domingo, 28 de junho de 2020

OS MILAGRES DE JESUS NO EVANGELHO DE LUCAS – PARTE III

Os milagres de Jesus, descritos nos quatro Evangelhos, são obras maravilhosas e, verdadeiramente, arrebatadoras! São capazes de nos encantar a todos e de provocar uma profunda reflexão sobre quem é este Homem, capaz de tantos feitos impossíveis aos homens comuns... O texto abaixo procura identificar, a partir de uma busca nos Evangelhos, quais são esses milagres, e apresenta-os por meio de uma breve descrição. Desta vez, em relação ao Evangelho de S. Lucas. Algum comentário comparativo entre os Evangelhos é feito.


10. A CURA DO PARALÍTICO DESCIDO PELO TELHADO: Certo dia, Jesus estava ensinando. Estavam aí, sentados, fariseus e doutores da Lei, vindos de todos os povoados da Galileia, da Judeia e até de Jerusalém. Chegaram, então, algumas pessoas levando, numa cama, um homem que estava paralítico. Subiram, então, ao terraço e, através das telhas, desceram o homem com a cama, no meio, diante de Jesus. Vendo a fé que eles tinham, Jesus disse: “Homem, seus pecados estão perdoados”. Os doutores da Lei e os fariseus começaram a pensar: “Quem é esse que está falando blasfêmias?”.  Mas Jesus percebeu o que eles estavam pensando. Tomou então a palavra e disse: “Por que vocês pensam assim? O que é mais fácil? Dizer: ‘Seus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘Levante-se e ande’? Pois bem: para vocês saberem que o Filho do Homem tem poder para perdoar pecados, – disse Jesus ao paralítico – eu ordeno a você: Levante-se, pegue a sua cama, e volte para casa”. No mesmo instante, o homem se levantou diante deles, pegou a cama onde estava deitado, e foi para casa, louvando a Deus” (Lc 5, 17ab.18a.19b.20-21b.22-25). – Nesta passagem, similar a Mateus (9, 2-7) e a Marcos (2, 3-12), Jesus nos mostra que mais importante que a cura física é a cura espiritual. Aliás, muitas vezes, a cura física é decorrência das dimensões mental ou espiritual da pessoa: doenças mentais ou espirituais costumam ter consequências (chamadas psicossomáticas ou pneumossomáticas) no corpo físico. No entanto, como sinal de sua messianidade, e para espanto dos fariseus, Jesus resolve curar fisicamente o paralítico, e de forma instantânea. Quem, se não Deus para fazer isto?

11. JESUS CURA UM HOMEM COM A MÃO SECA: Em outro sábado, Jesus entrou na sinagoga e começou a ensinar. Aí havia um homem com a mão direita seca. Os doutores e os fariseus espiavam para ver se Jesus iria curá-lo durante o sábado e, assim, encontrarem motivo para acusá-lo. Mas Jesus sabia o que eles estavam pensando e disse ao homem da mão seca: “Levante-se e fique no meio”. Ele se levantou e ficou de pé. Jesus disse aos outros: “Eu pergunto a vocês: a Lei permite no sábado fazer o bem ou fazer o mal, salvar uma vida ou deixar que se perca?”. Então Jesus olhou para todos os que estavam ao seu redor e disse ao homem: “Estenda a mão”. O homem assim o fez, e sua mão ficou boa (Lc 6, 6-10). – Neste episódio, similar ao que se relata em Mateus (12, 9-13) e em Marcos (3, 1-6), Jesus nos ensina que a Lei deve ser interpretada em vista do bem do ser humano e que guardar o dia de descanso do Senhor, deixando-se de fazer as atividades rotineiras para o sustento da vida, é bem diferente de se deixar de fazer o bem: este se impõe em qualquer dia ou qualquer situação.

12. JESUS CURA A TODOS: Jesus desceu da montanha com os doze apóstolos e parou num lugar plano. Estava aí numerosa multidão de seus discípulos com muita gente do povo de toda a Judeia, de Jerusalém e do litoral de Tiro e Sidônia. Foram para ouvir Jesus e serem curados de suas doenças. E aqueles que estavam atormentados por espíritos maus foram curados. Toda a multidão procurava tocar em Jesus, porque uma força saía dele e curava a todos (Lc 6, 17-19). – Como em Mateus (4, 24-25) e Marcos (3, 7-12) aqui também Jesus cura a todos os que buscam ouvir seus ensinamentos e serem curados. E, mais uma vez, Jesus cura doentes e endemoniados (atormentados por espíritos maus), o que mostra que o povo de então sabia bem diferenciar um doente de uma pessoa atacada por espíritos maus! Isto é, se não soubessem, o autor teria dito simplesmente: todos eram doentes ou todos eram endemoniados...

13. JESUS CURA O EMPREGADO DO OFICIAL ROMANO: Jesus entrou na cidade de Cafarnaum. Havia ali um oficial romano que tinha um empregado, a quem estimava muito. O empregado estava doente, a ponto de morrer. O oficial ouviu falar de Jesus e enviou alguns anciãos dos judeus para pedir a Jesus que fosse salvar o empregado. Então Jesus pôs-se a caminho com eles. Porém, quando já estava perto da casa, o oficial mandou alguns amigos dizer a Jesus: “Senhor, não te incomodes, pois eu não sou digno de que entres em minha casa; nem sequer me atrevi a ir pessoalmente ao teu encontro. Mas dize uma palavra, e o meu empregado ficará curado”. Ouvindo isso, Jesus ficou admirado. Voltou-se para a multidão que o seguia e disse: “Eu declaro a vocês que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé”. Os mensageiros voltaram para a casa do oficial e encontraram o empregado em perfeita saúde (Lc 7, 1b-3.6-7.9-10). – É um episódio semelhante ao que relatam tanto Mateus (8,5-10.13) como João (4,46-54). Impressiona a fé do oficial romano (ou centurião) que, mesmo não sendo judeu, demonstrou enorme fé na pessoa de Jesus, a ponto de fazê-lo declarar à multidão nunca ter encontrado tamanha fé em Israel! E a Igreja Católica utiliza a expressão do oficial romano na sua Missa, ao final da Oração Eucarística, em que a assembleia diz, exatamente: “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo”. Esta é uma entre muitas palavras evangélicas que a Igreja utiliza na Celebração Eucarística (ou Missa).

14. JESUS CURA O FILHO DA VIÚVA DE NAIM: Em seguida, Jesus foi para uma cidade chamada Naim. Quando chegou à porta da cidade, eis que levavam um defunto para enterrar; era filho único e sua mãe era viúva. Grande multidão da cidade ia com ela. Ao vê-la, o Senhor teve compaixão dela e lhe disse: “Não chore!”. Depois, aproximou-se, tocou no caixão, e os que o carregavam pararam. Então Jesus disse: “Jovem, eu lhe ordeno, levante-se!”. O morto sentou-se e começou a falar. E Jesus o entregou à sua mãe. Todos ficaram com muito medo e glorificavam a Deus, dizendo: “Um grande profeta apareceu entre nós, e Deus veio visitar o seu povo!” (Lc 7, 11a-16). – É um relato próprio do evangelista Lucas, mostrando que Jesus é o Messias, pois logo à frente, em seu Evangelho, Lucas vai colocar na boca de Jesus a resposta a João Batista: “ Voltem e contem a João o que vocês viram e ouviram: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, e a Boa Notícia é anunciada aos pobres. E feliz é aquele que não se escandaliza de mim!” (Lc, 7,22-23).


(CONTINUA EM UM PRÓXIMO BLOGUE)

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Uilso Aragono (Junho, 2020)

domingo, 31 de maio de 2020

QUE USO DAMOS PARA O WHATSAPP


Permitam-me fazer uma avaliação do uso que têm feito do WhatsApp os participantes dos meus vários grupos. Infelizmente, já adianto que minha avaliação – de acordo com meus critérios e gostos pessoais – não é muito positiva!...

O QUE É O WHATSAPP

O WhatsApp, dentre outras redes sociais, é um meio de comunicação interativo, instantâneo e assíncrono, portanto, muito oportuno para a comunicação rápida e efetiva que todos buscam hoje em dia. Mas será que ele está cumprindo o papel que dele esperaria uma sociedade racional, inteligente e civilizada?

Gastei um tempo contabilizando as postagens que me tenham trazido alguma contribuição ou tenham sido, pelo menos, positivas, e aquelas que eu poderia considerar descartável e, portanto, uma total perda de tempo (se for gasto tempo com elas!).

Concluí que, na maioria absoluta, as mensagens/postagens, constituídas por vídeos, fotos, notícias e assemelhados têm, de fato, o poder de atrair a atenção de quem as aprecia em sua “fachada”: são curiosidades potencialmente interessantes. Mas são, todas elas, postagens que foram ou recebidas de terceiros ou vistas nas redes sociais (em especial o YouTube) e repassadas por terem atraído a atenção de alguém. Ou seja, a pessoa que achou o vídeo ou o texto interessante, no YouTube ou em outra rede social qualquer, não fez buscas de acordo com seu interesse temático? Ao enviar para outros, quem garante que o interesse desses seja o mesmo que o dele?

O CONTEÚDO DAS POSTAGENS

Hoje, quando alguém quer saber alguma coisa é só perguntar ao Dr. Google – todos os alfabetizados ciberneticamente sabemos disto! Portanto, se alguém quiser buscar alguma coisa que lhe interesse, sabe onde pode procurar, para divertir-se ou para se alimentar culturalmente.

Vejamos quais são os tipos de postagem comumente feitos nos variados grupos de WhatsApp.

  • Vídeos: com os temas de política/política partidária, música, teatro, humor, religião, filosofias de vida, curiosidades, pegadinhas, notícias, opiniões (normalmente não assinadas), alardes, etc.;
  • Fotos: com os mesmos temas acima;
  • Áudios: igualmente com os temas mais variados, raramente sendo feitos por membros do grupo, e normalmente sendo trocados entre grupos;
  • Stickers (figurinhas): com temas muito variados;
  • Textos: normalmente escritos pelos membros do grupo, mas com uma grande quantidade de repasses (de particulares ou de outros grupos).


Verifica-se, por esses tipos de postagem, que há material farto para o costume já comum de repasse de mensagens/postagens com base nos tipos 1 até 4. Somente o quinto tipo (Textos) é que daria margem para a produção original do participante de um grupo. E isto, raramente acontece...

Observe-se que as postagens com conteúdo de política partidária têm provocado, entre aqueles inicialmente considerados amigos, muitos atritos e inimizades, com saídas inesperadas de membros de grupos por conta disso. E a amizade? Como fica depois de discussões, atritos e saídas surgidos no grupo?

AS FAKE NEWS (POSTAGENS FALSAS) E OS FACTOIDES

O que existe em grande número nas redes sociais da Internet e, particularmente, no WhatsApp são as postagens tipo Fake News (com conteúdo falso) e tipo factoides (com algum fato verdadeiro, mas distorcido). É o que hoje denominam “pós verdade”. A gente séria perde tempo dobrado: ao apreciar a postagem suspeita e ao tentar identificar se é verdadeira. Para os que não se preocupam com a seriedade das coisas, repassar conteúdos fake é a coisa mais fácil do mundo. Resultado: grupos de redes sociais cheios de postagens de conteúdos falsos, muitos deles visando, quase que intencionalmente, a provocar confusão, desinformação e prejuízos às pessoas de bem e ingênuas, que acabam acreditando nessas postagens.

O interessante é que o tempo que se perde nas redes sociais com os tipos de postagem listados poderia ser mais bem empregado ao se consultar diretamente as variadas fontes de boas notícias e curiosidades que se podem encontrar no YouTube e nos buscadores Google e Chrome (ou nos equivalentes da Apple) e em vários aplicativos de notícias disponíveis nas plataformas Android e Apple (muitas delas com filtros anti-fake, especialmente ligadas aos grandes meios de comunicação convencionais).

O MELHOR PAPEL DO WHATSAPP

E qual seria o papel que uma sociedade madura e responsável esperaria de um serviço de rede social virtual como o WhatsApp?  Sendo um meio de comunicação interativo e quase instantâneo, embora assíncrono (cada um pode apreciar a postagem no momento mais apropriado), presta-se muito bem para a comunicação efetiva (telefone, áudio, vídeo, fotos) entre os membros de um grupo ou entre indivíduos, dois a dois.

E essa comunicação efetiva poderia acontecer se os tipos de postagem acima listados fossem utilizados, também, de forma original (não só como repasse de outros): vídeos, áudios, etc., produzidos pelos membros do grupo, pelos utilizadores do Aplicativo. Alguém postaria, então:

  • Vídeo ou álbum de fotos da família (supondo grupo familiar);
  • Notícias da família (supondo grupo familiar);
  • Convite para algum evento artístico-cultural de interesse do grupo ou do outro contato.


Ou utilizaria o versátil WhatsApp para:

  • Comunicação ao vivo via áudio (chamada por áudio) ou por vídeo (chamada por vídeo);
  • Conversa ao vivo com múltiplos participantes (tipo net meeting);
  • Transmissão instantânea de fotos ou de pequenos vídeos sobre acontecimentos ou assuntos de interesse do grupo;
  • Transferência de arquivos diversos (pdf, vídeo, foto, etc.) de real interesse dos participantes do grupo.


CONCLUINDO...

Embora o WhatsApp (ou outras redes sociais equivalentes menos famosas) possa ser um recurso tecnológico atual muito utilizado e muito útil para a sociedade atual, não faltam aqueles que reclamam do excesso de postagens, sendo muitas delas totalmente “sem noção”. Parece que o recurso se tornou um meio de repassar vídeos, fotos, etc. Será que não está faltando alguém lançar um curso sobre o uso mais eficaz e criativo do WhatsApp? Será que não está na hora de passarmos de meros repassadores de conteúdo para produtores, nós também?

UILSO ARAGONO (MAIO, 2020)


quinta-feira, 30 de abril de 2020

OS MILAGRES DE JESUS NO EVANGELHO DE LUCAS – PARTE II


Os milagres de Jesus, descritos nos quatro Evangelhos, são obras maravilhosas e, verdadeiramente, arrebatadoras! São capazes de nos encantar a todos e de provocar uma profunda reflexão sobre quem é este Homem, capaz de tantos feitos impossíveis aos homens comuns... O texto abaixo procura identificar, a partir de uma busca nos Evangelhos, quais são esses milagres, e apresenta-os por meio de uma breve descrição. Desta vez, em relação ao Evangelho de S. Lucas. Algum comentário comparativo entre os Evangelhos é feito.


6. JESUS CURA A SOGRA DE PEDRO:  Jesus saiu da sinagoga e foi para a casa de Simão. A Sogra de Simão estava com febre alta, e pediram a Jesus em favor dela. Inclinando-se para ela, Jesus ameaçou a febre, e esta deixou a mulher. Então, no mesmo instante, ela se levantou e começou a servi-los (Lc 4, 38-39). – Este milagre é relatado no Evangelho de Mateus (8, 14-15) e também no de Marcos (1, 29-31). A diferença aqui, em relação aos demais, é que Jesus “ameaça” a febre, e ela se vai. Nos outros, Jesus toca a mão da sogra de Pedro (ou Simão) ou a segura pela mão. Em comum: a febre desaparece instantaneamente e a senhora se levanta e começa a servi-los. Sabe-se que uma dona de casa não se deixa abater por uma febre qualquer. Se ela estava com febre “alta” e deitada, é porque a situação era grave. Um toque na mão dela e Jesus a cura totalmente!

7. JESUS CURA MUITOS DOENTES: Ao pôr do sol, todos os que tinham doentes atingidos por diversos males, os levavam a Jesus. Jesus colocava as mãos em cada um deles e os curava. De muitas pessoas também saíam demônios, gritando: “Tu és o Filho de Deus”. Jesus os ameaçava e não os deixava falar, porque os demônios sabiam que ele era o Messias (Lc 4, 40-41). – Em Marcos (Mc 1, 32-34; 3, 9-12) e em Mateus (8,16; 14,14) episódios semelhantes foram relatados. O fato comum é que eram muitos doentes e, também, possessos do demônio, e todos eram curados e os demônios expulsos. Dos Evangelhos fica a impressão de que Jesus curava multidões, e no meio dessas, muitos demônios eram expulsos! Quem, senão o verdadeiro Deus Filho – a quem os demônios reconheciam e gritavam o Nome – para fazer tais curas?

8. A PESCA MILAGROSA: Certo dia, Jesus estava na margem do lago de Genesaré. [...] Quando acabou de falar, disse a Simão: “Avance para águas mais profundas e lancem as redes para a pesca.”. Simão respondeu: “Mestre, tentamos a noite inteira e não pescamos nada. Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes.”. Assim fizeram e apanharam tamanha quantidade de peixes que as redes se arrebentavam. [...] Ao ver isso, Simão Pedro atirou-se aos pés de Jesus dizendo: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou um pecador!” (Lc 5, 1.4-6.8).  – Este episódio é narrado apenas por Lucas. Sabe-se que o apóstolo Lucas, que foi discípulo, amigo e companheiro de Paulo, era médico e, portanto, uma pessoa muito dada aos estudos. Tudo indica que ele tenha pesquisado e entrevistado muitas pessoas e, inclusive, Maria, a Mãe de Jesus. Esse milagre nos mostra, mais uma vez, que Jesus quando intervém para realizar algo portentoso, o faz sem economias: “... as redes se arrebentavam.”. A reação de Pedro mostra a mentalidade dos judeus diante de Deus: os pecadores que somos devemos nos afastar de Deus, que é três vezes Santo. É mais um testemunho da crença de Pedro de que estava diante de um Homem-Deus!

9. JESUS CURA UM HOMEM COM LEPRA: Aconteceu que Jesus estava numa cidade, e havia aí um homem leproso. Vendo Jesus, caiu a seus pés e pediu: “Senhor, se quiseres, tens o poder de me purificar.”. Jesus estendeu a mão, tocou nele, e disse: “Eu quero, fique purificado.”. No mesmo instante a lepra o deixou. Jesus ordenou que não dissesse nada a ninguém (Lc 5, 12-14a). – Episódio semelhante ao que narram Mateus (8,2-3a) e, também, Marcos (1, 40-42). Este milagre mostra, mais uma vez, que Jesus não tem medo de tocar no doente com hanseníase (como hoje se refere à lepra), como tinham todos as pessoas daquela época. Toca-o e o cura instantaneamente! E cura completa, como costumam ser todas as intervenções de Jesus: ele restaura completamente a pessoa doente e não pelas metades. Que nós tenhamos esta fé do doente que pediu a Jesus: “Se quiseres, tu tens o poder de me curar”. E Jesus, sem sombra de dúvidas tem o poder. E quem duvida que Ele queira nos curar, proteger, amar e nos dar a vida plena?


(CONTINUA EM UM PRÓXIMO BLOGUE)

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Uilso Aragono (Abril de 2020)

sexta-feira, 27 de março de 2020

OS MILAGRES DE JESUS NO EVANGELHO DE LUCAS – PARTE I


Os milagres de Jesus, descritos nos quatro Evangelhos, são obras maravilhosas e, verdadeiramente, arrebatadoras! São capazes de nos encantar a todos e de provocar uma profunda reflexão sobre quem é este Homem, capaz de tantos feitos impossíveis aos homens comuns... O texto abaixo procura identificar, a partir de uma busca nos Evangelhos, quais são esses milagres, e apresenta-os por meio de uma breve descrição. Desta vez, em relação ao Evangelho de S. Lucas. Algum comentário comparativo entre os Evangelhos é feito.



1. O ESPÍRITO SANTO DESCE SOBRE JESUS: Todo o povo foi batizado. Jesus, depois de batizado estava rezando. Então o céu se abriu, e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como pomba. E do céu veio uma voz: “Tu és o meu Filho amado! Em ti encontro o meu agrado.” (Lc 3, 21-22). – A diferença deste episódio em relação aos evangelhos de Mateus e Marcos (com o de Lucas, eles são chamados evangelhos sinóticos = semelhantes), é que Jesus estava rezando... No mais, é igual a descrição. Interessante perceber que é bom que os relatos não sejam, exatamente, iguais. Até porque, se o fossem, eles se reduziriam a um único Evangelho, e teríamos, então, apenas dois relatos sobre a Vida de Jesus. As pequenas, e às vezes grandes, diferenças entre os relatos dos evangelhos sinóticos nos evidencia o respeito que Deus manifesta em relação à humanidade do autor sagrado. Porque ele não escreve como quem ouve um ditado. Mas escreve como qualquer pessoa faria, com base no conhecimento já adquirido pela tradição oral, e com base em informações disponíveis em escritos (fragmentados?) que já existiam. A diferença, então, deve estar mais associada à memória da tradição oral, que acabou mesclada com informações escritas, comuns aos três autores dos evangelhos sinóticos.

2. JESUS É TENTADO NO DESERTO: Repleto do Espírito Santo, Jesus voltou do rio Jordão e era conduzido pelo Espírito através do deserto. Aí ele foi tentado pelo diabo durante quarenta dias. Não comeu nada nesses dias e, depois, sentiu fome. Então o diabo disse a Jesus: “Se tu és o Filho de Deus, manda que essa pedra se torne pão”. Jesus respondeu: “A Escritura diz: ‘Não só de pão vive o homem’.” (Lc 4, 1-4). – Outras duas tentações são descritas: a relativa à riqueza e a relativa ao poder (político e religioso). Mais uma vez, notam-se as diferenças entre os três relatos sinóticos. Aqui (Lucas), “Jesus foi tentado pelo diabo durante quarenta dias”! Em Mateus, Jesus “jejua” por quarenta dias e quarenta noites, e o tentador é um diabo de nome Satanás. E em Marcos, é Satanás quem tenta Jesus durante quarenta dias. E Jesus vivia entre os animais selvagens e os anjos o serviam. Estes anjos, em Mateus, só aparecem depois das tentações. Essas diferenças servem para manifestar a verdade da mensagem evangélica, com as variações dos detalhes, mas, na essência, uma única mensagem: Jesus afastou-se no deserto, deve ter jejuado bastante e foi tentado pelos maus espíritos. E com a fé firme em Deus, rejeita todas as tentações. Que imitemos nosso Senhor na firmeza da fé!

3. JESUS LÊ AS ESCRITURAS SOBRE O MESSIAS: Jesus foi à cidade de Nazaré, onde se havia criado. (...) Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus encontrou a passagem onde está escrito: “O Espirito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos, e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor”. (...) Então Jesus começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu essa passagem da Escritura que vocês acabam de ouvir.” (Lc 4, 16a.17-19.21). – Não deixa de ser um milagre o fato de que Jesus recebe o livro de Isaías (na verdade, um rolo de pergaminho) das mãos de um ajudante do Templo. Ele apenas busca a passagem (como a encontrou?) e a lê. E essa passagem fala, justamente, da manifestação do Messias, do Ungido do Senhor. O texto lido fala também das obras que já estavam sendo realizadas por Jesus: curas e libertações espirituais. Mas os seus não o receberam e até o rejeitaram...

4.  JESUS LIVRA-SE DO PRECIPÍCIO: Quando ouviram essas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. Levantaram-se e expulsaram Jesus da cidade. E o levaram até o alto do monte, sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício. Mas Jesus, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho (Lc 428-30). – Esta passagem mostra como Jesus, sendo verdadeiro homem, era, igualmente, verdadeiro Deus! Pois estando para ser empurrado precipício abaixo por uma multidão enfurecida, em dado momento, ele simplesmente como que hipnotiza a turba e passa pelo meio dela, deixando todos para trás e seguindo seu caminho. Quem conseguiria fazer isto? Não há quem!... Mas Jesus é o Filho do Homem, é o Filho de Deus! E o mundo espiritual é mais forte do que o mundo material! Observe-se que, na passagem paralela do evangelho de Marcos, só se fala na rejeição dos seus concidadãos. A referência ao precipício é omitida.

5. A CURA DE UM ENDEMONIADO: Na sinagoga havia um homem possuído pelo espírito de um demônio mau, que gritou em alta voz: “O que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus!”. Jesus o ameaçou dizendo: “Cale-se, e sai dele!”. Então o demônio jogou o homem no chão, saiu dele, e não lhe fez mal nenhum (Lc 4, 33-35). – Este episódio também está registrado no evangelho de Marcos (1, 23-27), não, porém, no de Mateus. E são, essencialmente idênticos. É um milagre de libertação da possessão demoníaca. E neste caso, como o próprio endemoniado diz, eles são muitos: “O que queres de nós, Jesus de Nazaré?”. E Jesus, com uma simples palavra de poder, os manda sair. E, imediatamente, o homem é libertado das garras demoníacas. Ainda hoje há casos de possessão, de influência demoníaca, de vexação (violência física sobre uma pessoa), etc. Exorcistas ainda são bem-vindos ao mundo cristão!

(CONTINUA NO PRÓXIMO BLOGUE)

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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

OS MILAGRES DE JESUS NO EVANGELHO DE MARCOS – PARTE VI


Os milagres de Jesus, descritos nos quatro Evangelhos, são obras maravilhosas e, verdadeiramente, arrebatadoras! São capazes de nos encantar a todos e de provocar uma profunda reflexão sobre quem é este Homem, capaz de tantos feitos impossíveis aos homens comuns... O texto abaixo procura identificar, a partir de uma busca nos Evangelhos, quais são esses milagres, e apresenta-os por meio de uma breve descrição. Desta vez, em relação ao Evangelho de S. Marcos. Algum comentário comparativo entre os Evangelhos é feito.

27. JESUS PREVÊ O ENCONTRO DO JUMENTINHO: Então Jesus enviou dois discípulos, dizendo: “Vão até o povoado que está na frente de vocês e logo que vocês entrarem aí, vão encontrar amarrado um jumentinho que nunca foi montado; desamarrem o animal  e tragam aqui.” (...) Então eles foram e encontraram um jumentinho amarrado, do lado de fora, na rua, junto de uma porta, e o desamarraram. Algumas pessoas que aí estavam disseram: “O que vocês estão fazendo, desamarrando o jumentinho?”. Os discípulos responderam como Jesus havia dito, e então permitiram que fizessem isso (Mc 11, 1c-2.4-6). –  Este episódio não chega a ser um milagre de caráter sobrenatural, mas não deixa de ser um milagre, só que de caráter preternatural, isto é: algum ser humano, em certas condições, pode fazê-lo. Mas não deixa de ser mais uma prova de que Jesus seja verdadeiramente homem e Deus! Com toda a facilidade e naturalidade Ele afirma algo sobre o futuro próximo, que ocorre exatamente como predito! Isto nos mostra, também, que confiantes em Deus, e por meio da oração, podemos acreditar que muitas coisas haverão de acontecer de tal ou qual maneira, especialmente se for para o bem das pessoas envolvidas.

28. A FIGUEIRA ESTÉRIL: No dia seguinte, quando voltavam de Betânia, Jesus sentiu fome. Viu de longe uma figueira coberta de folhas e foi até lá ver se encontrava algum fruto. Quando chegou perto, encontrou somente folhas, pois não era tempo de figos. Então Jesus disse à figueira: “Que ninguém mais coma de seus figos”. E os discípulos escutaram o que ele disse.  (...) Na manhã seguinte, Jesus e os discípulos, passando, viram a figueira que tinha secado até a raiz. Pedro lembrou-se e disse a Jesus: “Olha, Mestre: a figueira que amaldiçoastes secou”. Jesus disse para eles: “Tenham fé em Deus. Eu garanto a vocês: se alguém disser a esta montanha: ‘Levante-se e jogue-se no mar, e não duvidar no seu coração, mas acreditar que isso vai acontecer, assim acontecerá’” (Mc 11, 12-14.20-23). – Neste episódio, tudo indica que Jesus tenha desejado criar as condições para o ensino sobre a fé. Ao amaldiçoar a figueira que tinha folhas, mas não frutos (uma alusão à sociedade da época, tão cheia de aparente esplendor, mas sem os frutos da solidariedade?), ela acaba por, de fato, secar “até a raiz”, como é encontrada na manhã seguinte. E Jesus lhes ensina: “Tenham fé em Deus”. A fé, então, confiança sem qualquer dúvida, mas baseada – como diz mais à frente – na prática do perdão.

29. JESUS PREVÊ O ENCONTRO DO CENÁCULO: No primeiro dia dos Ázimos, quando matavam os cordeiros para a Páscoa, os discípulos perguntaram a Jesus: “Onde queres que vamos preparar para que comas a Páscoa?”. Jesus mandou então dois de seus discípulos, dizendo: “Vão à cidade. Um homem carregando um jarro de água virá ao encontro de vocês. Sigam-no e digam ao dono da casa onde ele entrar: ‘O Mestre manda dizer: Onde é a sala em que eu e os meus discípulos vamos comer a Páscoa?’. Então ele mostrará para vocês, no andar de cima, uma sala grande, arrumada com almofadas. Preparem aí tudo para nós.”. Os discípulos saíram e foram à cidade. Encontraram tudo como Jesus havia dito. E prepararam a Páscoa (Mc 14, 12-16). – Este texto narra algo parecido com o que aconteceu no item 27, acima: Jesus prevê o encontro do jumentinho. É também um milagre preternatural: uma pessoa bem dotada mentalmente, poderia prever esse futuro próximo – é o que se denomina, hoje, na área da Parapsicologia, um evento de precognição. Mas, como aquele, este episódio mostra, mais uma vez, a natureza humano-divina perfeita de Nosso Senhor. Ele tão bem lê os acontecimentos futuros, quando lê os corações humanos! Que aprendamos a pedir ao Senhor que seja nossa luz na caminhada desta vida!

30. A CORTINA DO SANTUÁRIO SE RASGA: Alguém, correndo, encheu de vinagre uma esponja, colocou-a na ponta de uma vara e deu para Jesus beber, dizendo: “Deixem, vamos ver se Elias vem tirá-lo da cruz!”. Então Jesus lançou um forte grito e expirou. Nesse momento a cortina do santuário se rasgou de alto a baixo, em duas partes. O oficial do exército, que estava bem na frente da cruz, viu como Jesus havia expirado e disse: “De fato, esse homem era mesmo Filho de Deus!” (Mc 15, 36-39). – A cortina do Santuário ficava dentro do grandioso Templo de Salomão e isolava o local chamado Santo do Santos, onde somente entrava um sacerdote escolhido, por vez. Essa cortina ou véu tinha a função de separar o lugar sagrado, em que o Senhor Deus se manifesta para receber as oferendas sacrificais, do mundo exterior. O significado de sua ruptura, no momento exato em que Jesus dá seu último suspiro, pode ser o de que, com a morte redentora de Cristo, do Messias Salvador, tudo o que separava o homem de Deus – o pecado! – agora estava superado! Deus não é mais aquele Deus vingativo e distante da mentalidade judaica, mas torna-se um Deus-Pai, amoroso e cheio de misericórdia! Nada mais nos separa de Deus! Jesus é a nova ponte que nos liga ao Pai!

31. JESUS APARECE RESSUSCITADO: Depois de ressuscitar na madrugada do primeiro dia após o sábado, Jesus apareceu primeiro a Maria Madalena, da qual havia expulsado sete demônios. Ela foi anunciar isso aos seguidores de Jesus, que estavam de luto e chorando. Quando ouviram que ele estava vivo e fora visto por ela, não quiseram acreditar. Em seguida, Jesus apareceu a dois deles, com outra aparência, enquanto estavam a caminho do campo. Eles também voltaram e anunciaram isso aos outros, que não acreditaram nem mesmo nesses. Por fim, Jesus apareceu aos onze discípulos enquanto estavam comendo. Jesus os repreendeu por causa da falta de fé e pela dureza de coração, poque não tinham acreditado naqueles que o tinham visto ressuscitado (Mc 16, 9-14). – Neste episódio da ressurreição de Jesus, o que fica marcante é a descrença dos discípulos, que são repreendidos severamente pelo Senhor, quando resolve lhes aparecer face a face. Impressiona-nos a repreensão de Jesus aos discípulos: Ele dá muito valor à crença baseada em um coração puro, como o de uma criança. Não é à toa que Jesus nos disse: “Quem não tiver um coração como o dessas crianças, não entrará no Reino de Deus!”.

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Uilso Aragono (Fev. 2020)

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

OS MILAGRES DE JESUS NO EVANGELHO DE MARCOS – PARTE V


Os milagres de Jesus, descritos nos quatro Evangelhos, são obras maravilhosas e, verdadeiramente, arrebatadoras! São capazes de nos encantar a todos e de provocar uma profunda reflexão sobre quem é este Homem, capaz de tantos feitos impossíveis aos homens comuns... O texto abaixo procura identificar, a partir de uma busca nos Evangelhos, quais são esses milagres, e apresenta-os por meio de uma breve descrição. Desta vez, em relação ao Evangelho de S. Marcos. Algum comentário comparativo entre os Evangelhos é feito.

21. JESUS CURA UM SURDO-MUDO: Jesus saiu de novo da região de Tiro, passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia, atravessando a região da Decápole. Levaram então a Jesus um homem surdo e que falava com dificuldade, e pediram que Jesus pusesse a mão sobre ele. Jesus se afastou com o homem para longe da multidão; em seguida, pôs os dedos no ouvido do homem, cuspiu e com a sua saliva tocou a língua dele. Depois, olhou para o céu, suspirou e disse: “Efatá”, que quer dizer: “Abra-se!”. Imediatamente os ouvidos do homem se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade. Jesus recomendou que não contassem nada a ninguém (Mc 7, 31-36a). – Neste milagre de Jesus, não lhe pediram a cura do doente, mas que “pusesse a mão sobre ele”. Daqui vemos não só o poder de curar os doentes que Senhor quis demonstrar, mas que este poder estava associado a impor as mãos sobre alguém. Tão associado que os discípulos lhe pediram – depois de terem visto, certamente muitas vezes, o Senhor colocar as mãos e curar – que “pusesse a mão sobre ele”, isto é, que o curasse. Portanto: o impor as mãos de Jesus é igual a curar alguém, na experiência dos discípulos contemporâneos do Senhor.  Mas com o tempo, passou a ser, também, para além de uma expressão de bênção, expressão de cura entre todos os discípulos de Jesus, por meio da Fé.

22. SEGUNDA MULTIPLICAÇÃO DE PÃES E PEIXES: Naqueles dias, havia de novo uma grande multidão e não tinham o que comer. (...) Jesus mandou que a multidão se sentasse no chão. Depois, pegou os sete pães, agradeceu, partiu-os e ia dando aos discípulos, para que os distribuíssem. Tinham também alguns peixinhos. Depois de pronunciar a bênção sobre eles, mandou que os distribuíssem também. Comeram e ficaram satisfeitos, e recolheram sete cestos dos pedaços que sobraram. Eram mais ou menos quatro mil. E Jesus os despediu (Mc 8, 1. 6-9). – Este segundo episódio do milagre da multiplicação dos alimentos – muito semelhante à primeira multiplicação (vide número 17, no Blogue de Dez/19) – indica que, possivelmente, várias vezes tenha ocorrido essa situação de carência de alimentos no meio da multidão de pessoas que acompanham o Senhor. Naquele tempo, não havia a abundância de mercearias, supermercados, padarias e lanchonetes, como temos hoje. E as multidões reuniam-se em lugares afastados e silenciosos, para que pudessem ouvir bem o Enviado do Senhor. E tendo abençoado os alimentos, Jesus os distribuía aos discípulos, e estes às pessoas esfomeadas. E todos ficavam satisfeitos. Ainda hoje, Jesus quer nos alimentar por meio de seu próprio corpo e de seu sangue, como ocorre na Eucaristia (Missa ou Celebração Eucarística). Nesta, o sacerdote cristão oferece a Deus a renovação do sacrifício redentor de Cristo, e os pães (partículas de pão ázimo ou hóstias) são transformados em Seu Corpo e Seu Sangue, para nossa alimentação corporal e espiritual, e para que nos tornemos, cada um de nós, comungantes, um outro Cristo para o irmão.

23. JESUS CURA UM CEGO: Chegaram a Betsaida. Algumas pessoas levaram um cego e pediram que Jesus tocasse nele. Jesus pegou o cego pela mão levou-o para fora do povoado, cuspiu nos olhos dele, pôs as mãos sobre ele e perguntou: “Você está vendo alguma coisa?”. O homem levantou os olhos e disse: “Estou vendo homens; parecem arvores que andam.”. Então Jesus pôs de novo as mãos sobre os olhos dele, e ele enxergou claramente. Ficou curado e enxergava todas as coisas com nitidez, mesmo de longe. Jesus mandou o homem ir para casa, dizendo: “Não entre no povoado.” (Mc 8, 22-26). – Uma pergunta surge, naturalmente: por que Jesus não curou o cego imediatamente, mas em dois tempos? Talvez possamos entender desse episódio que Jesus, como um novo Moisés, que bateu nas pedras três vezes para que a água jorrasse para o povo, no deserto, quis identificar-se com ele e com todos os seus futuros discípulos, que, ao pedirem uma cura a Deus, viessem a ter a humildade de pedir repetidamente, com fé e insistência, até que a cura viesse a acontecer. Ou talvez possamos entender, simplesmente, que Jesus tem misericórdia e paciência até com a natureza morta (nosso corpo) que pode insistir em permanecer em seu estado doentio...

24. A TRANSFIGURAÇÃO DE JESUS: Sei dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e seu irmão João, e os levou sozinhos a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E se transfigurou diante deles. Suas roupas ficaram brilhantes e tão brancas como nenhuma lavadeira no mundo as poderia alvejar. Apareceram-lhe Elias e Moisés, que conversavam com Jesus.  Então Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: “Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias.”. Pedro não sabia o que dizer, pois eles estavam com muito medo. Então desceu uma nuvem e os cobriu com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz: “Este é o meu Filho amado. Escutem o que ele diz!”. E, de repente, eles olharam em volta e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus com eles (Mc 9, 2-8). – Este episódio é poderoso para nos ensinar que Jesus é, verdadeiramente, nosso Deus e Senhor. Pois sua transfiguração – rosto e roupas brilhantes, como Moisés no deserto, depois de ter visto Deus – mostra-nos a verdadeira natureza de Jesus, o Filho de Deus encarnado! Ele, sendo um homem-Deus, deveria aparecer aos demais homens como um homem diferente: com um rosto brilhante, luminoso, totalmente diferente dos demais... pois Ele é Deus com o Pai e o Espírito Santo! Mas Jesus não queria que sua natureza divina fosse revelada claramente, por isso, com humildade, abrindo mão de sua natureza divina – como nos ensina São Paulo – oculta-se diante dos homens. Mas, neste episódio, revela-se aos seus discípulos preferidos como Ele verdadeiramente é. E lhes dá um presente de Fé.

25. A CURA DE UM MENINO ENDEMONIADO: Alguém da multidão respondeu: “Mestre, eu trouxe a ti meu filho que tem um espírito mudo. Cada vez que o espírito o ataca, joga-o no chão e ele começa e espumar, range os dentes e fica completamente rijo. (...) E levaram o menino. Quando o espírito viu Jesus, sacudiu violentamente o menino, que caiu no chão e começou a rolar e a espumar pela boca. Jesus perguntou ao pai: “Desde quando ele está assim?”. O pai respondeu: “Desde criança. E muitas vezes já o jogou no fogo e na água para matá-lo. Se podes fazer alguma coisa, tem piedade de nós e ajuda-nos”. Jesus disse: “Se podes!... Tudo é possível para quem tem fé”. O pai do menino gritou: “Eu tenho fé, mas ajuda a minha falta de fé”. Jesus viu que a multidão corria para junto dele. Então ordenou ao espírito mau: “Espírito mudo e surdo, eu lhe ordeno que saia do menino e nunca mais entre nele”. O espírito sacudiu o menino com violência, deu um grito e saiu. O menino ficou como morto e por isso todos diziam: “Ele morreu!”. Mas Jesus pegou a mão do menino, levantou-o e o menino ficou de pé (Mc 9, 17-18a. 20-27). – Este episódio nos ensina, pelo menos, duas coisas muito importantes: a necessidade da fé em Deus e a realidade dos anjos decaídos ou demônios. Sobre a fé, todos nós aprendamos a repetir com o pai do menino: Eu creio, Senhor; mas aumenta a minha fé! Sobre os demônios, ser angélico espiritual que rejeitou a Deus e tem inveja dos homens, são uma realidade, são uma verdade, que eles mesmos gostariam de ver rejeitada pelos homens. E muitos não creem na existência do diabo, de satanás. Mas se não fosse verdade, como é que se pode aceitar que Jesus, a Verdade – como Ele mesmo se proclama: “Sou o Caminho, a Verdade e a Vida” – tenha falado com o espírito mau e ordenado a ele que saísse do menino? Se os demônios não existissem, Jesus teria corrigido essa suposta falsa interpretação ou superstição e ensinado às pessoas a considerarem tais problemas simples doenças. E teria curado a surdez e o mutismo do menino impondo-lhe as mãos, como fez inúmeras outras vezes.

26. A CURA DO CEGO DE JERICÓ: Jesus saiu de Jericó, junto com seus discípulos e uma grande multidão. Na beira do caminho havia um cego que se chamava Bartimeu, o filho de Timeu; estava sentado, pedindo esmolas. Quando ouviu dizer que era Jesus Nazareno que estava passando, o cego começou a gritar: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!”. Muitos o repreenderam e mandaram que ficasse quieto. Mas ele gritava mais ainda: “Filho de Davi, tem piedade de mim!”. Então Jesus parou e disse: “Chamem o cego!”. Eles chamaram o cego e disseram: “Coragem, levante-se, porque Jesus está chamando você”. O cego largou o manto, deu um pulo e foi até Jesus. Então Jesus lhe perguntou: “O que você quer que eu faça por você?”. O cego respondeu: “Mestre, eu quero ver de novo”. Jesus disse: “Pode ir, a sua fé curou você”. No mesmo instante o cego começou a ver de novo e seguia Jesus pelo caminho (Mc 10, 46-52). – Assim como no episódio dos dois cegos de Jericó, relatado por Mateus (20, 29-34), aqui Jesus cura a cegueira, mas de somente um cego, e identificado como Bartimeu, o filho de Timeu. Mas em ambos os episódios evangélicos, os cegos são curados imediatamente: num caso Jesus toca os olhos, no outro, o cego Bartimeu é curado pela simples ordem de Jesus: pode ir, a sua fé o curou. Interessante notar que os evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) coincidem essencialmente, mas não nos detalhes dos relatos. E isto é muito bom! Porque se coincidissem em tudo, seriam apenas cópias uns dos outros, e seriam reduzidos a um único relato evangélico. Mas, ao contrário, os detalhes revelam maneiras ligeiramente diferentes de se contar os fatos verdadeiros, mas contados por pessoas que, embora inspiradas por Deus, mantêm a sua individualidade, a sua humanidade e, por isso, revelam detalhes um pouco diferentes uns dos outros, de acordo com a tradição oral e, talvez, escrita, que lhes chegava aos ouvidos. Daí a riqueza de relatos evangélicos que muito nos ensinam.

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Uilso Aragono. (Janeiro de 2020)

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terça-feira, 31 de dezembro de 2019

OS MILAGRES DE JESUS NO EVANGELHO DE MARCOS – PARTE IV


Os milagres de Jesus, descritos nos quatro Evangelhos, são obras maravilhosas e, verdadeiramente, arrebatadoras! São capazes de nos encantar a todos e de provocar uma profunda reflexão sobre quem é este Homem, capaz de tantos feitos impossíveis aos homens comuns... O texto abaixo procura identificar, a partir de uma busca nos Evangelhos, quais são esses milagres, e apresenta-os por meio de uma breve descrição. Desta vez, em relação ao Evangelho de S. Marcos. Algum comentário comparativo entre os Evangelhos é feito.


16. JESUS CURA ATRAVÉS DE SEUS DISCÍPULOS: Então os discípulos partiram e pregaram para que as pessoas se convertessem. Expulsavam muitos demônios e curavam muitos doentes, ungindo-os com óleo (Mc 6, 12.13). – Jesus deu aos seus discípulos o poder de curar os doentes e expulsar os demônios. E isto, de fato, aconteceu! Que poder é este que uma pessoa (Jesus) pode passar para outras pessoas? Se isto é verdade – e nós acreditamos que sim! – também nós temos, em menor escala, a capacidade de passar para nossos irmãos, amigos e parentes algumas virtudes poderosas: o amor, a amizade, o consolo, o perdão, a alegria, etc. E veja-se, ainda, a importância de um sacramental: a unção com óleo! Unidos à fé e à oração, milagres podem ser feitos pela unção com óleo bento...

17. JESUS MULTIPLICA OS PÃES E OS PEIXES: Quando saiu da barca, Jesus viu uma grande multidão e teve compaixão, porque eles estavam como ovelhas sem pastor. (...) Então Jesus mandou que todos se sentassem na grama verde, formando grupos. (...) Depois, Jesus pegou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu, pronunciou a bênção, partiu os pães e ia dando aos discípulos, para que os distribuíssem. Dividiu entre todos também os dois peixes. Todos comeram, ficaram satisfeitos, e recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e também dos peixes (Mc 6, 34.39.41-43). – Como no Evangelho de Mateus (14, 17-20a), aqui, também, o Senhor multiplica pães e peixes. É um verdadeiro milagre! Não há como se interpretar que tenha sido apenas o efeito de uma partilha: os discípulos perceberam que não havia o que comer no meio da multidão. Tanto é que só encontraram cinco pães e dois peixes. Certamente buscaram entre as pessoas o que havia de disponível. Jesus, então, toma os alimentos, abençoa-os e os vai entregando aos discípulos, que os repassam aos grupos formados. E realiza-se o que o próprio Jesus dissera um pouco antes: “Vocês é que têm de lhes dar de comer” (Mc 6,37b).

18. JESUS ANDA SOBRE AS ÁGUAS: Ao anoitecer, a barca estava no meio do mar, e Jesus sozinho em terra. (...) Então, entre as três e as seis horas da madrugada, Jesus foi até os discípulos andando sobre o mar, e queria passar na frente deles. (...) pensaram que fosse um fantasma. (...) Mas Jesus logo falou: “Coragem! Sou eu, não tenham medo!”. Então subiu com eles na barca. E o vento parou (Mc 6, 47.48b.49b.50b-51a). – Como em Mateus (14,25-27), aqui, igualmente, Jesus demonstra seu poder divino, andando sobre o mar da Galileia. E não há como negar que tenha sido um milagre! Jesus, diante de seus discípulos mais chegados (seus apóstolos) não se recusava a demonstrar-lhes sua divindade... pelos menos em seus atos. Na transfiguração, vai além: demonstra aos três discípulos, que tem, também, uma verdadeira aparência divina, luminosa, que, normalmente, mantinha escondida aos homens...

19. JESUS CURAVA A TODOS, EM GENESARÉ: Logo que desceram da barca, as pessoas imediatamente reconheceram Jesus. (...) E aonde ele chegava, tanto nos povoados como nas cidades ou nos campos, colocavam os doentes nas praças e pediam que pudessem ao menos tocar a barra da roupa de Jesus. E todos os que tocavam, ficavam curados (Mc 6, 54.56). – Como na passagem paralela de Mateus (14, 35b-36), Jesus se deixa tocar, enquanto os doentes passam diante dele, desejos de serem curados. Certamente, Jesus estava orando e intercedendo ao Pai por cada um desses doentes. É interessante notar que Jesus “curava a todos”, não exigindo, aqui, que manifestassem mais fé do que aquela revelada pelo simples buscar e tocar a barra da roupa do Senhor! Que também nós, aprendamos a buscar Jesus, com fé, para, ao menos, tocar em sua roupa. Hoje, podemos tocar na barra da roupa de Jesus ao tocarmos na Eucaristia! Quantos milagres de curas o Senhor não deseja fazer ainda hoje, por nós?

20. JESUS CURA UMA MULHER PAGÃ: Então Jesus saiu daí e foi para a região de Tiro e Sidônia. Uma mulher que tinha uma filha com um espírito mau, ouviu fala de Jesus. A mulher era pagã, nascida na Fenícia da Síria. Ela suplicou a Jesus que expulsasse de sua filha o demônio. Jesus disse: “Deixe que primeiro os filhos fiquem saciados, porque não está certo tirar o pão dos filhos e jogá-los aos cachorrinhos.”. A mulher respondeu: “É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos ficam debaixo da mesa e comem as migalhas que as crianças deixam cair”. Então Jesus disse: “Por causa disso que você acaba de dizer, pode voltar para casa; o demônio já saiu da sua filha.”. Ela voltou para casa e encontrou sua filha deitada na cama, pois o demônio já tinha saído dela (Mc 7, 24a.25a.26-30). – É um episódio semelhante ao do Evangelho de Mateus (15,21-28), em que uma criança – filha de uma mulher pagã (ou cananeia) – é beneficiada pela fé de sua mãe e tem o demônio expulso a distância por Jesus. Jesus atribui à fé da mãe, que se reconhece uma pessoa indigna (um “cachorrinho”), mas confia na misericórdia do Senhor, a cura de libertação realizada. Libertação, nos Evangelhos, tem, normalmente o significado de: libertação dos pecados ou da ação dos demônios.

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Uilso Aragono. (Dezembro, 2019)

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Sou formado em Engenharia Elétrica, com mestrado e doutorado na Univ. Federal de Santa Catarina e Prof. Titular, aposentado, na Univ. Fed. do Espírito Santo (UFES). Tenho formação, também, em Filosofia, Teologia, Educação, Língua Internacional (Esperanto), Oratória e comunicação. Meu currículo Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4787185A8

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