quarta-feira, 30 de setembro de 2015

ORATÓRIA, COMUNICAÇÃO E LEITURA LITÚRGICA

Dada a importância da boa oratória em palestras e da boa leitura em cerimônias litúrgicas (Missa, por exemplo), compartilho com todos os leitores um texto em que apresento dicas e orientações para uma boa e efetiva comunicação.

PARTE I - DICAS PARA UMA BOA ORATÓRIA

A boa oratória somente se adquire efetivamente com a prática frequente, iluminada pela autocrítica, observação crítica de palestrantes e alguma leitura sobre o assunto. No entanto, podem ser apontados alguns cuidados ou dicas sobre como falar bem em público.

Os seguintes aspectos podem ser destacados:

1.      ATITUDE
1.1.   A atitude demonstrada pelo orador deve ser a mais positiva possível. A plateia deseja o sucesso do orador! E o orador, enquanto está com a palavra, é a autoridade no assunto, pois foi convidado para falar sobre ele.
1.2.    Se o nervosismo existe, deve ser encarado como normal: todo orador pode ficar ansioso e nervoso; o que não pode acontecer é que tal nervosismo atrapalhe o seu desempenho. Somente a prática dará a segurança ao orador para que assim aconteça.
2.      POSTURA
2.1.   A postura deve ser a mais ereta possível, mas sem afetação. Evitar tronco arqueado e cabeça baixa.
2.2.   O olhar do orador deve ser firme e seguro, encarando e percorrendo toda a plateia com um leve sorriso.
2.3.   Usar vestimenta adequada: discreta e razoavelmente elegante, compatível com o ambiente social.
3.      GESTOS
3.1.   Os gestos devem ser naturais e acompanhar o conteúdo da palestra.
3.2.   Evitar (mulheres) ficar abaixando a minissaia ou a mini blusa, se for o caso.
3.3.   Escolher a melhor roupa e não procurar ajustes durante a oratória é o mais indicado.
3.4.   Evitar ficar segurando um paletó ou uma blusa com uma das mãos.
3.5.   Evitar gestos que não combinem com o que está sendo dito.
3.6.   Evitar deixar os braços caídos ao lado do corpo enquanto se fala.
3.7.   Preferir uma posição de braços levemente dobrados, com as mãos próximas, como base para a gesticulação.
3.8.   Cuidar para não serem feitos gestos obscenos ao apontar para algo.
3.9.   Segurar uma ficha com o esquema da palestra, com uma das mãos, não é proibido. A outra mão fará a gesticulação necessária.

4.      MOVIMENTAÇÃO
4.1.   Evitar movimentação pendular, isto é, de um lado para o outro, preferindo-se permanecer no mesmo lugar com variações suaves de posição.
4.2.   Evitar adentrar a plateia para que não ocorra ficar o orador de costas para uma parte da plateia, que ficará constrangida por não poder ver o orador.
4.3.   Procurar colocar-se numa posição tal que toda a plateia possa estar vendo o orador.

5.      VOZ
5.1.   A voz é importantíssima na comunicação oral. Cuidar para que seja emitida com volume e dicção adequados.
5.2.   Evitar a voz monótona, isto é, sem inflexão, sendo emitida com a mesma força todo o tempo.
5.3.   Evitar a voz muito grave, pois dificulta a audição.
5.4.   Atentar para a dicção clara, o que se consegue articulando claramente os maxilares
enquanto se fala.
5.5.   Evitar falar com a boca quase fechada.
5.6.   Grave a própria voz e ouça-a para corrigir possíveis problemas.
5.7.   Corrija a voz nasal, a voz fraca, a voz monótona, a voz estridente.

6.      MICROFONE
6.1.   Se o microfone for fixo, evitar segurá-lo, pois é totalmente desnecessário e provoca irritação na plateia.
6.2.   Se for microfone de segurar, segurá-lo com uma das mãos enquanto se gesticula com a outra. Após algum tempo, a mão do microfone pode ser alternada, sem que se o faça com muita frequência.
6.3.   Manter o microfone sempre próximo à boca, mesmo que a cabeça se movimente, estando atento para o fato de ele estar ligado e com bom volume. Tentar ouvir a própria voz amplificada!
6.4.   Se houver microfone disponível, e o ambiente for relativamente grande, deve-se dar preferência a usá-lo, para conforto dos ouvintes.
6.5.   Ao se falar sem microfone, ter certeza de que os ouvintes mais afastados estejam ouvindo o orador. Isto se consegue perguntando a tais ouvintes se eles estão ouvindo o orador.

7.      LINGUAGEM
7.1.   Quem fala em público deve cuidar mais do vocabulário, da nossa língua portuguesa!
7.2.   Acostumar-se a procurar palavras novas ou pouco conhecidas no dicionário.
7.3.   Estar atentos aos erros mais comuns (vide à frente: Problemas do nosso português).
7.4.   Séculos e capítulos de 1 a 10 são lidos/ditos de forma ordinal: séc. II (segundo), capítulo III (terceiro), etc.
7.5.   Reis, papas, etc. seguem o mesmo esquema: João Paulo II (segundo), Henrique VIII (oitavo), etc.
7.6.   Evitar vícios de linguagem e perguntas desnecessárias: "tá entendendo?", “né?”, etc.
7.7.   Falar no ritmo certo: nem rápido demais, nem lento demais.

8.      ESQUEMA
8.1.   O orador seguirá, sempre, um esquema mental do que irá falar.
8.2.   Introdução, desenvolvimento e conclusão (pelo menos estas três partes) são obrigatórias.
8.3.   Exercitar o esquema de tópicos: delimitar o assunto; para quem se vai falar; a ordem do que
falar; as principais ideias; frase de impacto na introdução e frase conclusiva ao final.

9.      PROJETOR MULTIMÍDIA
9.1.   Os slides não são a "cola" do orador!
9.2.   Os slides existem para ajudar a plateia a acompanhar a palestra.
9.3.   O orador continua a ser a peça mais importante.
9.4.   O orador deve ficar numa posição em que olhe a plateia e a tela sem movimentar muito a cabeça.

10.  EXPRESSÃO FACIAL
10.1.     Orador deve mostrar-se simpático à plateia: ninguém gosta de olhar para um orador carrancudo!
10.2.     Alternar entre um leve sorriso e expressão mais séria conforme o que se diz.
10.3.     Orador comunica com o corpo todo: é um artista da voz, dos gestos e da expressão facial!

10.4.     O tom, a inflexão de voz e a expressão facial são responsáveis por 93% da comunicação! (http://www.dicasprofissionais.com.br)

PARTE II - ALGUMAS TÉCNICAS PARA A BOA LEITURA

1.         Treinar a leitura de frases, e não de palavras. – O olho deve focalizar acima da linha escrita e tentar abarcar o maior número possível de palavras da frase. Desta forma, a leitura mental se antecipa à leitura verbal, podendo-se, então, prever sinais de pontuação e dar a entonação correta à frase sendo lida.  

2.         Focalizar a frase por cima, nas entrelinhas. – Para o sucesso da dica número 1, há que se verificar que a leitura de um texto deve ser feita de tal forma que a visão focalize acima da frase, e não diretamente sobre cada palavra. Olhando por cima consegue-se uma amplitude maior na leitura, o que possibilita ler-se (mentalmente) mais de uma palavra ao mesmo tempo. Prova-se, facilmente, que a metade superior de uma frase tem mais significado do que a parte inferior, isto é: consegue-se ler e entender uma frase pela sua metade superior apenas, mas não se consegue lê-la pela sua metade inferior. 

3.         Ler o texto sem deixar de olhar para a plateia. – A plateia deseja ter contato visual com o leitor... É uma necessidade natural, já que não é uma leitura eletrônica, mas feita por uma pessoa, com quem, normalmente, se faz contato visual durante qualquer comunicação direta. Exercitar-se lendo diante do espelho levantando a cabeça e encarando sua imagem durante aqueles momentos em que a leitura mental se torna leitura verbal.

4.         Ler previamente o texto. – A leitura em público só deverá acontecer como “segunda” ou “terceira” leitura, exigindo, portanto, que uma primeira leitura do texto seja feita, silenciosamente, antes da leitura de fato. Isto ajudará a prever e superar qualquer surpresa diante de alguma palavra de pronúncia menos conhecida. Além disso, a correta pontuação será verificada, para que se lhe dê a entonação adequada, especialmente quando uma frase interrogativa e longa não se inicia por um pronome interrogativo, o que provoca, muitas vezes, erros sérios de leitura.

5.         Articular claramente a boca na pronúncia das palavras. – Treinar a leitura de textos por meio da articulação até exagerada das palavras, para que a leitura em público ocorra com articulação adequada das palavras. Um erro comum de leitura é a pouca articulação da boca na emissão das palavras: pronunciar as palavras com a boca quase fechada...

6.         Pronunciar com clareza os finais das palavras. – Atentar para o fato de que todas as palavras sejam pronunciadas em toda a sua extensão, especialmente em seus finais. Isto evitará, por exemplo, que não sejam pronunciados os “s” dos plurais das palavras.

7.         Variar o timbre ou o tom da voz. – A leitura eficaz deve ser como que teatralizada, isto é, os “personagens” que possam estar presentes na leitura devem ser lidos com pequena variação na entonação ou no timbre da voz, de tal forma que a audiência possa entender bem o diálogo que esteja sendo lido.

8.         A leitura deve ser VIVA! – O leitor deverá ler de tal forma que o ouvinte receba a mensagem com naturalidade, isto é, a entonação não deve ser afetada, mas de acordo com a maneira com que a comunicação verbal ocorre na vida prática.  Sendo uma entonação diferente do costumeiro, por exemplo, uma entonação de interrogação exclamativa quando, na realidade, deveria ser uma simples interrogação expressando dúvida normal, provoca estranheza no ouvinte e pode, inclusive, desviar sua atenção do conteúdo da mensagem sendo lida.

9.         Ler no ritmo certo, nem com pressa e nem devagar demais. – A leitura deve ser feita no ritmo da conversação normal das pessoas. Uma leitura muito pausada, entremeada por trechos de silêncio desnecessários é cansativa e desrespeita a capacidade mental do ouvinte, que é capaz de entender uma mensagem verbal sendo emitida com velocidade normal. Já a leitura muito rápida demonstra nervosismo do leitor – que parece desejar terminar sua tarefa o quanto antes! – e compromete a compreensão do ouvinte por ser uma mensagem emitida em velocidade pouco natural.

10.     Ler sem preconceito! – Ler o texto estando atento a pronunciar as palavras que estão, de fato escritas, e não aquelas que vêm à mente preconceituosamente. Isto acontece quanto o leitor lê uma palavra que é parecida, na pronúncia ou na escrita, com a palavra verdadeiramente impressa, mas que pode ser totalmente diferente no sentido, comprometendo totalmente a compreensão do texto lido. Exemplos: está escrito “estrado” e se lê “estrago”; “epístola” e se lê “a pistola”; “Palavra de Deus” e se lê: “PalavraS de Deus”.
 
PARTE III - EXERCÍCIOS DE ENTONAÇÃO PARA A BOA LEITURA

1.     "Você vai para casa agora?"          (Interrogação normal, expressando dúvida.)
2.      "Você vai para casa agora?!"        (Interrogação exclamativa, expressando dúvida e espanto.)
3.      "Você vai para casa agora!"          (Exclamação normal, expressando surpresa.)
4.      "Você vai para casa agora.”          (Afirmação normal.)
5.      "Você vai para casa agora.”         (Afirmação enfatizando o momento.)
6.      "Você vai para casa agora.”         (Afirmação enfatizando o local.)
7.      "Você vai para casa agora.”          (Afirmação enfatizando a pessoa.)

PARTE IV - PROBLEMAS DO NOSSO PORTUGUÊS (alguns erros comuns)

1.   “A maioria dos estudantes é inteligente.” – e não, são inteligentes. PARA EVITAR ESTE
ERRO, USAR: Os estudantes são, em sua maioria, inteligentes!
2.      “Até há pouco tempo eu lia pouco!” – e não, há pouco tempo atrás. (Há: sentido de passado.)
3.      “Estava entretido com a propaganda.” – e não, enTERtido. Vem de ENTRETENIMENTO.
4.      “Temos de ter muita discrição em relação ao fato.” – e não, discrEção. Discrição (ato de ser DISCRETO) distingue-se de Descrição (ato de DESCREVER).
5.      “Eu era um dos que estavam lá.” – e não, um dos que estava lá. Explicação: Um dos que
estavam lá era eu. Ou, dos que estavam lá, eu era um.
6.      “A sua ideia vem ao encontro da minha.” Significa: se coaduna, combina com a minha.
7.      “A sua ideia vem de encontro à minha.” Significa: se opõe, é contrária à minha.
8.      “Para eu fazer. Para eu comprar.” – e não, para mim fazer, comprar.
9.      “Para mim, comer muito é gulodice.” – Para mim = em minha opinião.
10.  “A água é um fluido precioso.” – Pronuncia-se “flúido” e não, fluído.
11.  “O circuito elétrico pegou fogo.” – Pronuncia-se “circúito” e não, “cirqüito”.
12.  Não se fala: “Aquilo se adéqua bem com minha proposta”. Prefira-se: Aquilo combina bem, cai bem, se adapta bem etc.
13. “70% dos entrevistados não sabiam o que dizer.” (“70%” exige verbo no plural.)
14. “Vamos a uma festa beneficente.” - e não, beneficiente.

PARTE V – PRONÚNCIA OU ESCRITA ERRADA DE CERTAS PALAVRAS
                   (Tente descobrir a forma correta! ...)


1.      ADEVOGADO     ______________
2.      AGAPE                ______________
3.      ALCOOLATRA   ______________
4.      ALGARÁVIA      ______________
5.      ALIBI                   ______________
6.      AMALGAMA      ______________
7.      ANATEMA          ______________
8.      ANTIDOTO         ______________
9.      ARIETE                ______________
10.  ARQUETIPO        ______________
11.  ÁVARO               ______________
12.  BICEPS                ______________
13.  BOEMIA              ______________
14.  CARTOMÂNCIA ______________
15.  CIRCUÍTO           ______________
16.  CÔLDRE              ______________
17.  CONJUGE            ______________
18.  CORTEX              ______________
19.  CRISANTEMO     ______________
20.  DEGLADIAR       ______________
21.  DESIGUINAR      ______________
22.  ENTITULAR        ______________

23.  EPIFÂNIA            ______________
24.  EXÉGESE            ______________
25.  FILÂNTROPO      ______________
26.  FLUÍDO               ______________
27.  FORTUÍTO          ______________
28.  GRATUÍTO          ______________
29.  HABITÁT            ______________
30.  ÍBERO                  ______________
31.  ÍBIDEM                ______________
32.  IMPECILHO         ______________
33.  INTERIM             ______________
34.  JÚNIORES           ______________
35.  MEIADOS            ______________
36.  MENDINGO        ______________
37.  MÍSTER               ______________
38.  PRAZEIROSAMENTE     ______________
39.  PROTOTIPO                    ______________
40.  RÚBRICA                        ______________
41.  DIBRAR                          ______________
42.  DEUTERONOMIO          ______________
43.  RÉCEM                            ______________
44.  INCADERNAÇÃO       ______________


CONCLUSÃO

A preocupação com a perfeita comunicação, seja escrita seja oral, é totalmente válida, pois levará a uma perfeita compreensão da ideia sendo transmitida. Refletir sobre as orientações aqui apresentadas pode contribuir muito para que o leitor aperfeiçoe suas habilidades de oratória e comunicação pública. A boa, efetiva e viva leitura litúrgica, por outro lado, se justifica em função da grande dignidade do conteúdo da Palavra de Deus sendo proclamada: a forma e a maneira de se ler devem ser compatíveis com a dignidade do conteúdo proclamado!

Uilso Aragono.   (set. de 2015)









segunda-feira, 31 de agosto de 2015

ORAÇÃO DE ABERTURA NA ASSEMBLEIA DE KANSAS

Pela Internet tem sido divulgada esta bela oração, que reproduzo aqui, no meu blogue, pela verdade e originalidade de seu conteúdo. Esta oração foi feita em Kansas na sessão de inauguração da 'Kansas House of Representatives' (Câmara dos Deputados / Assembleia Legislativa de Kansas).


Quando se pediu ao reverendo Joe Wright que fizesse a oração de abertura da Câmara dos deputados de Kansas, todos esperavam  uma oração ordinária, mas isto foi o que todo escutaram:

"Senhor, vimos diante de Ti neste dia, para Te pedir  perdão e para pedir a Tua direção.

Sabemos que a Tua Palavra disse: “Maldição àqueles que  denominam ‘bem’ ao que está ‘mal’ ”, e é exatamente o que temos feito.

Temos perdido o equilíbrio espiritual e temos mudado os nossos valores.
Temos explorado o pobre e temos chamado a isso "sorte".

Temos recompensado a preguiça e a chamamos de "Assistência Social".

Temos matado os nossos filhos que ainda não nasceram e o temos chamado de “liberdade de escolha".

Temos abatido os nossos condenados e o chamamos de "justiça".
Temos sido negligentes ao disciplinar os nossos filhos e chamamos isto de “desenvolvimento de sua autoestima”.

Temos abusado do poder e temos chamado a isso de: "Política".

Temos cobiçado os bens do nosso vizinho e a isso temos chamado "ter ambição".

Temos contaminado as ondas do rádio e da televisão com  muita grosseria e pornografia e temos chamado isto de "liberdade de expressão".
Temos ridicularizado os valores estabelecidos desde há muito tempo pelos nossos ancestrais e a isto temos chamado de "coisas obsoletas e antiquadas".

Oh Deus!, olha no profundo dos nossos corações; purifíca-nos e livra-nos dos nossos pecados.

Amém."

A reação foi imediata.

Um Parlamentar abandonou a sala durante a oração. Três outros criticaram a oração do Pastor classificando a oração como “uma mensagem de intolerância”.

Durante as seis semanas seguintes, a Igreja  'Central Catholic Church‘, onde trabalha o Pastor Wright, recebeu mais de 5.000 chamadas telefônicas, das quais só 47 foram desfavoráveis.

Essa Igreja recebe agora petições do mundo inteiro, da Índia, da África e da Ásia, para que o reverendoWright ore por eles.

O comentarista Paul Harvey difundiu esta oração na sua emissão de rádio ' The Rest of the Story ' (O Resto da História), e recebeu um acolhimento muito  mais favorável por esta emissão, que por qualquer outra.

Podemos concluir e dizer que, com a ajuda de Deus, gostaríamos que esta oração se derramasse sobre a nossa Nação, e que nasça em nossos corações o desejo de chegar a ser uma  ''Nação sob o olhar de Deus".

(Extraído da Internet, com alguma adaptação textual)

Uilso Aragono  (agosto de 2015)

sexta-feira, 31 de julho de 2015

COMO SE PREPARAR PARA PROVAS E EXAMES

Além dos estudantes, muitas pessoas, na busca de um melhor emprego ou melhor cargo, submetem-se a provas, testes e exames. No entanto, nem todos estão conscientes de que, para terem sucesso nessas avaliações de competência, não basta apenas estudar intensivamente. Há que se levar em conta que existem técnicas para estudar, aprender e, até, para fazer provas com mais chance de sucesso. A seguir, algumas orientações para os que se encontram nessas situações.

A ESCOLHA DO CURSO (OU DO CONCURSO)

O curso deve ser escolhido com base numa avaliação sincera e realista da sua situação atual. A sua história de estudante e a sua auto avaliação como tendo sido um bom, regular ou mesmo mau aluno durante os estudos anteriores têm de ser levados em conta. Não adianta desejar inscrever-se em um curso (ou concurso) para o qual a concorrência é muito elevada (número de candidatos por vaga é grande) ou o número de pontos do último colocado é, também, muito grande, se você não se sente capaz de chegar lá. Lembre-se de que não dá para recuperar um possível atraso nos estudos em um semestre ou mesmo em um ano de estudos intensivos! Seja realista e escolha seu curso como um meio termo entre o seu sonho e a sua realidade!

PENSAR POSITIVO

Acreditar em si mesmo é fundamental para um melhor aproveitamento nos estudos. O pensar positivo cria dentro de nós as condições favoráveis para que a memória e o raciocínio, a animação e a concentração funcionem adequadamente. E não há mal nenhum em dizer-se para si mesmo, e até para os outros, que você vai passar nesse ou naquele concurso ou exame! Pois mesmo que isto não aconteça, você terá conseguido o seu melhor desempenho possível! E isto é o mais importante! Um exercício noturno, prático, simples, e muito importante, deve ser praticado pelo estudante e candidato a algum cargo; ao deitar-se para dormir, imaginar-se fazendo a prova e sentindo paz, tranquilidade, segurança e sucesso na sua realização. Quanto mais vívida for a mentalização, melhores os efeitos; e bastam aqueles primeiros minutos antes de se pegar no sono. Isto é levar em conta que somos, todos, seres psíquicos, além de intelectuais e espirituais.

EVITAR O ESTRESSE

O período de preparação para provas e exames é cheio de situações de estresse, isto é: nervosismos, ansiedades, medos, pressa em aprender o que não foi aprendido ainda, desgaste físico e mental, dentre outras. Isto tudo acarreta a elevação do nível de estresse, que tem como consequências a diminuição do rendimento nos estudos, a perda da eficiência da memória e o desânimo geral. Para evitar o estresse é necessário que haja um mínimo de planejamento e organização de horários de atividades. Estas devem prever não só os estudos, mas, também, o necessário descanso (horas diárias de sono adequadas e suficientes) e o lazer (diversão mesmo: passeio ao sol, cartas, leituras amenas e prazerosas, etc.). Evitar qualquer excesso de atividades, além daquelas absolutamente necessárias.

UTILIZAR TÉCNICAS DE ESTUDO

Estudar compreende três fases importantes:
1) Primeiro contato com a matéria: é a primeira leitura, ou a exposição pelo professor, ou a assistência de um vídeo – é a fase de INTRODUÇÃO;

2) Segunda leitura: com mais cuidado, buscando esclarecimentos de novos vocábulos, pelo uso de dicionários, e procurando refletir sobre as afirmações e informações apresentadas – é a fase da REFLEXAO;

3)  Fazer os exercícios recomendados: visando a fixar e memorizar as principais conclusões e informações do estudo – é a fase da FIXAÇÃO (OU MEMORIZAÇÃO). Importa, aqui, lembrar que os estudiosos do cérebro e da mente humana ensinam que sem memória não saberíamos nem mesmo o nosso próprio nome! E que, quanto mais se utiliza a memória, mais ela corresponde e se desenvolve!

UTILIZAR TÉCNICAS DE LEITURA ATIVA

Ler, ativamente, também inclui três fases importantes:
1) Leitura inicial: em que se sublinham as palavras novas (para posterior consulta ao dicionário); somente palavras essenciais, que precisam ser compreendidas para a texto fazer sentido, devem ser buscadas no dicionário durante esta fase. Isto é importante, especialmente em livros não didáticos, para que não se estrague o prazer da leitura. – É a fase INICIAL;

2) Após a leitura do capítulo, ou do livro inteiro: marcam-se algumas sessões de estudo das palavras novas que foram sublinhadas (ou marcadas de alguma forma), com a ajuda do dicionário.  As frases correspondentes devem ser relidas para que se possa determinar o sentido da palavra que está sendo utilizado pelo autor, visto que ocorrem, nos dicionários, vários sentidos para uma mesma palavra. – É a fase da APRENDIZAGEM;

3) Fazer um pequeno resumo: escrito, das principais ideias do livro, como a relatar-se para alguém o conteúdo ou assunto do livro. – É a fase da TRANSMISSÃO/ COMUNICAÇÃO.

UTILIZAR TÉCNICAS PARA FAZER PROVAS

Ao fazer uma prova, deve-se ter presente o fato de que há técnicas para isto. As seguintes etapas devem ser seguidas pelo aluno quando está sendo submetido a uma prova.

Provas curtas (poucas questões):

1) Ler todas as questões antes de se começar a resolvê-las. Isto traz duas vantagens: faz-se um primeiro contato com os assuntos que estão sendo cobrados, para se classificar as questões em fáceis, médias e difíceis; permite-se ao inconsciente começar a “trabalhar” essas questões, pelo simples fato de se ter tido contato com os problemas apresentados. Nosso inconsciente “sabe tudo” daquilo que nós estudamos e já começará um processo de busca das respostas para torná-las acessíveis ao nosso consciente no momento oportuno. Embora muito poderoso, há que se dar tempo para que ele transmita, ao consciente, todas as informações solicitadas.

2) Iniciar a solução da prova pelas questões consideradas as mais fáceis, para que a sua solução, alcançada com sucesso, dê segurança ao aluno e o tranquilize, pelo fato de já ter conseguido resolver algumas questões. Tentar resolver uma questão considerada difícil, inicialmente, pode levar a resultados exatamente contrários: insegurança e nervosismo, o que complicará o sucesso da prova.

3) Continuar com as de nível médio. Após ter resolvido aquelas fáceis, passar para as consideradas de nível médio, sem, no entanto, permitir que se gaste muito tempo com cada uma delas, para se evitar sensações negativas de nervosismo. Se a dificuldade for maior do que se acreditava, deve-se passar para outra questão, média, antes de aparecer qualquer nervosismo!

4) Finalizar com as de nível difícil. Tendo-se resolvido as questões consideradas de nível médio, passa-se à tentativa de resolução das questões consideradas difíceis. Nesta etapa, o aluno estará sentindo-se seguro, satisfeito pela resolução de várias questões, e poderá concentrar-se, o resto do tempo, nessas questões mais difíceis (lembrando-se de mudar para outra questão, se houver, antes que qualquer sensação de nervosismo apareça). O fato de se mudar de questão não atrapalha a sua solução, ao contrário, às vezes a busca de solução de uma segunda questão contribui para a solução daquela que havia sido suspensa!

Provas Iongas (mais de 5 ou 6 questões, do tipo múltipla escolha):

1) Iniciar a solução da prova pela ordem natural das questões apresentadas, mas evitando-se gastar mais do que 20% do tempo que caberia a cada questão, isto é: 20% do tempo total da prova dividido pelo seu número de questões. Este curto espaço de tempo deverá ser suficiente para se resolver a questão, se ela for considerada fácil. Não sendo este o caso, passa-se para a questão seguinte, embora algumas das opções já possam ter sido excluídas definitivamente, o que torna mais fácil a questão, quando se retomar a ela posteriormente. Ao agir desta forma, evita-se o surgimento de qualquer sensação prejudicial de nervosismo! E ao chegar-se ao final da última questão, o aluno sentirá uma positiva sensação de sucesso parcial, por já ter conseguido resolver aquelas questões que lhe são fáceis, garantindo pontuação e tranquilidade para a continuação da prova. Ao mesmo tempo, o inconsciente já terá material para trabalhar as questões enfrentadas.

2) Ao chegar ao final das questões, na primeira etapa, acima, retorna-se ao início da prova, na primeira questão não resolvida totalmente. Novamente, gaste-se algum tempo com ela, mas sem se permitir demorar-se muito na sua solução. Se esta não chegar, deve-se considerá-la uma questão “difícil” e se deve passar para a questão seguinte. Prossegue-se assim até ao final da prova, quando, então, todas as questões consideradas fáceis e médias já terão sido resolvidas com tranquilidade. Isto traz, ao aluno, a positiva sensação de sucesso parcial.

3) Retornar, agora, ao inicio da prova, na primeira questão não totalmente resolvida. Pode-se gastar, agora, o tempo necessário à busca da solução das questões consideradas difíceis, sem, no entanto, se deixar ficar nervoso, o que só atrapalharia a solução da questão trabalhada. Nesta etapa, as últimas questões (e as mais difíceis) estarão sendo resolvidas. E, com certeza, o aluno estará com muito mais condições de resolvê-las do que estaria se as tivesse enfrentado apenas uma vez, por tempo excessivo, na primeira vez em que tivesse aparecido.

FIXAR UM LOCAL PARA O SEU ESTUDO

Um local mais ou menos fixo favorece a mente a condicionar-se para o esforço da aprendizagem. Deve ser um local arejado, bem iluminado e sem interferências sonoras (TVs, rádios, etc. desligados!). O estudante deverá estar sentado e bem confortável, para que não se canse da posição em que se encontra, antes de cansar-se do estudo, propriamente dito.

CONCLUSÃO

Se o estudante, que se prepara para provas e exames, levar em conta tudo o dito acima, por meio de leitura e releitura do texto, seguidas de adequada reflexão, só terá a ganhar em efetividade de estudo, aprendizagem e provas realizadas. E concluirá, ainda, que tudo na escola da vida está associado a objetivos bem estabelecidos, dedicação e métodos adequados. 

Uilso Aragono.  Julho de 2015.

Quem sou eu

Minha foto
Sou formado em Engenharia Elétrica, com mestrado e doutorado na Univ. Federal de Santa Catarina e Prof. Titular, aposentado, na Univ. Fed. do Espírito Santo (UFES). Tenho formação, também, em Filosofia, Teologia, Educação, Língua Internacional (Esperanto), Oratória e comunicação. Meu currículo Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4787185A8

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