terça-feira, 31 de janeiro de 2017

JESUS NÃO TEVE IRMÃOS

Há uma polêmica entre os cristãos sobre se Jesus Cristo teria tido irmãos de sangue, já que o Novo Testamente cita Tiago como sendo "o irmão de Jesus", dentre outras citações semelhantes. Este artigo procura mostrar que Jesus foi filho único de Maria, e o que o termo "irmão", utilizado em toda a Bíblia, tem, quase sempre, o significado de parente próximo. Isto acontece, ainda hoje, entre os próprios evangélicos (que defendem que Jesus tenha tido irmãos de sangue!), quando se chamam de "irmãos" embora, estejam se referindo a pessoas da mesma comunidade ou crença, e não a irmãos de sangue.

AS LISTAS DOS APÓSTOLOS


Conforme as quatro versões do Evangelho e os Atos dos Apóstolos, as listas dos doze apóstolos são como mostra a tabela a seguir.

Mateus (10,2-4)
Marcos (3,16-19)
Lucas (6,14-16)
João
Atos (1,13)
Simão Pedro
Simão Pedro
Simão Pedro
Pedro
Pedro
André
André
André
André
André
Tiago
Tiago
Tiago

Tiago
João
João
João
João, o amado
João
Filipe
Filipe
Filipe
Filipe
Filipe
Bartolomeu
Bartolomeu
Bartolomeu
Natanael
Bartolomeu
Tomé
Tomé
Tomé
Tomé Dídimo
Tomé
Mateus
Levi, filho de Alfeu
Mateus

Mateus
Tiago filho de Alfeu
Tiago filho de Alfeu
Tiago filho de Alfeu

Tiago filho de Alfeu
Tadeu
Tadeu
Judas irmão de Tiago
Judas
Judas irmão de Tiago
Simão Cananeu
Simão Zelador
Simão Zelador

Simão Zelador
Judas Iscariotes
Judas Iscariotes
Judas Iscariotes
Judas Iscariotes
Matias

O Evangelho de João não apresenta, como os demais, uma lista com os nomes dos apóstolos. Os nomes colocados na coluna correspondente ao evangelista João são, portanto, aqueles que aparecem ao longo de sua narrativa sobre a Boa Nova. Os nomes faltantes nessa coluna são aqueles não citados expressamente pelo Evangelista.

Os dois apóstolos, de nome Tiago, são assim distinguidos: Tiago Maior (filho de Zebedeu e irmão de João) e Tiago Menor (filho de Alfeu e cognominado "irmão do Senhor").

Já o nome de Tadeu, nas listas de Mateus e Marcos, é mudado para Judas, nas listas de Lucas, João e Atos. Este apóstolo passa, então, a ser conhecido como Judas Tadeu, já que são considerados serem a mesma pessoa.

Simão Cananeu e Simão Zelador são, também, reconhecidos como uma única pessoa: o apóstolo Simão.

Levi é o nome de Mateus, o cobrador de impostos, na lista de Marcos. Normalmente se aceita que sejam a mesma pessoa.

Matias é o apóstolo que substitui Judas Iscariotes, o traidor, na lista dos Atos dos Apóstolos.

JESUS É FILHO ÚNICO DE MARIA

Embora no Novo Testamento da Bíblia cristã se encontrem referências a irmãos de Jesus, inclusive dando-lhes nomes, como no evangelho de Marcos, em que são citados nominalmente Simão, Tiago, José e Judas (Mc 6,3), o conjunto da obra leva a crer que Jesus não tenha tido irmãos de sangue (filhos de Maria e José). E a palavra irmãos era, de fato, tanto no hebraico quanto no aramaico, e mesmo no grego, usada para expressar os parentes (primos, tios, etc.; parentes pertencentes à mesma tribo).

Os dois principais e decisivos textos do Novo Testamento que deixam transparecer, de forma quase inequívoca, que Jesus fosse filho único de Maria são: Lc 2,41-52 e Jo 19, 26s.

             JESUS AOS 12 ANOS NO TEMPLO

Em Lc ,41-52 se lê a narrativa da viagem de Jesus, aos 12 anos, com seus pais a Jerusalém, para uma visita ao Templo por ocasião da festa da Páscoa  judaica (Lc 2,43), como era comum entre os judeus da época. Acredita-se que a viagem de ida e volta possa ter durado 15 dias. Sendo assim, pode-se concluir que, sendo Jesus o mais velho, não haveria outros irmãos menores. Senão, onde estariam? Se, como dizem alguns evangélicos, interpretando ao pé da letra os textos bíblicos, Jesus tivesse 4 irmãos, além de algumas irmãs, onde e com quem teriam ficados esses filhos menores? Supondo-se sete irmãos, os três menores poderiam ter 6, 5 e 4 anos... Quem estaria por conta deles durante tanto tempo? E os irmãos maiores, com 9, 10 ou 11 anos? Por que não teriam acompanhado o irmão mais velho? Essas perguntas levam a concluir-se que a Família de Nazaré fosse constituída, apenas, por Maria, José e Jesus.

            JESUS CONFIA SUA MÃE AO DISCÍPULO AMADO

Como que confirmando o texto acima, o episódio da paixão (Jo 19, 26s), em que Cristo entrega sua Mãe aos cuidados de um discípulo que não era seu parente (João, filho de Zebedeu), deixa claro que Jesus não tenha tido irmãos de sangue. Pois se esses existissem, não faria sentido nenhum Jesus preocupar-se com o destino de sua mãe Maria, já que ela não estaria desamparada, mas seus outros filhos poderiam cuidar dela. E é importante recordar que, de fato, uma mulher viúva não tinha como se manter ao perder os filhos. Se estes morressem, a viúva ficaria em uma situação de penúria, que só seria superada pela boa vontade de parentes e vizinhos da família.

JESUS É CITADO COMO O FILHO DE MARIA

Os evangelhos nunca citam filhos de Maria e José. Lucas cita que "Jesus era tido por filho de José..." (Lc 3,23), isto é: era suposto ser filho do carpinteiro. Ao contrário, citam, expressamente, "Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria e o irmão de Tiago (...)?" (Mc 6,3), e não, simplesmente, "filho de Maria", que seria mais apropriado se ela tivesse outros filhos. O artigo ("o filho") tem o seguinte significado: a mãe só tem esse único filho. Se ela tivesse outros filhos, o artigo "o" não seria utilizado. Falar-se-ia: "Não é ele o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago (...)?".

Em outro texto, o Evangelho cita: "Chegaram sua mãe e seus irmãos (...)" (Mc 3,31). Por que não escreveu o evangelista: "Chegaram sua mãe e os outros filhos dela (...)"?

 Ainda: "... entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele" (At 1,14). Por que não foi escrito: "(...) entre elas Maria, mãe de Jesus, e seus outros filhos"?

Se a palavra parentes (ou primos) fosse comumente utilizada, os textos acima citados seriam: "Chegaram sua mãe e seus primos/parentes (...)"; e "(...) entre elas Maria, mãe de Jesus, e seus primos/parentes". Portanto, a palavra "irmãos" está sendo usada para significar os primos/parentes de Jesus.

IRMÃOS E PRIMOGÊNITO

Para explicar os termos "irmãos" e "primogênito" utilizados nos Evangelhos, há que se estudar e buscar entender seus significados no costume do povo hebreu da época de Jesus.

Irmãos era um termo usado para significar irmãos de sangue e, também, primos e parentes: todos os parentes de um clã, de uma tribo eram chamados de irmãos, entre si.
Há vinte passagens no Antigo Testamento (AT) que confirmam esse significado amplo de irmãos [Bettencourt, p. 24]. Abraão chama seu sobrinho Lot de irmão: "Somos irmãos (...)" (Gn 13,8). Jacó, embora sendo sobrinho de Labão, se declara seu irmão: "E Jacó anunciou a Raquel que era irmão de seu pai (...)" (Gn 29,12).

Primogênito era utilizado para o primeiro filho, independentemente de haver outros filhos após o primeiro. Era um título atribuído ao primeiro filho, mesmo que este fosse o único! Era o filho que deveria ser consagrado ao Senhor: "consagrarás ao Senhor todo primogênito" (Ex 13,12). Não se utilizava o termo "unigênito", como querem alguns estudiosos evangélicos no afã de provar que Jesus não era filho único de Maria.

TIAGO, IRMÃO DE JESUS

Tiago Menor é chamado de "o irmão de Jesus": "Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria, o irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? Não vivem aqui entre nós também suas irmãs?" (Mc 6,3).

No entanto, tal expressão deve ser vista como um título: "irmão de Jesus", "irmão do Senhor" etc. Como acontece com outros títulos: "filhos de Zebedeu", "Iscariotes", "o Cananeu", "o Zelador", "o Nazareno" etc. Entenda-se que naquele tempo, não havia, como hoje há, os sobrenomes. Eram as pessoas referenciadas pela sua profissão, sua descendência ("Filho de Davi"), seu parentesco etc.

No caso de Tiago, "irmão do Senhor" (Gl 1,19), este é filho de Alfeu, que, por outro lado, é o mesmo que Cleofas pois são formas gregas de um único nome aramaico: Clapai [Bettencourt, p.25]. Isto é confirmado por um historiador antigo, de nome Hegesipo, que relata que Cleofas era irmão de José, pai de Jesus. Daqui se conclui que Cleofas e Maria de Cleofas (Jo 19,25) eram os pais de Tiago, José, Judas e Simão. Estes, portanto, eram primos-irmãos de Jesus, já que esta Maria de Cleofas é citada, também, como irmã de Maria, a Mãe de Jesus.

RAZÃO TEOLÓGICA OU MÍSTICA

Tendo José recebido uma mensagem divina sobre sua paternidade adotiva em relação ao filho que Maria iria ter, e sendo um homem justo, conforme os evangelhos, teria ele a coragem ou a ousadia de buscar ter relações com aquela que gerara o Filho de Deus pela força do Espírito Santo de Deus? Ser justo equivale, nos dias de hoje, a ser uma pessoa reconhecidamente santa. José, pleno da certeza de que Maria estava grávida por ação divina, certamente assumiu a missão de ser Pai do menino Jesus, mas abriu mão, por santos respeito e veneração, de ter qualquer contato sexual com sua Esposa, que, também era, de certa forma, a Esposa do Espírito Santo!

CONCLUSÃO

Jesus, o Filho de Deus, e o Filho de Maria, esposa castíssima de José, o Justo, foi, com certeza filho único de Maria e filho adotivo de José. E Maria, por misteriosa graça do Senhor quis e conservou-se virgem durante toda a sua vida ao lado do santo José. E os chamados irmãos do Senhor eram, na verdade, seus parentes próximos, muito provavelmente seus primos, como hoje falamos.

Ref.: BETTENCOURT, Estevão. Católicos perguntam. Mensageiro de Santo Antônio, São Paulo, 1997.

Uilso Aragono. (Jan. de 2017)

























sábado, 31 de dezembro de 2016

EXPLOSÃO DE CELULAR – ALGUNS ESCLARECIMENTOS

Muitas pessoas têm se assustado diante de notícias de explosões de telefones celulares. No entanto, há mais alarmismo do que notícia verdadeira em torno do assunto. Para esclarecer os leitores, com base em minha experiência de professor de engenharia elétrica, passo a fazer algumas considerações sobre o assunto.

O celular, ou Smartphone, objeto de desejo da grande maioria das pessoas, especialmente neste período de Natal, é um aparelho que funciona com base em uma bateria elétrica diminuta, recarregável, e cuja duração é de um dia, mais ou menos – até o momento em que o próprio aparelho se desligue automaticamente, para sua proteção.

SOBRE A SEGURANÇA DO APARELHO

É um aparelho muito seguro do ponto de vista elétrico, já que, em situações normais, não produz faíscas, é de tensão (voltagem) muito baixa e nem esquenta demais, a ponto de poder queimar alguém. Não tem contraindicação de uso, a não ser por questões de segurança, na aviação, e pela própria segurança do aparelho: não usar dentro d'água, por exemplo. Raríssimas são as situações anormais em que um aparelho celular – e em função de algum problema ligado à bateria (sempre) – explode ou pega fogo. Essas situações podem ser atribuídas a fatalidades, sem dúvida, quando não ligadas a algum produto novo ainda não totalmente testado (caso recente do aparelho Samsung Galaxy S7).

Há, ainda, a questão ligada à propagação de ondas eletromagnéticas, que são o meio pelo qual o aparelho funciona, tanto para o acesso à internet, quanto para a sua função básica de aparelho telefônico. Tais ondas eletromagnéticas, especialmente nos momentos em que ocorre a chamada telefônica, levantam suspeitas de que possam ser prejudiciais ao ser humano. No entanto, não há evidências científicas claras sobre tal prejuízo, já que é muito difícil testar possíveis efeitos das ondas eletromagnéticas sobre o corpo humano, por várias razões. Mesmo assim, para minimizar os riscos os celulares são confeccionados com precauções técnicas que reduzem ao mínimo o poder (a força) de tais ondas eletromagnéticas, de tal forma que sua exposição ao usuário não lhe venha a ser potencialmente perigosa.

RECOMENDAÇÕES DE USO NA AVIAÇÃO

Em função da presença de um grande número de celulares dentro de um avião, e por emitirem, tais aparelhos, ondas eletromagnéticas, por questão de prudência e segurança, recomenda-se que os aparelhos sejam utilizados no chamado "modo avião", isto é: o aparelho fica funcional, mas não funcionará como telefone e nem terá acesso à internet móvel (rede telefônica das concessionárias de telefonia); mas suas demais funções (incluindo o modo WiFi) estão preservadas e liberadas, tais como: jogos, leitura, escrita, filmes, música, etc., através do acesso aos canais de comunicação e entretenimento de aeronaves comerciais. A questão de possível explosão ou fogo é desconsiderada, já que é uma situação muito rara e que, se acontecesse, não teria consequências muito sérias, podendo ser combatida eficazmente pelo pessoal de bordo. Não sendo assim, tais aparelhos teriam de ser proibidos na aviação, não se podendo portá-los, nem ao menos desligados.

RECOMENDAÇÃO DE NÃO USO EM POSTOS DE GASOLINA

Apesar de as estatísticas confirmarem que são raríssimas as situações de explosão ou fogo associadas aos celulares, estas podem ocorrer. Portanto, o uso efetivo do celular em postos de gasolina, nas proximidades das bombas de combustível, não é recomendado, sendo mesmo proibido. Isto para prevenir que, embora rara, uma situação de explosão ou superaquecimento da bateria não venha a provocar fogo ou faíscas que possam, por sua vez, provocar um incêndio em presença do vapor da gasolina. É uma questão de prudência, apenas.

SUGESTÕES PARA MINIMIZAR OS RISCOS

Sobre o uso do celular, para minimizar possíveis riscos contra a saúde, tendo em vista que o aparelho emite ondas eletromagnéticas:

1) deixar na bolsa; e se no bolso, ou colado no corpo, por pouco tempo (máx 1/2 hora).
2) falar, com o aparelho na orelha,  no máx 2-3min.
3) Usar o viva voz para falar por mais tempo.
4) Em dias de tempestades, não usar o aparelho enquanto é carregado, ligado à  tomada elétrica.
5) Não deixar aparelho carregando (ligado na tomada) sobre superfícies combustíveis (papel, tecido, plástico), para evitar possibilidade de fogo, em caso de mau funcionamento da bateria.
6) Não deixar aparelho, ligado, sobre superfícies combustíveis.
7) Se o celular caiu, com pancada razoável, é aconselhável levar no técnico para verificação da condição da bateria: pode ter havido alteração interna perigosa.

Seguir tais recomendações é agir a favor da nossa segurança.

SOBRE VÍDEOS ALARMISTAS E FALSOS

Há vídeos muito tendenciosos circulando pela internet e por grupos de WhatsApp. Um deles, uma reportagem de um canal de TV, intitulado, "Celulares em postos de combustíveis..." é alarmista e falso. O vídeo mostra quatro episódios:

a) Um caminhão de combustível pegando fogo depois que um frentista abre a boca do tanque do caminhão e pega um celular: nesse momento, ocorre uma explosão e tudo pega fogo;
b) Uma Kombi, parada em frente à bomba de combustível, pega fogo no instante em que o motorista liga o motor;
c) Uma camionete, também parada em frente à bomba de combustível, mostra algo não identificado na carroceria, que, de repente, começa a pegar fogo.
d) Finalmente, apresentam um experimento em que um pedaço de papel-alumínio, amassado em forma de bola e embebido em gasolina, pega fogo ao se apertar o botão de chamada de um celular posicionado a uma distância de cerca de 15 centímetros.

 Podem ser feitos os seguintes esclarecimentos:

1) É o vapor de gasolina que explode, e só por meio de chama ou faísca, em presença de oxigênio.

2) O vídeo mostra acidentes que são comuns em postos de gasolina, quando não se levam a sério as adequadas medidas de prevenção e segurança.

3) O homem que subiu no caminhão e pegou o celular, provavelmente foi usá-lo como lanterna. Supondo que o celular não tenha pegado fogo naquele exato momento (por defeito interno da bateria), o frentista poderia estar com carga elétrica estática, e, ao tocar na ou aproximar-se da boca do tanque pode ter produzido uma faísca e, esta sim, ter provocado o acidente. O certo é que o celular não tem poder para produzir faísca que provoque tal acidente.

4) A Kombi explodiu porque, ao se dar a partida, o motor deve ter produzido faísca, e ao lado da bomba, ambiente envolto por vapor de gasolina. E a tendenciosidade do vídeo/reportagem já aparece aqui: onde está o celular, que teria sido a causa do acidente? – Não há celular e nem se fala nele...

5) Na carroceria da camionete o fogo surgiu de repente, mas, de novo, cadê o celular?... Foi um acidente, mas não dá pra identificar a causa...

6) Já o vídeo do celular é uma situação específica, que não existe em posto de gasolina: o papel de alumínio (metal) foi submetido a um pulso de ondas eletromagnéticas, na chamada do celular, o que provocou uma micro faísca (curto-circuito) no interior do papel junto com o vapor de gasolina. É semelhante ao que acontece quando se coloca metal no micro ondas: surgem faíscas! É um processo chamado de indução eletromagnética. Observe-se, ainda, neste caso, que se tivesse sido o celular o causador direto da chama que surgiu na bola de papel-alumínio, o fogo teria envolvido o celular, o que não acontece no vídeo.

Portanto, é um vídeo/reportagem alarmista e falso!

CONCLUSÕES

Apesar de os esclarecimentos acima tirarem a culpa do celular como causador de explosões em postos de gasolina, todos os cuidados de segurança devem ser tomados em um ambiente potencialmente perigoso e suscetível a explosões e fogo. A proibição de usar-se o celular próximo a bombas de gasolina faz sentido na medida em que há uma possibilidade, embora remota, de que tal aparelho venha a sofrer um superaquecimento (causado pela bateria interna) e provoque faíscas ou, mesmo, fogo. Isto, em presença do vapor de gasolina, comum no entorno das bombas de combustível, pode causar um acidente muito sério!

Todos os cuidados de segurança devem ser praticados em posto de gasolina, já que são ambientes imersos em vapor de gasolina e, portanto, muito suscetíveis a pegar fogo. Alguns tópicos de segurança sejam lembrados: para-raios bem projetados, sistemas de descarga estática para equipamentos e funcionários; avisos claros para não uso de celular nas proximidades das bombas; presença de extintores de incêndio facilmente acessíveis; treinamento eficaz para os funcionários frentistas, etc.

Uilso Aragono. (Dez. de 2016)

terça-feira, 29 de novembro de 2016

A MISSA CATÓLICA É TOTALMENTE BÍBLICA

Algumas pessoas costumam dizer que a missa católica não é bíblica! É uma afirmação totalmente destituída de verdade, pois se há alguma celebração cristã mais bíblica do que a missa, está para ser criada! O artigo a seguir mostra cada parte da missa e sua ligação com os textos bíblicos.

1.       RITOS INICIAIS

1.1.    Bênção inicial

A missa católica se inicia pela benção "em Nome do Pai do Filho e do Espírito Santo", exatamente como as palavras de Cristo quando, ao final do Evangelho de Mateus, envia os discípulos: "Portanto, vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28, 19).

1.2.    Ato penitencial

O ato penitencial é um momento em que os fiéis são convidados a reconhecerem-se pecadores e desejosos de conversão, exatamente como o início do Evangelho de Marcos apresenta Jesus clamando: "O tempo já se cumpriu, e o Reino de Deus está próximo. Convertam-se e creiam no Evangelho" (Mc 1, 15).

A assembleia, em resposta ao padre, repete, por três vezes, a expressão: Senhor, tende piedade de nós! Isto acontece a exemplo do que se vê na Bíblia, quando o fariseu e o cobrador de impostos estão rezando no Templo, e este último assim se expressa: "Senhor, tende piedade de mim porque sou pecador" (Lc 18,13).


1.3.    Hino de louvor

Estando os fiéis preparados para apresentarem-se diante do Senhor, após o ato penitencial, todos são convidados a cantar em alta voz, como o fizeram os anjos aos pastores proclamando as glórias do Senhor: "Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens por ele amados" (Lc 2,14).

2.       LITURGIA DA PALAVRA

A liturgia da Palavra é a parte da missa em que os fiéis, já preparados e já tendo glorificado a Deus, juntamente com seus anjos, põem-se a escutar atentamente a proclamação das leituras bíblicas.

A primeira leitura bíblica a ser proclamada é, normalmente, extraída do Antigo Testamento, e os fiéis a escutam assentados.

A segunda leitura é a proclamação ou, preferencialmente, o canto de um dos Salmos bíblicos, em que um refrão é extraído e cantado entre as demais partes do salmo escolhido. A assembleia, assentada, acompanha o canto do salmo, cantando seu refrão.

A terceira leitura é, normalmente, extraída do Novo Testamento, sendo uma das cartas dos apóstolos, ou os atos dos apóstolos, ou o Apocalipse.

A quarta leitura é um texto dos Evangelhos, que é acompanhado pelos fiéis, agora, em pé – em atitude mais atenta e pronta a seguir a ordem do Senhor: "Ide pelo mundo inteiro e pregai o Evangelho a todos os povos" (Mc 16,15). Esta leitura, feita pelo presidente da Celebração – normalmente, o padre – é precedida, sempre, com os fiéis já em pé, por um canto de aclamação que é, normalmente, um canto de Aleluia, o que significa: um canto de alegria e de ação de graças pelo qual se louva, se adora e se bendiz a Deus.

Após esta leitura, o padre faz a sua homilia, buscando esclarecer e orientar os fiéis em sua compreensão das leituras, que são, normalmente, escolhidas previamente, para toda a Igreja, e que mantêm uma relação entre si, no que tange à mensagem que se quer ressaltar.

3.       LITURGIA EUCARÍSTICA

A liturgia eucarística é a parte da missa em que o padre, seguindo uma oração eucarística previamente escolhida, dentre as várias possíveis, vai enunciando louvores, orações e petições a Deus, em nome de Jesus Cristo. A parte central é a chamada "consagração eucarística", em que o pão e o vinho ofertados, tornam-se o Corpo (a Hóstia = Vítima) e o Sangue (o vinho consagrado) de Nosso Senhor Jesus Cristo, conforme a crença católica e seguindo as palavras estritamente bíblicas. Esta parte é retirada, dentre outros textos, do capítulo sexto de João: "Eis aqui o pão que desceu do céu: quem dele comer nunca morrerá" (Jo 6, 50).

Esta parte, que é central na missa, é constituída por muitos textos retirados da Bíblia. Eis alguns deles:

3.1.    Hosana nas alturas

Em dado momento a assembleia entoa o mesmo cântico que entoou para Jesus o povo na sua entrada em Jerusalém, antes de sua paixão e morte: "Hosana ao Filho de Davi! Bendito aquele que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto do céu!" (Mt 21, 9).

3.2.    Consagração eucarística

Esta oração de consagração, em que os dons do pão e do vinho se tornam o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, está baseada nas palavras dos evangelistas Mateus, Marcos e Lucas, além das epístolas de Paulo. Por exemplo: "Isto é o meu corpo que será entregue por vós. Fazei isto em minha memória" (Lc 22, 19); "Este cálice é a nova aliança do meu sangue, que é derramado por vós" (Lc 22, 20).

3.3.    Amém, Amém!

Finalizando a oração eucarística, o padre expõe aos olhos de todos a Eucaristia, o Cordeiro de Deus, a Vítima, a Hóstia, e todos proclamam em alta voz ou cantam: "Amém, Amém", a exemplo do que fazem os anjos diante do trono, para adorar a Deus: "Amém! O louvor, a glória, a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força pertencem ao nosso Deus, para sempre. Amém!" (Ap 7, 13).

4.       COMUNHÃO

Na parte da comunhão eucarística, em que os fiéis recebem o corpo e o sangue de Cristo, cumpre-se o que está na Bíblia, como já visto acima: "Isto é o meu corpo que será entregue por vós. Fazei isto em minha memória" (Lc 22, 19).

4.1.    Oração do Pai-Nosso

Esta oração, ensinada pelo próprio Cristo, é rezada por toda a assembleia, em pé, e em uníssono, e está baseada no evangelho de Mateus: "Pai nosso que estás no céu, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. Dá-nos hoje o pão nosso de cada dia. Perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal" (Mt 6, 9-13).

4.2.    Oração pela Paz

Após a oração do Senhor, o padre reza: "Senhor Jesus Cristo, dissestes aos vossos apóstolos: "Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz" (Jo 14,27). Não olheis os nossos pecados, mas a fé da vossa Igreja; dai-lhe, segundo o vosso desejo, a paz e a unidade. Vós que sois Deus, com o Pai e o Espírito Santo. E todos respondem: Amém!

4.3.    Cordeiro de Deus

Um pouco antes de receberem a Comunhão, os fiéis repetem, três vezes, a expressão: Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo tende piedade de nós. Esta repetição é bíblica, pois é feito o que nosso Senhor nos ensinou ao repetir, Ele mesmo, por três vezes, a mesma oração: "Se Te é possível afasta de mim este cálice. Mas não se faça a minha vontade, mas a Tua" (Mt 26,39). A repetição aparece no versículo 44: "Deixou-os e foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras" (Mt 26,44).

Após a consagração, e apresentando a Hóstia Consagrada, o padre entoa as mesmas palavras ditas por João Batista ao anunciar o Messias: "Eis o cordeiro de Deus", Aquele que tira o pecado do mundo (Jo 1, 35). E a assembleia dos fiéis responde, em uníssono, e alta voz, conforme se encontra no evangelho: "Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo". Estas são as palavras do centurião de Cafarnaum diante do Senhor: "Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa. Dizei uma só palavra e meu servo será curado" (Mt 8,8).


5.       RITOS FINAIS

Os ritos finais são constituídos, basicamente, pela benção final, que é dada a exemplo do que faziam os nossos Pais Abraão, Isaac e Jacó. A bênção de Abraão está em Gênesis: "Dê-te ele, como também à tua posteridade, a bênção de Abraão, a fim de que possuas a terra onde moras, e que Deus deu a Abraão" (Gen 28,4).

CONCLUSÃO:

Como alguém pode afirmar que a missa católica seja algo não bíblico? A profusão de citações bíblicas acima dissipa qualquer dúvida quanto às origens bíblicas da Santa Missa Católica. Amém!

Uilso Aragono.  (Novembro de 2016)

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

O QUE É A VIDA – UMA VISÃO CRISTÃ

Costuma-se dizer que o planeta Terra é vivo, que possui uma dinâmica tal que o torna semelhante a um ser vivo. No entanto, a Terra não é um ser vivo, embora, de fato, possua uma Dinâmica Vital. Para aprofundar e esclarecer tal afirmação, vamos pensar sobre a Vida, seu significado, sua importância, seus limites.

A vida, do ponto de vista de alguém que crê em Deus, pode ser classificada em três categorias: Vida Animal-Vegetal, Vida Humana e Vida Espiritual. E a não-vida, associada à matéria físico-química, pode ser denominada Dinâmica Vital. Comecemos a reflexão por esta última.

DINÂMICA VITAL

A dinâmica vital é uma expressão que pode ser aplicada às criaturas não vivas – tais como o Sol e a Terra, por exemplo – que manifestam uma dinâmica semelhante à dos seres vivos, embora, de fato, não possam ser caracterizados como tais. A dinâmica vital não é vida, portanto, mas algo que se assemelha muito como que se entende por vida.

Esta dinâmica manifesta-se num comportamento não autônomo, não inteligente, mas que, ao longo do tempo, tem como resultado mudanças no estado da matéria de que é composto o ser considerado. Seja, como exemplo, o planeta Terra. Nosso Planeta, constituído por uma variedade enorme de tipos de matéria e de seres vivos, não tem autonomia e nem inteligência que o levem a sair da situação em que está: girando em volta do Sol. No entanto, possui uma dinâmica físico química que o caracteriza quase como um ser vivo, embora não tenha a característica fundamental de um ser vivo: a ocorrência da morte... Pois ao se dizer que uma estrela morre, está se afirmando, apenas, que, ao final de um longo tempo de atuação de uma certa dinâmica físico química, sua aparência e seu formato terão mudado substancialmente. A Terra, um dia, não terá o aspecto que hoje tem, e nem o conteúdo de vida que hoje possui. No entanto, ela não morrerá, mas, após um longo tempo, apresentará um outro aspecto e outro conteúdo.

VIDA ANIMAL (OU VEGETAL)

A Vida Animal é caracterizada por uma complexidade não encontrada nos seres que partilham a dinâmica vital. Essa complexidade é marcada pela existência do chamado DNA (ácido desoxirribonucleico): uma longa cadeia de aminoácidos que carregam em si códigos hereditários – estes, necessários à replicação do ser vivo, isto é, à sua capacidade de produzir descendentes.

A inteligência e autonomia são duas características intrínsecas e definidoras do ser vivo. De fato, cada ser vivo tem uma função autônoma e uma inteligência própria, embora instintiva esta última, que lhes dão condições de agir sobre a matéria e sobre outros seres vivos ao longo de sua própria vida, seguindo e dependendo de seu código genético herdado de seus antecedentes. 

Outra característica da Vida Animal é o seu fim, marcado pela morte do ser vivo. Este nasce, desenvolve-se, reproduz-se e, finalmente, morre. A morte é caracterizada pela total transformação do corpo desse animal, que já não é capaz de realizar sua ação sobre a matéria e sobre os outros seres vivos, como costuma fazer. Uma árvore morta, por exemplo, mantém, num primeiro momento, sua aparência anterior, mas já não absorve a seiva como o fazia antes, e não produz mais suas folhas e frutos como era capaz de fazê-lo enquanto vivia.

Uma última característica da vida animal é a sua capacidade e sua dependência de alimentar-se, e de aproveitar os nutrientes desses alimentos para a manutenção de seu corpo e de sua vida. A alimentação distingue o corpo vivo em confronto com o corpo morto, que volta a ser pura matéria (que, no entanto, continua a ter uma dinâmica vital).

VIDA HUMANA

A Vida Humana é, essencialmente, vida animal (ou vegetal), distinguindo-se desta, no entanto, e sobretudo, pela consciência da morte! Enquanto um chimpanzé fêmea, diante de um filhote recém morto, continua a carregá-lo para cima e para baixo, sem se dar conta de que seu descendente está morto, o ser humano percebe, claramente, o fim da vida – não somente sua, mas, também, dos seus pares. E ao perceber a realidade da morte, procura entender, justificar esse acontecimento, enchendo-o de significado.

Outra característica da vida humana é, que, diferentemente do animal não-racional, é constituída por corpo e espírito. Há na vida humana algo mais do que, simplesmente, um corpo material. Há uma realidade super material que se costuma denominar Alma humana. Esta está intrinsecamente unida à mente, ao cérebro humano, e é a fonte da consciência, e, particularmente, da consciência da morte.

Uma vez morto um ser humano, diz-se que ocorre a separação da alma e do corpo: enquanto este morre, de fato, decompondo-se, a alma é entendida como um ser que não encontra a morte, permanecendo vivo após a morte. A alma poderia ser entendida como o DNA espiritual do ser humano! Enquanto a inteligência de um animal é puramente instintiva, a inteligência humana é altamente criadora, adaptativa e expansível.

VIDA ESPIRITUAL

A vida espiritual pode ser, inicialmente, identificada com a alma humana! Esta é espiritual, pois foi criada por Deus: "E Deus o fez à sua imagem e semelhança; como homem e mulher os criou" (Gen 5, 1-2). Para que o homem seja considerado à imagem de Deus, sendo, Este, Espírito puro, há que se considerar a existência de algo espiritual no homem para que seja semelhante a Deus: é a alma espiritual!

Mas a vida espiritual transcende a alma humana... É constituída, sobretudo, pela vida angelical. A crença no mundo espiritual é bíblica e faz parte da crença cristã. Vivemos, portanto, em um mundo multidimensional: matéria não viva, matéria viva (corpos dos seres vivos) e seres espirituais.

A Criação, constituída por todas as criaturas de Deus, é algo que espanta pela sua grandiosidade e sua variedade. A Natureza, nada mais é do que o conjunto da dinâmica vital da matéria físico-química, dos corpos vivos, não-racionais e racionais (humanos), e do mundo espiritual. Toda a criação, criada por Deus por Amor, canta os louvores do Senhor! A importância da vida, especialmente a humana, está, justamente, na realização do plano de Deus: encher a Terra de vida, de alegria, de amor!

CONCLUSÃO


A vida por ser, então, entendida como marcada pelas características de autonomia, inteligência, procriação, alimentação e nascimento-morte. Se há um DNA que caracteriza toda forma de vida, racional ou não, há, igualmente, um DNA que caracteriza a vida espiritual humana: é a alma humana. Esta é como se fosse o DNA espiritual do ser humano. E se as criaturas não vivas já são fonte de admiração para nós, seres humanos, muito mais o são as criaturas vivas! E dentre essas, a própria vida humana é fonte inesgotável de admiração e de louvor a Deus, pelas suas incríveis capacidades de procriação, de inventividade, de intervenção (respeitosa) na natureza material-animal-vegetal, e de intervenção, também, no mundo espiritual. Esta última, acontecendo por meio da natural religiosidade do ser humano, que o leva a reconhecer e louvar o Criador de todas essas belezas e maravilhas da natureza.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

HISTÓRIA RESUMIDA DA BÍBLIA CRISTÃ

Este artigo visa a dar, de uma forma bem resumida, mas bem verdadeira, uma visão da origem histórica do livro mais lido e traduzido no mundo: a Bíblia Cristã. Pois a Bíblia, embora sendo considerada pelos cristãos como sendo Palavra de Deus, não caiu do Céu, mas foi escrita por homens mortais, limitados ... mas inspirados por Deus, segundo as crenças judaicas e cristãs. Esta "inspiração" não é considerada uma imposição divina sobre a mente humana do escritor sagrado, mas como que uma miraculosa orientação divina que levava o autor sagrado a escrever as verdades reveladas por Deus sob uma forma totalmente humana e inculturada (isto é, seguindo a mentalidade e a cultura da época).

O QUE É A BÍBLIA CRISTÃ

A Bíblia é um conjunto de livros (Byblos, do grego = biblioteca) que foi estruturado a partir das escrituras sagradas dos Judeus – tais livros constituindo o denominado Antigo Testamento – e das escrituras sagradas dos cristãos – tais livros constituindo o denominado Novo Testamento. Esses últimos livros foram escritos a partir do ano 50 da era cristã (Primeira Carta de Paulo aos Tessalonicenses), quando o Apóstolo, depois de anos pregando (oralmente) o Evangelho de Cristo e fundando comunidades, pelas cidades do Império Romano de então, passou a escrever aos fiéis dessas mesmas comunidades para lhes confirmar a Fé.

A PREGAÇÃO DOS APÓSTOLOS

Após a vinda do Espírito Santo os apóstolos, cheios desse mesmo Espírito, sentiram-se fortalecidos e encorajados a cumprirem a missão que o Senhor lhes dera: "Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura" (Mc 16,15). A Igreja de Cristo, fundada sobre Pedro, conforme as palavras do próprio Cristo ("Tu és Pedro e sobre esta Pedra erguerei a minha Igreja") começava a existir e a atuar na evangelização por meio da pregação dos apóstolos.

Observe-se, no entanto, que a pregação inicial dos apóstolos não se baseava na Bíblia, pois esta, simplesmente, não existia como definida acima. Existiam, tão somente, as escrituras sagradas dos judeus, citadas pelos apóstolos, que, ainda, se consideravam, também, eles judeus. Mas não existiam, ainda, os escritos do Novo Testamento. Estes, como visto acima, só começaram a serem escritos, pelos apóstolos e seus discípulos, a partir do ano 50 da era Cristã: a primeira carta de S. Paulo aos Tessalonissenses. Antes dessa data, o Evangelho já vinha sendo pregado desde Pentecostes, portanto, já há cerca de dezessete anos ...

ORIGEM DO ANTIGO TESTAMENTO

A primeira parte da Bíblia Cristã – o Antigo Testamento – é constituída pelos escritos sagrados dos judeus que foram reconhecidos, pela Igreja Católica, desde os primeiros séculos da Era Cristã: o Pentatêuco (ou a Torá, como é conhecida no meio judaico), os livros Proféticos e os livros chamados de Escritos. A Igreja Católica, desde suas origens aceitou todos os livros sagrados reconhecidos pelos judeus (escritos em hebraico) e, além desses, aqueles escritos em grego: cerca de sete: Baruc, Eclesciástico, Judite, I e II Macabeus, Tobias e Sabedoria, além de trechos de Ester e Daniel (escritos em aramaico). Estes, por terem sido alvos de alguns questionamentos sobre sua origem divina, isto é, se teriam sido inspirados por Deus, só passaram a fazer parte do Cânon Bíblico Cristão mais tarde que os demais. Foram, assim, denominados de dêutero-canônicos, o que significa: canônicos tardiamente. Mas foram reconhecidos como canônicos, de qualquer forma, pela Igreja Cristã Católica, desde os primeiros séculos da Era Cristã.

ORIGEM DO NOVO TESTAMENTO

O Novo Testamento é a parte da Bíblia constituída por livros sobre a história e a doutrina cristã. Foram escritos, como já dito acimo, a partir do ano 50 da Era Cristã, isto é: a partir de cerca de duas décadas após a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. Os Evangelhos foram escritos a partir do ano 64 – quando foi escrito o Evangelho de Marcos –, sendo os demais, escritos até o ano 70, embora possa ser aceito que tenham sido escritos até, no máximo, no final do primeiro século (Ano 100 DC). Os Atos dos Apóstolos e o Apocalipse, também, são aceitos como tendo sido escritos até essa data.

É, em geral, aceito, portanto, que todos os livros do Novo Testamento tenham sido escritos durante a segunda metade do primeiro século da Era Cristã. Verifica-se, assim, que os Apóstolos e os Evangelistas – autores sagrados do Novo Testamento – não tenham conhecido a Bíblia Cristã, como a conhecemos desde o fim do primeiro século da Era Cristã. O anúncio (o Kérigma) da doutrina cristã, portanto, foi feito, inicialmente, de forma oral, e somente depois de cerca de 20 anos é que essa pregação passou a ser, lentamente, colocada por escrita pelos próprios apóstolos ou seus discípulos.

Quanto aos Evangelhos – que são aceitos por todos os cristãos, bem como o Novo Testamento, em geral – esses foram escritos por Mateus, Marcos (discípulo de Pedro), Lucas (discípulo de Paulo) e João. No entanto, pelo segundo século da Era Cristão foram aparecendo outros evangelhos, que, no entanto, não foram aceitos pela Igreja Cristã. Acredita-se que sejam mais de 50. Alguns desses, denominados evangelhos apócrifos, são: Natividade de Maria, Proto-Evangelho de Tiago, Evangelho Copto de Tomé, Evangelho apócrifo de João, Evangelho de Pedro, Evangelho de Maria Madalena, Evangelho de Felipe, Evangelho de Judas e Evangelho da infância de Jesus (54 perguntas sobre Jesus Cristo, Universidade de Navarra).

CÂNON DA BÍBLICA CRISTÃ

Como visto acima, a Bíblia Cristã é constituída por livros judeus (Antigo Testamento) e por livros cristãos (Novo Testamento). Mas a definição de quais são esses livros foi sendo elaborada, em meio a questionamentos, legítimos ou não, ao longo da vida mesma da Igreja Cristã. Assim, já no final do segundo século (Séc. II, Era Cristã) o Bispo Ireneu de Lyon, em seu livro Contra os Hereges (Adversus Haraeses 3.11.8-9). Nessa época havia muitos escritos que se propunham como evangelhos cristãos, que, no entanto, desde cedo foram rejeitados como sendo inspirados. Suas principais características rejeitadas eram: fantasiosos, com revelações secretas de Jesus, com doutrinas claramente heréticas, etc. Já naquela época, o cristão Orígenes de Alexandria  (†245) escrevia: " A Igreja tem quatro evangelhos, os hereges, muitíssimos" (54 perguntas sobre Jesus Cristo, Universidade de Navarra).

Até a Reforma Protestante, o Cânon oficialmente aceito pela Igreja Católica para os livros que compunham a Bíblia Cristã era constituído de 66 livros do Antigo Testamento (incluídos os denominados dêutero-canônicos, acima citados) e 27 livros do Novo Testamento, totalizando 73 livros sagrados. Essa lista completa (Cânon) de livros do Novo Testamento (livros cristãos) somente foi definitivamente finalizada no II Concílio de Cartago (417 DC)

Logo após a Reforma Protestante, que procurava eliminar os livros dêutero-canônicos (e até mesmo alguns do Novo Testamento, como Lutero desejava, em relação à Carta de S. Tiago), a Igreja Católica se reuniu no Concílio de Trento (1545-1563) e ratificou o Cânon tradicional da Bíblia Cristã Católica.

CONCLUSÃO

A origem da Bíblia Cristã está associada ao nascimento e ao florescimento da Igreja Cristã dos Apóstolos. A Igreja nascente, formando-se por meio da pregação oral dos apóstolos, tanto na Palestina, quanto na Ásia Menor e em Roma, não possuía a Bíblia, ainda. Os únicos escritos sagrados, citados pelos apóstolos (e até por Cristo) na sua pregação, eram aqueles do Antigo Testamento: livros judaicos. A Bíblia, conforme definida acima, ainda não existia. Os livros do Novo Testamento foram aparecendo à medida que a pregação e a formação de comunidades cristãs ia espalhando-se. O primeiro escrito do Novo Testamento, isto é, da Era Cristã, foi produzido pelo Apóstolo Paulo, em cerca do ano 50 DC. A Bíblia Cristã, como existe hoje, só tomou corpo definitivo, nos primeiros séculos da Era Cristã, quando então, todos os livros reconhecidos como sagrados e inspirados por Deus foram combinados e listados no Cânon Oficial da Igreja Católica, deixando para trás muitos outros escritos, propostos como sagrados pelos seus autores, que foram considerados como escritos apócrifos, isto é: não-autênticos ou, até mesmo, heréticos.

Uilso Aragono (Setembro de 2016)

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Sou formado em Engenharia Elétrica, com mestrado e doutorado na Univ. Federal de Santa Catarina e Prof. Titular, aposentado, na Univ. Fed. do Espírito Santo (UFES). Tenho formação, também, em Filosofia, Teologia, Educação, Língua Internacional (Esperanto), Oratória e comunicação. Meu currículo Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4787185A8

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