segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Professor: rigor ou assédio?

Recomeçando o período escolar em nosso País é inevitável que se pense na avaliação da qualidade do ensino, em todos os níveis. Esta avaliação liga-se, especialmente, à qualidade dos professores e deve passar, não apenas pelo conhecimento técnico do professor, mas, igualmente, pela sua capacidade de bom relacionamento com os alunos. O professor rigoroso deverá estar atento para não transformar seu “rigor” na condução do processo ensino-aprendizagem, em um processo de “assédio moral”: situação sistemática de abuso de poder.

E que situação é esta, de abuso de poder, denominada também de “assédio moral”, ou terrorismo psicológico, que pode está ocorrendo em escolas e até em universidades? É a situação em que o professor persegue e humilha pública e sistematicamente o aluno; em que o professor desrespeita costumeiramente os direitos dos alunos, previstos claramente no regimento das escola; em que o professor aplica provas exageradamente longas e estressantes ou muito mais difíceis do que o razoável; em que o professor, numa universidade federal, por exemplo, marca aula extra, num horário não previsto na grade de horários, e de maneira totalmente impositiva e antidemocrática.

Rigor e assédio moral são coisas totalmente diversas. Um professor rigoroso é aquele que está levando a sério o seu dever de promover o processo de ensino-aprendizagem. Para isto ele usa de rigor na disciplina da turma, na cobrança da frequência e da assiduidade, e em provas exigentes. Não facilita a “cola” durante as provas e nem “mata” aulas, sendo um exemplo de dedicação à sua função de mestre. Este professor tem todo o direito de ser rigoroso e exigente, aliás, tem o dever de sê-lo!

Um bom relacionamento professor-aluno, no entanto, pode-se dizer que “pavimenta” o caminho da efetiva aprendizagem da turma. E um mau relacionamento, ao contrário, pode inviabilizar, não apenas o esforço do mestre, como ainda – o que é muito pior! – traumatizar o aluno e bloquear o seu contínuo interesse pela matéria ensinada... Isto é uma realidade facilmente constatada, pois quem não teria tido em sua vida um professor ruim (de mau relacionamento), e, em consequência disso, não teria ficado “com raiva” tanto do professor como da matéria? O grande prejuízo não será tanto a raiva contra o professor, pois esta pode, com o tempo, até mesmo passar... O prejuízo maior será, sem dúvida, a perda definitiva do interesse pela matéria lecionada, que terá como consequência, prejuízo inestimável para a futura vida profissional, caracterizada, hoje, pelo que se chama de aprendizagem continuada.

Rigor, sim! Assédio moral, não! É imperioso que professores, em todos os níveis de ensino, fiquem atentos a esta diferença, pois como ensina a psicopedagoga Helena Posener: “(...) nos dias atuais, quem humilha ou xinga, constrange, difama, calunia e injuria não fica impune, pois será enquadrado na prática de crime de calúnia e difamação, nos artigos 138 e 139 do Código Penal, além de que também poderá sofrer uma ação indenizatória por dano material, moral e à imagem" [http://www.webartigos.com/authors].

Uilso Aragono (fev/2011)

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A Missão do Professor

Fala-se muito que a missão do verdadeiro professor é, sobretudo, educar o cidadão sob sua tutela. E esta é uma grande verdade, mas que às vezes é ofuscada pela crença, também muito difundida, de que ao professor cabe a missão de “ensinar”. Ora, ensinar é uma tarefa que não anda sozinha, mas está intimamente associada ao ato de aprender: fala-se, então, de um processo de ensino-aprendizagem. Sim, um processo duplo, e que depende, portanto, tanto do professor – embora, talvez, em maior medida! – quanto do aluno. Se este não se esforça para aprender, não faz a sua parte, é vão todo o esforço do professor. Pode-se, então, afirmar que o professor não tem o poder de ensinar o aluno por meio de suas aulas – por mais perfeitas que sejam! – pois o conhecimento ou o saber não é “depositado” na mente do aluno por um processo um tanto quanto passivo como costuma ser uma aula, especialmente do tipo expositiva. É claro que, quanto mais ativa for uma aula, com participação efetiva do aluno, tanto mais este aproveitará o conteúdo trabalhado pelo professor, e mais chance haverá de que o processo ensino-aprendizagem colha bons frutos.

Se o professor não tem o poder de ensinar, independentemente do aluno, pode-se perguntar, em que consiste, então, a sua missão de educador? A verdadeira missão do professor consistirá, sobretudo, em despertar no aluno o interesse, a curiosidade, e até o amor pelo assunto da unidade curricular, ou popularmente, da matéria ensinada. E para atingir este nobilíssimo objetivo, deverá o professor relacionar-se com o alunado, da forma mais humana, respeitosa, democrática e flexível que seja possível. Pois agindo assim, estará o professor como que pavimentando o caminho que levará, efetivamente, à eficácia do processo ensino-aprendizagem. Ao final do período letivo, o professor deveria procurar identificar não tanto o quanto o aluno aprendeu ou “apreendeu” da disciplina lecionada, mas, sobretudo, o quanto foi despertado nele o interesse e o amor por esta, pois serão esses os fatores que farão com que o aluno, uma vez tendo passado na matéria, permaneça aberto à possibilidade e à necessidade de constante e contínua aprendizagem do conteúdo superado. Ao contrário, tendo sido ruim a relação professor-aluno, estará definitivamente comprometida a eficácia do processo ensino-aprendizagem, e o aluno poderá associar a imagem negativa do professor ao conteúdo da disciplina, resultando natural bloqueio diante desta.

Além da vantagem de um bom relacionamento professor-aluno em relação à eficácia do processo ensino-aprendizagem, especialmente para o futuro do aluno – abertura diante da aprendizagem contínua –, a missão de educador concretiza-se, também, com mais eficácia, pois o alunado assimilará, positivamente, todo o conteúdo extracurricular, isto é, ético, moral, político, humano-social, e religioso, que porventura (ou certamente) o professor tiver passado em suas aulas. E esses valores talvez possam vir a ser aqueles que mais efetivamente determinem o futuro promissor e o sucesso profissional do aluno. Sob este aspecto, a missão do professor-educador estará realizando-se sob a forma mais nobre e louvável que uma sociedade possa desejar.

A missão do professor é, portanto, não tanto passar ou impor conteúdos programáticos aos alunos, mas, sobretudo, criar um ambiente, em sala de aula, que seja, sem dúvida, o mais favorável possível à assimilação de tais conteúdos, mas, em especial, para que o aluno, ao final do período de estudos sinta-se como que apaixonado pela disciplina, pelo professor, e, em decorrência, por todo o conteúdo do assunto, que normalmente ultrapassa em muito aquele dado em sala de aula. Este, sabe-se muito bem, é apenas o básico ou a parte introdutória do assunto, visto que durante um semestre letivo, ou mesmo um ano, não é possível estudar-se mais do que isso.

Criar um ambiente amigável, democrático, flexível e respeitoso, que favoreça a assimilação do conteúdo da disciplina, mas que, sobretudo, desperte no aluno o interesse e o amor por esse conteúdo no seu processo futuro de aprendizagem contínua, e que, ao mesmo tempo, promova no alunado valores positivos relacionados à política, à cidadania, à religião, à tolerância e a tantos outros similares: esta é a verdadeira missão do professor, e que tanto deseja a Sociedade! O professor, mais que um utópico e ineficaz “ensinador” deve ser um orientador, um auxiliador, um incentivador, um avaliador competente e um modelo de cidadão para seus alunos, que, em consequência, onde o encontrarem no futuro, sempre o chamarão, de fato e de direito, seu “professor”.

Uilso Aragono (janeiro / 2011)

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Celebração de Natal - 2010

NATAL DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO - 2010

GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS E PAZ NA TERRA AOS HOMENS POR ELE AMADOS!

Natal é tempo de reviver o significado mais profundo da PAZ!... Pois quem nasce é o Príncipe da Paz, que disse: “Eu vou dou a minha PAZ, eu vos deixo a minha PAZ...”

Ele ainda esclarece que sua PAZ não é como a paz do mundo. Em que consiste, então, a PAZ de Jesus? O que é a paz que o mundo dá?... É o tema de nossa reflexão desta noite de Natal.

(1) ________: A paz do mundo, a paz entre as pessoas, é um momento em que as armas são baixadas, e os ataques mútuos são suspensos. É muitas vezes, nada mais que isso: um armistício...

(2) ________: A PAZ do Senhor Jesus já é outra coisa bem diferente: é presença de AMOR, expressa no sorriso sincero, no desejo de bem e felicidade para o outro, no desejo de servir, mais do que ser servido!

TODOS – O mundo precisa da PAZ VERDADEIRA!

(3) ________: No mundo, estamos em paz quando vivemos e deixamos viver; quando não atrapalhamos a vida dos que nos cercam, seja na familia, no trabalho, no condomínio residencial e em todo e qualquer relacionamento humano.

(4) ________: Mas Jesus nos ensina que a sua PAZ é fruto do desejo sincero e profundo de “dar vida” ao outro. A PAZ de Jesus cura os corações, pelo perdão oferecido; consola a solidão, pela amizade sincera e desinteressada; afasta a depressão pela felicidade compartilhada!

TODOS – Nós precisamos da PAZ DE JESUS!

(5) ________: Deixar alguém em paz, neste mundo, é abandoná-la à própria sorte! É deixá-la sozinha, com seus problemas, com seus dramas pessoais e familiares. É não se intrometer em sua vida! Esta é a paz que o mundo dá e quer: cada um no seu quadrado!...

(6) ________: A PAZ de Jesus nos é dada, nos é renovada, sempre que ouvimos sua Palavra, que não está só na Bíblia, mas é viva e está sempre sendo pronunciada pelos corações de pessoas que se deixam AMAR por Ele, por pessoas de boa vontade, por pessoas que vivem sua PAZ: esta PAZ é solidária, é comunitária, é inclusiva, é participativa, é criadora de mais PAZ...

TODOS – Precisamos viver a PAZ, ouvir a PAZ, distribuir a PAZ do Senhor!

(7) ________: Quando as pessoas não estão brigando, acham que estão em paz. Assim é a paz do mundo: uma paz negativa; uma paz não-guerra; uma paz não-briga; uma paz não-discussão; uma paz não-maiúscula!

(8) ________: A verdadeira PAZ, com letras maiúculas, é a PAZ positiva, é a PAZ pró-ativa, é a PAZ fruto de decisão por vidas felizes. É a PAZ que vem do alto. É a PAZ resultado da GRAÇA e do ESFORÇO, da bênção e da decisão, do AMOR de Deus e do coração do homem.

TODOS – Precisamos DECIDIR pela PAZ, buscar a PAZ, multiplicar a PAZ!

(9) ________: Cabe então, a cada um de nós, DECIDIR pela PAZ verdadeira, pela PAZ que vem de Jesus, pela PAZ que é o próprio JESUS, pela PAZ que é LUZ para o mundo, pela PAZ que ilumina o mundo: o meu mundo, o nosso mundo, as nossas relações, que devem tornar-se, a cada dia, relações mais pacíficas e pacificadoras, mais cheias de PAZ e multiplicadoras de PAZ, por um mundo mais feliz e abençoado.

FELIZ NATAL!... PAZ E BEM!...

TODOS – E QUE A PAZ VERDADEIRA, DE JESUS, INVADA O ANO NOVO!

domingo, 31 de outubro de 2010

Porque votei em Dilma

Embora o voto seja considerado secreto, nada impede que se divulgue o próprio voto. Todos os que se empenham na defesa de um determinado candidato o fazem explicitamente. Muitos colocam em seus carros adesivos do seu candidato, usam camisetas da campanha, tentam convencer parentes e amigos, e até sobem em palanques. Não pertenço a esses grupos, mas declaro, agora, revisando este texto, em 2016, minha frustração por ter votado em Dilma: fui enganado politicamente!...

Minha opção política, em harmonia com minha consciência política, tem sido tomada em função da defesa da democracia e dos direitos sociais da maioria da população, em particular da população mais pobre e menos favorecida socialmente: educação, emprego, salário mínimo digno, saúde, e transporte, basicamente.

Em relação aos três últimos presidentes, minha experiência identifica enorme frustração geral se forem citados os Fernandos (Collor e Henrique Cardoso), enquanto percebia sinceridade e clara sensibilidade social no caso do presidente Lula.

Fernando Collor deixou a desejar pelas promessas ligadas à sua juventude e pelo fato de ser um político menos tradicional, tendo, no entanto, naufragado por características, segundo minha avaliação, de imaturidade e certa desonestidade.

Fernando Henrique frustrou a nação pela promessa, embutida em toda a sua formação intelectual e cultural e pelo fato de ser um sociólogo, quando não conseguiu melhorar o salário mínimo e nem valorizar as universidades e a educação, em geral, como poderia e deveria: fez muito pouco em função de toda a sua propalada “capacidade” intelectual e política. As greves dos professores nas universidades ­– justamente ele, um ex-professor universitário! – proliferaram e transtornaram a vida das comunidades universitárias, durante anos, e não tiveram dele o tratamento que poderia e deveria dar em função de toda a sua esperada competência como sociólogo, ex-professor e político respeitado.

O presidente Lula, tão criticado por sua baixa escolaridade – especialmente se comparado aos dois últimos presidentes! – apresentou, no entanto, uma grande sensibilidade social, conseguindo resgatar o valor do salário-mínimo (que passou de cerca de US$ 70,00, no período de Fernando Henrique, para US$ 270,00, no final de seu governo), acabar com as greves de professores nas universidades – trazendo paz para os ‘campi’ universitários! – aperfeiçoar os tímidos e pouco eficazes programas sociais anteriores, aumentar enormemente o número de empregos, com carteira assinada, e retirar da pobreza, efetivamente, milhões de brasileiros, dentre muitas outras ações sociais surgidas ou aperfeiçoadas em seu governo: o PROUNI e as cotas sociais (ou até raciais) das universidades, em particular. Estes aspectos de resgate da sociedade brasileira vieram ao encontro de minhas expectativas, bem como ao de milhões de outros brasileiros, como podem demonstrar os elevadíssimos índices de popularidade do Pres. Lula (83% de aprovação em outubro/2010).

Mas razões, justificadas, para críticas ao Pres. Lula existem. O fato de ele falar demais, em seus pronunciamentos, o expõe a falar o que não deve, ou de forma precipitada, dando aos seus adversários, para além das críticas ao seu português ruim, motivos de críticas reais. Alguns de seus principais assessores foram pegos em tramoias, foram investigados e perderam o cargo. O Mensalão, negado por ele, num momento, reconhecido por ele, em outro momento (quanto diz que foi “traído” pelos seus companheiros...), está depondo, muito negativamente, contra o presidente Lula.

Ao escolher o nome de uma mulher, ministra de seu governo, mas nome pouco conhecido nacionalmente, para ser sua candidata à presidência da república, Lula demonstra muita coragem e independência, pois fazer de uma pessoa com tais características, uma presidenciável capaz de enfrentar um nome muito mais conhecido como o do ex-governador de São Paulo e ex-candidato a presidente, José Serra, não seria uma tarefa das mais fáceis. Mas estará ele com a razão? Será, verdadeiramente, um bom nome para ocupar um cargo tão importante?

Lula acreditou que fosse capaz de transferir sua popularidade a uma mulher-candidata, que não o decepcionou, pois logo as pesquisas demonstraram que ela seria um nome de peso na disputa presidenciável. Dilma Roussef demonstrou, apesar de algumas deficiências políticas iniciais, uma incrível capacidade de superação e de enfrentamento dos desafios à frente. Tão logo as pesquisas já a apontavam como um dos favoritos à presidência, demonstrando, claramente, que o Presidente Lula tinha acertado em sua escolha pessoal, apesar de toda a temeridade certamente apontada pelos seus companheiros de partido.

Sobre a discussão moral relativa à descriminalização do aborto, a posição da candidata mudou, de fato? Seria bom se fosse verdade! As pessoas devem ser flexíveis. Mas as práticas do Governo mostram-se, furtivamente, favoráveis ao aborto.

Mas, finalmente, o que tem sido de grande frustração para o povo brasileiro, é, sem dúvida, o PT, o partido dos trabalhadores, que se transformou, totalmente – provocando, inclusive, a saída de muitos de seus fundadores – desde que assumiu o poder. Desde então, a ordem é manter-se, a todo custo, no poder: perpetuar-se no poder. Para isto, todos os esforços (como disse Lula: “vamos fazer o diabo” para conseguirmos vencer as eleições de 2015,2º mandato de Dilma) têm sido despendidos – com muita corrupção!

Votei em Dilma, em 2010 porque fui enganado! E em 2015, embora não tenha mais votado nela, nem no PT, o povo brasileiro, tendo votado, mais uma vez, na dupla Dilma-PT, sofreu o que se chama, com razão, um calote eleitoral! Que o Brasil possa ver-se livre de Dilma e do PT o quanto antes! Que Deus nos abençoe!

Uilso Aragono (revisado em março/2016)

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Ecumenismo: respeito entre os cristãos

O artigo abaixo busca fazer uma reflexão sobre o verdadeiro espírito ecumênico, que deveria presidir as relações respeitosas e amorosas entre todos os que se dizem e acreditam "cristãos".
Ecumenismo é um esforço sincero de aproximação mútua que deve dirigir todos os gestos e atitudes de um cristão autêntico. Envolve princípios baseados na tolerância e no amor, no respeito e na valorização das diferentes formas de viver a fé cristã, sinceramente professada.
O espírito ecumênico não deveria, portanto, “protestantizar” a fé católica e nem “catolicizar” a fé protestante. Uns não deveriam “escandalizar-se” diante da fé professada e vivida pelos outros. Na base do espírito ecumênico está a certeza de que mais vale esforçarmo-nos, como cristãos, para vivermos e propagarmos a fé em Cristo diante do mundo, para sua salvação e santificação, do que tentarmos uma talvez impossivel unificação de formas de vivenciar a fé.
Com base em tais premissas, podem ser explicitadas algumas práticas que, embora aparentemente contribuam para uma vivência mais “ecumênica” entre as diferentes igrejas cristãs, na verdade acabam por empobrecer ou distorcer a autêntica forma de vivência cristã desta ou daquela igreja. Igreja aqui entendida como a reunião de cristãos sob uma mesma maneira particular de entender e vivenciar a fé cristã, incluídas a Igreja católica e as variadas denominações evangélicas.
Inicialmente, utilizar-se o termo “escândalo” para justificar-se alguma alteração na maneira própria ou tradicional de viver-se a fé não parece muito apropriado, pois chocar-se-ía com a idéia básica da tolerância entre aqueles cristãos que visam, com sinceridade, a abraçar uma forma ecumênica de vivência cristã. Ora, quem vive o espírito da tolerância, deve ser capaz de aceitar, e até acolher, sem quaisquer estranhezas, formas diferentes de comportamento cristão, público ou particular. Não deveria escandalizar um evangélico o fato de que um católico ajoelhe-se diante de uma imagem de Maria, mesmo que ele (o evangélico) não partilhe de tal maneira de vivência cristã; mesmo que ele possa considerar tal gesto uma atitude condenável de “adoração”. O escândalo não se justifica porque um e outro aprenderam, ou formaram-se em “escolas cristãs” diferentes, embora ambos busquem, com sinceridade, cada um à sua maneira, o crescimento na própria fé, a santificação pessoal e do mundo.
Outros exemplos serão dados, a seguir, para melhor caracterizar esta importante faceta do ecumenismo, para que todos os cristãos, independentemente das variadas formas de seguimento doutrinário ou de vivências concretas, possam dar ao mundo, testemunho eficaz e verdadeiro de amor a Deus e ao próximo, para que se realizem as palavras do Divino Mestre: “... para que eles, vendo que vocês se amam, sejam atraídos à sua fé”.
Os católicos não deveriam escandalizar-se, diante dos evangélicos que não batizam crianças! Estes têm justificativas teológicas e doutrinárias para tal procedimento... Já os evangélicos não deveriam estranhar a adoração eucarística dos católicos, pois o mesmo acontece em termos doutrinários!
Até o ano 1500 da era cristã os cristãos eram todos católicos e aceitavam a Bíblia cristã como constituída por 73 livros sagrados. Os evangélicos, a partir da Reforma Luterana, lentamente, com o processo de sua reflexão doutrinária e teológica, decidiram aceitar apenas 66 livros, rejeitando os restantes 7 livros como não sendo autêntica Palavra de Deus. Tal fato, diferentemente de atitudes antigas, não deveria provocar os ânimos dos católicos, e nem vice-versa, já que sob os auspícios de um novo espírito ecumênico, tais diferenças serão absorvidas com maturidade, respeito e tolerância entre todos aqueles que, apesar das diferenças e contrariedades das doutrinas seguidas, ainda se dizem cristãos.
Por que escandalizar-se diante do fato de que os sacerdotes católicos devem optar pela vida celibatária (ou vida indivisa), não podendo casar-se? Se os pastores evangélicos, de acordo com a sua maneira de crer e viver a fé cristã, podem casar-se sem prejuízo de suas funções de líderes de sua igreja, por que estrahar tal fato? Devem os católicos escandalizarem-se diante do fato de um evangélico ou não-cristão passar diante do Cristo eucarístico e não o adorarem? Para aqueles, o Cristo está verdadeiramente presente no pão eucarístico, é o Sacramento mais Sublime de sua maneira de viver a fé, o que os leva a ajoelharem-se diante da hóstia consagrada e adorarem o seu Deus! Para os evangélicos, a ceia do Senhor é apenas um símbolo que evoca a presença divina e o compromisso, diante de Deus, de amar em Cristo Jesus. As diferenças de modos de crer, associadas a pensamentos teológicos diversos, faz com que uns e outros tenham comportamentos religiosos também diferenciados. Ora, o espírito ecumênico deve guiar a todos em direção a uma convivência harmoniosa, baseada no respeito, na tolerância e no amor recíproco.
Um outro exemplo de diferença comportamental entre os cristãos das diferentes igrejas é a maneira com que se relacionam com Maria, a Mãe de Jesus. Uns a têm como a Mãe de Deus, “bendita entre todas as mulheres”, digna de toda a veneração, admiração e amor; como aquela que é a “porta da salvação”, e por isso, merecedora de toda a consideração, cuja história e tradição os ensinam a pedir sua intercessão junto a Seu Filho. Outros a consideram uma simples mulher, como todas as outras, apenas agraciada pelo dom de ser escolhida para Mãe do Salvador. Tais diferenças de percepção da importância de Maria na vida do cristão, o fará ter comportamentos bem distintos. O espírito ecumênico deverá fazê-los entenderem-se, respeitarem-se mutuamente, de tal forma que uns e outros não se condenem, mas aceitem tais diferenças, que somente Deus poderá julgar.
Muitas outras diferenças comportamentais existem entre os cristãos das diferentes igrejas, advindas de suas diferentes formas de interpretar e viver a sua fé. O importante, dentro de um moderno espírito ecumênico, é a aceitação do fato de que todos se consideram cristãos e querem, com sinceridade, caminhar nos caminhos do Senhor, sendo todos, a seu modo, testemunhas de Jesus, compromissados a levarem Sua Mensagem “até os confins do mundo”.

Atitudes ou comportamentos tendentes a “evangelizar” a fé católica ou a “catolicizar” a fé protestante não estão, portanto, de acordo com o espírito ecumênico. Encontram-se, ao contrário, em rotas de colisão com tudo aquilo que busca o verdadeiro ecumenismo: maiores e efetivas tolerância e amor entre os cristãos de diferentes igrejas “para que o mundo creia”!

(Uilso Aragono - setembro de 2010)

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Consciência Segura

Refletir sobre a necessidade de que o cidadão tenha uma consciência de segurança proativa, com vistas a evitar acidentes no trabalho, em casa, e em qualquer dimensão da vida, é o objetivo do presente artigo. O termo consciência segura está sendo proposto, para significar justamente isto: uma consciência esclarecida quanto aos riscos de acidentes, tão comuns na vida em sociedade, e alerta quanto aos cuidados necessários para evitá-los.

Esta expressão consciência segura, ainda não é comum, mas, assim como já é comum a expressão “consciência ecológica”, espera-se que esta nova consciência de segurança em geral – na família, no trabalho, no trânsito, enfim, na vida –, seja a cada dia mais divulgada e vivenciada. Estou propondo este termo, consciência segura, como rotulador para um tipo de consciência que envolva “atitudes” proativas contra os potenciais acidentes da vida atual.

Vale aqui uma distinção, também oportuna, entre “consciência intelectual” e “consciência vivencial”.

Consciência intelectual é aquela que está associada a conceitos teóricos adquiridos por uma pessoa. Esta é capaz de definir, explicar e argumentar a favor ou contra determinado conceito. Por exemplo: consciência contra a violência por armas de fogo. Alguém pode ter uma consciência intelectual totalmente antiviolência, expressando-a através de argumentos até emotivos.

Consciência vivencial corresponde àquela que uma pessoa apresenta em suas relações interpessoais, em suas ações concretas. É, muitas vezes, distinta da consciência intelectual, a ponto de uma pessoa, tendo consciência intelectual antiviolência, ser capaz de agir violentamente contra o outro pelo uso de uma arma de fogo... Pode-se citar o exemplo de um jornalista brasileiro que, tendo dado uma entrevista pela paz e contra a violência, pouco tempo depois foi capaz de assassinar sua namorada a tiros...

A consciência deve iluminar-se de tal forma que passe, naturalmente, de um nível intelectual para o mais profundo, o vivencial. Ou, dito de outra forma, talvez mais poética, de um nível mental para o emocional, do nível da teorização para o nível do coração!...

A consciência segura, então, deverá ser esclarecida por conceitos teóricos e intelectuais, mas, sobretudo, deverá procurar atingir o nível mais profundo da consciência vivencial. Isto se dá, normalmente, quando se vivenciam acontecimentos dramáticos em relação a algum assunto. No caso de acidentes, estes devem ser avaliados, discutidos e visualizados a ponto de serem tiradas conclusões importantes para a própria vida. Uma consciência segura torna-se assim se, e somente se, ela atingir aquele nível do coração, da vivência. Somente assim a pessoa que cultivou tal consciência terá atitudes naturalmente seguras e proativas, sendo capaz de “anular” possíveis acidentes potenciais.

Para o alcance de níveis bons de consciência segura, o cidadão deveria ter contato com o assunto “segurança na vida” desde a infância, desde, portanto, os primeiros anos de escola. Sendo expostos à temática por meio de abordagens variadas e inteligentes, tais como filmetos, teatralizações, histórias interessantes, passeios com abordagem crítica em relação às condições de segurança ou insegurança existentes nos bairros da cidade, dentre outras, a criança, o adolescente e o jovem estariam tornando-se pessoas, cidadãos, mais conscientes em relação ao problema dos acidentes na vida. A consciência segura estaria sendo formada, desde cedo, no cidadão, com consequências das mais positivas para a sociedade.

Em particular podem ser citados os filmetes divulgados na TV sob títulos como “vídeo-cassetadas” ou semelhantes, em que são expostas situações engraçadas, em geral, mas que contêm muitos ensinamentos sobre segurança na vida, pois não deixam de constituir verdadeiros acidentes. Sendo expostos a tais vídeos, o jovem será levado a analisar criticamente os riscos envolvidos na cena, suas consequências negativas e, por outro lado, as possibilidades de anular tais acidentes. Como a emoção estará ativada, por serem cenas engraçadas, os ensinamentos daí decorrentes tendem a entrar mais profundamente na consciência da pessoa, criando nelas atitudes proativas de segurança e tornando-a mais segura. E uma pessoa com consciência segura torna-se multiplicadora, por exemplos e palavras, dessa mesma consciência.

(Uilso Aragono, agosto de 2010)

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Educar com Amor

Alguns pais ficam desesperados diante do desafio de educar seus filhos adolescentes, especialmente diante de um mundo que não favorece a educação dos filhos. Para enfrentar esse desafio sempre busquei a orientação da Igreja Católica. Sim, apesar das falhas do “pessoal da Igreja”, sempre dei muito crédito à “pessoa da Igreja”, que é o Cristo mesmo: Eis que estarei convosco até o fim dos tempos... Lendo, assistindo palestras, refletindo sobre o tema em encontros e, mais tarde, fazendo palestras sobre o assunto, posso dizer que aprendi muito. E gostaria, com humildade, mas com certa autoridade de quem conseguiu educar bem os filhos – graças a Deus! –, de partilhar com os leitores os meus conhecimentos e minha experiência.

1. O amor conjugal educa

Uma das primeiras lições que aprendi com os livros do Pe. João Mohana (também médico e psicólogo, já falecido) é que a melhor maneira de educar os filhos, desde pequenos, resulta da prática do amor entre os pais: “Pais, querem educar bem a seus filhos? – amem-se profundamente !”. Esta é uma verdade que pude compreender ao longo do tempo de minha experiência de pai. De fato, se os pais se amam, e expressam esse amor diante dos filhos, esses só têm a se beneficiar, porque, no ambiente de amor criado pelo amor dos pais, eles se sentem , também, amados pelos pais; sentem-se seguros do amor dos pais, que ao expressarem o amor mútuo, passam aos filhos, naturalmente, a tão importante sensação de segurança psicológica de sentir-se amados.

No caso de pais separados, como é o caso de muitas pessoas, hoje, é muito importante que esses se comportem, diante dos filhos, ainda que vivendo separados, como verdadeiros “pais”! Os filhos, que certamente sentem tristeza pela separação dos pais – e o sentem de forma confusa!– precisam, mais do que nunca, do conforto e da certeza de que os pais, embora separados, se respeitam e ainda se interessam, solidariamente, pela educação deles e pelo seu futuro. Esta verdade deve guiar os pais no seu relacionamento de pais separados: não pode e não deve haver comportamentos de crítica negativa ou de desprezo de um pelo outro diante dos filhos! Estes sentirão profundamente o desamor dos pais e, em consequência, sentir-se-ão perdidos, inseguros e desamados pelos pais: o processo educativo deles fica totalmente comprometido, e as dificuldades naturais de educar agravam-se de forma especial.

2. Educação pelo amor

“O Amor é tudo” (Love is all), como já cantava uma antiga música! De fato, o amor, especialmente o amor cristão – capaz de perdoar, de se doar, de compreender... –, é fundamental para que a educação seja de boa qualidade e possa produzir os frutos desejados: filhos bem educados, em todos os sentidos! Os pais, portanto, não podem esquecer-se de que vale mais o Amor do que o rigor!; mais a compreensão do que a punição (especialmente aquela exagerada); mais o diálogo (em que “os dois” falam!) do que o sermão... Não estarão, muitos pais, deixando-se guiar mais pelo rigor, do que pelo Amor?... O rigor excessivo pode produzir o efeito contrário àquele desejado. O pai deseja o bem do filho, mas o trata com rigor militar!... E esquece de dar o carinho, a atenção, a amizade de que o filho precisa. Ora, punição exagerada, e sem que o filho tenha clara a razão da punição, e, além disso, feita com expressões de raiva e decepção, provocam no filho sentimentos confusos em relação ao amor dos pais. Será que isto é amor? – pensa o adolescente. Mas que amor é este que faz sofrer e entristece a quem errou?... Toda punição deve ser aplicada “com amor”, sem expressões de raiva, de decepção, de cansaço diante do filho. Que cada pai, cada mãe, faça sua autoavaliação. Estou apenas chamando a atenção para esse aspecto negativo da punição, quando é feita associada à raiva e não ao amor.

O papel do carinho, expresso especialmente por meio do afeto, do aconchego, dos beijos frequentes, é fundamental para a boa educação dos filhos e para o seu equilíbrio psíquico. As expressões de amor, realizadas de tempos em tempos por meio de pequenos “presentes” inesperados, por meio de conversas sobre amenidades, por meio da presença dos pais na vida dos filhos, e tantas outras formas práticas de “educação natural pelo amor”, são fundamentais para o sucesso na educação dos filhos.

3. Educação por imitação

A educação se dá por imitação, muito mais do que por sermões ou regras a serem seguidas, ou por “ameaças”, mesmo que educativas. Quando o pai chama a atenção de um filho ou uma filha de forma agressiva, violenta, raivosa, a lição que o filho aprende não se relaciona ao conteúdo “educativo” da advertência, mas à sua forma: ele “aprende” a ser agressivo, raivoso, violento... É o efeito contrário sendo atingido: busca-se educar por meio da advertência verbal (ou mesmo, ainda pior!, violenta), mas dá-se o “mau exemplo” do relacionamento agressivo e raivoso... Onde está o amor, nessa situação? Sem amor, a educação se perde... Pode-se concluir, que a educação se torna muito mais efetiva e eficaz – especialmente com crianças a partir dos sete a oito anos – por meio dos “exemplos”. Um mau exemplo de agressividade ensinará a ser agressivo; um mau exemplo de violência, ensinará a ser violento... Por outro lado, “bons exemplos” de compreensão, de diálogo, de carinho, de amor, serão imitados, naturalmente, pelos filhos. Se um pai quer ensinar um filho a pedir desculpas, peça-lhe desculpas por algum eventual erro seu!... Não existe melhor ensinamento do que este: o pai, com humildade, reconhece seu erro, diante do filho, e, com olhos lacrimejantes, pede-lhe perdão! – O filho está tendo uma lição de vida inestimável! Não existe melhor recurso educacional para formar os filhos, do que os bons exemplos!

Explorando um pouco mais o tema do bom exemplo, poderíamos citar:

1. Quer ensinar o filho a não jogar lixo no chão? – deixe-o vê-lo guardar um papel de bala no bolso, se não há por perto uma lixeira!

2. Quer ensinar o filho a respeitar os mais velhos? – deixe-o vê-lo cedendo o lugar em um banco a uma pessoa idosa!

3. Quer ensinar o filho a ir à igreja? – vá você, com frequência à igreja, e o convide – sem forçar! – a acompanhá-lo!

4. Quer ensinar seu filho a estudar, a valorizar a leitura? – deixe-o vê-lo estudar, pesquisar, ler, buscar o conhecimento e usufruí-lo em família.

5. Quer ensinar o seu filho a ser honesto? – deixe-o vê-lo devolver um troco em excesso!

6. Quer ensinar seu filho a ser caridoso? – deixe-o vê-lo fazer a caridade, levando-o a visitar um asilo, um amigo doente!...

7. Quer ensiná-lo a amar as pessoas? – demonstre claramente esse amor por meio de gestos concretos de tolerância, de compreensão, de carinho, de amizade, de fraternidade.

8. Quer seu filho uma pessoa otimista? – demonstre otimismo em suas posições e atitudes diante da vida...

Estou convencido de que os nossos exemplos, bons ou maus, têm o poder de influenciar as outras pessoas, seja na família, seja no trabalho, seja no trânsito... Especialmente dentro do ambiente familiar, devido ao ambiente de amor preexistente, os bons exemplos terão, certamente, efeitos educativos muito positivos. Ah se os pais conhecessem e praticassem a metodologia do bom exemplo!... Quanto sofrimento seria evitado! Quantas vidas adolescentes seriam mais bem encaminhadas, para o bem de todos! Como a educação seria mais eficaz e produtiva!

Todo adolescente, toda criança, naturalmente identifica-se com seus “heróis”, seus “ídolos”. E os pais, preferencialmente, devem ocupar esses papéis. Se os pais não conseguirem, os filhos tenderão a buscar, inconscientemente, outras pessoas para esses papéis. Mas os pais já têm uma grande vantagem: a vantagem do amor paterno, do amor materno... Com base em relações familiares amorosas os pais podem desenvolver relações de companheirismo, de confiança, e até de amizade com os filhos, de tal forma a “conquistá-los”, a fazer deles seus aliados, seus fãs, seus amigos de verdade! Esta amizade com os filhos, embora questionada por alguns psicólogos e educadores, é possível de existir sem abrir-se mão da sadia autoridade dos pais. Autoridade que não se confundirá com autoritarismo! Os filhos precisam, tanto da amizade dos pais quanto de sua autoridade! Esta acontece, por exemplo, quando o pai, estando brincando com seu “amigo”, interrompe a brincadeira e, com autoridade respeitosa e amorosa, coloca a criança para dormir, porque deu a hora...

4. Educar com amor incondicional

O amor aos filhos deve ser um amor “incondicional”! Os pais amem seus filhos não pelo que eles dizem ou façam, mas, sobretudo, pelo que eles “são”: em primeiro lugar, filhos dados por Deus para aprenderem a amar, a partir do amor dos pais, que devem ser como que imagens de Deus, que é, ao mesmo tempo, Pai e Mãe. Um amor incondicional, como o do Pai do Céu, é aquele, afinal, que ama “apesar de” e não “se”... Os pais amam o filho apesar de ele assumir uma orientação sexual inesperada; apesar de ele pensar diferente em muitos aspectos e campos da vida: política, religião, etc.; apesar de ele não demonstrar uma sintonia perfeita com os pais; apesar, até mesmo, de ele seguir caminhos éticos questionáveis pelos pais... E como demonstrar esse amor incondicional? Não há alternativa: são demonstrações inequívocas de compreensão, de respeito, de solidariedade, de amizade. Afinal, os amigos não merecem nosso respeito? Apesar de não seguirem, exatamente, nosso sistema educacional, ou nossos princípios, nossos pontos de vista?... Se os amigos merecem esse respeito, muito mais os filhos, “carne de nossa carne”!

Os pais nunca devem desistir dos filhos, abandoná-los à própria sorte! Como na parábola do filho pródigo, o pai está lá, dia após dia, olhando na distância – não abandonou a esperança! –, na expectativa do retorno do filho... E ele não só esperou o filho voltar e pedir-lhe perdão, mas antecipou-se e foi, apressadamente, ao seu encontro e só teve palavras de amor e compreensão diante daquele que tanto o decepcionara... Assim é o Amor do Pai! Assim deve ser o amor dos pais! Se o filho errar e acabar arrependendo-se, ele precisa ter a certeza da presença silenciosa e esperançosa dos pais, sempre na torcida, sempre na oração por ele... Até essa consciência de que os pais estão ali, amando apesar de tudo, será um fator misterioso, mas eficaz, a trabalhar pela conversão do filho, pela volta do “filho pródigo”, do filho rebelde, do filho ingrato, do filho desviado... Sem a certeza do amor incondicional dos pais, tudo poderá tornar-se fator de ainda maior desagregação para o filho, que poderá perder-se totalmente no mundo. Diante de alguma luz repentina de arrependimento, voltar para quem?... voltar para onde?... se não há os pais a esperarem! se não há um lar para onde retornar! E a luz do arrependimento pode apagar-se, definitivamente...

Para ajudar um pouco na missão dos pais, e para que estes acreditem que o mais importante nessa missão é o amor, vale a pena (re)ler a poesia de Gibran Khalil Gibran:

“Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável.”

( Gibran Khalil Gibran )

Um pensamento-chave nessa poesia vale a pena ser retomado: “Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós”. Esta é uma grande verdade! Se pensarmos profundamente, constataremos que, de fato, não poderemos “fazê-los como nós”, fazê-los semelhantes a nós, mesmo que nos consideremos um bom modelo de pessoa. Na verdade, não há modelos para ninguém. Cada ser humano é uma obra originalíssima de Deus! Todas as outras pessoas serão apenas, e no máximo, fontes de inspiração para sua vida. Uns terão mais importância como “inspiradores” do que outros; mas, sobretudo, os pais deverão estar entre aqueles que mais contribuem para as opções e os caminhos a serem percorridos por alguém. E nada como ter consciência do conteúdo maravilhosamente verdadeiro da poesia de Khalil Gibran: “Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos, porque eles têm seus próprios pensamentos...”. Sim, o Amor faz a diferença! E só pelo amor incondicional os pais poderão educar verdadeira e eficazmente os seus filhos apesar de todas as dificuldades do mundo de hoje.

Mas se o amor é a chave do sucesso na educação dos filhos, e considerando-se que Deus é Amor, nada mais sensato do que pedir a Ele forças para amar, forças no amor! A oração, então, torna-se igualmente fator-chave no processo educativo. Como já ensinava Sto Agostinho: Fazei tudo como se tudo dependesse de vós; e confiai, como se tudo dependesse de Deus. Confiemos, diariamente, a Deus nossas lutas e dificuldades, especialmente na missão de amar nossos filhos, e Ele nos ajudará, com certeza, por meio de suas luzes, sua bênção, sua proteção, seu Amor!

Uilso Aragono, julho de 2010

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Sou formado em Engenharia Elétrica, com mestrado e doutorado na Univ. Federal de Santa Catarina e Prof. Titular, aposentado, na Univ. Fed. do Espírito Santo (UFES). Tenho formação, também, em Filosofia, Teologia, Educação, Língua Internacional (Esperanto), Oratória e comunicação. Meu currículo Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4787185A8

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