domingo, 31 de julho de 2016

IDEOLOGIA DE GÊNERO: UMA GRANDE FARSA

A já tão falada "ideologia de gênero" apresenta-se à sociedade como uma proposta aparentemente boa, verdadeira e justa, pregando a igualdade, a democracia e a liberdade, mas é, na verdade um conjunto de esforços para impor uma sociedade sem Deus, antidemocrática e libertina.

CONCEITOS BÁSICOS

           Ideologia:

É um conjunto de ideias e crenças de um grupo de pessoas que sustenta sua ação política. Segundo D. D. Raphael, é geralmente um termo utilizado para significar uma doutrina normativa não suportada por argumentos racionais. (D. D. Raphael, "Problems of Political Philosophy, 1979")

        Pode-se já notar aqui, que há algo de irracional nessas ideias, segundo um filósofo, pessoa dada a analisar o pensamento humano.

           Veja-se, ainda, que o conceito de ideologia está na base de ações políticas que buscam certos objetivos, nem todos, claramente, explicitados ou identificados.

          Exemplos: ideologia fascista, ideologia conservadora, ideologia anarquista, ideologia de gênero, etc. Aliás, a ideologia de gênero é uma espécie de ideologia anarquista...

Gênero:

É um termo normalmente utilizado na linguística, na gramática, significando a diferença de "sexo", isto é, masculino ou feminino, entre os objetos. Uma mesa é de gênero masculino, um quadro negro é de gênero masculino. Utiliza-se esta expressão – gênero – porque, a rigor, os objetos não têm sexo, havendo necessidade, no entanto, em alguns idiomas, de se designar por artigo masculino ou feminino certos objetos. Em italiano, por exemplo, o quadro negro é de gênero feminino: "la lavagna". 

Como será visto à frente (estratégias), a ideologia de gênero se apropria de certos termos e lhes dá um novo significado para ser utilizado nas suas ações políticas. Além de criar novos termos, como será visto.

                PROPOSTA DA IDEOLOGIA

                               Não há diferenças entre os sexos

                               A ideologia de gênero, também conhecida como ideologia da ausência de gênero", propõe o termo "gênero", para substituir o termo "sexo", com base em sua crença (e sua proposta para a sociedade) de que não haja, efetivamente, diferença entre os sexos; que os seres humanos, apesar das diferenças biológicas, objetivas, nascem "neutros" e poderiam, ao longo da vida, escolher seu gênero: masculino ou feminino, dentre outros...

                               A ideologia de gênero acredita e propõe à sociedade que sexualidade humana seja parte de "construções sociais e culturais", e não um fator biológico. (Vide: www.significado.com.br/ideologia; acesso em 29/07/16.) Isto faz parte da crença de que tudo na vida seja fruto do trabalho e das decisões do homem, do ser humano. Aqui já se verifica que o ateísmo – que acredita no homem, mas não em Deus – é a melhor opção para o homem moderno.

                               Liberdade de escolha pessoal

                            A ideologia divulga que agindo assim, a sociedade estaria garantindo a tão desejada liberdade pessoal. Isto é entendido pelos propositores da ideologia como uma maneira bem egocêntrica de viver, embora não reconheçam claramente isso. Por exemplo, a mulher poderia, tranquilamente, como fruto de sua "liberdade de escolha", decidir viver uma vida a dois com outra mulher, garantindo, assim: seu prazer sexual, sua liberdade para trabalhar sem ter filhos (inesperados), e sua liberdade para tê-los (por inseminação artificial ou adoção).

 No caso de uma mulher casada com um homem sua liberdade estaria garantida pelo fato de, ficando grávida, inesperadamente, o aborto ser a saída "natural", para garantir sua liberdade (egocêntrica). Este último exemplo se baseia na crença (ou ideologia) que admite (sem qualquer prova científica mais cabal) que seja o homem (o ser humano) o responsável por tudo o que aconteça com a sociedade e, mesmo, com a natureza, como será visto mais à frente. A quantidade de filhos, portanto, é uma escolha absoluta do "casal", seja este de qualquer formato: homem-mulher, homem-homem, mulher-mulher, etc.

Liberdade sexual

A proposta de liberdade – tão atraente para o cidadão ocidental, particularmente – é apresentada com muita ênfase, mas não é a verdadeira liberdade, pois esta, tem limites! A ideologia de gênero propõe, na verdade, uma liberdade sobretudo sexual! A liberdade é tanta que a pessoa poderia – de acordo com sua liberdade de escolha – decidir por mudar de papel sexual: de homem, passar a ser mulher, por exemplo! A prática de relações sexuais estaria totalmente liberada: alguns defendem até mesmo entre parentes, com crianças e com animais!... É uma verdadeira libertinagem!

Observe-se que a crença em Deus e nos valores éticos e morais daí decorrentes é totalmente oposta a tais propostas. Portanto, conclui-se que o ateísmo prático, está, de fato, por trás e na base da ideologia de gênero. Sem Deus, tudo é livre, tudo se torna relativo, tudo é aceito, tolera-se tudo!

CRENÇAS NA BASE DA IDEOLOGIA

Igualdade sexual e em geral (igualdade absoluta)

Os propositores da ideologia de gênero partem da aparentemente correta ideia de que a igualdade – no seguimento do lema da revolução francesa: "Liberdade, Igualdade, Fraternidade" – seja um valor aceito por todas as pessoas. No entanto, há que se chamar a atenção para o fato de que, na verdade, a igualdade absoluta não é um valor cristão! A igualdade cristã é aplicada à dignidade da pessoa humana! No mais, como será visto adiante, a desigualdade entre as pessoas é a marca de nossa realidade: fomos feitos por Deus sob a marca da originalidade!

Propondo, ou melhor, impondo a crença da igualdade absoluta, os defensores de tal ideologia fazem crer aos desavisados que somos todos iguais, inclusive no sexo! Não haveria, portanto, diferença biológica essencial entre os seres humanos. E qualquer opção sexual pessoal seria válida, abrindo-se, assim, caminho para uma tolerância total e completa entre as pessoas, que não estariam mais sujeitas às discriminações injustas dos tempos atuais.

Ateísmo prático e nova moral

Essa crença na igualdade absoluta faz eco – não deixemos de perceber! – ao movimento anticlerical ou anticatólico que, já na Revolução Francesa, propunha um mundo leigo, isto é, antirreligioso, ateu... E hoje, com o pensamento pós-moderno, busca-se, justamente, e mais uma vez, atacar a religiosidade e a crença em Deus (e em Jesus Cristo) para a implantação de uma nova moral não-cristã!

Esta é a crença (não-religiosa, mas crença!) dos apoiadores e divulgadores da ideologia em foco: criar, ou recriar, um mundo novo, onde reinem a igualdade (absoluta), a liberdade (ou, melhor, libertinagem) e a democracia (que, com o tempo, se fará autocracia...).

O homem é que "cria" o mundo

Acreditam, os ideólogos do gênero – ou melhor, "fingem" que acreditam! – que o homem seja o grande responsável por tudo, de bom e de ruim, que existe no mundo. Defendem que tudo seja de responsabilidade do homem. Portanto, tudo o que a sociedade ocidental aceitou como valores até aqui pode ser questionado, desse ponto de vista, propondo-se uma revisão das "arbitrariedades" impostas pela moral cristã ocidental. Entram aqui as "arbitrariedades": ser humano como homem e mulher; casamento como homem-mulher; mãe como papel da mulher; pai como papel do homem; etc.

ESTRATÉGIA DA IDEOLOGIA

Manipular a linguagem (novos termos)

Esta, talvez, seja a estratégia mais forte e marcante dos ideologistas do gênero. O próprio nome da ideologia é tirado de um termo "fabricado" para passar sua nova visão do homem: não tem sexo definido; mas "gênero" a ser escolhido!

Mas, além desse primeiro termo, escolhido para divulgar a ideologia, outros foram sendo arquitetados para constituírem-se vetores de disseminação de suas ideias e propostas à sociedade. Considerem-se os seguintes.

"Igualdade", tomado num sentido absoluto, como já discutido acima.

"Homossexualismo", criado para representar um conjunto de atos e comportamentos que, já há muitos anos, descreviam desvios de comportamento sexual, não aceitáveis como "normais" para a moral cristã. Alguns desses termos (alguns de baixo calão): pederastia, "viadagem", incesto, pedofilia, lesbianismo, etc.

Tendo divulgado o termo homossexualismo – como algo "natural" e possível dentro do contexto da "liberdade" humana, impõem um novo termo, oposto, que nunca foi necessário utilizar-se: o "Heterossexualismo". Estabelece-se, então, que duas possibilidades naturais e moralmente aceitáveis de comportamento sexual são, tanto o "homossexual" como o "heterossexual".

A palavra "discriminação" é utilizada, sem qualquer adjetivação, como sendo algo negativo e que deve ser rejeitado. Isto é feito para conquistar adeptos para suas ideias, como se os defensores da ideologia fossem pessoas muito preocupadas com a justiça nas relações humanas! Na verdade, sabe-se que a discriminação tanto pode ser justa como injusta. Há necessidade de adjetivação quando se usa tal termo, embora seja usado, de fato, no sentido mais negativo. Mas a discriminação positiva (ou justa) existe e é tão comum quanto a discriminação injusta. Exemplos de discriminação justa: meia entrada para estudantes; passe livre para anciãos no transporte público; assentos reservados e fila especial para idosos; banheiros masculino e feminino. Quanto a estes últimos, a ideologia de gênero prega que esta "discriminação" deva ser banida, e os banheiros transformados em banheiros de "gênero", onde entra cada um conforme sua própria identidade sexual assumida...

Unir-se a outras ideologias similares

Alinham-se, ainda, os ideólogos do gênero, às correntes de ambientalistas e de muita gente de má fé, que querem atribuir a responsabilidade pelas "mudanças climáticas" (que, na verdade, são variações naturais climáticas!), mais uma vez, ao ser humano. E faz sentido para eles: no contexto de uma igualdade absoluta, tudo é igual na natureza (inclusive o clima!), e qualquer mudança que esteja ocorrendo é de responsabilidade do homem! Ele é que provoca tais mudanças! Assim como faz na natureza, o homem também pode fazer nas relações e no comportamento humanos.

Esta visão eleva o homem quase à categoria de um "deus", que tem o poder de fazer o que quiser com o mundo e com a sua vida: ele tem o poder (que antes era da Natureza) de alterar o clima; ele tem o poder de alterar o sexo biológico pela liberdade de "opção sexual"; ele tem o poder de relativizar tudo o que queira, em função de seu "bem maior" (sua liberdade, sua individualidade, seus prazeres, etc.).

O conceito do Deus cristão desaparece, é desnecessário, porque cabe ao homem (ser humano) tudo decidir em função de suas crenças pessoais.

DESMONTANDO A IDEOLOGIA DE GÊNERO

A igualdade é uma utopia e uma impossibilidade

A crença tão disseminada pelos ideólogos de gênero, de uma "igualdade" absoluta, não se sustenta sob a ótica da fé cristã. Já no Gênesis, se lê: "E Deus criou o homem, e os criou homem e mulher" (Gn 1, 27). E não só os criou em dois sexos claramente distintos, sob o ponto de vista biológico – em que até suas células e cromossomos são distintos no homem e na mulher! –, como os criou cada um diferente do outro: são milhões de pessoas com características totalmente únicas e individualizadas, onde nem os gêmeos univitelinos (iguais entre si, na aparência) são, verdadeiramente, iguais! Embora possam ter muitas similaridades, cada um dos gêmeos tem sua própria personalidade e seu caráter, como nos demonstra, facilmente, a experiência.

Na natureza, nada mais bonito do que a variedade de objetos e de seres vivos! Um Deus que criasse tudo igual, seria um deusinho, um ídolo... A individualidade é uma marca que atinge a todas as criaturas: mesmo em uma certa espécie animal, por exemplo, cada indivíduo é único, é diferente! Somos todos iguais diante de Deus, e uns diante dos outros no que respeita ao direito a uma vida digna e à liberdade de consciência.  No mais, somos todos desiguais! E o respeito a essas desigualdades é fundamental para um Direito justo, para uma vida social com dignidade para todos. E incluem-se, inclusive, os mais "desiguais", isto é, aqueles que têm necessidades especiais! Num mundo igual, esses últimos seriam descartados...

Não é a proposta de uma igualdade absoluta que levará o ser humano a superar as intolerâncias injustas. É uma questão de educação, de respeito, de amor. E enquanto existir o homem na natureza, sua tendência ao egoísmo, à maldade, enfim, ao pecado, religiosamente falando, o levará a relações imperfeitas com o outro ser humano.

É uma ideologia claramente anticristã

Como já visto acima, trata-se de uma ideologia, além de irracional, por si mesma, totalmente anticristã. Seu propósito, não claramente enunciado – para não assustar as pessoas! –, é implantar uma sociedade com novos padrões morais, não cristãos.

Os cristãos devem ficar muito atentos à manipulação linguística utilizada pela ideologia para implantar seus novos "valores", que, na verdade, são verdadeiros atentados à ética e à moral cristãs.

Ler, discutir, rezar e viver santamente, além de agir politicamente no sentido de combater essa grande farsa, é dever de cada cristão.

O homem é colocado no lugar de Deus

Sendo uma ideologia de fundo ateísta, embora não se declare como tal, busca, na verdade, a implantação de uma sociedade totalmente "leiga", isto é, sem religião, sem fé, sem Deus: uma sociedade ateia. Na verdade, os ateus propositores dessa perniciosa e ideologia lutam contra a fé, mas eles mesmos, têm fé. Mas, fé no homem!...

CONCLUSÃO

Por tudo acima discutido vê-se que a chamada ideologia de gênero é, de fato, uma grande farsa, embora se apresente à sociedade como se fosse um conjunto de novas crenças e práticas totalmente democráticas e favoráveis à liberdade e à felicidade das pessoas. E, justamente por isto, constitui-se numa grande ameaça à própria sociedade cristã ocidental, pois se insinua como um verdadeiro lobo em pele de cordeiro. Estão ameaçados, não somente os valores cristãos e a fé cristã, mas, também, os próprios valores democráticos e de liberdade verdadeira. Sendo assumida pela Sociedade, tal ideologia terá criado, de fato, uma nova sociedade: libertina sexualmente, ateia e antidemocrática; tudo o contrário do que, falsamente, propugna. Fiquemos atentos! Especialmente os cristãos, lutemos contra tais propostas que visam, sobretudo, a eliminar Deus dos corações e a aposentar os valores cristãos da sociedade ocidental.

REFERÊNCIAS PROPOSTAS:

1.       SCALA, Jorge. Ideologia de gênero – O neototalitarismo e a morte da família. Katechesis e Artpress, São Paulo, 2011. (Este livro, em forma digital (pdf), pode ser baixado pelo link: http://migre.me/uwduUs.)
2.       SOLANO, Rafael (Pe). Ideologia de gênero – e a crise da identidade sexual. Canção Nova. São Paulo.
3.       BONNEWIJN, Olivier.  Gender, quem és tu? – sobre a ideologia de gênero. Ecclesiae. 1.ed. 2015.

                Uilso Aragono  (julho de 2016)

         uilso.arag@gmail.com

quinta-feira, 30 de junho de 2016

A BÍBLIA É FILHA DA IGREJA CRISTÃ

A Bíblia, o livro mais lido e traduzido no mundo inteiro, não caiu do céu, não foi escrito por uma só pessoa, e nem por anjos. Na verdade, nem é um livro, mas um conjunto de livros.  E esses foram escritos por judeus (livros do Antigo Testamento) e por cristãos (livros do Novo Testamento).

COMPILAÇÃO DA BÍBLIA

A Bíblia pode ser pensada como sendo Filha da Igreja, porque foi esta - a Igreja Católica primitiva - que compilou, ao longo do tempo, os livros que deveriam ser considerados como livros sagrados para os cristãos. Antes da Igreja, portanto, não existia a Bíblia! Esta foi sendo preparada por meio da identificação, da análise e da seleção, dentre os muitos livros considerados sagrados (por judeus e primeiros cristãos), daqueles que deveriam compor o conjunto dos livros sagrados. Esses livros, uma vez identificados, constituíram o assim chamado “Cânon”, isto é, lista dos livros sagrados para os cristãos. E este Cânon foi, ao longo do tempo, sendo aperfeiçoado pela Igreja por meio de seus concílios.

É importante que se diga e que se reconheça que a Igreja Cristã é anterior à existência da Bíblia. E que se entenda que a Bíblia é, na verdade, um conjunto (Bíblia = biblioteca) de livros que foram sendo aceitos como sagrados para os cristãos. Esses livros foram sendo reconhecidos, portanto, como sendo Palavra de Deus.

A BÍBLIA É PALAVRA DE DEUS

Pode-se, de fato, portanto, reconhecer-se que a Bíblia - preparada pela Igreja Cristã - seja expressão da Palavra de Deus! Mas há que se reconhecer, também, que a Palavra de Deus é maior do que a Bíblia! Isto é, Deus é maior do que a Igreja e do que a Bíblia! A Bíblia contém a Palavra de Deus, mas não Toda a Palavra de Deus! Porque o Senhor é Vivo e não pode estar restrito às palavras registradas em um livro que foi escrito - embora por inspiração divina - por seres humanos! Deus, portanto, fala, sem dúvida, por meio dos escritos sagrados da Bíblia, mas também, e sobretudo, por meio da sua Igreja, através da ação do Espírito Santo. E este Espírito Santo vem atuando nessa mesma Igreja desde os seus primórdios - quando a Bíblia ainda não existia! -, ao longo do tempo em que esta foi tomando forma, até chegar aos tempos atuais.

A Igreja, na verdade, não apenas compilou os livros do Novo Testamento da Bíblia, mas os produziu nos primeiros séculos: foram as cartas dos apóstolos e os evangelhos, dentre outros.

A IGREJA É O FUNDAMENTO DA VERDADE

A Bíblia, portanto, sendo Filha da Igreja, tendo sido “montada”, compilada, pelos membros da Igreja Cristã, não poderia, de fato ser o “Fundamento da Verdade”. Este fundamento - conforme afirma o Apóstolo Paulo, em uma de suas cartas apostólicas, é a Igreja! E esta afirmação está, portanto, na própria Bíblia! A Bíblia, então, responde à pergunta “Qual é o fundamento da verdade?” com a afirmação de que é a Igreja tal fundamento! (Ver 1 Tm 3,15)

De fato, antes do aparecimento da Bíblia - cuja lista completa (Cânon) de livros do Novo Testamento (livros cristãos) somente foi definitivamente finalizada no II Concílio de Cartago (417 d.C.) - os cristãos já viviam como Igreja, já celebravam sua Fé no Cristo Ressuscitado, já viviam a Fração do Pão (“Fazei isto em minha memória”), e já estavam escrevendo textos catequéticos e, de certa forma, históricos.

Mas a Bíblia, embora não seja o “fundamento da verdade” (que é a Igreja), é, para todos os cristãos, o “fundamento da Fé”, pois contém os testemunhos de fé dos primeiros cristãos, daqueles que mais de perto conviveram com o Cristo - isto é, seus apóstolos -, e com seus sucessores.

CRISTO NÃO ESCREVEU A BÍBLIA

Nosso Senhor Jesus Cristo nada escreveu, muito menos a Bíblia! E não ordenou a ninguém que escrevesse sobre Ele. Suas ordens foram que pregassem o Evangelho a todos os povos e que partissem o pão (Sua Carne) e bebessem o vinho (Seu Sangue) “em sua memória” (Jo 6).

Os escritos sagrados foram aparecendo por necessidade dos processos de evangelização, de catequese, e de multiplicação dos testemunhos cristãos. A Bíblia é, portanto, de fato, Filha da Igreja!

ESTAREI CONVOSCO ATÉ O FIM

Jesus Cristo também prometeu que estaria conosco até o fim dos tempos. E prometeu, também, que para tal, enviaria o seu Espírito Santo, o Espírito da Verdade, que revelaria aos evangelizadores toda a verdade. E esta promessa não se realizou somente durante os primeiros tempos da vida da Igreja Cristã. Foi realizada durante toda a compilação dos livros sagrados e a definição do que seria a Bíblia, cujo resultado é obra, portanto, da Igreja e do Espírito Santo, mas continuou a realizar-se ao longo dos séculos, até os tempos atuais.

Por isto, a verdadeira Igreja Cristã, que gerou a Bíblia e que produziu os primeiros mártires para Cristo, pode, hoje, afirmar que seu fundamento se assenta, para além da presença garantida do Espírito da Verdade, sobre três colunas:
– A Bíblia (fundamento da fé);
– Os escritos dos primeiros teólogos cristãos após os apóstolos e escritos bíblicos (fundamento doutrinal), isto é, a Tradição católica (os chamados Padres da Igreja);
– O Magistério, isto é, o sucessor de Pedro (o Papa atual) e as decisões conciliares e sinodais (bispos da Igreja) da Igreja no mundo de hoje.

A BÍBLIA É, DE FATO, FILHA DA IGREJA CATÓLICA

Tendo em visto tudo o que acima foi colocado, todos os cristãos, independentemente da afiliação a esta ou àquela igreja ou àquela denominação, deveríamos ter muita consideração e respeito e sentido de agradecimento pela Igreja Católica, que foi a geradora, a guardiã e a maior multiplicadora da Bíblia (pelo trabalho de reprodução manuscrita feita por seus monges ao longo dos séculos) que até hoje é utilizada por todas as igrejas cristãs, presentes no mundo inteiro.


Uilso Aragono  (junho de 2016)

terça-feira, 31 de maio de 2016

PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DO GOVERNO DILMA-PT

Este artigo pretende resgatar os pontos positivos do governo petista da Sra. Dilma, bem como, e sobretudo, apontar os pontos negativos que, por avaliação majoritária do povo que foi às ruas, deram o embasamento necessário para que a Câmara dos Deputados atendesse, democraticamente, os pleitos das ruas.

Façamos um quadro com os pontos positivos e negativos, lado a lado, envolvendo todos os 13 anos de governo petista.

PONTOS POSITIVOS
PONTOS NEGATIVOS
Programa Bolsa-Família
Estelionato eleitoral (Eleições de 2014).
Programa Minha Casa, Minha Vida
Tentativa de Imposição da Ideologia de Gênero.
Programa Luz Para Todos
Defesa do Aborto.
Novas Universidades e Escolas Técnicas
Pedaladas Fiscais e Gastos Exorbitantes: rombo orçamentário
Programa FIES
Aparelhamento do Estado e de suas instituições (Ver no Sesi, por exemplo: http://goo.gl/hFwqVc)
Regimes de Cotas para universidades
Tentativa de censura da Imprensa.
Carta Branca para a Polícia Federal
Mentiras e mais mentiras: Distorção da realidade (Ver um exemplo: http://goo.gl/C0XHcU)

Tarifas congeladas artificialmente (energia, por exemplo)

Inflação em disparada: de 6,41%, em 2014, para 10,67%, em 2015 (Ver: http://goo.gl/P9Tcmx)

Desemprego como nunca: 11,4 milhões de brasileiros; 11,2% ! (Ver: http://goo.gl/MqJ6Cw)

Recessão econômica: milhões de empresas fechadas.

Presidente sem diálogo político, efetivo, com o Congresso.

Impotência para lidar com a crise político-econômica.

Incapacidade de manter sua base aliada: ruptura com o PMDB.

Corrupção na Petrobras, na Eletrobras, na Eletronorte, na Eletronuclear, etc. (Ver: http://goo.gl/5IwAWL; http://goo.gl/VcuVq7)

Programa Mais Médicos.

Perda de Refinarias da Petrobras para a Bolívia de Evo Morales. (Ver: http://goo.gl/hlJtFI)

Investimentos, com cláusula “secreta”, no porto Mariel, de Cuba pelo BNDES, à Odebrecht: 682 milhões de dólares! (Ver: http://goo.gl/WHpBAH)

Investimentos de 12 bilhões de dólares em empréstimos a obras no exterior, pelo BNDES, sem acompanhamento do TCU. (Ver: http://goo.gl/WHpBAH)

Contas da gestão Dilma 2014 rejeitadas pelo TCU. (Ver: http://goo.gl/sJrbe4)

Suspeitas de manipulação (sumiço) pelo TSE de relatórios técnicos internos sugerindo reprovação de contas de Lula, em 2003, e de Dilma, em 2010. (Ver: http://goo.gl/RX5ItJ)

Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil têm lucro reduzido. (Ver BB: http://goo.gl/7HiLVc)



A continuar...


Uilso Aragono. (maio de 2016)

sábado, 30 de abril de 2016

ERROS COMUNS NO USO DO PORTUGUÊS (II)

Dando continuidade ao artigo sobre o mesmo assunto, apresento, a seguir, mais dois erros muito comuns no uso de nosso português.

9. PRÓXIMO E PRÓXIMOS(AS)

A expressão “próximo de”, ou “próximo a”, significa “perto de”. Esta última expressão, “perto de”, não tem, nunca, variação, e não se erra no seu uso. No entanto, a expressão “próximo de” tem expressões parentes: próximo(s) e próxima(s), com significados distintos. E é este parentesco que gera os erros de utilização da expressão citada.

Exemplos:
                “A rua do Ouvidor fica próxima à avenida do Falador”. A palavras próximo e próxima têm o significado de “íntimo”. Portanto, na frase dada, deseja-se passar a ideia de que uma rua esteja nas proximidades da outra, ou na vizinhança da outra, mas o que está escrito significa que uma rua é “íntima” da outra!  A frase correta poderia ser qualquer uma das seguintes:

                “A rua do Ouvidor fica próximo à rua do Falador”.
    “A rua do Ouvidor fica nas proximidades da rua do Falador”.
                “A rua do Ouvidor é vizinha à rua do Falador”.
                “A rua do Ouvidor é adjacente à rua do Falador”.

O erro é muito comum porque as pessoas preferem utilizar a expressão mais erudita, “próximo de”, no lugar da mais simples, “perto de”. Utilizando-se esta, poucos erros aconteceriam, porque esta nunca varia, mesmo: “A rua do Ouvidor é perto da rua do Falador”.

Outros exemplos de erros a serem evitados:

                “Ela é aquela que está próxima do narrador”. O correto seria: Ela é aquela que está perto do narrador; ou: Ela é aquela que está próximo ao narrador”; ou: Ela é aquela que está nas proximidades do narrador.

                “Os corredores estão, perigosamente, muito próximos um do outro”. – Eles são íntimos, um do outro? ... O correto seria: Os corredores estão, perigosamente, muito perto um do outro”; ou: Os corredores estão, perigosamente, muito juntos”; ou: Os corredores estão, perigosamente, muito adjacentes, um ao outro”.

10. SER MOTIVO PARA

Algumas frases são escritas com uso inadequado de plural na palavra “motivo”. O sujeito no plural como que “puxa” o plural da palavra “motivo”, tornando a frase incorreta.
Veja-se o exemplo:


                “As questões religiosas não devem ser motivos para brigas”. O correto seria: “As questões religiosas não deveriam ser motivo para brigas”. Isto se explica assim: ser motivo = constituir motivo. Portanto, a frase quer dizer: “As questões religiosas não devem constituir motivo para brigas”.

Uilso Aragono (abril de 2016)

quinta-feira, 31 de março de 2016

ERROS COMUNS NO USO DO PORTUGUÊS


Toda língua nacional é muito difícil de ser totalmente dominada. Os erros se multiplicam, tanto na forma falada quanto na forma escrita. E são erros que não são percebidos como tais, mas, ao contrário, impõem-se como se fossem as expressões mais acertadas do idioma. Muitos deles têm ocorrido com tanta frequência que a forma correta, ao ser utilizada, parecerá, aos que a ouvirem ou a lerem, a forma errada! ...

Neste texto proponho explorar alguns desses erros comuns e generalizadamente utilizados, seja na forma falada, seja na forma escrita do idioma.

1. “SEJA ISTO, SEJA AQUILO”

Algumas expressões tais como “seja isto, seja aquilo”, “ou isto, ou aquilo”, têm sido deturpadas e utilizadas em forma mista. Exemplos:

                “Seja você um empreendedor, um microempresário, ou um simples empregado, a batalha é difícil”. Parece não haver erro. Mas há! O correto seria: “Seja você um empreendedor, um microempresário, seja um simples empregado...”. A expressão correta é: “seja isto, seja aquilo”.

2. SUBSTANTIVO NO SINGULAR, E NÃO NO PLURAL

Errar na concordância nominal deveria ser algo difícil de acontecer, já que é muito simples esta regra: um pão é gostoso; dois pães são gostosos... O termo “gostoso” varia em número (plural ou singular), conforme o sujeito! Veja-se o exemplo abaixo.

                “O Autor revela que o fracasso da economia russa e chinesa nos anos anteriores...”. Parece, de novo, um texto sem erros de português. No entanto, uma leitura mais atenta identificará que se trata de duas economias: a russa e a chinesa; e não de uma economia “russa-chinesa”! Portanto, o correto seria: “O Autor revela que o fracasso das economias russa e chinesa nos anos anteriores...”.

3. TRATA-SE E TRATAM-SE

“Trata-se de” significa: “fala-se de”, ou “comenta-se sobre”. Já “tratam-se de” significa: “cuidam-se de”. Vejam-se os exemplos abaixo.

                “Tratam-se de duas pessoas diferentes”. Se for o caso de um enfermeiro tratando de duas pessoas, o texto estará correto! Mas se o contexto mostrar que se fala de, que se comenta sobre duas pessoas diferentes, então o texto estará errado! O correto, neste caso, seria: “Trata-se de duas pessoas diferentes”.

4. ERRO DE SUBJUNTIVO (MUITÍSSIMO COMUM)

O subjuntivo é um caso particular de uso tão comumente errado – tanto na expressão escrita quanto na falada –, que merece (como já o fiz) um artigo à parte. Veja-se um exemplo abaixo.

                “É difícil encontrar um pesquisador cuja contribuição foi tão variada”. Embora aparentemente correta, um olhar mais atento revelará o erro de subjuntivo. Trata-se de distinguir os modos verbais INDICATIVO e SUBJUNTIVO. Este último passa ideia de incerteza e subjetividade. Aquele (o Indicativo) passa ideia de certeza e objetividade. Portanto, o correto seria: “É difícil encontrar um pesquisador cuja contribuição tenha sido tão variada”. Observe-se que, de fato, a frase passa ideia de incerteza: é difícil (embora, não impossível) encontrar... O modo INDICATIVO estaria correto se fosse: “A contribuição do pesquisador foi muito variada”. Neste caso: certeza e objetividade!

Outro exemplo:

                “Tudo leva a crer que esses quatro apóstolos já conheciam Jesus”. Aparentemente correta, a frase contém erro de subjuntivo. A incerteza é claríssima na frase: tudo leva a crer, embora não se tenha certeza... Portanto, a expressão correta seria: “Tudo leva a crer que esses quatro apóstolos já conhecessem Jesus”. A conjugação utilizada na frase “conheciam” só poderia ter sido utilizada se o modo fosse o indicativo (ou afirmativo): “Os quatro apóstolos já conheciam Jesus”.

Em resumo: os termos crer, ou acreditar, ou esperar, ou talvez exigem o uso do modo subjuntivo  já que são termos que passam a mensagem de incerteza e subjetividade.

 5. DE ou DAS ou DOS

A Utilização errada das preposições “de” (sentido indefinido) ou “das” ou “dos” (sentido definido e com marca de gênero) tem sido muito comum em textos, inclusive, revisados. Esses revisores que não identificam tais erros deveriam fazer uma boa revisão de seu próprio conhecimento...

Alguns exemplos:

                “Essa atitude, embora não resolva o problema do pai ou mãe emocionalmente doente...”. Verifica-se, aqui, que tal frase, embora, aparentemente correta, contém o tal erro acima descrito. O Correto seria escrever-se: “Essa atitude, embora não resolva o problema do pai ou da mãe emocionalmente doente...”. A explicação é simples: ou se utilize o “de”, com sentido genérico ou se especifica cada personagem (pai e mãe). Uma possibilidade alternativa poderia ser: “Essa atitude, embora não resolva o problema de pai ou mãe emocionalmente doente...”. Mas, ao escolher-se escrever “do pai”, fica a obrigação de se escrever “da mãe”, pois: de + o = do; e de + a = da. Escrita de outra forma, para o melhor entendimento da correção feita, tem-se: “Essa atitude, embora não resolva o problema de o pai ou (de) a mãe emocionalmente doente...”.
 

6. PRECISO OU NECESSÁRIO?

O uso dos verbos preciso e necessário é vítima de total confusão. Navegar não é preciso! É necessário! Portanto, a famosa expressão “Navegar é preciso, viver não é preciso” não utiliza um bom português. O verbo “precisar” irá supor, normalmente, um sujeito vivo que precisa fazer algo ou precisa de algo. O verbo “necessitar” já não carece de um tal sujeito. Portanto, “Navegar é necessário, viver não é necessário”. Mas: “Eu preciso navegar, eu preciso viver”.

Outros exemplos:

                Os alunos precisam de mais apoio nos seus estudos. O diretor precisa se relacionar melhor com os funcionários.

                Novos equipamentos são necessários ao laboratório. O laboratório necessita de novos equipamentos. Decisões mais ousadas são necessárias.
               

7. MEU CORAÇÃO E NOSSO CORAÇÃO

O uso, tanto em frases faladas quanto naquelas escritas, do plural de nosso coração é totalmente estranho, embora comumente usual. Padres e pastores costumam dizer “Nossos corações devem encher-se de paz! ”. Ora, no singular seria: “Meu coração deve encher-se de paz” ; no plural deveria ser: “Nosso coração deve encher-se de paz”. Por que utilizar-se o plural do que já é plural?

A regra é simples e lógica. Ouvidos, olhos, mãos, pés, rins, pernas, etc., o singular e o plural serão:

                Meus ouvidos; nossos ouvidos. Meus olhos; nossos olhos. Meus rins; nossos rins.

No caso de órgãos únicos: nariz, boca, coração, mente, inteligência, alma, etc., o singular e o plural serão:

Meu nariz; nosso nariz. Minha boca; nossa boca. Meu coração; nosso coração. Minha mente; nossa mente. Minha alma; nossa alma. Torna-se, portanto, tão estranho dizer “Nossos corações” quanto dizer “Nossos narizes”! ...

Igualmente, em relação a pertences. O correto é dizer, no singular e no plural: minha casa, nossa casa. Ao dizer-se “nossas casas”, a ideia passada é de que cada um de nós tem mais de uma casa, o que não é, normalmente, o caso.

8. USO DE ARTIGOS DEFINIDOS E INDEFINIDOS

Os artigos indefinidos (um, uma, uns, umas) e os definidos (o, a, os, as) devem ser usados com cuidado. Os indefinidos passam, justamente, a ideia de indefinição, de generalidade. Já os definidos, de fato definem as coisas. Assim, deve-se dizer:

                “Os conflitos, angústias e ansiedades são comuns ao homem de hoje”. A frase, aparentemente correta, está errada pela simples inclusão do artigo definido “os”.

Há duas possibilidades corretas:

“Conflitos, angústias e ansiedades são comuns ao homem de hoje”; ou “Os conflitos, as angústias, e as ansiedades são comuns ao homem de hoje”. Observe-se que a utilização do artigo inicial “Os”, definindo a palavra “conflitos”, exige a definição dos demais termos (angústias e ansiedades).

Este artigo deverá ter continuidade, pois os erros comuns do nosso português são quase infinitos... Que língua mais difícil! ...

Uilso Aragono. Março de 2016

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

DIFERENÇAS OBJETIVAS ENTRE CATOLICISMO E EVANGELISMO (PARTE II)

Dando continuidade ao texto anterior, mais alguns aspectos diferenciais são ressaltados nos tópicos a seguir.

5. SOBRE O USO DA BÍBLIA NOS CULTOS

No Catolicismo, ou uso da Bíblia é recomendado e incentivado nos Círculos Bíblicos e nos estudos pessoais, e para a oração pessoal. No entanto, nos cultos, os fiéis não são incentivados a terem um exemplar da Bíblia nas mãos, dando-se preferência a que a Palavra de Deus, lida do púlpito, seja ouvida pela assembleia. Isto se explica pelo fato de que existem várias edições da Bíblia Católica, com pequenas variações na tradução, o que levaria o fiel a confundir-se no acompanhamento da leitura, se esta não fosse igual à de sua versão, no momento. Além dessa justificativa, a Igreja Católica dá preferência à audição, com o objetivo de que os fiéis adquiram uma postura de maior atenção à Palavra proclamada.

No Evangelismo, a recomendação geral é que cada fiel leve consigo um exemplar da Bíblia Evangélica para que os textos possam ser acompanhados durante a celebração. Recomenda-se que tais exemplares sejam de uma mesma editora, para que os textos lidos e ouvidos sejam iguais. Existem, também, Escolas Bíblicas, em que são estudados os textos bíblicos. Igualmente ao que ocorre no Catolicismo, a oração com a Bíblia é muito incentivada.

6. SOBRE OS TEXTOS BÍBLICOS NOS CULTOS

No Catolicismo, os textos bíblicos de cada culto (missas e celebrações da Palavra) são previamente definidos no chamado Calendário Litúrgico – que é um instrumento preparado pela Igreja, e aprovado pelo Papa ou por Comissões Litúrgicas –, visando a garantir que a cada dia, em toda a Igreja Católica do mundo inteiro, os mesmos textos sejam lidos e meditados. Ao padre não é dada a liberdade de escolher os textos das missas e celebrações: o Calendário Litúrgico já os determina. Durante os dias da semana, são lidos dois textos do Antigo Testamento (um deles, sempre, um Salmo) e um texto do Novo Testamento (um dos quatro Evangelhos); aos domingos, são lidos dois textos do Antigo Testamento (um deles, sempre, um Salmo), e dois textos do Novo Testamento (uma das Cartas dos Apóstolos, ou dos Atos, ou do Apocalipse, e um dos Evangelhos). Durantes as leituras, os fiéis ficam sentados, à exceção da leitura do Evangelho, em que todos, ficam de pé, indicando prontidão e atenção máxima à Palavra de Nosso Senhor Jesus Cristo. Em seguida às leituras, o padre faz o que se denomina Sermão ou Homilia, com o objetivo de explicar e explicitar as principais mensagens dos textos lidos – os quais, por terem sido prévia e cuidadosamente escolhidos, articulam-se com muita perfeição no conteúdo das mensagens transmitidas. O Calendário Litúrgico articula as leituras da Bíblia de tal forma que, ao fim de três anos, praticamente todos os principais textos bíblicos terão sido lidos e meditados nas celebrações diárias. Ocorrem, especialmente, nas celebrações dominicais, procissões de entrada em que a Bíblia e levada, com muita veneração e respeito, até o altar da igreja.

No Evangelismo, não há textos previamente definidos, tendo os pastores total liberdade para escolher os textos a serem lidos. Embora a prática varie muito nas diversas Igrejas Evangélicas, ocorre, muitas vezes, que o pastor faz sua pregação com base em vários pequenos textos da Bíblia, procurando extrair deles o conteúdo da mensagem evangélica a ser transmitida. Quando os textos bíblicos são proclamados para a assembleia, os fiéis costumam ficar sentados, independentemente de serem textos lidos do Evangelho ou de outras partes da Bíblia.

7. SOBRE O USO DE IMAGENS

No Catolicismo, o uso e a veneração das denominadas “imagens” são incentivados e fazem parte do espírito religioso e devocional dos fiéis. As imagens (isto é: figuras impressas e estatuetas) podem representar, de forma respeitosa e, de preferência, bonita, a Santíssima Trindade, Maria e os demais santos, além de muitas cenas evangélicas e da História Sagrada. A Igreja Católica sempre utilizou imagens porque sempre acreditou que o texto bíblico do livro do Êxodo (Ex 20, 4 ou Ex 20:4) somente proíbe imagens com a intenção de idolatria. E porque Deus não se contradiz, e ordena fazer imagens (querubins de ouro), logo à frente no mesmo livro (Ex 25, 18-20 ou Ex 25: 18-20), e em outras partes da Bíblia (Num 21, 8-9 ou Num 21: 8-9; I Reis 6, 23-35 ou I Reis 6: 23-35). No início do Cristianismo, os primeiros cristãos pintavam nas catacumbas muitas imagens de cenas bíblicas do Antigo e do Novo Testamento, com objetivo tanto de culto quanto de catequese (para ensinar, especialmente, aos que não sabiam ler).

No Evangelismo, as imagens foram proibidas com base numa interpretação de que o texto do livro do Êxodo (Ex 20, 4 ou Ex20:4) tem valor absoluto, independentemente das ordens dadas, pelo próprio Deus, para a confecção de imagens (querubins, serpentes de bronze, etc.) como citados nos outros textos bíblicos acima referenciados. Os evangélicos acreditam que tais ordens, dadas por Deus, para a confecção de imagens, teriam sido exceções à regra geral da proibição de imagens.

8. SOBRE OS SACRAMENTOS

No Catolicismo, o termo sacramento (= mistério) é utilizado desde as origens do Cristianismo, com o significado de um sinal que carrega consigo a eficácia do seu simbolismo. Ao longo da vida da Igreja Católica, sete sacramentos foram definidos: Batismo, Crisma (ou Confirmação), Eucaristia, Ordem (sacerdotal), Matrimônio, Confissão (ou Reconciliação), e Unção dos Enfermos.

No Evangelismo, o único sacramento aceito e mantido, após a Reforma Protestante (ou Evangélica), foi o Batismo. E é aplicado, em geral, apenas para os fiéis adultos; pois as crianças não têm consciência do sacramento e, portanto, não podem recebê-lo.

9. SOBRE A EUCARISTIA

No Catolicismo, a Eucaristia é um sacramento, isto é, é um mistério que carrega consigo, particularmente, a verdade e a eficácia do seu simbolismo: o Corpo e o Sangue de Cristo estão, de fato, presentes na partícula de pão e no vinho, já consagrados pelo sacerdote católico. A Igreja Católica sempre acreditou na realidade e na verdade das palavras de Cristo: “Isto é o meu Corpo; este é o cálice do meu Sangue” (Mt 26, 26s ou Mt 26: 26s; Lc 22, 19s ou Lc 22: 19s; I Cor 11, 23s ou I Cor 11: 23s). Para o Catolicismo, tais palavras, também presentes em outros textos, proclamam, claramente, que Jesus estava instituindo um verdadeiro sacramento, dizendo – inclusive para espanto, constrangimento e escândalo dos que ouviam –, que “era” seu Corpo e seu Sangue, e não, “simbolizava” seu Corpo e seu Sangue! Os sacerdotes católicos, por receberem a Ordem (sacramento da Ordem Sacerdotal) do seu Bispo, recebem o poder espiritual de serem um “outro Cristo” durante o momento da celebração eucarística e o pão e o vinho transformam-se – embora mantendo as aparências! – em seu Corpo e em seu Sangue, verdadeiramente! Isto, para que “tenhais a vida em vós” (Jo 6, 53 ou Jo 6: 53).

No Evangelismo, os sacramentos da Eucaristia e da Ordem (conforme entendidos pelos católicos, acima), foram rejeitados como verdadeiros sacramentos. Para os evangélicos, as palavras de Cristo são entendidas como significando que o pão e o vinho sejam, apenas, “memória” da entrega redentora de Cristo pelos pecadores.  Realizar tal celebração, também denominada “comunhão”, para os evangélicos, é tão somente um ato piedoso de recordação daquele sublime momento e que por si só, lhes comunica sua graça divina, embora o Cristo não esteja presente, verdadeiramente, no pão e no vinho utilizados por eles nas celebrações.

(Continua ...)


Uilso Aragono (fev/2016)

sábado, 30 de janeiro de 2016

DIFERENÇAS OBJETIVAS ENTRE CATOLISMO E EVANGELISMO

Para esclarecimentos dos cristãos de boa vontade, e que estão sempre buscando a verdade, o texto a seguir tenta esclarecer, de modo muito objetivo, isto é, sem afirmações de valor, as diferenças que existem entre a Igreja Católica (ou Catolicismo) e as Igrejas Evangélicas (ou Evangelismo). Objetiva-se, com isto, ajudar a todos aqueles que se consideram cristãos, ou têm simpatia pelo Cristo ou pelo Cristianismo, mas ainda não se decidiram pela igreja à qual aderir, para sua vivência eclesial ou comunitária.

1. ORIGENS

O Catolicismo origina-se da Igreja fundada por Jesus Cristo, sobre o Apóstolo Pedro, conforme suas palavras bíblicas: “Tu és Pedro e sobre esta pedra fundarei a minha Igreja”. No início, primeiros séculos da era Cristã, foi muito perseguida e era chamada de “O Caminho”, antes de firmar-se como Igreja Católica. Os seguidores de Jesus Cristo eram chamados, inicialmente, de “santos”, e só vieram a ser denominados de “cristãos”, conforme os Atos dos Apóstolos (Cf. At 11, 26 ou At 11:26), em Antioquia (As ruínas dessa cidade ficam perto de Halovaque, na Turquia moderna). Era a única Igreja Cristã até o ano de 1517 (décimo sexto século da Era Cristã), quando o então monge Martinho Lutero se revoltou contra as indulgências e protestou contra tais práticas, consideradas por ele como abusivas. Daqui surgiu o, inicialmente, denominado Protestantismo, hoje, Evangelismo.

O Evangelismo origina-se do protesto que fez o então padre Martinho Lutero, em 1517, quando divulgou suas teses em protesto contra a Igreja Católica, a quem acusava de muitos erros: doutrinários e de vivência prática (especialmente as indulgências). Em poucos anos, Zuínglio e Calvino, seus seguidores, discordaram de seus posicionamentos, e em pouco tempo novas igrejas cristãs começaram a surgir: igrejas Luterana, Presbiteriana, Batista, Metodista, etc. Desde então, as igrejas evangélicas – no início denominadas de protestantes – multiplicaram-se em variadas denominações. Hoje em dia, não se sabe o número certo das igrejas evangélicas.

2. FUNDAMENTOS

O Catolicismo fundamenta-se em três pilares: a Tradição, a Bíblia e o Magistério. A Tradição é entendida, basicamente, como sendo o conjunto dos escritos dos padres dos primeiros séculos da Igreja Católica – chamados de os “Padres da Igreja”, ou os “Santos Padres”. A Bíblia é o conjunto de livros sagrados, ou ditos “inspirados”, que a Igreja Católica foi coletando, selecionando e confirmando ao longo dos primeiros séculos, incluindo os livros sagrados dos Judeus, que passaram a ser denominados de Antigo Testamento, e os livros que foram sendo escritos nos primeiros séculos da pregação dos Apóstolos, denominados de Novo Testamento. O Magistério é entendido como o conjunto dos ensinamentos emanados pelo Papa do momento, sucessor de Pedro, e pelo conjunto dos bispos, entendidos como sucessores dos demais apóstolos.

O Evangelismo fundamenta-se em dois pilares: a Bíblia e a Fé, representados pelas duas afirmações em latim: “Sola Scriptura” e “Sola fide”, respectivamente. A Bíblia é entendida como sendo o fundamento suficiente da Igreja Evangélica, com interpretação relativamente livre entre as diversas denominações evangélicas. A Fé é entendida como sendo suficiente para que se pertença a uma denominação evangélica, ou à Igreja Evangélica.

3. SOBRE A BÍBLIA

A Bíblia Católica, ou do Catolicismo, é constituída, como já dito acima, por dois conjuntos de livros: o Antigo Testamento, constituído por 46 livros, e o Novo Testamento, constituído por 27 livros. Esta é a Bíblia como tem sido conhecida, traduzida e escrita em diversas línguas, especialmente pelos monges católicos ao longo dos séculos, de forma manuscrita, e publicada, de forma impressa, a partir do surgimento das impressoras de Gutemberg (século XVI). Foi escrita, inicialmente, em hebraico, aramaico e grego, passando a ser traduzida para o latim, e outras poucas línguas, já na época do império romano (a partir do terceiro século da Era Cristã). As citações bíblicas utilizam “vírgula” após os capítulos. Exemplo: At 11, 26, o que significa, capítulo 11, versículo 26.

A Bíblia evangélica (ou do Evangelismo) tem por base a única Bíblia já existente na época do surgimento do Evangelismo: a Bíblia católica. Tem, portanto, igualmente, duas partes: o Antigo Testamento e o Novo Testamento. No entanto, por interpretação dos líderes iniciais do Evangelismo, optou-se por excluir sete (07) livros do Antigo Testamento da Bíblia católica, resultando em 39 livros para o Antigo Testamento da Bíblia evangélica. O argumento básico para a exclusão é que eles não foram escritos em hebraico, exigência dos judeus para serem considerados livros inspirados por Deus. Os sete livros retirados são: Baruc, Eclesiástico, Judite, I Macabeus, II Macabeus, Sabedoria e Tobias. As citações bíblicas utilizam “dois pontos” após os capítulos. Exemplo: At 11: 26, o que significa, capítulo 11, versículo 26.

4. SOBRE O CHEFE DA IGREJA

No Catolicismo, o chefe da Igreja é o papa, o sucessor do Apóstolo Pedro. O atual papa, o Papa Francisco, é o ducentésimo sexagésimo sexto papa da Igreja católica, lista que tem origem no primeiro papa, ou primeiro chefe da Igreja Católica, o Apóstolo Pedro. O papa, enquanto falando “ex-catedra” (pronuncia-se: 'eks cátedra'), isto é, de sua Cadeira, enquanto chefe efetivo da Igreja Católica, é considerado infalível – por especial assistência do Espírito Santo, com base nas palavras de Jesus “O que ligares na terra será ligado no Céu” –, mas apenas em matéria de fé e de moral. Os demais posicionamentos do papa podem ser contestados, embora merecedores da mais alta consideração. As principais decisões, especialmente em períodos de crise, são tomadas nos denominados Concílios, que é a reunião de todos os bispos da Igreja, presidido pelo papa. O primeiro concílio da Igreja Cristã, católica, conforme narrado no próprio Novo Testamento, por exemplo, ocorreu em Jerusalém, por volta do ano 48 da Era Cristã. Esclareça-se que o termo “católico” significa “universal” e passou a ser usado pela Igreja Cristã dos primeiros séculos da Cristandade, depois que o imperador Constantino, no século quarto (séc. IV, ano 313), suspendeu a perseguição aos cristãos e declarou-se, ele mesmo, cristão.

No Evangelismo, não há, propriamente, um chefe da Igreja Evangélica, até por quê, há muitas e independentes igrejas evangélicas. No entanto, cada uma tem a sua hierarquia, mais ou menos bem definida. Podem existir conselhos, convenções, federações, alianças e similares, em que são eleitos membros com poder de decisão sobre as principais questões levantadas no âmbito da igreja considerada.

(Continua...)

Uilso Aragono (jan/2016)

Quem sou eu

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Sou formado em Engenharia Elétrica, com mestrado e doutorado na Univ. Federal de Santa Catarina e Prof. Titular, aposentado, na Univ. Fed. do Espírito Santo (UFES). Tenho formação, também, em Filosofia, Teologia, Educação, Língua Internacional (Esperanto), Oratória e comunicação. Meu currículo Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4787185A8

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