A propósito do mês de São José, publico, a seguir, mais uma historinha do livro “São José não falha” (referência abaixo), onde São José cuida das irmãs de um convento e de um orfanato.
Para garantir o sustento do nosso convento e de um orfanato sob a nossa responsabilidade, nós, Irmãs em Zagora (Bulgária), pelos meados de 1920, desenvolvemos uma lavoura cada vez maior. Mediante a embaixada alemã, conseguimos importância volumosa. Com isso pudemos comprar mais umas áreas. Arrendamos mais 30 hectares. Esse terreno fazia parte de uma herança-espólio, que no total somava 50 hectares. A herdeira, uma húngara, falecera após a primeira Grande Guerra. Seu filho e suas quatro filhas viviam no estrangeiro. O pároco Kr. havia prometido à moribunda de cuidar que seus filhos recebessem a herança. Cuidou disso até a sua morte. A embaixada húngara, que ficou com a supervisão, por seu turno, encarregou da coisa a um advogado.
Quando
o pároco Kr. Falecera, em 1928, o advogado pediu que o convento assumisse a administração.
Desde anos fazia eu para o pároco doentio a escrituração e os relatórios anuais
desse espólio. Agora, tudo ficou nas minhas mãos. Como disse, nós mesmas
tomamos arrendados 30 hectares. Os restantes 20 foram arrendados por pequenos
agricultores. A nossa parte, tratamos de desenvolver bem. Em poucos anos
tornou-se um campo muito produtivo. Bem que teríamos interesse de comprá-lo.
Mas aí estava sempre o mesmo enguiço: não se chegava a obter plenos poderes sobre
a herança.
Finalmente,
no outono de 1942, a situação mudou. Recebi um aviso do advogado, que me
chamava com urgência. O terreno estaria disponível. Era questão de agir
depressa, caso contrário, o governo o confiscaria. Naturalmente, encarregaram-me
de ver a possibilidade de podermos comprar o que até então usamos como arrendamento.
Viajei para a capital com a convicção de que o negócio iria ter um bom
desfecho. Eu sabia que minhas coirmãs assediavam com toda insistência a São
José. Para espanto meu, o advogado me informou que, da parte do herdeiro, não
viera nenhuma autorização. Segundo a lei, poderiam ser vendidos assim dois
terços da herança. Não esperávamos por essa. Poderíamos pagar tanto? Que
haveria eu de fazer? Nem tive coragem de perguntar ao advogado por quanto
ficaria o imóvel. Enfim, pedi-lhe prazo para dar resposta no dia seguinte.
Passei a noite em claro. Não é fácil para uma religiosa, numa situação difícil
como essa, encontrar a decisão mais acertada, sem ter o respaldo de autoridades
maiores.
Pela manhã, surge-me uma boa ideia: "Se o advogado começar a falar do preço, e não pedir mais do que 2.000 'levas' por décimos de hectare, será isso para mim um sinal de que devo comprar". Estando de novo com o advogado, perguntou-me se estava decidida, agora, uma vez que era negócio vantajoso para nós. E acrescentou:
"–
O preço, a Irmã mesma pode propor!"
Faltou-me
a voz por uns instantes. Daí disse eu rindo: "É coisa rara demais que o
comprador proponha o preço! O senhor certamente joga com a nossa honestidade.
Bem, quero então ser franca e dizer-lhe, sinceramente, como estão os preços.
Para terrenos como a parte que usamos, pode-se pedir de 2.000 a 2.200 'levas'
por décimo de hectare. Os 20 hectares arrendados aos pequenos lavradores, não
têm tanto valor, quando muito saindo por 1.000 ou 1.200 'levas'”.
Ótimo,
irmã concluiu o advogado vamos então tirar a média. As irmãs pagam 1.500
levas'. Concorda?
Que
dúvida? Fechamos o negócio. No convento foi aquela alegria. Todo mundo
satisfeito com a compra. São José nos ajudou. Agradecidas, fizemos erguer no
jardim uma capela em sua honra. As Irmãs, com gosto, recolhem-se ali nos dias
de retiro e aos domingos. (Ir. M.A.)
Ref.:
WEIGEL, A.M. São José Não falha – 100 histórias de São José. Edições Rosário,
Curitiba, Brasil, 6. Edição, 1994.
Uilso
Aragono (março de 2025)