terça-feira, 30 de junho de 2015

AJUSTE FISCAL E SACRIFÍCIOS SÓ DO POVO

O ajuste fiscal proposto e buscado pelo Governo Federal do Brasil visa a equilibrar o desequilíbrio que ele próprio provocou no balanço Receita versus Despesa. Tendo gasto demais no ano de 2014 e gerenciado uma economia praticamente em recessão, atingiu um resultado primário negativo (déficit primário) de - 0,53% do PIB. Agora, como se diz, no popular, “quem paga o pato” é o povo...

Não há dúvidas de que tendo chegado o País a uma situação como esta, de desequilibro entre o que o Governo arrecada e os seus gastos, há que se fazer alguma coisa. O caminho é o que se aceita denominar “ajuste fiscal”, entendendo-se por este termo “fiscal” algo relativo ao Fisco (Receita Federal) e não algo relativo a “fiscalização”.

No entanto, a responsabilidade de contribuir para o alcance desse novo equilíbrio não pode estar afeta apenas ao povo, aos contribuintes do Fisco: pessoas físicas e jurídicas. O Governo também deveria dar o bom exemplo. E por que não “cortar na própria carne” como se diz? Por que não cortar os gastos com o excessivo e desnecessariamente grande número de Ministérios do Governo Federal? São trinta e nove (39) ministérios!

Se o valor da economia não for significativo, mesmo assim, valeria a pena para demonstrar ao povo a sinceridade de propósitos do Governo na busca da superação desse desajuste fiscal por que passamos. Seria fundamental para mostrar que o Presidente da República também contribui para o ajuste fiscal, cuja necessidade atual é de sua maior responsabilidade!

SOBRE A REDUÇÃO DE MINISTÉRIOS NO BRASIL

Uma reportagem lida no Site OPINIÃO E NOTÍCIA (http://opiniaoenoticia.com.br/) trata do assunto conforme se pode ler a seguir. Copio partes da reportagem abaixo por ser muito esclarecedora e por ser de uma fonte externa, mais isenta do que se possa supor se feita por um brasileiro.

Excesso de ministérios trava a economia no Brasil, diz ‘Financial Times’

Uma reportagem publicada na última quarta-feira, 07, no jornal Financial Times critica o excesso de ministérios no Brasil e aponta o pesado Estado brasileiro como umas das principais causas para a queda na produtividade e na competitividade do país.

Intitulada “O gosto por carne de porco explica a taxa de obesidade”, a reportagem diz que, às vésperas das eleições presidenciais, o inchaço do setor público brasileiro não tem conquistado a atenção que deveria.
O texto lembra que o número de ministérios no Brasil quase dobrou desde o governo Fernando Henrique, que terminou seu mandato com 26 ministros. Enquanto isso, o governo Dilma contabiliza 39 ministérios.
De acordo com a reportagem, o número de ministérios no Brasil é quase o dobro da média mundial registrada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O jornal também critica a ineficiência dos ministros e assessores, que apesar de ganharem altos salários, trabalham poucos dias na semana, na maioria das vezes somente meio expediente.
Outra crítica feita pelo jornal é o fato de o sistema político brasileiro ser baseado em coalizões e distribuição de cargos em troca de apoio político.
Gastos públicos sem retorno

Segundo o Financial Times, o governo brasileiro não sabe cortar os gastos públicos, mas sabe como aumentar os impostos cobrados do contribuinte. Em 1999, a carga tributária do país somava 31% do PIB, subindo para 34% em 2005 e 38% na última análise, feita em 2012.

De acordo com o jornal, o governo brasileiro é incapaz de dar serviços públicos equivalentes aos impostos cobrados e ficou em 124º lugar entre 148 países analisados no ranking de eficiência governamental feito em 2013 pelo Fórum Econômico Mundial.


 CONCLUSÃO

Enquanto este assunto, redução de ministérios do Governo Federal no Brasil não for tratado com a seriedade que merece, inclusive desvinculando-o da atual realidade de “disfarçada compra de votos” pela distribuição de cargos desses ministérios a membros de partidos políticos que apoiem o Governo, o Brasil estará jogando dinheiro fora, fazendo politicagem, e misturando competência técnica para cargos executivos com interesses ideológicos e políticos.


Uilso Aragono. (junho de 2015)

domingo, 31 de maio de 2015

JOVEM DEMAIS PARA SER EXTREMISTA E FANÁTICO

A atração que muitos jovens têm demonstrado pelo Exército Islâmico só mostra como tem falhado nosso sistema educacional em todo o mundo! Se tais jovens se identificam, tão cedo, com um grupo que pode, racionalmente, ser classificado como um grupo extremista e fanático é porque não foram atingidos pelas belas mensagens de uma educação pautada pela razão e pelo humanismo. 

A humanidade colhe os frutos de seu desleixo com relação à formação humanista e racional de seus jovens. Hoje, enfrentamos, como nunca, um grupo deliberadamente extremista, fanático e, por consequência, violento ao extremo. E se dizem e se acreditam religiosos, crentes em Deus e proponentes de uma sociedade melhor! ...  Quanta confusão mental! Quanta falta de boa educação! Quanta confusão entre Deus e o diabo!

RADICALISMO E FUNDAMENTALISMO
Para aprofundarmos um pouco o tema proposto, há que se esclarecer os termos acima: radicalismo (que se distingue, totalmente, de extremismo) e fundamentalismo (que se distingue de fanatismo). O radicalismo, de uma forma simples, e também, de certa forma, o fundamentalismo, são atitudes, posições de uma pessoa que, no trato com questões da vida, vão ao fundo, ao fundamento, à raiz da verdade em que acreditam, procurando ser coerentes, consistentes e radicais, com a sua crença ou seu conhecimento. São, ambas, enfim, posições humanas e racionais e, portanto, marcadas por uma boa dose de humildade e flexibilidade.
EXTREMISMO E FANATISMO
Já o extremismo e o fanatismo são atitudes que, embora, também baseadas em crenças radicais – que vão às raízes – são profundamente afetadas por um orgulho fundamental, que leva seus adeptos a impor aos outros, de forma desumana e irracional, suas crenças e sua visão de vida (cosmovisão), ou sua filosofia de vida, não dando qualquer margem para formas alternativas. A violência, portanto, é filha natural do extremismo e do fanatismo, enquanto a não violência e o pacifismo são filhas do radicalismo, do racionalismo e do humanismo (até mesmo fundamentalista).

EDUCAÇÃO DOS JOVENS

Os jovens devem ser educados, preferencialmente, como radicais ou extremistas? Como fundamentalistas ou fanáticos? Que adultos queremos que nossos jovens venham a ser? Desejamos adultos equilibrados e radicais, ou desequilibrados e fanáticos? Não há dúvidas de que esta situação de vida de um adulto seja resultado dos processos educacionais durante sua formação. E é, justamente, este processo de formação educacional, global, que necessita ser corrigido, urgentemente, para que nossos jovens aprendam a ser radicais – isto é, coerentes com o que pensam e acreditam –, sem ser extremistas; a ser fundamentalistas – no sentido de buscarem os fundamentos e não ficar somente na superfície das coisas –, mas sem serem fanáticos... Que a Educação – com E maiúsculo – seja valorizada e aperfeiçoada em nosso Brasil e no mundo, para que nossos jovens aprendam a ter paciência até atingirem a experiência da idade adulta (consideremos esta como a partir dos 35 anos) para, então, e somente então, firmarem, definitivamente, suas mais fundamentais posições de vida.

EXTREMISMO JOVEM E INSANO

Que nossos jovens não acreditem que uma atitude aprendida no alvorecer da vida possa ser a mais acertada e a mais perfeita cosmovisão de um ser humano! Que eles saibam esperar a maturidade! Que não sejam como tantos jovens que estão se alistando no Exército Islâmico e pondo toda a sua vida, e toda a sua fé, nas mãos de um líder que acredita que seja o salvador do mundo! E para segui-lo acreditam que a violência da decapitação seja o caminho para um mundo melhor! ...  Que visão mais ingênua, mais infantil! Como aceitar que seja normal que um jovem mascarado, de 26 anos, apareça em vídeos, tentando dar lições aos dirigentes do mundo por meio da decapitação ou do fuzilamento de seres humanos – como ele! Haverá futuro para esse rapaz, já identificado e já sendo caçado pelo polícia internacional? É isto que ele quer para sua família? E por que utilizar máscara, se ele acredita que esteja agindo em nome de Deus? Um pouco mais de educação verdadeira e de experiência de vida talvez fizesse a diferença para esse rapaz, e para milhares de outros que estão perdendo a vida nas guerras patrocinadas por grupos extremistas. E faria diferença para o mundo e para a humanidade, que não estaria passando pelos horrores de assassinatos frios e desumanos – filmados e divulgados na internet!

Que Deus nos ajude a superarmos toda essa violência pela Educação verdadeira de nossos jovens!

Uilso Aragono. (Maio de 2015)

quinta-feira, 30 de abril de 2015

ACIDENTE OU CRIME NA ESTRADA?

Um motorista que, dirigindo numa rodovia, desrespeite a velocidade máxima ou desrespeite a sinalização de ultrapassagem proibida e acabe causando a morte de outro motorista, ou de uma família inteira, em decorrência dessa irresponsabilidade, terá “sofrido um acidente” ou “cometido um crime”?

Nossas autoridades e nossos legisladores precisam ter em conta esta questão. Há necessidade urgente de que tal reflexão seja aprofundada sob todos os pontos de vista para que se chegue a uma resposta condizente com o razoável, com a ética e com o espírito de justiça.

No meu ponto de vista, após a reflexão que já me propus e fazer (e que já rendeu m texto neste meu blogue), não há dúvidas: a situação que abre este texto caracteriza não um simples acidente, mas um verdadeiro crime de trânsito. Ou, talvez, um “acidente criminoso”! Senão, vejamos os argumentos a seguir.

ALGUNS ARGUMENTOS

Segundo o dicionário Houaiss, a definição de acidente pode ser: 1. acontecimento casual fortuito, inesperado; ocorrência 2. qualquer acontecimento desagradável ou infeliz, que envolva dano, perda, sofrimento ou morte. Não há dúvidas de que a batida frontal de dois carros ou de um caminhão e um carro resulte em acidente, conforme essas definições. Portanto, um acidente, de fato, caracteriza o episódio acima. No entanto, a definição de número um (1) supõe “acontecimento fortuito”, o que não é o caso de um acidente fruto de imprudência e irresponsabilidade: neste caso, o motorista tinha consciência de que estivesse em alta velocidade ou ultrapassando em local impróprio e que um acidente poderia acontecer. No fundo, ele fica preocupado com a “roleta russa” que está jogando. Sabe que ao ultrapassar em local proibido – portanto, com pouca visibilidade da vinda de outro carro na direção contrária – está jogando com a sorte; está arriscando a própria vida e a de outros! Insisto: é um acidente. Mas um acidente criminoso! Porque o motorista sabia que, ao arriscar-se perigosamente, colocava em risco outros motoristas, outros cidadãos inocentes, que poderiam, caso ocorresse o acidente, morrer sem qualquer possibilidade de defesa...

Um segundo argumento baseia-se no fato de que, antes da ocorrência do “acontecimento desagradável, infeliz, com perdas, sofrimento ou morte” (acidente, sentido 2 do Houaiss), o motorista que desrespeitava a velocidade máxima, ou abusava da sorte por ultrapassagem em local perigoso e, portanto, proibido, já estava na ilegalidade; já estava cometendo um crime por desrespeito às leis de trânsito. E estas, todos sabemos, existem para garantir a segurança de todos os motoristas, de todos os condutores de veículos automotores. Crime, conforme o Houaiss é: 1. transgressão imputável da lei penal por dolo ou culpa, ação ou omissão; delito.


CONSCIENTIZAÇÃO NECESSÁRIA

Nossos legisladores, nossos juízes, nossas autoridades, precisam conscientizar-se de que o acidente fatal que tenha sido provocado por um ato anterior ilegal, já criminoso, tem de ser tratado como “acidente criminoso” (somente sentido 2, acima), e não um simples acidente. Este, somente deveria ser aceito como “acidente simples” se, de fato, estivesse associado a uma fatalidade. Explicando melhor: se o motorista estivesse dirigindo dentro das leis de trânsito e ocorresse um acidente (nos dois sentidos acima citados), mesmo com morte resultante, este acidente seria considerado acidente propriamente dito, fruto de uma fatalidade, e não um “acidente criminoso”, como deveria ser classificado o exemplo anterior.

CRIME CULPOSO OU CRIME DOLOSO

Resumindo os argumentos acima, e associando os conceitos “acidente criminoso” e “acidente simples”, ocorridos no trânsito, aos conceitos “crime culposo” e “crime doloso”, deveriam ser feitas as seguintes relações:
                Crime culposo = não se aplica a nenhum “acidente simples” de trânsito.
                Crime doloso = acidente criminoso de trânsito.

A explicação é simples. No “acidente simples” de trânsito, ocorrem os dois sentidos da definição de acidente, conforme o Houaiss: ocorre, de fato, um acontecimento inesperado. Mas não há crime! Não há desrespeito à Lei. Um exemplo simples pode ser dado. Se um motorista, na cidade, dirigindo com atenção e dentro da Lei, na velocidade máxima (40 km/hora, por exemplo),  é surpreendido por uma criança que surge correndo na rua de tal forma que, mesmo tendo freado com freio ABS, a criança seja atingida e venha a morrer, não se lhe pode imputar qualquer crime! Terá sido uma verdadeira fatalidade. E a culpa, se houve, terá sido dos responsáveis pela criança, que a teriam deixado solta na calçada, com a possibilidade de que invadisse a rua.

Já no “acidente criminoso” de trânsito, ocorre, sem sombras de dúvidas, o dolo! Conforme o Houaiss, uma definição de dolo, em termos jurídicos é: em direito penal, a deliberação de violar a lei, por ação ou omissão, com pleno conhecimento da criminalidade do que se está fazendo. O motorista que, antes de um acidente de trânsito, esteja em situação de crime, isto é, “deliberadamente violando a lei”, e venha a provocar a morte de outro cidadão, terá cometido “dolo”. Afinal, ele terá tido “pleno conhecimento da criminalidade do que estava fazendo, e, também, das possíveis – e, até, prováveis! – consequências de sua imprudência, de seu crime! Como não considerá-lo doloso? Vamos acordar, autoridades do Brasil!...

CONCLUSÃO
               
Enquanto nossas autoridades, nossos legisladores, não acordarem para a necessária distinção entre “acidente criminoso de trânsito” e “acidente simples de trânsito”, em que, o dolo esteja associado, clara e indelevelmente, ao acidente criminoso, não teremos uma solução razoável para as tristes estatísticas de acidentes fatais no trânsito, nas rodovias e nas estradas do Brasil. Os motoristas precisam receber, com clareza, a mensagem de que fatalidades no trânsito estarão associadas, tão somente, a acidentes simples. E aos acidentes criminosos o dolo estará automaticamente associado. Isto levará o motorista potencialmente imprudente e criminoso, a ter consciência de que será responsabilizado perante a lei por um crime verdadeira e claramente doloso, e não, simplesmente “culposo”, como tem sido, infelizmente, a prática de nossas autoridades, jurídicas e policiais, diante de tais acidentes criminosos!

Uilso Aragono. Abril de 2015.

terça-feira, 31 de março de 2015

USINAS HIDRELÉTRICAS EM CONSTRUÇÃO E ATRASADAS

A atual crise energética por que passa o País tem causas não somente ligadas às ditas mudanças climáticas, mas, sobretudo, à fraca capacidade de gestão de nossos governantes!
O texto abaixo, da jornalista Juliana Garçon, expõe a caótica situação brasileira, em que usinas hidrelétricas que deveriam já estar prontas, não são concluídas... Os atrasos fazem com que hoje, tenhamos menos reservatórios disponíveis para a contenção de água nos rios. Se já tivéssemos tais barragens e seus lagos, o País não teria, certamente, tanta carência de geração de energia elétrica, e não dependeria tanto da custosa e poluente geração termelétrica. É, de fato, a boa ou má gestão faz a diferença entre ou país desenvolvido e um país atrasado. Como se classifica o Brasil nesta questão?... Veja o artigo abaixo, da jornalista Juliana Garçon, e tire suas conclusões.

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Dos 28 projetos de usinas hidrelétricas em implantação acompanhados pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), 20 estão atrasados, 4 estão em dia e 4 estão adiantados.
Dentre os que registram atraso, mais do que a metade (13) nem teve as obras iniciadas ainda. E ao menos quatro deles - que, juntos, teriam capacidade para abastecer uma população de 3 milhões de habitantes - têm boas chances de nunca sair do papel. 
Os atrasos se devem principalmente a dificuldades para obter licença prévia e licenciamento ambiental, além de embargos na Justiça e mobilizações, como greve de trabalhadores ou revolta de populações nativas.
Belo Monte, no Pará, é o maior dos empreendimentos com atraso - apenas dois meses de retardo no desvio do rio, de acordo com a Aneel.
"É recuperável", diz Camilla de Andrade Gonçalvez Fernandes, assessora da superintendência de fiscalização dos serviços da Aneel. A previsão de entrega das primeiras unidades de geração é para 2015 e das últimas, para 2019.
Santo Antonio, em Rondônia, enfrentou revolta dos trabalhadores, com destruição do canteiro de obras e queima de alojamentos. Pela projeção da Aneel, as primeiras unidades serão entregues no mês que vem.
Teles Pires, na divisa do Mato Grosso com o Pará, perdeu dois meses no último marco, mas, com prazos de entrega entre outubro de 2015 e abril de 2016, não deve ter a data de conclusão comprometida, diz Camilla.
Com atraso na obtenção da licença ambiental, um embargo judicial e problemas na montagem de equipamentos, a hidrelétrica de Mauá, no Paraná, está quase pronta, mas não deve cumprir o prazo de entrega, previsto para este mês pela Aneel.
Simplício, na divisa do Rio de Janeiro com Minas Gerais, deveria concluir as unidades geradoras entre fevereiro e setembro. Porém, sem a conclusão das obras do sistema de coleta e tratamento de esgoto das cidades ribeirinhas, não pode encher o reservatório.
Foi a única a ser multada por atraso em 2012. Furnas, dona da usina, ficou com uma conta de R$ 1,55 milhão.
Outros projetos têm situação mais crítica. Santa Isabel, projeto que reuniu a Vale, a Camargo Correa, a Alcoa, a Votorantim Cimentos e a Billiton, não obteve licenciamento.
"E, pelo que se sabe no mercado, não conseguirá nunca", aposta Erik Eduardo Rego, diretor da consultoria Excelência Energética.
O mesmo obstáculo - dificuldades para obter licença ambiental - é enfrentado por projetos de menor capacidade, como Itumirim, em Goiás, e Cubatão, em Santa Catarina. Elas deveriam ter capacidade para 50 MW e 45 MW, respectivamente.
A situação é ainda mais crítica em Couto Magalhães: a Aneel pediu a extinção da concessão.
Monitoramento
A fiscalização pela Aneel começa logo que a usina é outorgada. Na ocasião, os prazos máximos para entrega das unidades já são estipulados.
E, logo após obter a concessão, a empresa começa a informar mensalmente a agência acerca de seu cronograma, apontando marcos (etapas) e informações de licenciamento, situação fundiária, contratação de serviços e acesso a conexão (linhas de transmissão ou subestações).
As empresas precisam de licença de instalação para iniciar as obras, quando começam a receber visitas de funcionários da Aneel ou de agências estaduais conveniadas. Se há discrepância em relação aos planos, a usina é notificada, mas pode recorrer.
Se o recurso não for acatado, pode receber advertência, multa ou até cassação da outorga. Entre 15% e 20% das visitas resultam em multa, diz Camilla, que é calculada com base na receita presumida da usina, a partir do preço da energia à venda atualmente.
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A situação torna-se mais complicada, para além da questão da gestão governamental, pelo fato de que os organismos que gerenciam as questões ambientais tornaram-se instituições exageradamente poderosas e burocráticas, contribuindo decididamente para que as usinas hidrelétricas não sejam entregues nunca!... Ou suficientemente tarde para provocar a crise energética atual, que poderia ter sido muito amenizada se tivéssemos um País menos burocrático e menos neurótico com essas questões ambientais.

Uilso Aragono. (Março de 2015)

sábado, 28 de fevereiro de 2015

QUANDO TERMINA A QUARESMA?

A Quaresma suscita muitas dúvidas nos católicos! E, de fato, se forem contados todos os dias de penitência, desde a quarta-feira de cinzas até o sábado santo, anterior ao domingo da Páscoa, chega-se ao número 46 (quarenta e seis). Mas, não são quarenta os dias da Quaresma? ... Será, então, que a Semana Santa não pertence à Quaresma? Neste caso, a Quaresma terminaria no domingo anterior à Páscoa? Essas dúvidas serão causa de reflexão, a seguir, com referência às orientações do conhecido e muito estudioso Pe. Paulo Ricardo (https://padrepauloricardo.org/), divulgadas em um de seus vídeos.

Já escrevi um blogue sobre a Quaresma (março/12), onde procurei explicar, com base nas orientações do Pe. Paulo, onde tratei dos seguintes aspectos: origem da Quaresma; origem da Páscoa; data móvel para a Páscoa; e para viver bem a Quaresma.

Agora pretendo ser bem mais objetivo e mostro, a seguir, um quadro/calendário para tentar deixar bem claro e visualizável os quarenta (40) dias da Quaresma. 


(Domingo nunca é "Quaresma")



1ª Sem Q.
2ª Sem Q.
3ª Sem Q.
4ª Sem Q.
5ª Sem Q.
6ª Sem Q.

Dom






D. Ramos
Páscoa
Seg

5
11
17
23
29
35

Ter

6
12
18
24
30
36

Qua
1
7
13
19
25
31
37

Qui
2
8
14
20
26
32
38

Sex
3
9
15
21
27
33
39

Sáb
4
10
16
22
28
34
40



Logo de início, verifica-se, neste quadro, que a Quaresma, tem, de fato, quarenta dias (40). São os quarenta números (de 1 a 40) que estão dentro das bordas azul escuras. Observe-se que os domingos estão fora da Quaresma!

DOMINGO NUNCA É "QUARESMA"

Para entender a Quaresma, nos explica o Pe. Paulo Ricardo, é preciso entender que o domingo é, sempre, o dia do Senhor! Domingo vem de Dominus, do latim. E, neste sentido, é sempre um dia de “páscoa”, é sempre um dia de alegria e louvor ao Senhor que, como “Sol Nascente, nos veio visitar”.  É sempre um  dia que nos lembra a Ressurreição do Senhor! Interessante, ainda, notar que domingo, em inglês, é “sunday”, que quer dizer “dia do Sol”. Para nós, cristãos, este Sol é Jesus. Portanto, não pode, efetivamente, ser um dia de penitência, isto é, de Quaresma! Fala-se em “domingo da Quaresma” por ser um domingo  do Tempo da Quaresma, mas o  próprio dia está fora do espírito da Quaresma. Os exercícios quaresmais estariam, em tese, portanto, dispensados nesses dias de domingo da quaresma...

PÁSCOA É DATA MÓVEL

Para os que ainda não leram minha explicação no blogue de março/2012, aqui vai um trecho que explica como se determina o domingo da Páscoa, que é uma data móvel: “Este ficou determinado como sendo o primeiro domingo logo depois da primeira Lua cheia do início da primavera no hemisfério norte (ou do outono no hemisfério sul), ou o próprio domingo, se a primeira Lua cheia caísse num domingo”.

FAZENDO ALGUMAS CONTAS

Fazendo algumas contas para deixar, ainda mais claro o estudo dos dias da Quaresma. Todos os dias (com o domingo) das 6 semanas da Quaresma dão: 6 x 7 = 42. Mais os quatro dias desde a Quarta-feira de cinzas dá um total de 46 dias de “quaresma”, o que causa estranheza. Retirando-se, no entanto, todos os 6 domingos (em amarelo, no quadro acima), restam, exatamente, os 40 dias da Quaresma.

O ÚLTIMO DIA DA QUARESMA

O Sábado Santo é, portanto, o último dia da Quaresma. E, embora, ainda seja Quaresma, depois da Missa do fogo (Vigília Pascal), os cristãos já podem, se quiser, considerar terminados os exercícios quaresmais, pois essa Missa, como que fecha a Quaresma. Uma ceia gostosa, portanto, pode e costuma ser feita depois da Missa festiva da Vigília Pascal, em que a Ressurreição do Cristo foi ansiosamente aguarda e comemorada festivamente (fogos de artifícios!).

CONCLUSÃO

Com base nos estudos acima feitos, conclui-se que:

1.       Os domingos não pertencem, efetivamente, ao período de quarenta dias da Quaresma.

2.       O último dia da quaresma é o Sábado Santo.

3.       A Semana Santa está dentro da Quaresma. É apenas chamada de Santa, por ser uma semana muito especial.

Acredito que, lendo e relendo, e meditando sobre tudo o que está colocado acima, o cristão católico poderá compreender e viver melhor todos os sentidos da Quaresma. E agradecemos ao Pe. Paulo Ricardo pelas suas oportunas e esclarecedoras explicações em seus vídeos.

Uilso Aragono.   (Quaresma, fev./2014)

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

GOVERNANTES DESGOVERNADOS

Todo governante, seja o presidente da república, sejam os governadores, sejam os prefeitos, pode ser comparado ao motorista, ou condutor, de um veículo de transporte. Este deve ter dois atributos fundamentais: manter o veículo na velocidade mais adequada à pista e olhar bem à frente, na estrada. Se a velocidade for incompatível, o acidente é muito provável; se não enxergar com antecedência o que vem à frente, pode ser surpreendido por uma situação de real perigo, já sem chance de evitar o acidente.

Nossos governantes brasileiros – mas podemos generalizar, até certo ponto! – têm sido motoristas de carros desgovernados!  Têm errado na velocidade e na falta de visão à frente. Em termos de velocidade, parecem motoristas dirigindo um carro com o freio de mão puxado... São tantos impostos, tantas regulamentações burocráticas, tantas leis, decretos, resoluções, etc., que o país não consegue andar na velocidade (entenda-se, desenvolvimento) correta. Em termos de visão à frente, parecem motoristas iniciantes, que só conseguem olhar até alguns metros à frente. Não conseguem ou não têm consciência da necessidade imperiosa de que se olhe bem à frente na estrada, para que os possíveis perigos possam ser, bem antecipadamente, avaliados e evitados. A questão das mudanças climáticas, afetando variações nas intensidades e nas frequências de tufões, tornados, secas, inundações, etc., já deveriam ter sido causa de preocupações e definições de planos de governo para o combate a tais ameaças. Planos que deveriam ser de médio e longo prazos, isto é, correspondentes a uma visão à frente dos acontecimentos ou dos perigos! São governantes desgovernados...

No caso do sistema elétrico, os técnicos do setor têm, historicamente, advertido os governantes para situações críticas visualizadas à frente, nos tempos futuros. No entanto, tradicionalmente, os governantes não lhes dão a devida atenção. No tempo do presidente Fernando Henrique Cardoso, este se disse “surpreso” diante da gravidade da situação de falta de capacidade de geração de energia elétrica, tendo em vista a falta de chuvas da época (2001-2002). Mas os alertas haviam sido dados. Se o governante máximo do País tivesse dado atenção a tais alertas, estaria, como um motorista, olhando à frente na estrada, para não ser surpreendido por algum perigo. Falhou o presidente; falhou o governante... Um carro desgovernado; um governante desgovernado!

No caso da falta de água potável, particularmente em S. Paulo, mas, também, já agora (janeiro/2015) em muitas cidades do Brasil, afetando diretamente a população, as indústrias e o agronegócio, é mais um caso de miopia aguda de nossos governantes. Afinal, todos estão conscientes das variações climáticas ocorrentes nesses últimos tempos. E se é assim, por que nossos governantes (presidentes, governadores e prefeitos), não arregaçaram mangas com vistas a preparar o País e as cidades para possíveis situações de seca ou de excesso de chuvas?

As hidrelétricas, que são a maior fonte de energia elétrica do País, deveriam ter uma atenção toda especial de nossa Presidente, no sentido de que as obras das novas usinas não pudessem, de jeito nenhum, ser atrasadas ou embargadas, por questões burocráticas ou de financiamento. Mas o que se vê hoje? Segundo o noticiário, das cerca de 34 usinas hidrelétricas outorgadas, já há alguns anos, somente quatro (4) estão em condições de entrar em operação em curto prazo! Se essas usinas já estivessem em funcionamento, numa avaliação global, haveria muito mais água armazenada em seus reservatórios, o que significaria, muito maior capacidade de produção de energia elétrica. E, ao mesmo tempo, menor diminuição média de água nesses mesmos reservatórios. Haveria muito menos necessidade de uso de termelétricas, com todos os seus efeitos negativos de poluição local e de elevação do custo da energia gerada. Mas a miopia de nossa Presidente, e de seus competentes asseclas, a impediu de enxergar à frente na estrada...

A falta de água potável atualmente vivenciada em São Paulo e, já, em muitas cidades brasileiras deve-se, também, a igual miopia dos governantes desgovernados! A imprudência de olhar à frente na estrada, como um bom e competente motorista o faria, é a principal causa da atual crise de água potável. Não é a falta de chuva! É a falta de bons governantes. É a falta de boa e eficaz gestão governamental. É a miopia em não querer olhar à frente, tendo em vista os possíveis perigos. As mudanças climáticas, tão comentadas, propagandeadas e discutidas, deveriam ter sido um sinal de alerta para nossos governantes. Deveriam eles ter pensado com seriedade: o que fazer para evitar possíveis consequências dessas mudanças climáticas? No caso de São Paulo, as ideias e os planos agora sendo comentados – todos de médio e longo prazos! – já deveriam ter sido colocados em prática há anos. Se nossos governantes desgovernados tivessem tido um mínimo de responsabilidade social, tal crise não teria existido. Os prejuízos não teriam ocorrido. Os sofrimentos da população, associados ao desaparecimento do precioso líquido por dias, não teriam se materializado...

Nossos governantes parecem somente preocupar-se com os planos políticos e com a manutenção do poder. Foi esta preocupação que desviou a atenção de nossa Presidente a ponto de, num gesto totalmente demagógico e politicamente orientado (já pensando nas eleições vindouras), fez esforços para baixar em cerca de 20 % a tarifa da energia elétrica, em 2011, mesmo com ponderações do setor de que não seria a melhor coisa a fazer. Hoje se vê o erro grosseiro cometido por essa governanta desgovernada. Tal desconto nas tarifas vai se perder, totalmente, em vista da imperiosa necessidade de reajustamento do preço do quilowatt-hora: a tarifa deverá crescer, em 2015, cerca de 45 % ! A preocupação dessa nossa Presidente deveria ter sido, não o rebaixamento demagógico e politiqueiro da tarifa da energia elétrica, mas, sim, a luta para que as usinas hidrelétricas (e outras) já outorgadas se tornassem, de fato, realidade, no menor prazo possível! Isto seria enxergar à frente na estrada...


Quando será que a população brasileira terá a graça, a felicidade de ter governantes que não se desgovernem em suas decisões e preocupações? Que, como bons motoristas, mantenham o carro na estrada com toda a segurança e o conforto para os passageiros? Quando será que nossos governantes assumirão, de fato, sua missão de serem governantes socialmente responsáveis? Que sejam capazes de olhar à frente e planejarem com seriedade econômico-social, deixando as preocupações políticas em segundo plano? Quando é que a população exercerá, de fato, como numa verdadeira democracia, o poder de governar através de sérios e honestos governantes? Quem  tem as respostas?...

Uilso Aragono.  (Janeiro de 2015)

Quem sou eu

Minha foto
Sou formado em Engenharia Elétrica, com mestrado e doutorado na Univ. Federal de Santa Catarina e Prof. Titular, aposentado, na Univ. Fed. do Espírito Santo (UFES). Tenho formação, também, em Filosofia, Teologia, Educação, Língua Internacional (Esperanto), Oratória e comunicação. Meu currículo Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4787185A8

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