quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Família - Formadora da Igreja: Exemplos Práticos de Vocação

 O texto trata da família cristã, particularmente católica, que tem a missão de ser formadora da Igreja, no sentido de constituí-la, como seus blocos fundamentais, mas também como educadora e formadora (na doutrina, na teologia, na pastoral) dos seus membros.

INTRODUÇÃO

A família é, sem dúvida, o berço da humanidade e, para a fé cristã, a célula vital da sociedade e da Igreja. O Papa Paulo VI e posteriormente São João Paulo II cunharam o conceito de “Igreja Doméstica” para sublinhar a sua essência e papel fundamental. É no lar que a fé ganha vida e se transmite de geração em geração, tornando-se o primeiro santuário onde Cristo é conhecido e amado.

Nesta “Igreja em miniatura”, os pais são os primeiros e mais importantes catequistas. Pelo testemunho de vida e pela palavra, eles têm a missão sagrada de incutir nos filhos os valores do Evangelho. Como exorta a Sagrada Escritura: “Estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos” (Deuteronômio 6:6-7).

COMO AS FAMÍLIAS VIVEM ESSA VOCAÇÃO NA PRÁTICA

1.1  Oração e Adoração em Casa

Famílias que rezam juntas edificam sua fé. A oração matinal antes do trabalho e da escola, o terço familiar à noite, a benção dos alimentos – estes momentos simples, mas profundos, criam um ambiente onde Deus é reconhecido como o centro da vida. Muitos pais testemunham que a prática diária da oração transforma completamente a atmosfera familiar, trazendo paz em momentos de tensão e reforçando os laços de amor entre os membros.

1.2  Educação Cristã pelo Exemplo

Os filhos aprendem mais pelo que veem do que pelo que ouvem. Uma mãe que serve ao próximo com generosidade, um pai que pratica o perdão genuíno diante das ofensas, avós que compartilham histórias de fé – estes exemplos gravam-se na memória e no coração das crianças. Uma família que frequenta a Missa dominical com entusiasmo, que estuda a Bíblia, que discute valores morais, forma cristãos conscientes e comprometidos.

1.3  Serviço e Caridade Familiar

Famílias que visitam enfermos, que alimentam necessitados, que apadrinham crianças em situação de risco, que trabalham voluntariamente em obras paroquiais vivem concretamente o mandamento do amor. Quando a criança acompanha seus pais numa ação caritativa, compreende que a fé não é apenas teoria, mas ação transformadora.

1.4  Vocações Nascidas do Lar

Quantos sacerdotes, religiosas e religiosos não testemunham que sua vocação foi nutrida pelo clima de fé vivido em casa? Pais que rezam pelos filhos, que respeitam as inclinações vocacionais, que creem que Deus chama para a santidade, abrem caminho para que gerações futuras sirvam à Igreja com devotamento.

1.5  Transmissão de Tradições Religiosas

A celebração das festas litúrgicas em casa – Natal, Páscoa, santos padroeiros – cria memórias afetivas ligadas à fé. Rituais como benção do presépio, jejum na Quaresma, celebração de orações especiais, ensinam às crianças que a vida cristã permeia todo o ano litúrgico.

O IMPACTO NA COMUNIDADE ECLESIAL

Quando uma família vive sua vocação de “Igreja Doméstica”, sua influência extrapola os limites do lar. Filhos educados na fé tornam-se líderes comunitários, membros engajados em pastorais, testemunhas vivas do Evangelho. A Igreja, portanto, cresce não apenas em números, mas em profundidade e autenticidade.

O amor conjugal, que espelha o amor sacrificial de Cristo pela sua Igreja (Efésios 5:25), cria um ambiente de segurança e afeto, propício ao desenvolvimento espiritual e humano dos filhos. Este amor é a base para que a criança encontre em casa o solo fértil para sua fé.

 

CONCLUSÃO

Assim, a família se revela não apenas como parte da Igreja, mas como sua formadora essencial. Ao cumprir sua vocação de “Igreja Doméstica” através de ações concretas e testemunho vivo, a família se torna um verdadeiro Sacramento de Salvação para o mundo – um farol de esperança e amor em tempos de incerteza, refletindo a própria imagem da Santíssima Trindade.

 

Uilso Aragono (outubro de 2025)

Texto elaborado com a ajuda da Inteligência Artificial da Adapta.one.

domingo, 31 de agosto de 2025

ORIENTAÇÕES SOBRE A EFICÁCIA DA COMUNICAÇÃO ORAL

 Este artigo se situa no âmbito da Oratória e da Comunicação. Pretende mostrar que a comunicação eficaz, pela boa oratória, não se esgota no desempenho do orador, mas depende também de outros fatores igualmente importantes: a assembleia ouvinte e o ambiente (auditório ou similar).

INTRODUÇÃO

A eficácia na comunicação não depende apenas de um excelente orador! Mas depende de, pelo menos, três fatores bem identificáveis: aquele que fala (o orador), os que escutam (a assembleia) e o ambiente (auditório, sala de aula etc.).

Entenda-se eficácia na comunicação como sendo o grau de atingimento do objetivo da comunicação (a mensagem), que parte da fonte (o orador), passa pelo meio pelo qual a comunicação se dá (o código linguístico) e chega aos ouvintes (a assembleia). Uma comunicação totalmente eficaz é tal que a mensagem chega com toda a perfeição aos ouvintes. Uma orientação, baseada na sigla CID, para alcançar essa eficácia total, é explorada abaixo.

O ORADOR

Verifica-se que a fonte da comunicação é o orador, que deve usar das técnicas da boa oratória para que sua mensagem seja a mais bem preparada e enviada possível. Para tal, existem muitas boas orientações para que o “texto”, o conteúdo, da apresentação seja, também, o mais eficaz possível: objetivo, claro, estimulante etc. Particularmente, a estruturação desse texto pode seguir as seguintes orientações: definição do tema; delimitação do tema; objetivo a ser atingido; introdução impactante; partes do conteúdo (em formas lógica e cronológica) e a conclusão.

O CÓDIGO LINGUÍSTICO

O código linguístico, usado pelo orador para que sua mensagem possa atingir os ouvintes, é o idioma comum entre o orador e a assembleia. Para que a mensagem possa ser bem apreendida pelos ouvintes, esses devem ser capazes de entender o idioma falado pelo orador. Portanto, para a comunicação eficaz, tem-se como pressuposto básico, o domínio da linguagem, tanto pelo orador quanto pelos ouvintes.

O OUVINTES

Para que, igualmente, a mensagem possa ser bem entendida e aproveitada pela assembleia, esta deve ser constituída por pessoas que estejam bem motivadas para a escuta da apresentação oral. Ter conhecimento antecipado do assunto a ser abordado pelo orador e estar municiado das bases que possibilitem sua boa compreensão contribuem para a boa e efetiva absorção da mensagem a ser transmitida durante a oratória.

O AMBIENTE

O ambiente em que se reúnem os ouvintes joga também um papel relevante e deve favorecer à comunicação eficaz. Trata-se aqui do auditório, da sala de aula, da igreja etc., em que se estabelecerá a assembleia dos ouvintes. Verifica-se, facilmente, que tal ambiente deverá oferecer as condições as mais adequadas possível para que a mensagem oral, que estará sendo transmitida pelo orador, possa ser bem recebida pelos ouvintes. É um fator, como os dois já citados (orador e ouvintes), igualmente importante para que a comunicação totalmente eficaz seja atingida.

A CID APLICADA AO ORADOR

A sigla CID, aplicada ao orador, traduz-se por: Cativar – Informar – Desafiar. Deve-se entender, portanto, que o orador e o seu texto estejam bem preparados para atingir um objetivo triplo: cativar, informar e desafiar a assembleia.

Cativar: a assembleia dos ouvintes deve ser cativada por características atraentes do orador, tais como a simpatia, a segurança, a aparência etc. Elementos que possam perturbar a assembleia, desviando sua atenção, devem ser evitados pelo orador: vícios de linguagem, gestos inadequados, linguagem não adaptada à assembleia etc.

Informar: o conteúdo da palestra, da oratória, deve ser tal que inclua elementos informativos para a assembleia. Os ouvintes de uma conferência, uma palestra, uma homilia, ou um sermão estão ávidos por novos elementos de conhecimento do assunto. Apresentá-los e desenvolvê-los deverá ser objeto de atenção da parte do orador.

Desafiar: diante do que tenha sido apresentado, os ouvintes devem sentir-se desafiados a aprofundar os novos elementos informativos, de tal forma a aprofundá-los, para seu crescimento pessoal.

A CID APLICADA À ASSEMBLEIA

A sigla CID, aplicada à assembleia, traduz-se por: Concentração – Interesse – Determinação. Deve-se entender, portanto, que a assembleia (ou os ouvintes) deva estar imbuída de algumas características fundamentais para a boa compreensão do tema apresentado pelo orador. São elas:

Concentração: os ouvintes devem ter sido bem motivados a participarem da palestra (ou equivalente) de tal forma a demonstrarem concentração no processo da apresentação oral; sem tal atitude (característica pessoal interior), por melhor que seja o desempenho do palestrante, por melhor que seja sua didática, a comunicação da mensagem falhará!

Interesse: cada ouvinte deverá manifestar interesse pelo tema tratado, de tal forma que isso ajude a sua concentração no tema apresentado. O interesse é fundamental para que se possa apreender melhor e mais eficazmente a mensagem transmitida.

Determinação: tendo em vista que o orador desafiará o ouvinte a aprofundar, a buscar mais informações sobre o tema proposto, é igualmente importante que o ouvinte esteja também disposto e determinado a dar continuidade ao estudo desse tema, após o término da apresentação. Afinal de contas, o autoestudo ou a educação contínua é algo muito incentivado no âmbito do autoaperfeiçoamento.

A CID APLICADA AO AMBIENTE

A sigla CID, aplicada ao ambiente (auditório ou similar), traduz-se por: Conforto – Iluminação – Distribuição (de som). Deve-se entender, então, que as condições físicas do ambiente também influenciam a eficácia final da comunicação.

Conforto: se o ouvinte estiver em condições inadequadas, como, por exemplo, em pé, no calor ou espremido entre as pessoas, não haverá como ele possa aproveitar bem da exposição oral. Portanto, cuidar para que os ouvintes estejam em boas condições físicas é também fator relevante para que a comunicação eficaz aconteça em grau elevado.

Iluminação: um ambiente mal iluminado não contribui para a comunicação eficaz. A pouca luz vai atrapalhar eventuais anotações, da parte dos ouvintes, e poderá induzir ao sono, especialmente se for em um horário do início da tarde ou tarde da noite. Cuidar de que a iluminação seja a mais adequada possível é importante consideração para o sucesso da palestra.

Distribuição (do som): se não houver uma boa distribuição das caixas de som e uma adequada regulação dos níveis de sonoridade nas diversas partes do ambiente (auditório), a comunicação estará totalmente comprometida. Caixas de som devem ser colocadas, preferencialmente e se possível, nos cantos do ambiente, para que as duas paredes, a 90º uma da outra, possam projetar um som de melhor qualidade sobre os ouvintes.

CONCLUSÃO

A comunicação totalmente eficaz, durante uma apresentação oral, somente ocorrerá se forem levados em conta, pelo menos, estes três elementos: o orador, os ouvintes e o auditório. Não basta que o orador faça um excelente trabalho se os ouvintes (a assembleia) não estiverem devidamente motivados, concentrados e ainda determinados a colocar em prática os desafios propostos pelo orador; e se o auditório (o ambiente físico) não estiver também devidamente preparado para dar as condições adequadas à assembleia dos ouvintes para que essa possa aproveitar o mais bem possível a mensagem transmitida. São três elementos essenciais e que não podem ser esquecidos, para que se possa atingir alto grau de eficácia na comunicação oral.

Uilso Aragono (agosto de 2025)

quinta-feira, 31 de julho de 2025

SÃO JOSÉ NÃO FALHA: Pedi socorro como na hora da morte

 Abaixo, mais um texto retirado do livro "São José não falha", que contém muitas historietas relativas a testemunhos da ação de S. José, diante das necessidades de seus devotos. São histórias que servem para nos elevar a fé em Deus e nos seus santos.

Certa vez, ao comer ameixas, um caroço me engasgou na garganta de forma tal, que não conseguia nem engolir nem devolvê-lo para fora.

Meus pais, após algumas tentativas, foram procurar um médico. Este nada conseguia fazer. Apenas concluiu que se eu mesmo não o conseguisse expelir, único jeito seria uma intervenção cirúrgica. Assim passei horas agoniadas.

Ajoelhei-me perante um quadro de São José e lhe supliquei socorro, como na hora da morte. De repente, senti uma irresistível ânsia de vômito e já lancei fora o intruso caroço.

Oh, com que alívio agradeci à pronta ajuda de São José! Em ação de graças mandei rezar uma Missa em seu louvor. (Κ.Α.)

A Virgem Santa revelou à venerada Madre Maria de Ágreda, dizendo: "Os filhos do mundo vivem na maior ignorância a respeito da dignidade e das regalias que o Altíssimo concede a meu Esposo, e sobre o poder de sua intercessão junto à sua Majestade Divina e perante mim. Eu lhe asseguro, filha, que no Céu, muito ele consegue para afastar dos pecadores os castigos da justiça divina. Em suas necessidades, com confiança apele à mediação dele; o quanto meu Esposo pede, o Altíssimo concede aos que estão na Terra”.

Ref.: WEIGEL, A.M. São José Não falha – 100 histórias de São José. Edições Rosário, Curitiba, Brasil, 6. Edição, 1994.

Uilso Aragono (julho de 2025)

segunda-feira, 30 de junho de 2025

SÃO JOSÉ NÃO FALHA: Ajuda fora de série

 Abaixo, mais um texto retirado do livro "São José não falha", que contém muitas historietas relativas a testemunhos da ação de S. José, diante das necessidades de seus devotos. São histórias que servem para nos elevar a fé em Deus e nos seus santos.

Num beco silencioso de Augsburg há uma casa, cuja "porta aberta" eu conheço há 30 anos. Aqui se recolhem os fracassados da sorte a qualquer hora do dia. Os famintos são saciados, os desesperados são reanimados, os que têm dúvidas recebem conselhos, e os descrentes são tratados com o mesmo amor.

A mesa do meio-dia por vezes reúne 30 a 40 pessoas. No tempo da guerra, nem sempre foi fácil. Várias vezes o Pai da casa precisou intervir e entrar com notável colaboração. Em um caso, роrém, a Sua ajuda foi tão fora de série, que nos encheu de admiração a todos.

Quando Mariela, a auxiliar da cozinha, foi mandada à despensa para buscar um tanto de farinha, achou a arca vazia. Mariela lançou mão da arma de confiança. Pegou uma estatueta de São José e a colocou em cima da arca, dizendo: "Por favor, São José, veja, não há nada mais dentro; precisa ajudar-nos! Ou então nossa obra de misericórdia vai por água abaixo".

Após três dias, Mariela veio correndo para a dona da casa, avisando radiante de júbilo, que chegara um carro do moinho e acabava de entregar dois quintais (120 kg) de farinha de trigo e meio quintal (30 kg) de sêmola.

O doador não se identificou. Não foi isso uma bênção magnífica!? (R.M.H.)

Ref.: WEIGEL, A.M. São José Não falha – 100 histórias de São José. Edições Rosário, Curitiba, Brasil, 6. Edição, 1994.

Uilso Aragono (junho de 2025)


sábado, 31 de maio de 2025

JESUS NO ANTIGO TESTAMENTO – Parte II

 O Antigo Testamento (AT) está repleto de passagens que prefiguram a pessoa, a missão e a obra de Jesus Cristo. Como o próprio Cristo já ensinou: “As escrituras falam de mim”. No AT, portanto, não explicitamente, claro, mas como uma prefiguração, Jesus Cristo é anunciado como aquele que “vem salvar seu povo”. Abaixo, alguns textos comentados do AT que apontam para o futuro Messias, o Cristo Senhor, o Salvador Jesus Cristo.

Ageu 2,6-9

Porque assim diz o Senhor Todo-Poderoso: ainda um pouco tempo e eu sacudirei o céu e a terra, o mar e o continente. Sacudirei todas as nações. Então afluirão as riquezas de todas as nações e eu encherei este tempo de glória.  – diz o Senhor Todo-Poderoso. A mim pertence a prata! A mim pertence o ouro! – oráculo do Senhor Todo-Poderoso. A glória futura deste templo será maior do que a passada, – diz o Senhor Todo-Poderoso. E neste lugar eu concederei a paz – oráculo do Senhor Todo-Poderoso.

Essa passagem traz a promessa da restauração do Templo e, simbolicamente, da linhagem do Rei Davi. A restauração do Templo pode ser vista como figura das palavras de Jesus: “Em três dias eu o reconstruirei”, referindo-se à sua poderosa ressurreição. Por isso o Profeta diz: “A glória futura deste templo será maior do que a passada”.

 Malaquias 3,1-4:5 

Eis que vou enviar o meu mensageiro para que prepare um caminho diante de mim. Então, de repente, entrará em seu templo o Senhor que vós procurais; o Anjo da aliança, que desejais, eis que ele vem Todo-poderoso. diz o Senhor. Quem poderá suportar o dia da sua chegada? Quem poderá ficar de pé, quando aparecer? Porque ele é como o fogo do fundidor e como a lixívia das lavadeiras. E se assentará aquele que funde e que purifica; ele purificará os levitas e o acrisolará como ouro e prata, e eles se tornarão para o Senhor aqueles que apresentam uma oferenda conforme a justiça. A oferenda de Judá e de Jerusalém será agradável ao Senhor, como nos dias antigos, como nos anos passados. Eu me aproximarei de vós para o julgamento e serei uma testemunha rápida contra os adivinhos, contra os adúlteros, contra os perjuros, contra os que oprimem o assalariado, a viúva, o órfão e violam o direito do estrangeiro, sem me temer diz o Senhor Todo-poderoso.

 

Embora este texto também possa ser lido como um anúncio do mensageiro que prepararia o caminho do Senhor (João Batista), ele prefigura e preanuncia os dias de poder do Senhor Jesus sobre a Terra. Fala de suas ações e palavras de cura e de purificação; de uma oferenda que seja verdadeiramente agradável ao Senhor, porque Jesus, e somente Ele, fará, realmente, a vontade do Senhor: o “sacrifício” que lhe agrada de verdade!

 Is 9,1.2

O povo que caminhava nas trevas viu uma grande luz. Sobre os que habitavam a terra da sombra, brilhou um luz. Multiplicaste o seu júbilo, fizeste crescer a alegria. Eles se alegram diante de ti, como quem se alegra na colheita, como os que se regozijam na divisão da presa.

Que grande luz poderá ser essa, senão a luz de Jesus: “Quem ouve minhas palavras não anda nas trevas...”. O povo se alegrou com a aparição de Jesus, com seus milagres, com suas palavras autênticas, que eram como poderosa e verdadeira luz para o povo que “caminhava nas trevas”. Para quem poderiam estar dirigidas tais palavras do Profeta, senão a Jesus?

Is 9,5

Porque nasceu para nós um menino, um filho nos foi dado. Ele tem a soberania sobre seus ombros e será chamado: “Conselheiro admirável, Deus forte, Pai para sempre, Príncipe da paz”.

Essas palavras do Profeta Isaías são, claramente, uma profecia sobre o Messias, que será “um menino” nascido “para nós”. E tais títulos são, reconhecidamente aplicáveis a Jesus, o verdadeiro e único Príncipe da Paz: “Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz. Não a vos dou como a dá o mundo”.

Sl 40,6-8

Grandes obras realizaste, Senhor meu Deus; em maravilhosos desígnios para conosco ninguém se compara contigo. Quisera eu proclamá-los e divulgá-los, mas são tão numerosos que não os posso contar. Não quiseste sacrifício nem oferenda, mas abriste-me os ouvidos; não exigiste holocausto nem vítima expiatória. Então eu disse: "Eis que venho; no rolo do livro me foi prescrito fazer tua vontade, como tanto desejo, meu Deus, e ter a tua lei em minhas entranhas”.

O Senhor Jesus nunca quis nem enfatizou que Deus, Seu Pai, quisesse sacrifícios... Mas Jesus quis “abrir os ouvidos” e os corações do povo a Deus. E dizia Ele: “O meu sacrifício é fazer a vontade de meu Pai que está nos Céus”.

Is 61, 1.2

0 espírito do Senhor Deus repousa sobre mim, porque ele me ungiu. Enviou-me para levar uma boa-nova aos pobres, medicar os homens descoroçoados, proclamar aos cativos a libertação e aos prisioneiros a abertura do cárcere, para proclamar o ano da mercê do Senhor e o dia da vingança para nosso Deus: para dar conforto a todos os que estão de luto, para entregar aos enlutados de Sião um turbante festivo em lugar do pó, óleo de alegria em lugar de luto, vestido de festa em lugar de espírito deprimido, de modo que sejam chamados "carvalhos da justiça, plantados para a glória do Senhor".

Na Sinagoga de Nazaré Jesus lê esse texto de Isaías que diz que o Senhor proclamará um ano de graças ao povo e Ele mesmo confirma que “Hoje se cumpriu esta escritura em vossos ouvidos” (Lc 4,21). Esse acontecimento pode ser entendido como marcando o início do ministério público de Jesus, e em outras ocasiões o Senhor também esclarece que as Escrituras falam dele, como o Messias que haveria de vir ao mundo.

Referência: Citações da Bíblia Sagrada Vozes, Petrópolis, 1982.

Uilso Aragono. (maio de 2025)

terça-feira, 29 de abril de 2025

JESUS NO ANTIGO TESTAMENTO – Parte I

O Antigo Testamento (AT) está repleto de passagens que prefiguram a pessoa, a missão e a obra de Jesus Cristo. Como o próprio Cristo já ensinou: “As escrituras falam de mim”. No AT, portanto, não explicitamente, claro, mas como uma prefiguração, Jesus Cristo é anunciado como aquele que “vem salvar seu povo”. Abaixo, alguns textos comentados do AT que apontam para o futuro Messias, o Cristo Senhor, o Salvador Jesus Cristo.

 Gênesis 3,15

"Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e os descendentes dela; eles te ferirão a cabeça e tu lhes ferirás o calcanhar."

Conhecido como o "protoevangelho", este versículo é uma promessa de Deus em relação à futura redenção da humanidade, depois do pecado dos primeiros pais no Paraíso: Jesus será o Redentor (“os descendentes dela”) que consegue a vitória sobre o mal, ferindo de morte a cabeça da serpente (“tua descendência”, pois o Senhor Deus fala, neste versículo, diretamente à serpente, o diabo).

Gênesis 12,3; 18,18; 22,18

“Amaldiçoarei os que te amaldiçoarem e abençoarei os que te abençoarem. Com teu nome serão abençoadas todas as famílias da Terra.”  / “Pois Abraão virá a ser uma nação grande e forte e nele serão abençoadas todas as nações da Terra.” / “Por tua descendência serão abençoadas todas as nações da Terra, porque tu me obedeceste.”

Nesses trechos, Deus faz um pacto com Abraão, prometendo-lhe que, por meio de sua descendência, todas as nações serão abençoadas. Essa promessa é associada à vinda do Cristo, que abençoará todas as nações da Terra.

 Gênesis 22,1-2

“Depois desses acontecimentos, Deus submeteu Abraão a uma prova. Chamando-o, disse: ‘Abraão’, e ele respondeu: ‘Aqui estou’. E Deus disse: ‘Toma teu único filho, Isaac, a quem tanto amas, dirige-te à terra de Moriá e oferece-o ali em holocausto, sobre um monte que te indicar.”

Esse episódio em que Abraão é testado ao ser chamado para sacrificar seu filho “único”, Isaac, “a quem tanto amas”, é visto, na ótica cristã, como uma referência clara ao Cristo, “filho unigênito e muito amado de Deus”. O fato de Deus fornecer um carneiro no lugar de Isaac, prefigura o sacrifício do “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, que se cumprirá em Jesus.

Êxodo 12,1-2 

“O Senhor disse a Moisés e a Aarão no Egito: ‘Este mês será para vós o começo dos meses, será o primeiro mês do ano’.”

A instituição da Páscoa (que começa com os versículos acima), com a imagem do cordeiro, cujo sangue protege os israelitas da morte, prefigura a obra redentora de Cristo, cujo sangue derramado na Paixão, salva todo o que crê em Seu Nome. No Novo Testamento, Jesus é identificado como o Cordeiro pascal, que tira o pecado do mundo. Ele é prefigurado pelo “cordeiro sem defeito, macho de um ano”: Jesus, sem pecado (defeito), homem (macho) e jovem (de um ano).

Isaías 7,14 e 9,6

“Por isso, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a jovem mulher está grávida e vai dar á luz um filho, e lhe dará o nome de Emanuel.” / “Ele terá uma soberania ampla e uma paz sem limites, sobre o trono de Davi (...).”

Em Isaías, é profetizado que uma virgem (a jovem mulher) conceberá e dará à luz um filho, chamado Emanuel – “Deus conosco”. E há a promessa do nascimento de um filho dotado de atributos divinos (Conselheiro Admirável, Deus Forte, Pai para sempre e Príncipe da Paz), e herdeiro do “trono de Davi” (prefigurando a anunciação do Anjo a Maria), e reforçando a identidade messiânica de Jesus.

Isaías 53, 4-5

“No entanto, foi ele que carregou as nossas enfermidades e tomou sobre si as nossas dores. E nós o considerávamos como alguém fulminado, castigado por Deus e humilhado. Mas ele foi traspassado por causa das nossas rebeldias, esmagado por causa de nossos crimes; caiu sobre ele o castigo que nos salva, e suas feridas nos curaram.”

Talvez seja a passagem do AT mais eloquente e mais clara em relação à futura Paixão de Jesus, que sofre por causa de nossos pecados: “Esmagado por causa de nossos crimes”. Todo o capítulo 53 de Isaías é claríssima prefiguração da Paixão e da Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Miquéias 5, 1-2

“Mas tu, Belém de Éfrata, embora pequena entre os clãs de Judá, de ti sairá para mim aquele que deve governar Israel. Suas origens são de tempos antigos, de dias intermináveis. Por isso ele os abandonará até o tempo em que a parturiente dará à luz. Então o resto de seus irmãos voltará para os israelitas.”

Aqui é anunciada a origem do Messias: o governante que virá da pequena cidade de Belém (de Éfrata ou da Judeia, em oposição a outra vila chamada Belém de Zabulon). Essa profecia se cumpre no relato do nascimento de Jesus nos evangelhos.

Referência: Citações da Bíblia Sagrada Vozes, Petrópolis, 1982.

Uilso Aragono. (abril de 2025)

segunda-feira, 31 de março de 2025

SÃO JOSÉ NÃO FALHA: A compra de um terreno

 A propósito do mês de São José, publico, a seguir, mais uma historinha do livro “São José não falha” (referência abaixo), onde São José cuida das irmãs de um convento e de um orfanato.

Para garantir o sustento do nosso convento e de um orfanato sob a nossa responsabilidade, nós, Irmãs em Zagora (Bulgária), pelos meados de 1920, desenvolvemos uma lavoura cada vez maior. Mediante a embaixada alemã, conseguimos importância volumosa. Com isso pudemos comprar mais umas áreas. Arrendamos mais 30 hectares. Esse terreno fazia parte de uma herança-espólio, que no total somava 50 hectares. A herdeira, uma húngara, falecera após a primeira Grande Guerra. Seu filho e suas quatro filhas viviam no estrangeiro. O pároco Kr. havia prometido à moribunda de cuidar que seus filhos recebessem a herança. Cuidou disso até a sua morte. A embaixada húngara, que ficou com a supervisão, por seu turno, encarregou da coisa a um advogado.

Quando o pároco Kr. Falecera, em 1928, o advogado pediu que o convento assumisse a administração. Desde anos fazia eu para o pároco doentio a escrituração e os relatórios anuais desse espólio. Agora, tudo ficou nas minhas mãos. Como disse, nós mesmas tomamos arrendados 30 hectares. Os restantes 20 foram arrendados por pequenos agricultores. A nossa parte, tratamos de desenvolver bem. Em poucos anos tornou-se um campo muito produtivo. Bem que teríamos interesse de comprá-lo. Mas aí estava sempre o mesmo enguiço: não se chegava a obter plenos poderes sobre a herança.

Finalmente, no outono de 1942, a situação mudou. Recebi um aviso do advogado, que me chamava com urgência. O terreno estaria disponível. Era questão de agir depressa, caso contrário, o governo o confiscaria. Naturalmente, encarregaram-me de ver a possibilidade de podermos comprar o que até então usamos como arrendamento. Viajei para a capital com a convicção de que o negócio iria ter um bom desfecho. Eu sabia que minhas coirmãs assediavam com toda insistência a São José. Para espanto meu, o advogado me informou que, da parte do herdeiro, não viera nenhuma autorização. Segundo a lei, poderiam ser vendidos assim dois terços da herança. Não esperávamos por essa. Poderíamos pagar tanto? Que haveria eu de fazer? Nem tive coragem de perguntar ao advogado por quanto ficaria o imóvel. Enfim, pedi-lhe prazo para dar resposta no dia seguinte. Passei a noite em claro. Não é fácil para uma religiosa, numa situação difícil como essa, encontrar a decisão mais acertada, sem ter o respaldo de autoridades maiores.

Pela manhã, surge-me uma boa ideia: "Se o advogado começar a falar do preço, e não pedir mais do que 2.000 'levas' por décimos de hectare, será isso para mim um sinal de que devo comprar". Estando de novo com o advogado, perguntou-me se estava decidida, agora, uma vez que era negócio vantajoso para nós. E acrescentou:

"– O preço, a Irmã mesma pode propor!"

Faltou-me a voz por uns instantes. Daí disse eu rindo: "É coisa rara demais que o comprador proponha o preço! O senhor certamente joga com a nossa honestidade. Bem, quero então ser franca e dizer-lhe, sinceramente, como estão os preços. Para terrenos como a parte que usamos, pode-se pedir de 2.000 a 2.200 'levas' por décimo de hectare. Os 20 hectares arrendados aos pequenos lavradores, não têm tanto valor, quando muito saindo por 1.000 ou 1.200 'levas'”.

Ótimo, irmã concluiu o advogado vamos então tirar a média. As irmãs pagam 1.500 levas'. Concorda?

Que dúvida? Fechamos o negócio. No convento foi aquela alegria. Todo mundo satisfeito com a compra. São José nos ajudou. Agradecidas, fizemos erguer no jardim uma capela em sua honra. As Irmãs, com gosto, recolhem-se ali nos dias de retiro e aos domingos. (Ir. M.A.)

Ref.: WEIGEL, A.M. São José Não falha – 100 histórias de São José. Edições Rosário, Curitiba, Brasil, 6. Edição, 1994.

Uilso Aragono (março de 2025)

Quem sou eu

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Sou formado em Engenharia Elétrica, com mestrado e doutorado na Univ. Federal de Santa Catarina e Prof. Titular, aposentado, na Univ. Fed. do Espírito Santo (UFES). Tenho formação, também, em Filosofia, Teologia, Educação, Língua Internacional (Esperanto), Oratória e comunicação. Meu currículo Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4787185A8

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