domingo, 28 de fevereiro de 2010

Criança pirracenta: o que fazer?

Diante de uma criança pequena que está fazendo pirraça, muitos pais ficam perdidos. O que fazer? Eis uma reflexão e uma proposta.

A insegurança dos pais de filhos pequenos, e mesmo de adolescentes, nos dias de hoje é flagrante! Haveria necessidade de cursos de longa duração para que eles adquirissem as habilidades mais indicadas para terem sucesso na educação dos seus filhos. Infelizmente ninguém se prepara, em nossa sociedade, para o casamento, e nem para serem pais, o que é profundamente lamentável. Tais habilidades seriam as mais importantes para nossa convivência social, pois filhos bem educados resultarão em cidadãos mais centrados, mais felizes, e portanto, mais úteis à sociedade.

Tratando-se de educação infantil, pode-se perguntar se há algum tipo de orientação básica para o sucesso na educação. Embora não seja pedagogo nem psicólogo profissional, penso que tenho o direito de expressar meus pontos de vista, pois a escola da vida ensina muito a quem se dispõe a aprender. A experiência, bem vivida, iluminada pela busca constante do aprender, produz, em geral, bons resultados. Eis, então, minha orientação, a qual denomino "método do prêmio".

O método do prêmio, ou método da troca é, basicamente, relacionar-se de forma inteligente com a criança. A cada comportamento positivo da criança, um prêmio; a cada comportamento negativo, um castigo, ou a perda de um prêmio. Se a criança está fazendo mal-criação, como se diz, e gritanto e esperneando, os pais podem e devem usar este método.

Mas antes que se faça confusão, o método da troca não é um método de chantagem, como alguns podem precipitadamente pensar. A diferença entre a troca e a chantagem baseia-se no fato de que no método da troca, o bem está na criança: propõe-se algo em troca do bem da criança; já na chantagem, o bem é de quem a propõe... A chantagem visa a benefícios próprios e escusos, com prejuízos para o outro. A troca visa exclusivamente ao bem do outro, sem qualquer prejuízo para ele.

Voltando à situação típica de criança "pirracenta", duas possibilidades de relacionamento podem ser identificadas. (Eliminando, naturalmente aquela ligada à violência física contra a criança.)

A primeira possibilidade caracteriza um relacionamento conflituoso, ineficiente, em que os pais, não desejando enfrentar a criança, submetem-se a ela, fazendo suas vontades. Este relacionamento não é muito inteligente na medida em que, se persistir, vai produzir uma criança mimada, egoísta, e um futuro adolescente muito problemático.

Pode-se perguntar sobre as consequências imediatas no relacionamento familiar. Ora, a criança, não sendo "enfrentada" pelos pais, sente-se, sem ter qualquer consciência disto, com poder sobre eles. O choro ou a pirraça passa a ser causa de realização de qualquer vontade ou capricho da criança. A partir do momento em que este relacionamento fica firmado, a convivência familiar torna-se muito complicada, tendo consequências sérias sobre o relacionamento dos pais. Estes vão se sentir perdidos, e poderão acusar-se mutuamente diante da impotência criada no relacionamento com a criança.

A segunda possibilidade caracterizará um relacionamento inteligente, amoroso, em que os pais agirão com eficácia e amor, na medida em que usarem o método do prêmio ou da troca. Diante da criança pirracenta, os pais haverão de comportar-se de maneira amorosa, mas firme. Se a criança insistir em chorar, em nome do amor e da educação da criança, esta deve ser afastada dos demais familiares, especialmente se ocorre em público, em companhia da mãe ou do pai, para que se acalme e não tenha plateia, o que incentiva a criança a agir daquela forma. Uma vez acalmada, deve-se propor à criança uma troca: ela deixa a pirraça para ganhar o direito de, por exemplo, assistir, depois, ao seu programa preferido (prêmio); caso contrário, ela não terá esse direito (castigo).

O que se pode esperar de uma criança, que age de forma meio instintiva, nada premeditada, diante de uma proposta de troca como dito acima? Ela, certamente, se surpreenderá com a possibilidade de não poder usufruir de um direito (ver o programa) que ela julgava ser um direito "líquido e certo". Ao tomar consciência de que poderá perder o direito, ela haverá de se comportar melhor. E os pais terão ganho um ponto importante no "embate", no enfrentamento com a criança, embora quem terá mais a ganhar será a própria criança, por ter pais que a eduquem, de fato, e com amor.

O método da troca deve ser continuamente utilizado no relacionamento inteligente com os filhos. Pois os direitos dos filhos devem ser "conquistados" por eles. Não são, e não deveriam ser, direitos "líquidos e certos" por antecipação, pelo simples fato de serem filhos. Esses direitos são o tesouro de "prêmios" que os pais trocarão com os filhos com vistas a obter comportamentos mais adequados e filhos mais bem educados.
(Uilso Aragono, 21/fev/2010)

domingo, 31 de janeiro de 2010

Segurança contra acidentes na família e na vida

Refletir sobre a "consciência segura", que envolve aspectos de segurança contra acidentes, muitos deles fatais, na família, no trânsito, no trabalho, etc., é a proposta do artigo abaixo.

Com tantas mortes acontecendo por acidentes previsíveis, pergunta-se: onde está nossa consciência sobre segurança? Uma adolescente morre por ter usado uma chapinha alisadora após sair do banho, supostamente molhada. Uma outra jovem se corta toda por ter subido em um vaso sanitário de um banheiro público e este ter-se quebrado. Um outro senhor morre por ter entrado em um elevador, após ter puxado sua porta e esta ter aberto, sendo que o elevador não estava no andar... Um garoto, usando uma barra de ferro, tenta liberar sua pipa, que ficara agarrada em uma rede elétrica de alta tensão, e recebe uma descarga elétrica fatal... Os acidentes, fatais ou quase, são presença constante nos noticiários de jornais diários. São acidentes ocorrentes no trânsito, dentro de casa, nas indústrias, nas ruas, nas escolas, enfim, em todo lugar.

E todos esses acidentes poderiam ter sido evitados se houvesse mais consciência de segurança em nossa sociedade; se as pessoas tivessem sido, previamente, confrontadas com tais possibilidades e se tornassem advertidas sobre como evitá-las. Acidentes acontecem... mas podem, perfeitamente, ser evitados. Assim como crescemos todos, em termos de consciência ecológica, na defesa de um meio ambiente sustentável, temos, agora, também, que nos preocuparmos com um “ambiente” mais seguro para todos nós, especialmente para aqueles seres mais frágeis: nossas crianças, nossos jovens, nossos idosos.

Assim como têm sido tratados na Escola temas relativos à consciência ecológica, é imperioso que, adicionalmente, sejam tratados temas ligados à questão ampla da segurança contra acidentes nos diversos ambientes da vida social. Isto permitirá que as futuras gerações adquiram, paulatinamente, uma consciência mais advertida contra os acidentes possíveis de serem evitados. A “atitude segura”, isto é, uma postura advertida diante de situações potencialmente perigosas, mesmo que aparentemente seguras, é o fundamento de uma vida mais segura. Mas muitos outros aspectos complementares devem ser discutidos e enfrentados na caminhada em direção a uma consciência mais “segura”.

Duas dimensões distintas devem ser abordadas para o alcance de uma vida mais segura para todo cidadão: a dimensão pessoal e a dimensão dos produtos e dos serviços. A dimensão pessoal terá de tratar, inevitavelmente, dos dramas relacionados aos acidentes, ligados à identificação de suas possíveis causas; o objetivo seria o de formar uma consciência advertida diante das múltiplas situações perigosas e passíveis de acidentes. A dimensão ligada aos produtos e aos serviços terá de levar os engenheiros (produtos) e os demais profissionais (variados serviços) a atuarem de tal forma a conceberem produtos e serviços os mais seguros possíveis.

Como exemplos de produtos mais seguros, com base nos acidentes acima relatados, podem ser citados: equipamentos elétricos (como a chapinha) com elevado nível de segurança, à prova de choques elétricos, mesmo se mal ou inadequadamente utilizados; vasos sanitários com maior coeficiente de segurança (mais fortes), capazes de aguentar o peso de uma pessoa adulta, mesmo em pé sobre o produto, pois esta situação, embora irregular, não pode constituir, para o infrator, uma pena de condenação à morte ou algo similar.

Com este artigo inicial estou propondo uma abordagem mais séria, mais objetiva, sobre os acidentes e suas condições inseguras e as possíveis soluções para neutralizá-los. Proposta que passa pela introdução desse tema nos níveis de ensino fundamental e médio – com vistas ao desenvolvimento precoce de uma “consciência segura” –, bem como pela disseminação de leis e normas técnicas mais exigentes a serem aplicadas a produtos e serviços disponibilizados em nossa sociedade.

(Uilso Aragono: janeiro de 2010)

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Natal Iluminante

Neste tempo natalino, somos envolvidos por uma vontade inexplicável, uma quase-necessidade, de sempre reinterpretar os múltiplos significados do Natal. Abaixo uma nova interpretação que partilho com os leitores: um Natal que nos ilumina e nos torna iluminantes!

Era uma vez um menino que nasceu numa gruta onde só ele era a luz. Mas seus pais refletiam essa luz como os espelhos mais polidos. E o ambiente, embora muito pobre, na verdade, miserável, transformava-se num aconchegante lar. Porque o que faz um lar não é a presença de coisas bonitas, mas a presença de pessoas capazes de ver beleza nas coisas mais simples; capazes de, mesmo sem entender, acolher os planos do Senhor da vida, como faziam os pais desse menino.

Essa Luz cresceu em potência e alcançou os lugares mais distantes, os corações mais tenebrosos, as vidas mais frias, dando-lhes luminosidade e calor.

E cada pessoa atingida por essa Luz do menino da gruta tornava-se, ela própria, também luz para iluminar o mundo. Assim as pessoas passaram a enxergar, nos ambientes agora mais claros, porque iluminados pela Luz do menino da gruta, rostos mais bonitos, ambientes mais acolhedores, e vida com mais esplendor. A felicidade, antes uma ideia distante, por poucos alcançada, agora tornava-se mais visível, pela Luz do menino da gruta, e já era alcançada por muito mais gente!

Muita coisa mudou ao receber a luz do menino-luz. Sob a luminosidade desse menino, que crescia em “estatura e sabedoria, diante de Deus e dos homens”, as pessoas também cresciam na compreensão da Fonte de toda Luz, de onde emanava a própria luz do menino. E essa nova compreensão transformava as relações: de ódio para perdão e acolhimento; de inveja para alegria pela felicidade do outro; de exploração para solidariedade e fraternidade.

As pessoas descobriram que eram como que cegas antes do aparecimento daquela luz na gruta de Belém. E que agora estavam enxergando um mundo mais bonito, mais gostoso de se viver, com valores renovados. Não que não existissem tais valores, mas estavam na escuridão da ignorância das realidades luminosas da vida plena. Com a luz do menino da gruta, tudo foi renovado. Uma nova criação surgiu, sem que nada, objetivamente mudasse. Mas mudavam os corações, agora iluminados, agora iluminantes, agora transformados em corações mais sensíveis, capazes de ver nos outros, verdadeiros irmãos, verdadeiros amigos, verdadeiros filhos de um mesmo Pai.

Feliz Natal!
(Uilso Aragono, dezembro de 2009)

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

LUZ E FORÇA SÃO ESSENCIAIS

Escrevi o artigo abaixo a convite do Jornal A Gazeta, publicado em 17/nov/09.

Hoje, com a costumeira, contínua e confiável iluminação artificial das cidades, todo evento de falta de luz é apelidado de Apagão. Isto por si só já ressalta a importância de um sistema elétrico costumeiro e contínuo e justifica as expectativas de que tal sistema seja, de fato, permanentemente disponível e totalmente confiável. No entanto um sistema de energia elétrica destinado a iluminar e a ser o motor de um país é um gigante extremamente complexo, que deve ser caracterizado por equipamentos de alta tecnologia e alta robustez, supondo investimentos em massa para expansão e manutenção contínuas. E, como qualquer sistema tecnológico, também está sujeito a defeitos, falhas e acidentes. Por outro lado, quanto mais qualidade e eficácia de equipamentos e de manutenção, tanto mais afastados os citados problemas e os decorrentes riscos de apagões.

Fazendo uma comparação, a título de esclarecimento aos leigos, as linhas de transmissão (LTs) podem ser comparadas a rodovias para o tráfego de automóveis. Assim como existem autoestradas consideradas de grande fluxo, assim também existem as chamadas linhas-tronco em que o fluxo de energia é enorme. Da mesma maneira, portanto, que a interrupção do fluxo em uma autoestrada-chave provocará um grande transtorno ao país, a interrupção de uma linha-tronco (como são as que ligam Itaipu a São Paulo) também causará semelhante transtorno, em termos de falta de energia.

Alguns criticam o fato de o problema, neste último apagão, não ter sido “isolado”, de tal forma a não comprometer o resto do sistema. Ora, um tal isolamento do problema só é possível se ocorrer no “meio” do sistema; “isolar” uma linha-tronco, como a de Itaipu, situada numa extremidade do sistema, significa desligá-la e impedir, neste caso, a entrada de um grande bloco de energia no centro consumidor, com suas consequências inevitáveis.

Se foi raio seguido de curto-circuito em um isolador de uma LT de Itaipu, ou um curto-circuito de natureza acidental, por manutenção insuficiente, ou por falha humana, não se pode afirmar sem uma perícia técnica. Mas supondo o desligamento automático de uma das três LTs em corrente-alternada, as outras duas foram desligadas por consequência. Surge a suspeita de estarem em seus limites, o que deve ser bem avaliado pelos técnicos, sob pena de tal episódio poder repetir-se.

Pode-se concluir por uma posição de respeito e consideração aos órgãos técnicos responsáveis pela situação de continuidade desse complexo e desafiador sistema elétrico brasileiro, bem como por uma posição de cobrança de contínuos e maiores investimentos em tecnologia de inteligência de rede associada a equipamentos de ponta, e em manutenção séria e contínua sobre tais equipamentos, pois luz e força são essenciais. Somente assim as expectativas de todos estarão sendo satisfeitas em termos de serviços de energia elétrica confiáveis e sempre disponíveis.

Prof. Wilson Aragão Filho; Depto Eng.Elétrica da UFES.

domingo, 18 de outubro de 2009

Oração do Médico

No dia do Médico faço uma homenagem a este tão importante e fundamental profissional, através de uma oração que fiz há algum tempo (2007).

Senhor, sou médico!...

Que grande responsabilidade colocaste sobre mim!

Como o sacerdote tem a missão de cuidar das almas, foi-me dada a espinhosa missão de cuidar dos corpos de meus irmãos e irmãs.

Dá-me, Senhor, uma migalha da tua sabedoria, para que eu possa bem desempenhar esta minha vocação.

Que mais do que competência médica, eu tenha sensibilidade humana para ouvir, olhar nos olhos, e amar meu paciente como tu mesmo o farías.

Que mais do que um doutor, eu consiga ser um curador de corpos e almas, já que, hoje sabemos, que somos uma totalidade corpo-espírito, e que não podemos apenas tratar um, sem prestar atenção no outro.

Faze crescer, Senhor, em meu interior o teu Amor, para que eu nunca me canse de curar, cuidar, orientar, mesmo nos momentos de maior cansaço.

Que, como teu Filho Jesus, eu possa ser um instrumento eficaz, para meus pacientes, de tua presença libertadora de todos os males.

E sobretudo, Senhor, dá-me a graça de jamais prejudicar qualquer um dos meus pacientes, mas, ao contrário, guiado sempre por tua Luz Divina, ser alguém a reanimar, a revitalizar e um caminho de vida plena para todos.

Amém

Uilso Aragono (out/2009)


quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Semana Nacional do Trânsito

Aproveitando a oportunidade da ocorrência da Semana Nacional de Trânsito, na semana passada (20-26/set/09), publico uma reflexão sobre a Segurança no trânsito.


“Pedestre, ao dirigir, respeite o pedestre!” Um chamado como este talvez seja muito mais efetivo do que lembrar ao motorista ou motociclista que ele deve “respeitar as leis de trânsito”. Lembrar ao pedestre - que somos todos nós! - que ele deve respeitar o outro pedestre quando estiver dirigindo, passa uma mensagem verdadeira, mas que muitas pessoas não a têm claramente e vivencialmente: a mensagem de que todos são pedestres, em primeiro lugar e naturalmente. Ora, parece-me que uma das razões de as campanhas de trânsito não surtirem os efeitos esperados esteja nos seus slogans pouco dramáticos. Pois divulgar uma mensagem como “Motociclista, coloque em prática as leis de trânsito” é cair num vazio; é dizer o óbvio... Não há qualquer dramaticidade em frases como essa. É preciso desafiar a criatividade das pessoas em busca de frases mais inteligentes, criativas, inventivas, dramáticas, que venham, efetivamente, a despertar nas pessoas, em geral, maior consciência de segurança - não apenas em motoristas e motociclistas - mas em toda a população, já que todos, indistintamente, participam do trânsito, mais ou menos intensamente. Concursos de frases por um trânsito mais humano e seguro deveriam ser mais frequentes, nesse sentido.

Será que um slogan como “motociclista, não use o corredor da morte!”?, não seria um grau mais dramático do que sugerir que ele respeite as leis de trânsito? Sem a pretensão de apresentar os melhores e mais criativos slogans, mas apenas como um exercício de que é possível, sem grande esforço, chegar-se a frases mais impactantes, outros exemplos podem ser citados: “Ciclista, não pedale para a morte!”; “Motorista, use farois acesos e aumente sua segurança”; “Pedestre, não feche os olhos no trânsito!”; “Segurança no trânsito? - depende de você!”; “Ciclista sem capacete? - tô fora!”; “Ciclista, seja um iluminado: use faixas fosforescentes!”...

Mas outro aspecto importante, no âmbito da segurança no trânsito, é a absoluta situação de insegurança a que estão expostos nossos ciclistas. E não por falta de ciclovias, como alguém poderia argumentar, mas por absoluta falta de iniciativa de nossas autoridades que, aparentemente, não estão nem um pouco (pre)ocupadas com a questão. Os ciclistas estão circulando no trânsito nas piores condições: sem qualquer regra de circulação (na calçada, na contra-mão, na praça, em alta velocidade), sem capacete, sem os luminosos “olhos de gato”, sem retrovisor, sem buzina, e ainda, alguns, falando ao celular, o que os deixa numa situação de perigo iminente se tiverem de frear repentinamente: com u'a mão só, a frenagem ou não acontecerá ou provocará queda, na certa. É urgente que nossas autoridades municipais se ocupem com a situação de real perigo a que estamos, todos, sujeitos, não apenas os ciclistas. E as estatísticas, já não são suficientes? Será que teremos de esperar esses números crescerem para, somente então, tomarmos providências?

E o que dizer dos carroceiros? Estes também não fazem parte do trânsito? Até quando serão, absolutamente ignorados por nossas autoridades municipais? Como elementos do trânsito, também eles devem ser objeto de preocupação quanto à segurança: podem ser agentes ou vítimas de acidentes graves. Por que não têm eles, também, faixas fosforescentes, para serem mais visíveis à noite? Que preparação têm eles para circular no trânsito? já que também utilizam um veículo, seja de tração animal, seja de tração humana. Outro dia um animal morreu na avenida, atrapalhando o trânsito... Quem cuida das boas condições da carroça e do animal? Não será possível cadastrá-los e dar a eles mínimas condições de circulação mais segura para todos no trânsito? Respostas que as autoridades municipais, especialmente, estão convocadas a dar.
Quanto aos motoqueiros, contumazes infratores da legislação, que proíbe a circulação no “corredor da morte”, até quando serão, também, ignorados? As estatísticas apontam para um motoqueiro morto a cada mês, em São Paulo. E em Vitória? A falta de estatísticas é justificativa para a apatia de nossas autoridades em relação aos motoqueiros? Sobre esta questão, sugiro: Lei específica para motociclistas, obrigando-os, dada a periculosidade da condução de uma moto, a fazerem cursos presenciais a cada renovação de carteira! E, logo após a publicação da Lei, todos deveriam ser obrigados, sob pena prescrita, a terem um certificado de conclusão de curso de segurança no trânsito! Tais cursos, além de obrigatórios, precisam ser bem feitos, dramáticos, tratando de acidentes e seus riscos com fotos, filmagens, simulações, etc.

Somente levando mais a sério essas questões ligadas ao trânsito, e que passam pela necessidade imperiosa de uma educação de trânsito desde o ensino fundamental, é que poderemos, todos nós, vivenciar um trânsito mais humano, mais efetivo e mais seguro. Nossas autoridades municipais, em especial, têm uma grande responsabilidade legal em relação ao trânsito, e devem exercitá-la, sob pena de serem os maiores culpados pelos acidentes com mortes e feridos graves gerados nas ruas e avenidas de nossa Cidade, de nosso Brasil.

Uilso Aragono (set/2009)

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Assédio Moral nas Escolas

Um tipo de violência contra o trabalhador, atualmente denominado assédio moral, com várias sentenças condenatórias expedidas pela Justiça(1) está, também, sendo identificado em escolas e faculdades. Este assédio moral nas escolas caracteriza-se pelo abuso de poder ou terrorismo psicológico exercido por professores contra seus alunos. Com dureza e coragem afirma o Prof. Paulo Ayres em seu artigo “Professores agem de forma criminosa: assédio moral nas escolas e faculdades”(2): "Alunos e alunas estão sendo desrespeitados, agredidos, coagidos, sofrem sistematicamente assédio moral, infelizmente praticados por picaretas infiltrados no sistema. Obviamente que este quadro não é regra geral, existem as exceções".

O problema existe, de fato, e quem, como eu, professor há cerca de 30 anos, atua no ensino, seja no fundamental, no médio ou no superior, em escolas públicas ou particulares, pode identificar e confirmar situações graves de assédio moral na escola, se analisar as relações entre professores e alunos.

É necessário que todos, professores e alunos, dirigentes e pais de alunos, tomem consciência do problema para enfrentá-lo com coragem e competência. Os professores, de qualquer nível de ensino, devem atentar para seu próprio comportamento, buscando identificar possíveis situações, às vezes não percebidas como violência, mas que possam caracterizar-se por assédio moral (ou terrorismo psicológico). Tais situações, para citar alguns exemplos, são aquelas em que "alunos e alunas são ridicularizados perante a turma com piadinhas e apelidos” (Prof. Paulo Ayres); em que o professor humilha publicamente o aluno; em que o professor desrespeita costumeiramente os direitos dos alunos, previstos claramente no regimento das escola; em que o professor aplica provas exageradamente longas e estressantes ou muito mais difíceis do que o razoável; em que o professor, numa universidade federal, por exemplo, marca aula-extra, num horário não previsto na grade de horários, e de maneira totalmente impositiva e antidemocrática; enfim, situações em que aquele que deveria ser um exemplo de mestre e de cidadão para seus alunos, faz exatamente o contrário, exercendo abuso de poder sobre crianças e jovens que estão sob sua responsabilidade moral e profissional, afetando negativamente a formação da sua personalidade, com consequências igualmente negativas para o presente e o futuro desses nossos cidadãos em formação.

Como nos lembra a orientadora educacional e graduanda em Direito, Helena Cristina Posener, “nos dias atuais, quem humilha ou xinga, constrange, difama, calunia e injuria não fica impune, pois será enquadrado na prática de crime de calúnia e difamação, nos artigos 138 e 139 do Código Penal, além de que também poderá sofrer uma ação indenizatória por dano material, moral e à imagem"(3).

Os alunos devem conscientizar-se, também, de que têm direitos garantidos nos regimentos de suas escolas. Para a defesa de tais direitos, não devem abrir mão de unir-se em seus diretórios acadêmicos. A partir da força que têm, por lei, tais entidades estudantis, os alunos poderão divulgar melhor os seus direitos – muitas vezes solapados, de forma consciente ou inconsciente, pelas próprias instituições de ensino! – e exercer a denúncia quando identificarem abusos, como os apontados acima.

Lembrando, finalmente, que o verdadeiro assédio moral na escola não se associa a qualquer atitude isolada, mesmo que violenta, contra o aluno, mas está associado a toda violência que se pratica de forma repetitiva, sistemática, ferindo a dignidade ou a integridade física ou mental dos alunos.

O futuro do Brasil, e do mundo, depende, dentre outras ações igualmente importantes, da luta dos verdadeiros mestres e educadores contra todo e qualquer abuso de poder do professor contra o aluno, nosso futuro cidadão. A campanha está (re)lançada!

Referências:

1. Veja-se um exemplo em: ' http://www.sindifiscomg.com.br/link143.pdf '.

2. Ver artigo completo em: ' http://www.extrarondonia.com.br/ler_noticia.php?cod=2435 '.

3. Ver artigo completo em: ' http://www.webartigos.com/articles/15345 '.

Prof. Wilson Aragão Filho

Univ. Fed. do Espírito Santo

E-mail: w.aragao@ele.ufes.br

Vitória - ES, Brasil.

Quem sou eu

Minha foto
Sou formado em Engenharia Elétrica, com mestrado e doutorado na Univ. Federal de Santa Catarina e Prof. Titular, aposentado, na Univ. Fed. do Espírito Santo (UFES). Tenho formação, também, em Filosofia, Teologia, Educação, Língua Internacional (Esperanto), Oratória e comunicação. Meu currículo Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4787185A8

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