dizendo: “Menina, levante-se”. A menina voltou a respirar, levantou-se no mesmo instante, e Jesus mandou que lhe dessem de comer (Lc 41.42a. 49b-51.54.55). – Como nos evangelhos de Mateus (9,18-25) e de Marcos (5,22-42), neste episódio, Jesus cura a menina e somente exige do pai que tenha fé! Isto é: que ele acreditasse em Deus, que tudo pode. No entanto, Jairo caiu aos pés de Jesus e pedia a ele que curasse sua filha. Ele demonstra, assim, ter consciência de que Deus estava com Jesus. E nós, temos esta consciência? E sabemos que não somente Deus estava com Jesus, mas que Ele é o próprio Filho de Deus e, portanto, Deus, também, Ele próprio (a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade).

 

41. JESUS SE TRANSFIGURA DIANTE DOS APÓSTOLOS: Oito dias após dizer essas palavras, Jesus tomou consigo Pedro, João e Tiago e subiu à montanha para rezar. Enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou muito branca e brilhante. Nisso, dois homens estavam conversando com Jesus: eram Moisés, e Elias. Apareceram na glória e conversavam sobre o êxodo de Jesus, que iria acontecer em Jerusalém. Pedro e os companheiros dormiam profundamente. Quando acordaram, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com Ele. [...] Os discípulos ficaram com medo quando entraram na nuvem. Mas, da nuvem saiu uma vez que dizia: “Este é o meu Filho, o Escolhido. Escutem o que ele diz!”. Quando a voz falou, Jesus estava sozinho. Os discípulos ficaram calados e nesses dias não contaram a ninguém nada do que tinham visto (Lc  9, 28-32.34b-36). – Relatos semelhantes estão contidos nos evangelhos de Mateus (17, 1-9) e Marcos (9, 2-10). Moisés e Elias podem estar representando a Lei e os Profetas (isto, é, toda a Bíblia), respectivamente, para mostrar, como Jesus lembra algumas vezes, que toda a Escritura fala dele. Maria, a Mãe de Jesus, já lembrava aos discípulos que fizessem o que Ele dissesse; agora, é o Pai que lembra aos discípulos (e a nós, portanto), que escutem o que Ele diz. Duas coisas importantíssimas: escutar e fazer o que Jesus nos diz; eis a essência do ser cristão!

 

42. JESUS CURA UM MENINO ENDEMONIADO: Um homem gritou do meio da multidão: “Mestre, eu te peço, vem ver o meu filho, pois é o meu único filho. Um espírito o ataca e, de repente, solta gritos e o sacode e o faz espumar. Eu pedi aos teus discípulos para expulsarem o espirito, mas eles não conseguiram”. Jesus disse: “Ó geração sem fé e pervertida! Até quando deverei ficar com vocês e ter que suportá-los? Traga o menino aqui”. Quando o menino estava se aproximando, o demônio o jogou no chão e o sacudiu. Então Jesus ordenou ao espírito mau e curou o menino. Depois o entregou a seu pai. Todos ficaram admirados com a grandeza de Deus (Lc 9, 38-43). – É um episódio também relatado por Mateus (17, 14-18) e Marcos (9, 14-27) e nos mostra a importância da fé. Mais uma vez, Jesus se lamenta de que aquela geração (incluindo os discípulos) não tivesse fé! Ordenou ao espírito mau e este deixou o menino, causando admiração a todo o povo. Alguns cristãos querem justificar esse milagre como sendo apenas uma cura de um estado epilético, e não de uma possessão demoníaca. Há que se lembrar aqui, como explicam alguns teólogos exorcistas*, que o demônio também atua sobre pessoas com doenças mentais! Aliás, ele se aproveita de nossas fraquezas, quaisquer que sejam, para nos atormentar! Mais uma vez: se a crença na atuação do demônio fosse uma falsidade, Jesus não a teria confirmado, mas, ao contrário, teria esclarecido a verdade. No entanto, Jesus sempre expulsa os demônios, inclusive, às vezes, perguntando-lhe o nome!...


*Amorth, Gabriel. Mais fortes que o mal – O Demónio: reconhecê-lo, vencê-lo, evitá-lo. Paulus, Lisboa, 2012. p. 20.



Uilso Aragono (Agosto/2021)


sexta-feira, 30 de julho de 2021

MILAGRES ORIGINAIS DE JESUS NOS EVANGELHOS – PARTE II

 Este artigo pretende apresentar a segunda parte (de um total de 5) dos milagres aqui chamados “originais”, isto é, não repetidos, relatados nos 4 evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João. Escrevi vários outros artigos apresentando todos os milagres descritos pelos 4 evangelistas, fazendo pequenos comentários e ressaltando aqui e ali algumas comparações entre milagres que se repetiam com versões ligeiramente ou bastante diferentes. Foram identificados 120 milagres no total. Eliminando-se aqueles que se repetiam, mantendo-se apenas um representante dos repetidos, resultaram 71 milagres ditos “originais” (não repetidos).


15. JESUS ACALMA O MAR E O VENTO: Começou a soprar um vento muito forte, e as ondas se lançavam dentro da barca, de modo que a barca já estava se enchendo de água. Jesus estava na parte de trás da barca, dormindo com a cabeça num travesseiro. Os discípulos o acordaram e disseram: “Mestre, não te importas que nós morramos?”. Então Jesus se levantou e ameaçou o vento e disse ao mar: “Cale-se! Acalme-se!”. O vento parou e tudo ficou calmo. Depois Jesus perguntou aos discípulos: “Por que vocês são tão medrosos? Vocês ainda não têm fé?”. Os discípulos ficaram muito cheios de medo e diziam uns aos outros: “Quem é esse homem, a quem até o vento e o mar obedecem?” (Mc 4, 37-40). – Diante de um tal portento, admiraram-se os discípulos diante de Jesus: “Quem é esse homem?”. No Evangelho de Mateus (14, 32-33), uma passagem correlata, os discípulos não somente se admiram, mas confessam: “De fato, tu és o Filho de Deus.”. Interessante observar como os evangelhos não são simplesmente cópias idênticas uns dos outros, mas revelam aspectos ligeiramente diferentes ou complementares, de acordo com aquilo que o escritor sagrado, inspirado pelo Espírito Santo, lembrava ou desejava ressaltar como verdade a ser testemunhada.


16. JESUS CURA POUCOS DOENTES EM NAZARÉ: Jesus foi para Nazaré, sua terra, e seus discípulos o acompanharam. Quando chegou o sábado, Jesus começou a ensinar na sinagoga. (...) E ficaram escandalizados por causa de Jesus. Então Jesus dizia para eles que um profeta só não é estimado em sua própria pátria, entre seus parentes e em sua família. E Jesus não pôde fazer milagres em Nazaré. Apenas curou alguns doentes, pondo as mãos sobre eles. E Jesus ficou admirado com a falta de fé deles (Mc 6, 1.2.3c-6). – Neste episódio, Jesus nos chama a atenção para não desvalorizarmos aqueles que, entre nós, possam estar manifestando algum dom de Deus para o serviço da comunidade. Não é porque alguém vem de fora que, por isso, terá mais poder ou sabedoria do que aqueles que convivem conosco. Deus não discrimina ninguém negativamente! Qualquer pessoa, próxima, ou distante de nós, pode manifestar dons do Espírito Santo para o serviço da comunidade! Que sejam, sempre, bem-vindos!


17. JESUS CURA ATRAVÉS DE SEUS DISCÍPULOS: Então os discípulos partiram e pregaram para que as pessoas se convertessem. Expulsavam muitos demônios e curavam muitos doentes, ungindo-os com óleo (Mc 6, 12.13). – Jesus deu aos seus discípulos o poder de curar os doentes e expulsar os demônios. E isto, de fato, aconteceu! Que poder é este que uma pessoa (Jesus) pode passar para outras pessoas? Se isto é verdade – e nós acreditamos que sim! – também nós temos, em menor escala, a capacidade de passar para nossos irmãos, amigos e parentes algumas virtudes poderosas: o amor, a amizade, o consolo, o perdão, a alegria, etc. E veja-se, ainda, a importância de um sacramental: a unção com óleo! Unidos à fé e à oração, milagres podem ser feitos pela unção com óleo bento...

18. JESUS CURAVA A TODOS, EM GENESARÉ: Logo que desceram da barca, as pessoas imediatamente reconheceram Jesus. (...) E aonde ele chegava, tanto nos povoados como nas cidades ou nos campos, colocavam os doentes nas praças e pediam que pudessem ao menos tocar a barra da roupa de Jesus. E todos os que tocavam, ficavam curados (Mc 6, 54.56). – Como na passagem paralela de Mateus (14, 35b-36), Jesus se deixa tocar, enquanto os doentes passam diante dele, desejos de serem curados. Certamente, Jesus estava orando e intercedendo ao Pai por cada um desses doentes. É interessante notar que Jesus “curava a todos”, não exigindo, aqui, que manifestassem mais fé do que aquela revelada pelo simples buscar e tocar a barra da roupa do Senhor! Que também nós, aprendamos a buscar Jesus, com fé, para, ao menos, tocar em sua roupa. Hoje, podemos tocar na barra da roupa de Jesus ao tocarmos na Eucaristia! Quantos milagres de curas o Senhor não deseja fazer ainda hoje, por nós?


19. JESUS CURA UMA MULHER PAGÃ: Então Jesus saiu daí e foi para a região de Tiro e Sidônia. Uma mulher que tinha uma filha com um espírito mau, ouviu fala de Jesus. A mulher era pagã, nascida na Fenícia da Síria. Ela suplicou a Jesus que expulsasse de sua filha o demônio. Jesus disse: “Deixe que primeiro os filhos fiquem saciados, porque não está certo tirar o pão dos filhos e jogá-los aos cachorrinhos.”. A mulher respondeu: “É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos ficam debaixo da mesa e comem as migalhas que as crianças deixam cair”. Então Jesus disse: “Por causa disso que você acaba de dizer, pode voltar para casa; o demônio já saiu da sua filha.”. Ela voltou para casa e encontrou sua filha deitada na cama, pois o demônio já tinha saído dela (Mc 7, 24a.25a.26-30). – É um episódio semelhante ao do Evangelho de Mateus (15,21-28), em que uma criança – filha de uma mulher pagã (ou cananeia) – é beneficiada pela fé de sua mãe e tem o demônio expulso a distância por Jesus. Jesus atribui à fé da mãe, que se reconhece uma pessoa indigna (um “cachorrinho”), mas confia na misericórdia do Senhor, a cura de libertação realizada. Libertação, nos Evangelhos, tem, normalmente o significado de: libertação dos pecados ou da ação dos demônios.


20. JESUS CURA UM SURDO-MUDO: Jesus saiu de novo da região de Tiro, passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia, atravessando a região da Decápole. Levaram então a Jesus um homem surdo e que falava com dificuldade, e pediram que Jesus pusesse a mão sobre ele. Jesus se afastou com o homem para longe da multidão; em seguida, pôs os dedos no ouvido do homem, cuspiu e com a sua saliva tocou a língua dele. Depois, olhou para o céu, suspirou e disse: “Efatá”, que quer dizer: “Abra-se!”. Imediatamente os ouvidos do homem se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade. Jesus recomendou que não contassem nada a ninguém (Mc 7, 31-36a). – Neste milagre de Jesus, não lhe pediram a cura do doente, mas que “pusesse a mão sobre ele”. Daqui vemos não só o poder de curar os doentes que Senhor quis demonstrar, mas que este poder estava associado a impor as mãos sobre alguém. Tão associado que os discípulos lhe pediram – depois de terem visto, certamente muitas vezes, o Senhor colocar as mãos e curar – que “pusesse a mão sobre ele”, isto é, que o curasse. Portanto: o impor as mãos de Jesus é igual a curar alguém, na experiência dos discípulos contemporâneos do Senhor. Mas com o tempo, passou a ser, também, para além de uma expressão de bênção, expressão de cura entre todos os discípulos de Jesus, por meio da Fé.


21. SEGUNDA MULTIPLICAÇÃO DE PÃES E PEIXES: Naqueles dias, havia de novo uma grande multidão e não tinham o que comer. (...) Jesus mandou que a multidão se sentasse no chão. Depois, pegou os sete pães, agradeceu, partiu-os e ia dando aos discípulos, para que os distribuíssem. Tinham também alguns peixinhos. Depois de pronunciar a bênção sobre eles, mandou que os distribuíssem também. Comeram e ficaram satisfeitos, e recolheram sete cestos dos pedaços que sobraram. Eram mais ou menos quatro mil. E Jesus os despediu (Mc 8, 1. 6-9). – Este segundo episódio do milagre da multiplicação dos alimentos – muito semelhante à primeira multiplicação (vide número 17, acima) – indica que, possivelmente, várias vezes tenha ocorrido essa situação de carência de alimentos no meio da multidão de pessoas que acompanham o Senhor. Naquele tempo, não havia a abundância de mercearias, supermercados, padarias e lanchonetes, como temos hoje. E as multidões reuniam-se em lugares afastados e silenciosos, para que pudessem ouvir bem o Enviado do Senhor. E tendo abençoado os alimentos, Jesus os distribuía aos discípulos, e estes às pessoas esfomeadas. E todos ficavam satisfeitos. Ainda hoje, Jesus quer nos alimentar por meio de seu próprio corpo e de seu sangue, como ocorre na Eucaristia (Missa ou Celebração Eucarística). Nesta, o sacerdote cristão oferece a Deus a renovação do sacrifício redentor de Cristo, e os pães (partículas de pão ázimo ou hóstias) são transformados em Seu Corpo e Seu Sangue, para nossa alimentação corporal e espiritual, e para que nos tornemos, cada um de nós, comungantes, um outro Cristo para o irmão.


22. JESUS CURA UM CEGO: Chegaram a Betsaida. Algumas pessoas levaram um cego e pediram que Jesus tocasse nele. Jesus pegou o cego pela mão levou-o para fora do povoado, cuspiu nos olhos dele, pôs as mãos sobre ele e perguntou: “Você está vendo alguma coisa?”. O homem levantou os olhos e disse: “Estou vendo homens; parecem arvores que andam.”. Então Jesus pôs de novo as mãos sobre os olhos dele, e ele enxergou claramente. Ficou curado e enxergava todas as coisas com nitidez, mesmo de longe. Jesus mandou o homem ir para casa, dizendo: “Não entre no povoado.” (Mc 8, 22-26). – Uma pergunta surge, naturalmente: por que Jesus não curou o cego imediatamente, mas em dois tempos? Talvez possamos entender desse episódio que Jesus, como um novo Moisés, que bateu nas pedras três vezes para que a água jorrasse para o povo, no deserto, quis identificar-se com ele e com todos os seus futuros discípulos, que, ao pedirem uma cura a Deus, viessem a ter a humildade de pedir repetidamente, com fé e insistência, até que a cura viesse a acontecer. Ou talvez possamos entender, simplesmente, que Jesus tem misericórdia e paciência até com a natureza morta (nosso corpo) que pode insistir em permanecer em seu estado doentio...


23. A FIGUEIRA ESTÉRIL: No dia seguinte, quando voltavam de Betânia, Jesus sentiu fome. Viu de longe uma figueira coberta de folhas e foi até lá ver se encontrava algum fruto. Quando chegou perto, encontrou somente folhas, pois não era tempo de figos. Então Jesus disse à figueira: “Que ninguém mais coma de seus figos”. E os discípulos escutaram o que ele disse. (...) Na manhã seguinte, Jesus e os discípulos, passando, viram a figueira que tinha secado até a raiz. Pedro lembrou-se e disse a Jesus: “Olha, Mestre: a figueira que amaldiçoastes secou”. Jesus disse para eles: “Tenham fé em Deus. Eu garanto a vocês: se alguém disser a esta montanha: ‘Levante-se e jogue-se no mar, e não duvidar no seu coração, mas acreditar que isso vai acontecer, assim acontecerá’” (Mc 11, 12-14.20-23). – Neste episódio, tudo indica que Jesus tenha desejado criar as condições para o ensino sobre a fé. Ao amaldiçoar a figueira que tinha folhas, mas não frutos (uma alusão à sociedade da época, tão cheia de aparente esplendor, mas sem os frutos da solidariedade?), ela acaba por, de fato, secar “até a raiz”, como é encontrada na manhã seguinte. E Jesus lhes ensina: “Tenham fé em Deus”. A fé, então, confiança sem qualquer dúvida, mas baseada – como diz mais à frente – na prática do perdão.

24. JESUS É TENTADO NO DESERTO: Repleto do Espírito Santo, Jesus voltou do rio Jordão e era conduzido pelo Espírito através do deserto. Aí ele foi tentado pelo diabo durante quarenta dias. Não comeu nada nesses dias e, depois, sentiu fome. Então o diabo disse a Jesus: “Se tu és o Filho de Deus, manda que essa pedra se torne pão”. Jesus respondeu: “A Escritura diz: ‘Não só de pão vive o homem’.” (Lc 4, 1-4). – Outras duas tentações são descritas: a relativa à riqueza e a relativa ao poder (político e religioso). Mais uma vez, notam-se as diferenças entre os três relatos sinóticos. Aqui (Lucas), “Jesus foi tentado pelo diabo durante quarenta dias”! Em Mateus, Jesus “jejua” por quarenta dias e quarenta noites, e o tentador é um diabo de nome Satanás. E em Marcos, é Satanás quem tenta Jesus durante quarenta dias. E Jesus vivia entre os animais selvagens e os anjos o serviam. Estes anjos, em Mateus, só aparecem depois das tentações. Essas diferenças servem para manifestar a verdade da mensagem evangélica, com as variações dos detalhes, mas, na essência, uma única mensagem: Jesus afastou-se no deserto, deve ter jejuado bastante e foi tentado pelos maus espíritos. E com a fé firme em Deus, rejeita todas as tentações. Que imitemos nosso Senhor na firmeza da fé!


25. JESUS LÊ AS ESCRITURAS SOBRE O MESSIAS: Jesus foi à cidade de Nazaré, onde se havia criado. (...) Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus encontrou a passagem onde está escrito: “O Espirito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos, e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor”. (...) Então Jesus começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu essa passagem da Escritura que vocês acabam de ouvir.” (Lc 4, 16a.17-19.21). – Não deixa de ser um milagre o fato de que Jesus recebe o livro de Isaías (na verdade, um rolo de pergaminho) das mãos de um ajudante do Templo. Ele apenas busca a passagem (como a encontrou?) e a lê. E essa passagem fala, justamente, da manifestação do Messias, do Ungido do Senhor. O texto lido fala também das obras que já estavam sendo realizadas por Jesus: curas e libertações espirituais. Mas os seus não o receberam e até o rejeitaram...


26. JESUS LIVRA-SE DO PRECIPÍCIO: Quando ouviram essas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. Levantaram-se e expulsaram Jesus da cidade. E o levaram até o alto do monte, sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício. Mas Jesus, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho (Lc 428-30). – Esta passagem mostra como Jesus, sendo verdadeiro homem, era, igualmente, verdadeiro Deus! Pois estando para ser empurrado precipício abaixo por uma multidão enfurecida, em dado momento, ele simplesmente como que hipnotiza a turba e passa pelo meio dela, deixando todos para trás e seguindo seu caminho. Quem conseguiria fazer isto? Não há quem!... Mas Jesus é o Filho do Homem, é o Filho de Deus! E o mundo espiritual é mais forte do que o mundo material! Observe-se que, na passagem paralela do evangelho de Marcos, só se fala na rejeição dos seus concidadãos. A referência ao precipício é omitida.


27. A CURA DE UM ENDEMONIADO: Na sinagoga havia um homem possuído pelo espírito de um demônio mau, que gritou em alta voz: “O que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus!”. Jesus o ameaçou dizendo: “Cale-se, e saia dele!”. Então o demônio jogou o homem no chão, saiu dele, e não lhe fez mal nenhum (Lc 4, 33-35). – Este episódio também está registrado no evangelho de Marcos (1, 23-27), não, porém, no de Mateus. E são, essencialmente idênticos. É um milagre de libertação da possessão demoníaca. E neste caso, como o próprio endemoniado diz, eles são muitos: “O que queres de nós, Jesus de Nazaré?”. E Jesus, com uma simples palavra de poder, os manda sair. E, imediatamente, o homem é libertado das garras demoníacas. Ainda hoje há casos de possessão, de influência demoníaca, de vexação (violência física sobre uma pessoa), etc. Exorcistas ainda são bem-vindos ao mundo cristão!


28. JESUS CURA A SOGRA DE PEDRO: Jesus saiu da sinagoga e foi para a casa de Simão. A Sogra de Simão estava com febre alta, e pediram a Jesus em favor dela. Inclinando-se para ela, Jesus ameaçou a febre, e esta deixou a mulher. Então, no mesmo instante, ela se levantou e começou a servi-los (Lc 4, 38-39). – Este milagre é relatado no Evangelho de Mateus (8, 14-15) e também no de Marcos (1, 29-31). A diferença aqui, em relação aos demais, é que Jesus “ameaça” a febre, e ela se vai. Nos outros, Jesus toca a mão da sogra de Pedro (ou Simão) ou a segura pela mão. Em comum: a febre desaparece instantaneamente e a senhora se levanta e começa a servi-los. Sabe-se que uma dona de casa não se deixa abater por uma febre qualquer. Se ela estava com febre “alta” e deitada, é porque a situação era grave. Um toque na mão dela e Jesus a cura totalmente!

Uilso Aragono (Julho, 2021)


terça-feira, 29 de junho de 2021

MILAGRES ORIGINAIS DE JESUS NOS EVANGELHOS – PARTE I

 

Este artigo pretende apresentar a primeira parte (de um total de 5) dos milagres aqui chamados “originais”, isto é, não repetidos, relatados nos 4 evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João. Escrevi vários outros artigos apresentando todos os milagres descritos pelos 4 evangelistas, fazendo pequenos comentários e ressaltando aqui e ali algumas comparações entre milagres que se repetiam com versões ligeiramente ou bastante diferentes. Foram identificados 120 milagres no total. Eliminando-se aqueles que ser repetiam, mantendo-se apenas um representante dos repetidos, resultaram 71 milagres ditos “originais” (não repetidos).


1. JESUS CURA UM LEPROSO: Eis que um leproso se aproximou e ajoelhou-se diante de Jesus, dizendo: “Senhor, se quiseres, tu tens o poder de me purificar”. Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: “Eu quero, fique purificado” (Mt 8, 2-3a). – Jesus não teve medo de tocar no leproso e, além disso, curou-o! Uma lepra (ou hanseníase, como hoje se diz) não é facilmente curável, e, particularmente, de modo instantâneo!


2. A CURA DE DOIS CEGOS: (...) dois cegos o seguiram gritando: “Tende piedade de nós, filho de Davi.” (...) Então Jesus perguntou: “Vocês acreditam que eu possa fazer isso?” Eles responderam: “Sim, Senhor.” Então Jesus tocou os olhos deles dizendo: “Que aconteça conforme vocês acreditaram.” E os olhos deles se abriram (Mt 9, 27-29). – Jesus apenas pergunta se eles acreditam em Seu poder de curar. E, diante da resposta positiva, Ele os toca e cura. Um simples toque, sem muitas palavras, sem orações, sem qualquer ritual. É o poder divino em ação instantânea!


3. A CURA DE UM MUDO ENDEMONIADO: (...) levaram a Jesus um mudo que estava possuído pelo demônio. Quando o demônio foi expulso, o mudo falou, e as multidões ficaram admiradas e diziam: “Nunca se viu uma coisa assim em Israel.” (Mt 9, 32-33). – Neste episódio, o poder de expulsar demônios é patente: expulso o demônio, que impedia a vítima de falar, esta, uma vez liberta, volta a poder falar. O mutismo aqui, não era de fundo físico, mas espiritual: uma força espiritual imunda tornava a pessoa muda... Onde está Jesus, não pode estar o demônio.


4. JESUS RELATA SEUS MILAGRES: (...) Jesus respondeu: “Voltem e contem a João o que vocês estão ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres é anunciada a Boa Notícia. E feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!” (Mt 11, 4-6). – O próprio Jesus resume, para João, os seus milagres, que inclui o anúncio da Boa Nova aos pobres, que não deveria ser motivo de escândalo para ninguém. Porque, para a mentalidade da época, o Messias não seria um taumaturgo nem um mensageiro de Boas Notícias, mas um líder guerreiro e poderoso e disposto a libertar Israel do domínio romano.


5. CURA DE UM ENDEMONIADO CEGO E MUDO: Então levaram a Jesus um endemoniado cego e mudo. Jesus o curou, de modo que ele falava e enxergava. E todas as multidões ficaram admiradas e perguntavam: “Será que ele não é o filho de Davi?” (Mt 12, 22-23). – Mais uma vez, Jesus, instantaneamente, cura cegueira e mutismo de origem espiritual. Isto levou o povo a pensar na possibilidade de que Jesus fosse o filho de Davi, o Messias.


6. CURA DE VÁRIOS DOENTES: Ao sair da barca, Jesus viu grande multidão. Teve compaixão deles e curou os que estavam doentes (Mt 14, 14). – Naquela época, no meio de uma multidão, deveria haver muitos doentes. E Jesus curou a todos. Não se diz que tenha curado alguns; mas, sim, a todos! Que poder enorme manifestava Jesus! E mesmo assim, as autoridades não acreditavam nele. Por que razão?... Ciúmes, inveja, orgulho?...


7. PEDRO ANDA SOBRE AS ÁGUAS: Então Pedro disse: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre as águas.” Jesus respondeu: “Venha.” Pedro desceu da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. Mas ficou com medo quando sentiu o vento e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me!” Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro, e lhe disse: “Homem fraco na fé, por que você duvidou?” (Mt 14, 28-31). – Observe-se que Jesus repreende a Pedro justamente sob o aspecto que ele queria aprimorar nos seus discípulos: a fé, a confiança no poder divino de Jesus.


8. JESUS CONTROLA A TEMPESTADE: Então eles subiram na barca. E o vento parou. Os que estavam na barca ajoelharam-se diante de Jesus, dizendo: “De fato, tu és o Filho de Deus.” (Mt 14, 32-33). – Quem pode controlar tempestades, senão Deus? Era este testemunho que Jesus esperava que pudessem dar, e conseguiu. Embora isto não tenha sido suficiente para que permanecessem com Ele quando foi preso no monte das Oliveiras...


9. JESUS CURA MUITOS DOENTES: Numerosas multidões se aproximaram de Jesus, levando consigo coxos, aleijados, cegos, mudos e muitos outros doentes. Então os colocaram aos pés de Jesus. E Ele os curou (Mt 15, 30). – Nessa ocasião, em frente às colinas do Mar da Galileia (ou Lago de Tiberíades ou Lago de Genesaré) Jesus curou inúmeros doentes, de todo tipo de doença, e as multidões ficavam admiradas e glorificavam o Deus de Israel. Observe-se que os doentes eram, mais uma vez, levados até Jesus, para que Este os curasse. E era cura em massa! Somente um Homem-Deus pode realizar verdadeiros milagres. E é importante ressaltar que eram “verdadeiros”, pois havia, e ainda há, hoje em dia, muitas pessoas que curavam e faziam prodígios – às vezes com a ajuda do Diabo! Mas eram curas falsas e prodígios enganadores.


10. A MOEDA NA BOCA DO PEIXE: Quando chegaram a Cafarnaum, os fiscais do imposto do Templo foram a Pedro, e perguntaram: “O mestre de vocês não paga o imposto do Templo?”. Pedro respondeu: “Paga sim”. [...] “Mas, para não provocar escândalo, vá ao mar e jogue o anzol. Na boca do primeiro peixe que você pegar, vai encontrar o dinheiro para pagar o imposto. Pegue-o, e pague por mim e por você” (Mt 17,24.25a.27). – Este é um outro milagre que comprova que Jesus tem poder sobre a Natureza. Simplesmente ordenou que um peixe fosse pescado e lá estaria a moeda do imposto! Quem vai interpretar esse episódio tão claro e objetivo de outra forma? Ou se aceita tudo dos Evangelhos ou se rejeita tudo. Aceitar alguma coisa e rejeitar outras é ser herético. Este é, justamente, o sentido da palavra heresia: escolha, seleção...


11. CEGOS E ALEIJADOS CURADOS NO TEMPLO: Os cegos e aleijados chegaram perto de Jesus, no Templo, e Ele os curou. Os chefes dos sacerdotes e doutores da Lei ficaram indignados, quando viram as maravilhas que Jesus fazia, e as crianças gritando no Templo: “Hosana ao filho de Davi!” (Mt 21, 14.15). – Quantos cegos e aleijados eram? Ninguém sabe; não foi informado. Mas podemos supor que tenham sido muitos, já que era muito comum esses problemas de saúde naquela época, sem os recursos da ciência de hoje. E Jesus curou a todos! Não somente a alguns e não a outros. Mas a todos curou! Grande misericórdia e grande o poder de Jesus. Realmente, Homem-Deus!


12. A PREVISÃO DA TRAIÇÃO: Enquanto comiam, Jesus disse: “Eu lhes garanto: um de vocês vai me trair”. [...] Jesus respondeu: “Quem vai me trair é aquele que comigo põe a mão no prato. O Filho do Homem vai morrer, conforme a Escritura fala a respeito dele. Porém, ai daquele que trair o Filho do Homem. Seria melhor que nunca tivesse nascido!”. Então Judas, o traidor, perguntou: “Mestre, será que sou eu?”. Jesus lhe respondeu: “É como você acaba de dizer” (Mt 26, 21.23-25). – Jesus, por seu poder divino, demonstra que tem o dom da precognição, de conhecer o futuro! E diz, claramente, que sabe quem O trairá. E seja registrada, aqui, a situação de condenação eterna de Judas. Pois Jesus afirma que “seria melhor que nunca tivesse nascido”! Se ele tivesse sido salvo, Jesus não teria dito essas palavras tão fortes e verdadeiras!


13. JESUS CHAMA SIMÃO E ANDRÉ: Ao passar pela beira do mar da Galileia, Jesus viu Simão e seu irmão André; estavam jogando a rede ao mar, pois eram pescadores. Jesus disse para eles: “Sigam-me, e eu farei vocês se tornarem pescadores de homens”. Eles imediatamente deixaram as redes e seguiram a Jesus (Mc 1, 16-18). – O mesmo aconteceu, logo em seguida, com Tiago e João, filhos de Zebedeu. Impressiona a atração humana que Jesus exerceu sobre esses primeiros apóstolos: um encontro, um chamado... e uma decisão de seguimento imediato. Só pode ser um milagre! Este texto é idêntico ao que há no Evangelho de Mateus (4,19-20).


14. JESUS CHAMA O PECADOR LEVI: Enquanto ia caminhando, Jesus viu Levi o filho de Alfeu, sentado na coletoria de impostos, e disse para ele: “Siga-me”. Levi se levantou e o seguiu (Mc 2, 14). – Este convite de Jesus, feito a Levi, teve o efeito de uma ordem, dada a força moral da figura de Jesus diante das pessoas daquela época. É um verdadeiro milagre, porque a regra do comportamento das pessoas não inclui uma aceitação de tal convite como aconteceu com Levi: levantou-se e seguiu Jesus. É para provocar em nós, hoje em dia, uma reflexão: estamos deixando acontecer o milagre em nossa vida, diante do convite de Jesus? Ele não é uma pessoa qualquer... é o próprio Filho de Deus que nos chama! Como Levi, Pedro, André, etc., não deveríamos nós, também, levantarmo-nos e segui-lo sem pestanejar?


Uilso Aragono (Junho, 2021)

segunda-feira, 31 de maio de 2021

OS MILAGRES DE JESUS RELATADOS PELOS QUATRO EVANGELHOS

 Os milagres de Jesus, descritos nos quatro Evangelhos, são obras maravilhosas e, verdadeiramente, arrebatadoras! São capazes de nos encantar a todos e de provocar uma profunda reflexão sobre quem é este Homem, capaz de tantos feitos impossíveis aos homens comuns... 

O texto abaixo resume, quantitativamente, os milagres de Jesus relatados nos Evangelhos. É um apanhado quantitativo dos vários textos anteriores que tratam desse assunto (Os Milagres de Jesus nos Evangelhos).

“Milagre”, aqui, está sendo entendido como uma manifestação maravilhosa de Jesus, comportando curas de todos os tipos, reavivamentos e outros fenômenos pouco comuns na vida das pessoas da época.

1. No Evangelho de Mateus: 38 milagres.

2. No Evangelho de Marcos: 32 milagres.

3. No Evangelho de Lucas: 34 milagres.

4. No Evangelho de João: 16 milagres.

Ao todo, são relatados 120 milagres de Jesus nos Evangelhos Canônicos (os 4 Evangelhos). No entanto, muitos deles são relatos de um mesmo milagre mas com versões um pouco diferentes entre si. A seguir, serão identificados os milagres originais, descontando-se as versões diferentes.

Esses milagres, ditos aqui, originais, são os seguintes, em quantidade por Evangelho:

Evangelho de Mateus: 12 milagres;

Evangelho de Marcos: 11 milagres;

Evangelho de Lucas: 32 milagres;

Evangelho de Mateus: 16 milagres.

Obtendo-se um total de 71 milagres aqui denominados “originais”. Observe-se que todos os 16 milagres descritos no Evangelho de João estão, aqui, sendo considerados “originais”, isto é, sem cópias ou versões muito semelhantes. Já entre os outros 3 evangelhos, ditos sinóticos (ou semelhantes), alguns desses milagres aparecem como versões muito semelhantes entre si, indicando serem o relato de um mesmo milagre original. É claro que a escolha de qual terá sido o original dentre 3, por exemplo, muito semelhantes, foi totalmente arbitrária, resultando nas quantidades acima indicadas para os supostos milagres originais dos evangelhos. Os 32 milagres originais descritos em Lucas foram os escolhidos por terem, talvez, mais detalhes dos que os seus semelhantes nos outros evangelhos.

No próximo artigo, inicío a apresentação dos 71 milagres originais de Jesus relatados nos quatro evangelhos, divididos em 5 partes (artigos). 

Uilso Aragono (Maio, 2021)

sexta-feira, 30 de abril de 2021

OS MILAGRES DE JESUS NO EVANGELHO DE JOÃO – PARTE IV

 Os milagres de Jesus, descritos nos quatro Evangelhos, são obras maravilhosas e, verdadeiramente, arrebatadoras! São capazes de nos encantar a todos e de provocar uma profunda reflexão sobre quem é este Homem, capaz de tantos feitos impossíveis aos homens comuns... O texto abaixo procura identificar, a partir de uma busca nos Evangelhos, quais são esses milagres, e apresenta-os por meio de uma breve descrição. Desta vez, em relação ao Evangelho de S. João. Algum comentário comparativo entre os Evangelhos é feito.

13. JESUS APARECE A MARIA MADALENA: Maria tinha ficado fora chorando junto ao túmulo. Enquanto ainda chorava, inclinou-se e olhou para dentro do túmulo. Viu então dois anjos vestidos de branco, sentados onde o corpo de Jesus tinha sido colocado, um na cabeceira e outro nos pés. Então os anjos perguntaram: “Mulher, por que você está chorando?”. Ela respondeu: “Porque levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram”.  Depois de dizer isso, Maria virou-se e viu Jesus de pé; mas não sabia que era Jesus. E Jesus perguntou: “Mulher, por que você está chorando?” Quem é que você está procurando?”. Maria pensou que fosse o jardineiro e disse: “Se foi o senhor que levou Jesus, diga-me onde o colocou, e eu irei buscá-lo”. Então Jesus disse: “Maria”. Ela virou-se e exclamou em hebraico: “Rabuni!” (que quer dizer: Mestre). Jesus disse: “Não me segure, porque ainda não voltei para o Pai. Mas vai dizer aos meus irmãos: ‘Subo para junto do meu Pai, que é Pai de vocês, do meu Deus, que é o Deus de vocês’”. Então Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: “Eu vi o Senhor”. E contou o que Jesus tinha dito (Jo 20, 11 – 18) –   Este episódio é relatado também em Mateus (28, 9-10), com profusão de detalhes, e em Marcos (16, 9-11), embora, neste, de forma muito sucinta. Em Mateus, diferentemente de João e Marcos, Maria Madalena está acompanhada da “outra Maria”. É interessante notar que, antes de um grande acontecimento, os anjos costumam aparecer para prepará-lo. Aqui, os anjos aparecem a Maria Madalena antes que ela visse o Senhor, como que preparando-a para o grande encontro! Mas somente quando Jesus a chama por seu nome (“Maria”) é que ela é capaz de reconhecer o Senhor. No entanto, para que Jesus a chamasse pelo nome, ela teve a iniciativa de “procurar” o Senhor. Que nós tenhamos, também, esta iniciativa de procurar o Senhor e que possamos ouvir de sua boca o nosso nome... e, assim, possamos reconhecer claramente o Senhor Jesus!

 

14. JESUS ENTRA COM AS PORTAS TRANCADAS:  Era o primeiro dia da semana. Ao anoitecer desse dia, estando fechadas as portas do lugar onde se achavam os discípulos por medo das autoridades dos judeus, Jesus entrou. Ficou no meio deles e disse: “A paz esteja com vocês”. Dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos ficaram contentes por ver o Senhor (Jo 20, 19 – 20) – Este episódio, como o acima, é relatado também em Marcos (16, 14) e em Lucas (24, 36 – 43). A primeira palavra que Jesus dirige aos discípulos, depois de sua Ressurreição, é um desejo de que a “paz esteja” com eles. Por que esta preocupação de Jesus? Certamente porque todos os acontecimentos negativos vividos por eles lhes arrancaram a paz, que precisava ser restituída. Isto mostra como o Senhor sabe identificar nossas mais profundas necessidades. Eles precisavam de paz, para anular todas as angústias, os medos e as desilusões. A presença do Cristo Ressuscitado é a garantia de sua paz. Ao desejar aos discípulos a paz, Jesus, na verdade, deseja que eles (e nós, hoje) o acolham com fé e amor: Ele é a nossa Paz!

 

15. MUITOS ACREDITARAM ANTES DE TOMÉ: Tomé, chamado Gêmeo, que era um dos Doze, não estava com eles quando Jesus veio. Os outros discípulos disseram para ele: “Nós vimos o Senhor”. Tomé disse: “Se eu não vir a marca dos pregos nas mãos de Jesus, se eu não colocar o meu dedo na marca dos pregos, e se eu não colocar a minha mão no lado dele, eu não acreditarei”. Uma semana depois, os discípulos estavam reunidos de novo. Desta vez, Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou. Ficou no meio deles e disse: “A paz esteja com vocês”. Depois, disse a Tomé: “Estenda aqui o seu dedo e veja as minhas mãos. Estenda a sua mão e toque o meu lado. Não seja incrédulo, mas tenha fé”. Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!”. Jesus disse: “Você acreditou porque viu? Felizes os que acreditaram sem terem visto” (Jo 20, 24 – 29) – Este episódio, somente narrado por João, é um testemunho magnífico de um discípulo que, como nós, talvez, teve dúvidas sobre a realidade da Ressurreição de Jesus. E ao ser confrontado com o Ressuscitado e ter visto e, provavelmente, colocado os dedos nas chagas de Jesus, cai de joelhos e reconhece sua incredulidade transformada em fé: “Meu Senhor e meu Deus!”. Tomé duvidou por nós! Que nós creiamos com Tomé e testemunhemos como ele: “Meu Senhor e meu Deus!”. E as palavras de Jesus, citando aqueles que “acreditaram sem terem visto”, devem referir-se àqueles discípulos que acolheram Jesus no Domingo de Ramos, cheios de alegria e esperança, mas que foram surpreendidos pela prisão, pela flagelação e pela morte na cruz daquele que “vem em nome do Senhor”. Estes, também entristecidos, ao terem recebido dos apóstolos, durante uma semana, o testemunho de que Jesus estava vivo, certamente “acreditaram”, e mereceram ser lembrados por Jesus: “Felizes os que acreditaram sem terem visto”.

 

16. A PESCA MILAGROSA: Quando amanheceu, Jesus estava na margem. Mas os discípulos não sabiam que era Jesus. Então Jesus disse: “Rapazes, vocês têm alguma coisa para comer?”. Eles responderam: “Não”. Então Jesus falou: “Joguem a rede do lado direito da barca, e vocês acharão peixe”. Eles jogaram a rede e não conseguiam puxá-la para fora, de tanto peixe que pegaram. Então o discípulo que Jesus amava disse a Pedro: “É o Senhor”. Simão Pedro, ouvindo dizer que era o Senhor, vestiu a roupa, pois estava nu, e pulou dentro d’água. Os outros discípulos foram na barca que estava a uns cem metros da margem. Eles arrastavam a rede com os peixes. Logo que pisaram em terra firme, viram um peixe na brasa e pão. Jesus disse: “Tragam alguns peixes que vocês acabaram de pescar”. Então Simão Pedro subiu na barca e arrastou a rede para a praia. Estava cheia de cento e cinquenta e três peixes grandes. Apesar de tantos peixes, a rede não se arrebentou. Jesus disse para eles: “Vamos, comam”. Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar quem era ele, pois sabiam que era o Senhor. Jesus se aproximou, tomou o pão e distribuiu para eles. Fez a mesma coisa com o peixe (Jo 21, 4 – 13) – Este episódio, também exclusivo do evangelista João, mostra Jesus que, novamente sem a aparência conhecida pelos discípulos, procura desafiar a sua fé, desejando ser identificado apenas pelos “sinais” realizados no meio deles: a pesca milagrosa; a rede que não se arrebenta e a própria aparência diferente de Jesus. Esta, podendo significar que, depois da Ressurreição de Jesus, seu rosto não terá tanta importância quanto a fé na sua Ressurreição e na sua presença conosco “até o fim dos tempos”. Por isso, o rosto de Jesus, representado por tantas e variadas pinturas e obras de arte, ao longo da história, embora diferentes entre si, são imediatamente reconhecidas pelos crentes como o Cristo Ressuscitado!

/Desejando ler a parte anterior é só clicar no link abaixo:

https://mondaespero-blog-uilso.blogspot.com/2021/03/os-milagres-de-jesus-no-evangelho-de.html

Uilso Aragono (Abr. 2021)

terça-feira, 30 de março de 2021

OS MILAGRES DE JESUS NO EVANGELHO DE JOÃO – PARTE III

 Os milagres de Jesus, descritos nos quatro Evangelhos, são obras maravilhosas e, verdadeiramente, arrebatadoras! São capazes de nos encantar a todos e de provocar uma profunda reflexão sobre quem é este Homem, capaz de tantos feitos impossíveis aos homens comuns... O texto abaixo procura identificar, a partir de uma busca nos Evangelhos, quais são esses milagres, e apresenta-os por meio de uma breve descrição. Desta vez, em relação ao Evangelho de S. João. Algum comentário comparativo entre os Evangelhos é feito.


9. JESUS ESCAPA DAS MÃOS DAS AUTORIDADES: Por que vocês me acusam de blasfêmia, se eu digo que sou Filho de Deus? Se não faço as obras do meu Pai, vocês não precisam acreditar em mim. Mas se eu as faço, mesmo que vocês não queiram acreditar em mim, acreditem pelo menos em minhas obras. Assim vocês conhecerão, de uma vez por todas, que o Pai está presente em mim, e eu no Pai”. Eles tentaram outra vez prender Jesus, mas ele escapou das mãos deles (Jo 10, 36b-39). – Este episódio, sem paralelo nos outros evangelhos, mostra como um coração fechado à graça de Deus pode ser tão duro! Afinal, Jesus lhes lembra (aos judeus) que ele fizera muitas obras miraculosas e, mesmo assim, não querem aceitar a possibilidade de que Ele seja ao menos um grande profeta!... Mas fixam-se na afirmação de Jesus de que é o Filho de Deus, de que Deus seja seu Pai, e o consideram um blasfemo. Mas isto foi só mais uma desculpa para justificar o apedrejamento de Jesus, visto que também já tinham atribuído a Belzebu (o Diabo) o poder que Ele (Jesus) demonstrara em suas curas. É incrível o que um coração duro, fechado à ação da graça de Deus, pode fazer: resistir ao Espírito Santo e não aceitar nem mesmo os milagres com que Deus lhe quer presentear!

 

10. JESUS FAZ LÁZARO REVIVER: Jesus, contendo-se de novo, chegou ao túmulo. Era uma gruta, fechada com uma pedra. Jesus falou: “Tirem a pedra”. Marta, irmã do falecido, disse: “Senhor, já está cheirando mal. Faz quatro dias”. Jesus disse: “Eu não lhe disse que, se você acreditar, verá a glória de Deus?”. Então tiraram a pedra. Jesus levantou os olhos para o alto e disse: “Pai, eu te dou graças porque me ouviste. Eu sei que sempre me ouves. Mas eu falo por causa das pessoas que me rodeiam, para que acreditem que tu me enviaste”. Dizendo isso, gritou bem forte: “Lázaro, sai para fora!”. O morto saiu. Tinha os braços e as pernas amarrados com panos e o rosto coberto com um sudário. Jesus disse aos presentes: “Desamarrem e deixem que ele ande” (Jo 11, 38-44) – Este milagre, conhecido como a Ressurreição de Lázaro, deve ser entendido como um reavivamento do corpo físico, e não como uma verdadeira “ressurreição”, como foi a do próprio Cristo. Esta foi uma verdadeira ressurreição porque não é uma simples volta à vida, neste mundo, como foi a de Lázaro, mas é o ressurgir da vida humana em um corpo glorioso, destinado à vida no Céu e não neste mundo. Jesus ressuscitou e, depois de ter ficado algum tempo aqui na Terra, com os apóstolos, subiu definitivamente ao Céu, com seu corpo glorioso, como teremos também o nosso, na futura ressurreição dos mortos, no fim dos tempos!

 

11. UMA VOZ DO CÉU FALA AO POVO: Agora estou muito perturbado. E o que vou dizer? Pai, livra-me desta hora? Mas foi precisamente para esta hora que eu vim. Pai, manifesta a glória do teu nome! Então veio uma voz do Céu: “Eu manifestei a glória do meu nome e vou manifestá-la de novo”. A multidão que aí estava ouviu a voz e dizia que tinha sido um trovão. Outros diziam: “Foi um anjo que falou com ele”. Jesus disse: “Essa voz não falou por causa de mim, mas por causa de vocês. Agora é o julgamento deste mundo. Agora o príncipe deste mundo vai ser expulso e, quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim”. Jesus assim falava para indicar com que morte ia morrer (Jo 12, 27-33). – Este relato do Evangelho de João mostra, não um milagre propriamente dito, mas uma manifestação sobrenatural de Deus-Pai, já que uma voz é ouvida por todos os presentes. E Jesus observa que aquela voz se manifestou para o bem dos que ali estavam. Jesus já estava preparando o povo para a “sua hora”, a hora da sua “glorificação”, pela paixão e pela morte na cruz. Os que ouviram a voz com coração aberto, sem preconceitos, podem ter recebido o benefício (como disse Jesus), a graça, de terem compreendido que Jesus, de fato, era o Messias enviado por Deus, mas não como o messias guerreiro que eles esperavam. Este episódio marca a terceira vez que o Pai se manifesta por uma voz poderosa vinda do alto: as outras duas vezes foram durante o Batismo no Jordão e durante a Transfiguração no Tabor.


12. OS SOLDADOS CAEM POR TERRA.  Então Jesus, sabendo tudo o que lhe ia acontecer, saiu e perguntou a eles: “Quem é que vocês estão procurando?”. Eles responderam: “Jesus de Nazaré”. Jesus disse: “Sou eu”. Judas, que estava traindo Jesus, também estava com eles. Quando Jesus disse: “Sou eu”, eles recuaram e caíram no chão. Então Jesus perguntou de novo: “Quem é que vocês estão procurando?”. Eles responderam: “Jesus de Nazaré”. Jesus falou: “Já lhes disse que sou eu. Se vocês estão me procurando, deixem os outros ir embora”. Era para se cumprir a Escritura que diz: “Não perdi nenhum daqueles que me deste” (Jo 18, 4-9). – Este episódio nos choca ao percebermos que, mesmo diante de um fenômeno totalmente miraculoso como este, o fato de, pela resposta de Jesus, terem os soldados caídos por terra, não ter havido qualquer reação positiva deles, de entender que Jesus, com aquele poder, não poderia ser um malfeitor! Judas, conhecendo os milagres de Cristo, talvez não tenha estranhado aquele portento e possa ter acreditado que Jesus viesse a salvar-se fazendo alguma manifestação como essa. Ao perceber, depois, que Jesus não mais manifestou qualquer poder em sua defesa, caiu em si sobre o erro de sua decisão de entregar Jesus. Arrependeu-se, mas não teve a humildade de pedir perdão, pois já estava totalmente entregue ao Diabo.

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Uilso Aragono (Mar. 2021)


domingo, 28 de fevereiro de 2021

OS MILAGRES DE JESUS NO EVANGELHO DE JOÃO – PARTE II

Os milagres de Jesus, descritos nos quatro Evangelhos, são obras maravilhosas e, verdadeiramente, arrebatadoras! São capazes de nos encantar a todos e de provocar uma profunda reflexão sobre quem é este Homem, capaz de tantos feitos impossíveis aos homens comuns... O texto abaixo procura identificar, a partir de uma busca nos Evangelhos, quais são esses milagres, e apresenta-os por meio de uma breve descrição. Desta vez, em relação ao Evangelho de S. João. Algum comentário comparativo entre os Evangelhos é feito.

5. JESUS CURA UM PARALÍTICO: Aí ficava um homem que estava doente havia trinta e oito anos. Jesus viu o homem deitado e ficou sabendo que estava doente há tanto tempo. Então lhe perguntou: “Você quer ficar curado?”. O doente respondeu: “Senhor, não tenho ninguém que me leve à piscina quando a água está se movendo. Quando vou chegando, outro já entrou na minha frente”. Jesus disse: “Levante-se, pegue sua cama e ande”. No mesmo instante, o homem ficou curado, pegou sua cama e começou a andar (Jo 5, 5 – 9). – Neste episódio, Jesus mostra, mais uma vez, toda a sua misericórdia e o seu amor pelas pessoas, especialmente as mais necessitadas. Mas é interessante notar que Jesus não impôs a cura ao homem. Perguntou-lhe se queria ser curado e, só depois da confirmação do desejo é que Jesus o cura. Também nós devemos manifestar diante de nosso Senhor o nosso desejo de sermos curados! Pois mesmo que Ele veja nossas mazelas e nossas doenças, sem a manifestação expressa de nosso desejo, Ele não nos poderá curar! Aqui vemos um grande exemplo da humildade que deve acompanhar toda pessoa doente. Pois, como diz o ditado: “O pior cego é aquele que não quer ver”. Se, mesmo cheio de pecados, doenças, fragilidades, não pedirmos, com humildade, ao Senhor que nos cure, a cura não virá automaticamente! É por isto que a única oração que o Senhor nos ensinou é constituída por petições. Sim, são sete os pedidos que apresentamos ao Senhor quando rezamos o Pai-Nosso. É um exercício de humildade diante de Deus, que muito nos ajuda a crescermos no amor a Deus e aos irmãos.

 

6. MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES: Estava próxima a Páscoa, festa dos judeus. Jesus ergueu os olhos e viu uma grande multidão que vinha ao seu encontro. Então disse Jesus a Filipe: “Onde vamos comprar pão para eles comerem?”. (...) Um discípulo de Jesus, André, o irmão de Simão Pedro disse: “Aqui há um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas o que é isto para tanta gente?”. Então Jesus disse: “Falem para o povo sentar-se”. Havia muita grama nesse lugar e todos se sentaram. Estavam aí cinco mil pessoas, mais ou menos. Jesus pegou os pães, agradeceu a Deus e distribuiu aos que estavam sentados. Fez a mesma coisa com os peixes. E todos comeram o quanto quiseram. Quando ficaram satisfeitos, Jesus disse aos discípulos: Recolham os pedaços que sobraram, para não se desperdiçar nada”. Eles recolheram os pedaços e encheram doze cestos com as sobras dos cinco pães que haviam comido (Jo 6,4-5.8-13). – Este episódio, como já refletido em relação aos outros semelhantes, mostra que existiu de fato, uma multiplicação miraculosa de pães e peixes para uma grande multidão. E isto se verifica pela constatação de Filipe, após averiguar a situação da multidão, de que só tinha encontrado um rapaz com “cinco pães de cevada e dois peixes”. Ora, a multidão, atraída pelo magnetismo espiritual de Cristo, foi ficando sem alimentos ao longo dos dias. E somente uma intervenção milagrosa poderia lhes fornecer alimentação a partir de tão poucos pães e peixes! Este capítulo, por este milagre, introduz o grande discurso de Jesus sobre o “Pão da Vida”, que é Ele mesmo!

 

7. JESUS CAMINHA SOBRE AS ÁGUAS: Ao cair da tarde, os discípulos de Jesus desceram ao mar. Entraram na barca e foram em direção a Cafarnaum, do outro lado do mar. Já era noite, e Jesus ainda não tinha ido ao encontro deles. Soprava vento forte e o mar estava agitado. Os discípulos tinham remado mais ou menos cinco ou seis quilômetros, quando viram Jesus andando sobre as águas e aproximando-se da barca. Então ficaram com medo, mas Jesus disse: “Sou eu. Não tenham medo”. Eles quiseram recolher Jesus na barca, mas nesse instante a barca chegou à margem para onde estavam indo (Jo 6, 16-21). – Este milagre é contado também em Mateus (14, 22-33) e em Marcos (6, 45-52). Embora com detalhes variáveis, pois os Evangelhos não são simples cópias uns dos outros, verifica-se o poder de Cristo sobre a natureza! Jesus andou sobre as águas para chegar até seus discípulos. Fez isto para aparecer diante deles? Certamente que não! Mas o fez para acender neles a fé, a certeza de que estavam seguindo o verdadeiro Messias, o Filho de Deus. Seus discípulos eram consolados por esses milagres, e tantos outros não descritos nos Evangelhos, que Jesus lhes fazia por amor e para lhes aumentar a confiança nele.

  

8. JESUS CURA UM CEGO DE NASCENÇA: Ao passar, Jesus viu um cego de nascença. Os discípulos perguntaram: “Mestre, quem foi que pecou, para que ele nascesse cego? Foi ele ou seus pais?”. Jesus respondeu: “Não foi ele que pecou, nem seus pais, mas ele é cego para que nele se manifestem as obras de Deus. Nós temos que realizar as obras daquele que me enviou, enquanto é dia. Está chegando a noite, e ninguém poderá trabalhar. Enquanto estou no mundo eu sou a luz do mundo”. Dizendo isso, Jesus cuspiu no chão, fez barro com saliva e com o barro ungiu os olhos do cego. E disse: “Vá se lavar na piscina de Siloé”. (Esta palavra quer dizer “O Enviado”). O cego foi, lavou-se, e voltou enxergando (Jo 9, 1-7). – Nesta passagem do Evangelho, Jesus quer nos mostrar que as doenças que nos atingem não são resultado, necessariamente, de nossos pecados (embora em alguns casos, estes contribuam com as doenças – as chamadas doenças psicossomáticas e as “doenças espirituais”). Portanto, se alguém estiver doente, não seja visto como mais pecador do que os que estejam sãos. Mas nosso Deus, como explica Jesus, utiliza essas situações resultantes da própria natureza humana para “manifestar as obras de Deus”. É por isso que em muitas provações por que passam algumas famílias, elas saem fortalecidas na fé; conversões ocorrem em situações de doença e outros males (acidentes) que atinjam as pessoas. Porque “Deus faz das pedras (males) filhos de Abraão (pessoas renovadas na fé)”.

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Uilso Aragono (Fev. 2021.)

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Sou formado em Engenharia Elétrica, com mestrado e doutorado na Univ. Federal de Santa Catarina e Prof. Titular, aposentado, na Univ. Fed. do Espírito Santo (UFES). Tenho formação, também, em Filosofia, Teologia, Educação, Língua Internacional (Esperanto), Oratória e comunicação. Meu currículo Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4787185A8

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