domingo, 30 de março de 2014

O QUE GANHA A SOCIEDADE COM A VIOLÊNCIA NOS JORNAIS?

Os jornais impressos publicam, quase que obrigatoriamente, as piores notícias de violência e crimes na primeira página! E dedicam uma significativa parte do jornal à descrição dos detalhes dessa violência e desses crimes! Por que tem de ser assim? Por que a Sociedade organizada não questiona tal realidade cultural dos jornais? Pode-se e se deve perguntar o que ganha a Sociedade com a divulgação e a descrição tão detalhadas de tudo o que há de pior na vida social: roubos, assaltos, assassinatos, estupros, suicídios, violência policial, violência doméstica, violência contra crianças, adolescentes, mulheres e idosos. Por que essa divulgação?  Enfim, o que a Sociedade ganha com essas “reportagens”?

O QUE GANHAMOS? – NADA.


Mesmo sem fazermos uma pesquisa científica aprofundada, baseando-nos, tão somente, naquilo que constatamos e sentimos, podemos afirmar que a exploração da violência pela mídia – particularmente pelos jornais impressos – não contribui, positivamente, para que tenhamos uma sociedade mais pacífica, mais harmoniosa, mais humana.

A descrição detalhada de como ocorreu este ou aquele crime, esta ou aquela ação violenta, não pode ser “educativa” para a mente, especialmente, da infância, da adolescência e da juventude, para ficar apenas nessa parte da Sociedade que está na fase do desenvolvimento educacional. O que ganha um jovem ao ler os detalhes (às vezes, macabros) de um assassinato? Se o jovem quiser ver violência, ele que procure um filme violento, mas que lhe esteja dentro da sua faixa de idade recomendada. Mas a violência expressa nos jornais, não está associada a qualquer recomendação de faixa etária adequada. Qualquer criança está exposta a dar curso à sua curiosidade diante de jornais impressos deixados livremente à sua disposição... É a violência entrando na mente da criança e tornando-a, no mínimo, algo natural, enquanto deveria ser, para qualquer cidadão, algo totalmente antinatural, aberrante, e condenável!

O QUE PERDEMOS? – MUITO.


A Sociedade só tem a perder com a descrição detalhada dos eventos violentos vividos em seu interior. As seguintes consequências podem ser listadas, sem muito esforço:

1)      O cidadão acostuma-se com a ideia da violência, em todas as suas variedades, encarando-a como “natural”;
2)      O cidadão desenvolve certa psicose do medo, o que o atrapalha a viver a sua vida social, levando-o, muitas vezes a ter sérios problemas psicológicos, como depressão, fobias, angústias, etc.;
3)      O jovem menos amparado educacionalmente pode sucumbir, mais facilmente, às tentações das facilidades que o crime oferece e seguir as “orientações” que os mais experientes passam por meio da descrição detalhada das “páginas policiais”;
4)      O cidadão que sofra de qualquer mínima tendência ao desenvolvimento de aspectos de psicopatia encontra, na violência expressa pelos jornais, “incentivos” a exercitar esses aspectos doentios da personalidade. Alguns cientistas já perceberam que alguns psicopatas cometem crimes para, dentre outras razões, “aparecerem” como “heróis” – em sua mente distorcida –, e tornarem-se famosos, nas páginas dos jornais;
5)      O cidadão que esteja envolvido com problemas familiares, financeiros, dentre outros, fica estimulado por certos exemplos de violência, como é o caso do suicídio, que é uma violência contra si próprio. É o caso, já cientificamente constatado, de que a divulgação de suicídios (em seus detalhes), pelos jornais, tem efeito contagiante sobre pessoas com tais tendências ou sob forte estresse emocional. Não é à toa que já se estabeleceu, no âmbito de mídia impressa, uma espécie de “compromisso” não escrito quanto a não divulgação, em seus detalhes, de casos de suicídio. Sabe-se que, em Vitória – ES, não se divulgam nos jornais, senão excepcionalmente, os casos de suicídio ocorridos na Terceira Ponte, justamente para que outros casos não sejam “incentivados”. Por que não estender tais conclusões, e tais compromissos, a todos os outros casos de violência social?

O QUE FAZER?


A Sociedade deveria, em primeiro lugar, tomar consciência quanto aos males, acima apontados, em relação à violência diariamente divulgada pelos jornais impressos. Tomada esta consciência, algumas alternativas mais produtivas e educativas, à violência jornalística diária, poderiam ser pensadas por nossas autoridades, testadas e tornadas prática constante. Algumas ideias podem ser listadas a seguir, embora os jornalistas sejam aqueles que têm  toda a capacidade de identificar, criativa e eficazmente, as melhores opões.

1)      Divulgar na primeira página, no lugar das antigas e superadas notícias sobre violências, chamativas e alarmantes, totalmente ao contrário, notícias sobre ações positivas, pacíficas e pacificadoras ocorridas nas comunidades locais;
2)      Divulgar notícias sobre violência social, apenas naquilo que interesse ao conhecimento da Sociedade, e de maneira absolutamente sumária, não revelando nomes de pessoas nem de instituições envolvidas, na forma, talvez, de indicações estatísticas. Estas poderiam ajudar à Sociedade a tomar providências quanto aos índices que insistam em permanecer ruins;
3)      Divulgar ações humanitárias e educativas, de iniciativa de indivíduos, de associações e de ONGs das comunidades locais, com descrição detalhada, aqui sim, sobre o que tem sido e como têm sido feitas tais ações pró cidadania;
4)      Divulgar os índices positivos relativos à saúde, à educação e à qualidade de vida da população ou, não existindo tais, divulgar os desafios a serem alcançados nessas áreas de interesse maior da população;
5)      Divulgar as atividades, que surgem constantemente, e que busquem oferecer aos cidadãos oportunidades de melhoria de suas competências profissionais, de sua qualidade de vida, de sua participação política, etc.;

CONCLUSÕES


Reconhecer que a violência costumeiramente divulgada pela mídia, particularmente pelos jornais impressos – que ficam mais à disposição livre de qualquer pessoa, independentemente da idade – tem sido, em vez de bênçãos, ocasião de grandes males para a Sociedade e seus cidadãos, especialmente para aqueles que estejam em idade de formação educacional (crianças, adolescentes e jovens), é uma das primeiras atitudes que todos nós deveríamos tomar no sentido de superar a exploração da violência pelos jornais impressos.

Buscar alternativas à costumeira publicação de notícias de violência social é perfeitamente possível, e muitas opções criativas existem e podem ser exploradas positivamente, tanto para os jornais, quanto para a Sociedade. Se num primeiro momento cair a tiragem dos jornais, há que se ter a paciência histórica para reconhecer que toda mudança carece de algum tempo para ser digerida e aceita pela população.

Um mundo novo pode abrir-se para a Sociedade cujos meios de comunicação impressos vençam a tentação da exploração da violência social, para a venda fácil. Os cidadãos devem conscientizar-se da sua própria avidez em relação ao interesse e ao consumo de notícias sobre violência e passar a valorizar, para o bem, em especial, das futuras gerações, notícias mais positivas, instrutivas, educativas, formativas e culturais.
 

Vencer o círculo vicioso de divulgação jornalística de violência, que gera mais violência, não só é possível, mas absolutamente necessário a uma Sociedade que queira tornar-se, realmente, madura e com elevada qualidade de vida.

Uilso Aragono. (março de 2014)

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

CONFLITOS RELACIONAIS ENTRE FAMILIARES E AMIGOS

Os conflitos de relacionamento no meio familiar e entre amigos são muito comuns, tanto hoje como há muito tempo. Ferimo-nos, sobretudo com palavras e ações, por alguns motivos que – com a cabeça fria – podem ser listados, apreciados, meditados e assumidos, com vistas a uma melhoria geral nos relacionamentos e no alcance das tão desejadas harmonia e paz entre os que se amam.

1.      TODOS ERRAMOS, NAS PALAVRAS E AÇÕES

Em primeiro lugar, temos de considerar que todos nós erramos nos relacionamentos interpessoais, simplesmente porque não somos seres humanos perfeitos e porque as complexidades das relações interpessoais, sobretudo no mundo de hoje, são enormes.

Falamos o que não devíamos ter falado; calamos quando devíamos ter falado; falamos no momento impróprio; falamos e agimos sob o influxo de zonas de estresse, isto é, com a “cabeça quente”; falamos precipitadamente; tomamos decisões precipitadas e não bem pensadas; ofendemo-nos mutuamente, sem, no entanto, desejar ofender... Quem já não passou por esses erros de relacionamento?

2.      MAS NOS AMAMOS...

Em segundo lugar, devemos nos conscientizar – numa atitude de quem busca enfrentar os problemas, de forma adulta e esclarecida – de que se nos ofendemos é porque, de fato, erramos, mas, no fundo, nos amamos: na verdade, nas palavras e ações, estamos procurando o bem do outro. É o paradoxo, a contradição do amor humano. Queremos o bem, porque amamos o outro, mas na tentativa de protegê-lo, orientá-lo, interessar-se por ele, enredamo-nos nos nossos próprios limites, fraquezas e ignorâncias, e conseguimos, exatamente, o contrário do que, no fundo, desejamos. Ou será que ofendemos nossos próximos, nossos queridos, com a intenção de destruí-lo?...

É o amor do pai e da mãe que, ao superproteger os filhos, acaba por sufocá-los e deixá-los indefesos diante dos desafios da modernidade. São as expressões de amor do homem e da mulher que – pelo fato de serem totalmente diferentes – são mal interpretadas e causam brigas e desentendimentos conjugais, entre namorados, etc. No fundo das brigas e desentendimentos entre os próximos, estará, sempre, o amor! Você sabe amar com toda a propriedade? Com toda a perfeição, a ponto de não ofender ou ferir ninguém?
A intimidade e a proximidade, entre os que se amam, são outros dois fatores que podem jogar luz nas causas dos seus desentendimentos e conflitos. Porque esses dois fatores – intimidade e proximidade – favorecem a retirada das “máscaras nossas de cada dia”... Estas são, consciente ou inconscientemente, usadas durante todo o dia de trabalho e nas relações sociais, mas são retiradas em casa, juntamente com as vestes formais: já com as roupas de casa, aparecem nossos rostos sem máscaras. Vendo-nos, uns aos outros, com transparência, comportamo-nos de forma mais autêntica, mais sem freios, mais sem censura, e, infelizmente, menos delicada e, portanto, sujeita aos mútuos ferimentos relacionais. Quem consegue controlar-se para pensar o que fala, e, ao contrário, não falar o que pensa? Quem pensa o que fala é um adulto; quem fala o que pensa, é a criança.

3.       E QUEM AMA PERDOA...

Em terceiro lugar, conscientes de que todos somos vítimas da contradição do amor humano (em todos os seus níveis), precisamos nos lembrar de que, da mesma maneira que agimos para curar uma ferida na pele, temos que, igualmente, agir para curar a ferida na alma. Mas, neste caso, o remédio e o curativo estão na capacidade de compreender e perdoar o outro. Afinal, tudo ocorreu “por amor”. Na verdade, sabemos que a famosa frase de Shakespeare – “Amar é não ter, jamais que pedir perdão” – não passa de ficção romântica! A realidade é marcada, exatamente, pelo contrário: Amar é estar sempre disposto a perdoar, ou: o verdadeiro amor é o que sempre perdoa... Seu amor é capaz de perdoar?

4.       E QUEM AMA PEDE PERDÃO...

Mas cada uma das partes em conflito deve conscientizar-se de que se deve perdoar, também deve pedir perdão. O perdão deve ser mútuo, além de sincero e verdadeiro. E o pedido de perdão, sincero, deverá vir acompanhado do verdadeiro arrependimento e da verdadeira conversão, da verdadeira mudança de atitude. E como arrepender-se sem se decidir por enfrentar esses fantasmas que assombram nossos relacionamentos?

Uma boa metodologia, proposta pelo Dr. Augusto Cury, psiquiatra e autor de ótimos livros sobre bons relacionamentos intra e interpessoais, é a técnica DCD: Duvidar, Criticar e Determinar estrategicamente. Ensina ele: devemos DUVIDAR de nossos “fantasmas”. E estes podem ser nossos “impulsos” inconscientes que nos levam a falar e agir de forma errada diante de nossos entes queridos. Podem ser, portanto, nossas agressividades, nossos maus comportamentos (que irritam os próximos), nossas palavras mal ponderadas, etc. Duvidar significa dizer a esses fantasmas: vocês não têm domínio sobre mim [Cury, 2013*].

Em seguida, devemos CRITICAR a provável ilogicidade de nossas motivações inconscientes que nos levam a ferir o outro. E isto significará, após a ponderação de que tais impulsos e razões são ilógicos, a dizer para esses fantasmas: vocês não têm razão de existir. Normalmente, tais fantasmas ou monstros são como aquela barata que se transforma num “monstro assustador” para aquela pessoa que tem “pavor” de baratas. Uma crítica lógica e racional pulverizará esse monstro e o tornará o que é: nada! Você arranja tempo para duvidar e criticar os seus fantasmas?

Finalmente, DETERMINAR, estrategicamente, uma nova atitude, novas posturas, novos comportamentos, novas ações, enfim, uma nova vida, não dominada por tais fantasmas ilógicos. Decidir e determinar que o autor de sua própria existência seja você mesmo, e não seus temores, fobias, fantasmas e demais impulsos inconscientes. A decisão, fria e calculista, após boa reflexão e meditação, é comum em sua vida?

5.       E FOGE DA ZONA DE ESTRESSE...

Erramos, também, porque muitas vezes falamos e tomamos decisões durante o que podemos chamar de “zona de estresse”. Dr. Augusto Cury, mais uma vez, nos orienta a evitar aqueles 30 segundos de fúria, de estresse, de tensão, calando-nos, respirando fundo, e conscientizando-nos de que grandes estragos e até tragédias ocorrem em relacionamentos humanos, durante esse pequeno período de tempo. Você consegue fugir dessas zonas de estresse?

É importantíssima tal sabedoria dos nossos avós: “conte até 10 durante o nervosismo”. De fato, praticar o não responder ou agir, durante a zona de tensão, ou zona de estresse, representará um grande salto de qualidade em nossos relacionamentos. Foi ofendido? Não responda na hora... Deixe passar algum tempo. Afinal, quem nunca ofendeu o próximo, consciente ou inconscientemente, que “atire a primeira pedra”! Portanto, em nome, também, dessa humildade – reconhecer que somos alguém que também ofendemos – devemos aceitar e, até, permitir que sejamos ofendidos... Sabendo, no entanto, que, muito provavelmente, ouviremos um pedido de perdão oportunamente. E você? nunca teve de pedir perdão por uma palavra dita num momento de explosão?

6.       E NÃO SE DEIXA DOMINAR POR PRECONCEITOS

E em último lugar, podemos citar um dos impulsos inconscientes que nos movem a ofender e a produzir relacionamentos de baixa qualidade afetiva: são os preconceitos que criamos em relação aos outros. No momento em que tais preconceitos se estabeleceram dentro de nós, eles passam a tentar nos dominar (como um impulso inconsciente) em nossos relacionamentos. Quando alguém já considera que o outro seja grosseiro, qualquer palavra mais dura que ele venha a proferir será encarada como “grosseria” e merecerá, de sua parte, uma resposta, talvez, igualmente grossa. No entanto, pode não ter havido, de fato, qualquer intenção de grosseria da parte da pessoa. É o chamado estar de “pé atrás” diante de alguém.

Que outros exemplos de preconceito, próprios ou de terceiros, você consegue lembrar-se? Não são, de fato, uma verdade nos relacionamentos?

Tendo em vista esses seis pontos de reflexão acima, muito provavelmente os conflitos de relacionamento entre familiares e amigos possam ser superados, possam ser vencidos e a verdadeira harmonia, tão desejada pelo amor que os move, possa vir a ser, finalmente, vivenciada.


*CURY, A. Armadilhas da mente. São Paulo: Arqueiro, 2013, p.162.

Uilso Aragono. (fevereiro de 2014)

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

CAUSAS IMEDIATAS E CAUSAS REMOTAS DE ACIDENTES

O recente acidente de trânsito ocorrido na Linha Amarela, no Rio de Janeiro, em que um caminhão, com a basculante levantada, derrubou uma passarela elevada matando quatro pessoas e deixando várias feridas, remete-nos, mais uma vez, a refletir sobre os acidentes de trânsito e suas causas.

As causas de acidentes de trânsito são, normalmente, reportadas como sendo alta velocidade, imprudência, embriaguês, uso do corredor entre os carros, ultrapassagem de sinal vermelho, etc. Estas causas, no entanto, são as chamadas “causas imediatas”, isto é, aquelas que saltam aos olhos na análise do acidente. São causas, sim, mas não são as causas mais importantes, são apenas aquelas que de forma mais evidente podem ser identificadas.

Um acidente que tenha provocado a morte de um pedestre, na faixa de segurança, atropelado por um carro dirigido por um motorista que se mostre claramente alcoolizado para o agente de trânsito e outras testemunhas, terá como causa certa a embriaguês do motorista. No entanto, não podemos parar neste ponto. Há que se procurar as chamadas “causas remotas”. Há que se perguntar: o que está por trás do cidadão que se permitiu dirigir alcoolizado? Há que se buscar as razões mais profundas, as causas mais originais, que viabilizaram o dirigir embriagado e o atropelamento.

O acidente da Linha Amarela já está sendo reportado como tendo sido causado por embriaguês do motorista e por este ter usado o celular enquanto dirigia, além de estar trafegando numa via proibida para caminhões. Mas, por mais que sejam identificadas as causas imediatas – essas três citadas –, o mais importante, para o bem da sociedade e para a busca de verdadeiras e definitivas soluções para esses acidentes, é a identificação da causas remotas, isto é, aquelas que levaram o motorista a agir da maneira que agiu; a dirigir de forma tão irresponsável e perigosa.

Uma análise da sociedade brasileira – e, em geral, das sociedades ditas civilizadas, em todo o mundo – nos leva a perceber, se olharmos de forma crítica e procurando enxergar para além das aparências, que somos uma sociedade marcada pela cultura do hedonismo, isto é, da busca do prazer, e pela cultura da libertinagem. Esses dois aspectos culturais parecem mover nossa sociedade. E levam consigo todas as suas funestas consequências. Vejamos cada um desses aspectos culturais e suas consequências.

O hedonismo (do grego hedonê, "prazer", "vontade") é uma antiga filosofia de vida que prega  o prazer como o supremo bem da vida humana. Parece que esta filosofia foi resgatada pelas sociedades modernas e assumida como o melhor guia do bem viver. “O importante é ser feliz”; “o importante é ter prazer em fazer as coisas”; “o importante é trabalhar com prazer”; “faça sexo com quem quiser, desde que seja sexo seguro”. Tudo é permitido em nome do prazer e da suposta felicidade dele decorrente. Não estaria aqui uma causa remota, original, que estaria por trás da causa imediata da embriaguês? Por que o motorista se permitiu embriagar? Porque o prazer dado pelo álcool é incentivado em nossa sociedade! “Beba o quanto quiser, desde que pague, que não seja roubado!”

Quanto à libertinagem, esta é uma cultura incentivada pelo nossa sociedade a partir do exagero e da supervalorização da liberdade individual. A libertinagem é, exatamente, o uso exagerado, descontrolado e sem limites da verdadeira liberdade: O cidadão, contagiado por tão ampla e propagada cultura da libertinagem, agirá pensando ser livre; pensando estar vivendo em liberdade: para ele, todas as regras e leis são restrições inaceitáveis para o exercício de sua liberdade, confundida com libertinagem. Não estaria aqui identificada uma causa remota do acidente da Linha Amarela? Por que o motorista, além de embriagado, decidiu desrespeitar uma clara proibição de tráfego de caminhões na via citada? Porque, para ele, vem em primeiro lugar a sua “liberdade” – isto é, libertinagem –, o direito de fazer o que bem entender, de decidir o que é melhor para ele. A regra, a proibição só foi feita para atrapalhar, portanto, deve ser sumariamente desrespeitada.

CONCLUSÃO

Enquanto nossa sociedade não aprender a identificar, com honestidade, as verdadeira causas remotas, e combatê-las com seriedade e rigor, de nada ou de pouco valerão as tentativas jurídicas de criminalizar os acidentes de trânsito. Enquanto nossas leis forem mal feitas, porque marcadas e embasadas pelas duas culturas de morte, acima – do hedonismo e da libertinagem –, teremos muito poucos avanças em  direção a um trânsito mais humano e com menos mortes desnecessárias. Enquanto nossa sociedade não aprender que a EDUCAÇÃO de base é o maior e melhor investimento que um Estado possa fazer em sua população, continuaremos a ter cidadãos facilmente contagiados por falsas culturas de morte, e facilmente levados a uma vida de insegurança, de acidentes, de sofrimentos e de vidas ceifadas muito antes do digno e bonito envelhecer.

Uilso Aragono (janeiro de 2014)

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

SER FELIZ OU FAZER FELIZ?

Neste último dia do ano é sempre bom pensarmos no quanto fomos felizes ou infelizes durante este ano que passou. É sempre bom fazer um balanço do que realizamos de bom ou não, do quanto fomos bem sucedidos nos negócios e nos relacionamentos, ou não...  

E como dizem que o importante na vida é “ser feliz”, gostaria de refletir sobre essa afirmativa, e contestá-la! No meu ponto de vista, ao contrário do que se afirma como certo, parece-me que esta crença acaba produzindo resultados ruins: focar na busca da própria felicidade acaba levando as pessoas – dependendo, claro, da formação moral e ética do indivíduo – a passar, até, por cima das outras...

Se o importante é ser feliz, como fica a felicidade dos outros ao meu redor? Se o importante e o objetivo da vida é ser feliz, que importa se os outros estão felizes? Cada um que busque a sua felicidade!... E quem pode mais... chora menos. Esses são os pensamentos que, conscientes ou inconscientes, acabam guiando as pessoas a cada ano que passa, a cada dia que se sucede. É, também, como se diz: a luta pela vida. E a busca da felicidade por parte de uma pessoa, quase que inevitavelmente, pode tornar-se empecilho para a felicidade de outra: está aqui a origem de todos os conflitos de interesses, relacionamentos e ações.

A melhor filosofia de vida seria, portanto, não buscar a própria felicidade, mas, isto sim, buscar a felicidade do outro. Não “ser feliz”, mas “fazer feliz”! Não ter como foco a busca – às vezes, a todo custo! – da própria felicidade, mas, antes, ao contrário, ter como foco a felicidade do outro. E isto trará, consigo, inevitavelmente, a própria felicidade. Pois é próprio da natureza humana sentir-se feliz com a felicidade alheia, especialmente daqueles mais próximos. Qual é a mãe, ou o pai, que não se sente feliz ao, até mesmo, sacrificar-se para fazer feliz um filho? Qual é o irmão verdadeiro que não “quer bem ao seu irmão”? Qual é o amigo sincero que não fica feliz pelo sucesso e pela felicidade do seu amigo?

Esta é a verdadeira, a produtiva, a eficaz e a mais cristã filosofia de vida a ser vivenciada! Como ensina Jesus e tantos outros pensadores da humanidade: viva fazendo ao outro o que você gostaria que lhe fizessem! Esta máxima confirma que o importante é Fazer Feliz!

Como bons exemplos podemos citar, a seguir, muitas situações de vida, profissional ou pessoal, em que se busca a felicidade do outro e, por consequência, a própria felicidade é encontrada.

O professor que, antes de preocupar-se em ser um bom, feliz e bem pago professor, trabalha e busca a felicidade, a realização e a aprendizagem dos alunos.
A senhora que, mesmo não tendo filhos, dedica-se a cuidar de filhos abandonados e carentes, buscando a felicidade e a realização destes.
O governante, a autoridade ou o político que sacrifica os próprios interesses para cuidar do bem comum, isto é, da felicidade dos outros.
O padre ou o religioso que, embora tenha feito um voto de pobreza, castidade e obediência, dedica sua vida à promoção e à felicidade da vida dos outros.
A mãe humilde, do interior deste País, que aprendeu a gostar de comer pé de galinha, no almoço, para deixar as melhores partes para os filhos.

Finalmente, como uma ode à verdadeira felicidade, podemos cantar juntos:

A busca da própria felicidade leva ao egoísmo.
   A busca da felicidade do outro leva ao altruísmo.
A busca da própria felicidade leva à destruição do outro que a possa atrapalhar.
   A busca da felicidade do outro leva à construção da vida e da felicidade desse outro.
A busca da própria felicidade leva ao conflito de interesses.
   A busca da felicidade do outro leva à harmonia de corações.
A busca da própria felicidade leva quase ao pecado.
   A busca da felicidade do outro leva à santidade.

O “ser feliz” ou a luta individual de busca da felicidade, como se esta busca fosse “o objetivo” da vida, pode, então, ser uma verdadeira pedra de tropeço na vida daqueles que a aceitarem como filosofia de vida. E o “fazer feliz” ou a busca da felicidade do outro, ao contrário, é a fonte de toda verdadeira felicidade e, por consequência, de toda harmonia entre as pessoas.

Uilso Aragono (dez. de 2013)

domingo, 3 de novembro de 2013

DIA DE TODOS E SANTOS E DIA DE FINADOS

Este artigo visa a esclarecer aos católicos, e a quem se interessar, os significados associados ao dia de Finados (feriado nacional, 2 de novembro) e ao dia de Todos os Santos (1º de novembro, celebrado no domingo seguinte). São reflexões de um leigo que está sempre buscando esclarecer-se sobre a doutrina de sua Igreja e buscando partilhar esse conhecimento, tão útil à vida social e à vida espiritual de todos nós.

INTRODUÇÃO

Para bom entendimento dos significados propostos é necessário, inicialmente, que recordemos o que a Igreja Cristã Católica entende pelo termo “Igreja”. Este termo deve ser entendido como a “assembleia dos santos”, ou o conjunto de todos os que buscam santificar-se em Cristo. A Igreja Católica, portanto, vê-se, a si própria, como uma igreja de três dimensões: a Igreja militante, a Igreja padecente, e a Igreja triunfante. A Igreja militante é o conjunto dos cristãos que ainda vivem na Terra e lutam ( ou militam) por sua santificação; a Igreja padecente é o conjunto de todos os já falecidos mas que não conseguiram santificar-se plenamente, morrendo com algumas “manchas” de pecado na alma, necessitando, portanto, purificar-se no Purgatório; a Igreja triunfante é o conjunto de todos os santos que morreram em estado de graça e conseguiram partir sem quaisquer “manchas” de pecado na alma, tendo direito a irem “direto” para o Céu, para participar da visão beatífica de Deus. Vemos, então, que a Igreja de Cristo é uma entidade não apenas terrena, mas, em conformidade com a doutrina que coloca Cristo como sua “cabeça”, também, uma entidade espiritual ou celestial, na medida em que tem seus membros congregados nessas três dimensões citadas. Fala-se, por consequência, que a Igreja é, também, a “comunhão dos santos”, santos entendidos como todos aqueles que buscam a santificação e que um dia, pela graça de Deus, certamente a alcançarão, ou ao fim desta vida terrena (todos os santos), ou ao fim do tempo espiritual correspondente ao Purgatório.
A partir do bom entendimento do conceito de Igreja, como visto acima, os significados dos dias citados já podem ser esclarecidos. Pode-se, então, estabelecer a diferença fundamental entre o dia de Finados e o dia de Todos os Santos.

DIA DE TODOS OS SANTOS

O dia de Todos os Santos é o dia estabelecido pela Igreja Católica para que todos nós, cristãos, recordemos a vida e as realizações de todos aqueles nossos entes queridos, amigos, e conhecidos, que, embora, como todos nós, tenham pecado, conseguiram, no entanto, morrer em estado de graça e tendo alcançado sua plena purificação ainda aqui, nesta Terra, com a graça de Deus e por meio de dores e sofrimentos vividos em união com Cristo e a Igreja. Mas não se trata aqui dos santos de altar, isto é, dos santos oficiais da Igreja, pois esses já têm seu dia marcado no calendário de festas e celebrações litúrgicas da Igreja. Trata-se, portanto, de todos os demais cristãos que, embora tenham alcançado uma vida santa já aqui na Terra, não são oficialmente reconhecidos como “santos”, mas que, de fato, aos olhos de Deus viveram vidas santas. São todas aquelas pessoas em relação às quais temos a impressão de que, de fato, por tudo o que viveram e sofreram, foram exemplo de cristãos, isto é, foram verdadeiros santos entre nós.

DIA DE FINADOS

Dia de Finados, ou dia dos mortos, ou dia dos defuntos, é o dia estabelecido pela Igreja Católica para que todos os cristãos se lembrem de seus falecidos que possam estar no Purgatório. É o dia das almas dos que estão no Purgatório. É o dia em que, em especial, nos recordamos de nossos entes queridos que faleceram, sem que tenhamos a certeza de que tenham alcançado a bem-aventurança (a santidade). É uma dia de lembrança, de homenagem, de emoções, de oração, e de oferecimento de missas e de sacrifícios pelas almas desses nossos entes queridos, para que sejam ajudados a superar “o tempo espiritual” (chamado “evo”, na teologia) correspondente ao seu sofrimento purificador e santificador, necessário a compensar as penas temporais não cumpridas no tempo de sua vida terrena. Essas “penas temporais” são aquelas devidas a pecados cometidos, perdoados, mas que não foram “compensados” por penas durante a vida terrena; penas essas associadas, normalmente, a jejuns, abstinências, esmolas, visitas a doentes, obras de caridade, participação em missas, e a dores e sofrimentos normais da vida, oferecidos a Deus por si e por outros. O tempo espiritual no Purgatório é um tempo de sofrimento purificador e santificador em que, diante da próxima visão beatífica de Deus, separada, talvez, como que por um fino véu, a alma procura santificar-se para ser digna de, finalmente, ultrapassar essa barreira final para alcançar o Céu. A alma reconhece que ainda não é digna, ainda não atingiu a necessária santidade de vida para encontrar-se face a face com seu Deus. Por isso sofre, angustia-se, arrepende-se de não ter buscado a santidade com mais empenho, enquanto ainda peregrinava na Terra. Nesse sofrimento, a alma pode ser ajudada pelos irmãos na Terra – dentro do conceito de Igreja como comunhão dos santos – por seus sacrifícios, sofrimentos e orações oferecidos a Deus por amor a essas almas e unidos no Amor de Cristo.

SOBRE O INFERNO

Nunca teremos certeza sobre o destino de alguma pessoa, a não ser em relação ao Céu. Se essa alma foi para o Purgatório ou para o Inferno, nunca teremos certeza nesta vida. Se algum ente querido foi para o Céu, esta certeza pode ser alcançada por meio de tudo o que conhecemos da vida da pessoa e por uma visão espiritual que a Graça de Deus possa nos comunicar. Não sabendo, portanto, se um ente querido, ou mesmo uma pessoa conhecida, após a morte tenha ido para o Purgatório ou para o Inferno, podemos e devemos rezar por sua alma. Deus, que tudo conhece, saberá dirigir nossas preces e nossos méritos para as almas que estiverem no Purgatório. Se a alma foi para o Inferno, que é um estado de separação definitiva de Deus, para nada lhe poderão servir as orações do cristão na Terra. Infelizmente e lamentavelmente essa realidade existe: no Inferno o sofrimento ocorre por absoluta consciência de que o amor a Deus foi negado, apesar de todas as graças disponíveis, e não há mais possibilidade de recuperação. O sofrimento da alma no Inferno é um sofrimento sem esperança, enquanto o sofrimento no Purgatório é, ao contrário, pleno da esperança celestial.

SOBRE AS INDULGÊNCIAS

Ligado à questão das penas temporais, a Igreja nos propõe a realidade das chamadas indulgências. Estas são dispensas ou cancelamentos de penas temporais relativas a pecados cometidos e já perdoados, mas cujas penas temporais ainda não foram cumpridas. Este conceito teologal está ligado à realidade dos méritos de Cristo, isto é, a tudo o que Jesus conquistou por meio de sua vida santa e sua morte redentora na cruz. É um tesouro riquíssimo, infinito, que a Igreja, como Cristo que ainda caminha na Terra, pode aplicar a uma alma, assim como o próprio Cristo aplicou muitas vezes e em sua vida terrena. Um cristão, portanto, pode beneficiar-se desse enorme Tesouro, ao cumprir certas exigências de oração e obras de caridade impostas pela Igreja, e receber indulgências parciais ou plenárias: no primeiro caso, muitas das penas temporais devidas são canceladas; no segundo caso, todas as penas temporais devidas são anuladas, até aquele momento. Isto significa que uma pessoa, tendo recebido indulgências plenárias, ao morrer logo em seguida, em estado de graça, irá diretamente para o Céu, tornando-se mais um dos santos de nossa Igreja. As indulgências são um benefício que Cristo concede à nossa fraqueza moral e espiritual. Por nós próprios, teríamos muita dificuldade de pagar nossas penas temporais devidas pelos nossos pecados, e correríamos o risco de irmos para o Purgatório; com as indulgências, os méritos de Cristo são aplicados à nossa fraqueza e apagam, efetivamente, nossas penas, ajudando-nos no nosso processo de santificação.

O CONCEITO BÍBLICO DE PURGATÓRIO

O dia de Finados tem sua base bíblica no segundo livro dos Macabeus (2 Mc 12,46). Este livro é um dos sete livros do Antigo Testamento que nossos irmãos evangélicos retiraram da Bíblia católica para transformá-la na Bíblia evangélica. Infelizmente, por questões não muito bem explicadas, e que não dá para aprofundar neste artigo, esse livro não está presente na Bíblia dos evangélicos, os quais, portanto, baseando sua crença, unicamente na Bíblia, não têm como acreditar no Purgatório. Mas este livro, que por mais de mil anos já pertencia à Bíblia – que é, eminentemente e originalmente, católica! – expõe, claramente, a crença dos antigos judeus na existência do Purgatório: “Por isso, (Judas Macabeu) mandou oferecer um sacrifício pelo pecado dos que tinham morrido, para que fossem libertados do pecado” (2 MC 12,46).

CONCLUSÃO

O dia de Finados e o dia de Todos os Santos são dois momentos importantíssimos na vida do cristão, pois bem compreendidos e bem celebrados têm todas as condições de levar-nos a uma vida cristã mais santa e santificadora. Celebrando-os com consciência estaremos vivenciando de forma admirável e eficaz a realidade da comunhão dos santos, que nos beneficia a todos que buscamos um mundo mais justo, mais santo e mais feliz.


Uilso Aragono (No dia de Finados, 02/novembro de 2013)

terça-feira, 15 de outubro de 2013

O PROFESSOR E A APRENDIZAGEM

Acredita-se por aí que o professor ensine, isto é, tenha o poder de ensinar.
Mas se fosse assim, todos os alunos aprenderiam e não se reprovariam.
O que se constata, no entanto, é que as palavras do professor parecem voar...
Não se vê uma ligação direta, biunívoca, entre o ensino e a aprendizagem.

Se o ensino existisse, como consequência ter-se-ia a aprendizagem.
Mas a aprendizagem é fruto do estudo e do esforço do aprendiz.  E para isto as provas muito ajudam.
Pode-se então afirmar que o ensino seja virtual e a aprendizagem, real?
O binômio ensino-aprendizagem, expressão tão usada por pedagogos, não estaria significando precisamente isto? Se existisse o ensino, puramente, autonomamente, por que atrelá-lo à aprendizagem?

Na verdade, a aprendizagem é fato real para todo ser humano: aprende-se desde criança.
Quem ensina uma criança de um ano a falar? Houve ensino? Houve aprendizagem?
Ninguém duvida que exista o aprendiz; mas existe o “ensinador”?  Este seria o professor!

Mas se o professor não tem poder de ensinar, qual é a missão do professor?
O professor existe, não para ensinar, mas para orientar a aprendizagem.
Para incentivar o aluno no seu processo real de aprendizagem.
Para ajudar no processo de avaliação e autoavaliação do aluno.
Para tirar dúvidas e esclarecer as questões obscuras.
Para propor desafios e exercícios para aprofundar e fixar a aprendizagem.
Para passar suas experiências de vida, de cidadania, e de profissional.
Para ser um guia, um amigo, um conselheiro, uma referência, um educador!

Hoje, na era da internet e dos cursos à distância, cada vez mais se torna o aluno um autodidata. E cada vez mais se torna o professor um orientador da aprendizagem. Sim! O ensino é virtual... mas a aprendizagem é real!


sábado, 12 de outubro de 2013

A PRESENÇA DE MARIA NA BÍBLIA

Maria, a Mãe de Jesus, tão venerada e amada no seio da Igreja Católica, e tão desprestigiada no meio dos irmãos evangélicos, é presença admirável, constante e exemplar nos escritos do Novo Testamento. Abaixo são analisadas algumas das passagens mais marcantes da presença de Maria junto a Jesus, mostrando o quanto Ele A amava e ainda A ama.

NA ANUNCIAÇÃO

Na anunciação, Lucas nos apresenta uma jovem que recebe a visita do Anjo do Senhor! Quem recebe tal visita, nos escritos da Bíblia, e nos Evangelhos, em particular, é uma pessoa que passa a ter uma missão especial na vida dos judeus e dos cristãos. Assim aconteceu com grandes nomes da Bíblia: Abraão, Moisés, os profetas, Zacarias, São Paulo apóstolo, etc. Todos os que receberam a “visita” do Senhor, de formas as mais variadas, tornaram-se grandes nomes da vida da Igreja. Por que seria diferente com Maria?

Alguns irmãos evangélicos utilizam o argumento de que Maria ter-se-ia declarado, a si própria, como uma “humilde escrava do Senhor” para concluir que, por isto mesmo, ela não seria nada mais do que isso: uma mera serva do Senhor, tendo sido usada por Ele “apenas” para a encarnação do Verbo Divino. Mas por que, então, os evangélicos têm tanta admiração pelo Apóstolo Paulo – e por seus escritos e ensinamentos – se ele mesmo, como Maria, se declara, em seus escritos, como um “abortivo”? Em ambos os casos, a correta interpretação está ligada à humildade dos santos! Embora os santos tenham consciência de sua santidade, também mantêm a consciência de que são “humildes servos do Senhor”, sempre sujeitos à tentação e ao pecado. Maria, portanto, com sua autodeclaração de humildade, manifesta, já na mocidade, e diante de um anúncio maravilhoso, sua verdadeira santidade!

NO NASCIMENTO DE JESUS

Maria é a mulher do silêncio, da confiança no Senhor! Mesmo passando por necessidades materiais, estando em dificuldades para ter seu Filho, junto com José, seu esposo, confia no Senhor. E tudo acontece sem maiores problemas: o Menino Jesus vem à luz, para ser a Luz do mundo! Maria, nessa fase, é, simplesmente, Mãe: zelosa, dedicada e presença amorosa! Tem consciência de que Jesus é Filho de Deus, embora, também, seu próprio Filho.

Todo cristão católico ama Maria, e a venera como a Mãe do Senhor, a Mãe de Jesus, porque acredita – junto com toda a Igreja – que amar Maria é algo desejado por Jesus. Pois qual é o filho que não ama sua mãe? E sendo Jesus o Filho Santo de Deus, como poderia Ele deixar de exercer este amor filial, tão próprio de qualquer filho? Podemos concluir o quão profundamente Jesus amava e ama Sua Mãe. E qual o filho que não desejaria que seus amigos tratassem bem sua mãe? Qual o filho que não ficaria feliz de ouvir dos amigos palavras gentis e elogiosas a respeito de sua mãe? Quem ama mais a Jesus? – Os que dizem que O amam e O aceitam como Senhor e Salvador, mas ignoram a presença de sua Mãe na história da Salvação? – Ou os que igualmente O amam e O aceitam como Salvador e, além disso, amam profundamente Sua Mãe, enchendo-a de elogios e de títulos como: Mãe de Jesus, Mãe de Deus (porque Jesus é Deus), Mãe da Igreja, Mãe da Divina Graça, Nossa Senhora, Mãe imaculada, Virgem Santa, Santíssima Mãe de Deus, etc.?... Quem ama mais a Jesus?...

NA ADOLESCÊNCIA DE JESUS

Maria e José, todos os anos, exerciam o seu dever sagrado de visitar o Templo do Senhor, em Jerusalém. E levavam Jesus, desde menino, para acompanhá-los a vivenciar a fé no Senhor. Faziam uma viagem longa, a pé, em caravana com parentes e amigos, como exercício de piedade e de fé. E uma vez, Jesus ficou para trás. Pensando que estivesse com os parentes em algum ponto da caravana – como sempre devia acontecer – Maria e José partiram em viagem. Ao perceberem Sua falta, retornaram a Jerusalém e O encontraram no Templo, junto com os doutores da Lei. Ao ser questionado pela Mãe, Ele responde: “Não sabíeis que devo cuidar das coisas de meu Pai?”. E Maria, diz o Evangelista mais tarde, “guardava essas coisas no seu coração”. Que exemplo bonito de fé e de amor a Jesus: guardar suas palavras no coração! Os Santos existem para que os imitemos. E Maria, sendo a Mãe de Jesus, deve ser imitada de modo todo especial!

Uilso Aragono, na Festa da Padroeira do Brasil, 12 de outubro de 2013.

Quem sou eu

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Sou formado em Engenharia Elétrica, com mestrado e doutorado na Univ. Federal de Santa Catarina e Prof. Titular, aposentado, na Univ. Fed. do Espírito Santo (UFES). Tenho formação, também, em Filosofia, Teologia, Educação, Língua Internacional (Esperanto), Oratória e comunicação. Meu currículo Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4787185A8

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