sexta-feira, 27 de março de 2020

OS MILAGRES DE JESUS NO EVANGELHO DE LUCAS – PARTE I


Os milagres de Jesus, descritos nos quatro Evangelhos, são obras maravilhosas e, verdadeiramente, arrebatadoras! São capazes de nos encantar a todos e de provocar uma profunda reflexão sobre quem é este Homem, capaz de tantos feitos impossíveis aos homens comuns... O texto abaixo procura identificar, a partir de uma busca nos Evangelhos, quais são esses milagres, e apresenta-os por meio de uma breve descrição. Desta vez, em relação ao Evangelho de S. Lucas. Algum comentário comparativo entre os Evangelhos é feito.



1. O ESPÍRITO SANTO DESCE SOBRE JESUS: Todo o povo foi batizado. Jesus, depois de batizado estava rezando. Então o céu se abriu, e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como pomba. E do céu veio uma voz: “Tu és o meu Filho amado! Em ti encontro o meu agrado.” (Lc 3, 21-22). – A diferença deste episódio em relação aos evangelhos de Mateus e Marcos (com o de Lucas, eles são chamados evangelhos sinóticos = semelhantes), é que Jesus estava rezando... No mais, é igual a descrição. Interessante perceber que é bom que os relatos não sejam, exatamente, iguais. Até porque, se o fossem, eles se reduziriam a um único Evangelho, e teríamos, então, apenas dois relatos sobre a Vida de Jesus. As pequenas, e às vezes grandes, diferenças entre os relatos dos evangelhos sinóticos nos evidencia o respeito que Deus manifesta em relação à humanidade do autor sagrado. Porque ele não escreve como quem ouve um ditado. Mas escreve como qualquer pessoa faria, com base no conhecimento já adquirido pela tradição oral, e com base em informações disponíveis em escritos (fragmentados?) que já existiam. A diferença, então, deve estar mais associada à memória da tradição oral, que acabou mesclada com informações escritas, comuns aos três autores dos evangelhos sinóticos.

2. JESUS É TENTADO NO DESERTO: Repleto do Espírito Santo, Jesus voltou do rio Jordão e era conduzido pelo Espírito através do deserto. Aí ele foi tentado pelo diabo durante quarenta dias. Não comeu nada nesses dias e, depois, sentiu fome. Então o diabo disse a Jesus: “Se tu és o Filho de Deus, manda que essa pedra se torne pão”. Jesus respondeu: “A Escritura diz: ‘Não só de pão vive o homem’.” (Lc 4, 1-4). – Outras duas tentações são descritas: a relativa à riqueza e a relativa ao poder (político e religioso). Mais uma vez, notam-se as diferenças entre os três relatos sinóticos. Aqui (Lucas), “Jesus foi tentado pelo diabo durante quarenta dias”! Em Mateus, Jesus “jejua” por quarenta dias e quarenta noites, e o tentador é um diabo de nome Satanás. E em Marcos, é Satanás quem tenta Jesus durante quarenta dias. E Jesus vivia entre os animais selvagens e os anjos o serviam. Estes anjos, em Mateus, só aparecem depois das tentações. Essas diferenças servem para manifestar a verdade da mensagem evangélica, com as variações dos detalhes, mas, na essência, uma única mensagem: Jesus afastou-se no deserto, deve ter jejuado bastante e foi tentado pelos maus espíritos. E com a fé firme em Deus, rejeita todas as tentações. Que imitemos nosso Senhor na firmeza da fé!

3. JESUS LÊ AS ESCRITURAS SOBRE O MESSIAS: Jesus foi à cidade de Nazaré, onde se havia criado. (...) Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus encontrou a passagem onde está escrito: “O Espirito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos, e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor”. (...) Então Jesus começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu essa passagem da Escritura que vocês acabam de ouvir.” (Lc 4, 16a.17-19.21). – Não deixa de ser um milagre o fato de que Jesus recebe o livro de Isaías (na verdade, um rolo de pergaminho) das mãos de um ajudante do Templo. Ele apenas busca a passagem (como a encontrou?) e a lê. E essa passagem fala, justamente, da manifestação do Messias, do Ungido do Senhor. O texto lido fala também das obras que já estavam sendo realizadas por Jesus: curas e libertações espirituais. Mas os seus não o receberam e até o rejeitaram...

4.  JESUS LIVRA-SE DO PRECIPÍCIO: Quando ouviram essas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. Levantaram-se e expulsaram Jesus da cidade. E o levaram até o alto do monte, sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício. Mas Jesus, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho (Lc 428-30). – Esta passagem mostra como Jesus, sendo verdadeiro homem, era, igualmente, verdadeiro Deus! Pois estando para ser empurrado precipício abaixo por uma multidão enfurecida, em dado momento, ele simplesmente como que hipnotiza a turba e passa pelo meio dela, deixando todos para trás e seguindo seu caminho. Quem conseguiria fazer isto? Não há quem!... Mas Jesus é o Filho do Homem, é o Filho de Deus! E o mundo espiritual é mais forte do que o mundo material! Observe-se que, na passagem paralela do evangelho de Marcos, só se fala na rejeição dos seus concidadãos. A referência ao precipício é omitida.

5. A CURA DE UM ENDEMONIADO: Na sinagoga havia um homem possuído pelo espírito de um demônio mau, que gritou em alta voz: “O que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus!”. Jesus o ameaçou dizendo: “Cale-se, e sai dele!”. Então o demônio jogou o homem no chão, saiu dele, e não lhe fez mal nenhum (Lc 4, 33-35). – Este episódio também está registrado no evangelho de Marcos (1, 23-27), não, porém, no de Mateus. E são, essencialmente idênticos. É um milagre de libertação da possessão demoníaca. E neste caso, como o próprio endemoniado diz, eles são muitos: “O que queres de nós, Jesus de Nazaré?”. E Jesus, com uma simples palavra de poder, os manda sair. E, imediatamente, o homem é libertado das garras demoníacas. Ainda hoje há casos de possessão, de influência demoníaca, de vexação (violência física sobre uma pessoa), etc. Exorcistas ainda são bem-vindos ao mundo cristão!

(CONTINUA NO PRÓXIMO BLOGUE)

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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

OS MILAGRES DE JESUS NO EVANGELHO DE MARCOS – PARTE VI


Os milagres de Jesus, descritos nos quatro Evangelhos, são obras maravilhosas e, verdadeiramente, arrebatadoras! São capazes de nos encantar a todos e de provocar uma profunda reflexão sobre quem é este Homem, capaz de tantos feitos impossíveis aos homens comuns... O texto abaixo procura identificar, a partir de uma busca nos Evangelhos, quais são esses milagres, e apresenta-os por meio de uma breve descrição. Desta vez, em relação ao Evangelho de S. Marcos. Algum comentário comparativo entre os Evangelhos é feito.

27. JESUS PREVÊ O ENCONTRO DO JUMENTINHO: Então Jesus enviou dois discípulos, dizendo: “Vão até o povoado que está na frente de vocês e logo que vocês entrarem aí, vão encontrar amarrado um jumentinho que nunca foi montado; desamarrem o animal  e tragam aqui.” (...) Então eles foram e encontraram um jumentinho amarrado, do lado de fora, na rua, junto de uma porta, e o desamarraram. Algumas pessoas que aí estavam disseram: “O que vocês estão fazendo, desamarrando o jumentinho?”. Os discípulos responderam como Jesus havia dito, e então permitiram que fizessem isso (Mc 11, 1c-2.4-6). –  Este episódio não chega a ser um milagre de caráter sobrenatural, mas não deixa de ser um milagre, só que de caráter preternatural, isto é: algum ser humano, em certas condições, pode fazê-lo. Mas não deixa de ser mais uma prova de que Jesus seja verdadeiramente homem e Deus! Com toda a facilidade e naturalidade Ele afirma algo sobre o futuro próximo, que ocorre exatamente como predito! Isto nos mostra, também, que confiantes em Deus, e por meio da oração, podemos acreditar que muitas coisas haverão de acontecer de tal ou qual maneira, especialmente se for para o bem das pessoas envolvidas.

28. A FIGUEIRA ESTÉRIL: No dia seguinte, quando voltavam de Betânia, Jesus sentiu fome. Viu de longe uma figueira coberta de folhas e foi até lá ver se encontrava algum fruto. Quando chegou perto, encontrou somente folhas, pois não era tempo de figos. Então Jesus disse à figueira: “Que ninguém mais coma de seus figos”. E os discípulos escutaram o que ele disse.  (...) Na manhã seguinte, Jesus e os discípulos, passando, viram a figueira que tinha secado até a raiz. Pedro lembrou-se e disse a Jesus: “Olha, Mestre: a figueira que amaldiçoastes secou”. Jesus disse para eles: “Tenham fé em Deus. Eu garanto a vocês: se alguém disser a esta montanha: ‘Levante-se e jogue-se no mar, e não duvidar no seu coração, mas acreditar que isso vai acontecer, assim acontecerá’” (Mc 11, 12-14.20-23). – Neste episódio, tudo indica que Jesus tenha desejado criar as condições para o ensino sobre a fé. Ao amaldiçoar a figueira que tinha folhas, mas não frutos (uma alusão à sociedade da época, tão cheia de aparente esplendor, mas sem os frutos da solidariedade?), ela acaba por, de fato, secar “até a raiz”, como é encontrada na manhã seguinte. E Jesus lhes ensina: “Tenham fé em Deus”. A fé, então, confiança sem qualquer dúvida, mas baseada – como diz mais à frente – na prática do perdão.

29. JESUS PREVÊ O ENCONTRO DO CENÁCULO: No primeiro dia dos Ázimos, quando matavam os cordeiros para a Páscoa, os discípulos perguntaram a Jesus: “Onde queres que vamos preparar para que comas a Páscoa?”. Jesus mandou então dois de seus discípulos, dizendo: “Vão à cidade. Um homem carregando um jarro de água virá ao encontro de vocês. Sigam-no e digam ao dono da casa onde ele entrar: ‘O Mestre manda dizer: Onde é a sala em que eu e os meus discípulos vamos comer a Páscoa?’. Então ele mostrará para vocês, no andar de cima, uma sala grande, arrumada com almofadas. Preparem aí tudo para nós.”. Os discípulos saíram e foram à cidade. Encontraram tudo como Jesus havia dito. E prepararam a Páscoa (Mc 14, 12-16). – Este texto narra algo parecido com o que aconteceu no item 27, acima: Jesus prevê o encontro do jumentinho. É também um milagre preternatural: uma pessoa bem dotada mentalmente, poderia prever esse futuro próximo – é o que se denomina, hoje, na área da Parapsicologia, um evento de precognição. Mas, como aquele, este episódio mostra, mais uma vez, a natureza humano-divina perfeita de Nosso Senhor. Ele tão bem lê os acontecimentos futuros, quando lê os corações humanos! Que aprendamos a pedir ao Senhor que seja nossa luz na caminhada desta vida!

30. A CORTINA DO SANTUÁRIO SE RASGA: Alguém, correndo, encheu de vinagre uma esponja, colocou-a na ponta de uma vara e deu para Jesus beber, dizendo: “Deixem, vamos ver se Elias vem tirá-lo da cruz!”. Então Jesus lançou um forte grito e expirou. Nesse momento a cortina do santuário se rasgou de alto a baixo, em duas partes. O oficial do exército, que estava bem na frente da cruz, viu como Jesus havia expirado e disse: “De fato, esse homem era mesmo Filho de Deus!” (Mc 15, 36-39). – A cortina do Santuário ficava dentro do grandioso Templo de Salomão e isolava o local chamado Santo do Santos, onde somente entrava um sacerdote escolhido, por vez. Essa cortina ou véu tinha a função de separar o lugar sagrado, em que o Senhor Deus se manifesta para receber as oferendas sacrificais, do mundo exterior. O significado de sua ruptura, no momento exato em que Jesus dá seu último suspiro, pode ser o de que, com a morte redentora de Cristo, do Messias Salvador, tudo o que separava o homem de Deus – o pecado! – agora estava superado! Deus não é mais aquele Deus vingativo e distante da mentalidade judaica, mas torna-se um Deus-Pai, amoroso e cheio de misericórdia! Nada mais nos separa de Deus! Jesus é a nova ponte que nos liga ao Pai!

31. JESUS APARECE RESSUSCITADO: Depois de ressuscitar na madrugada do primeiro dia após o sábado, Jesus apareceu primeiro a Maria Madalena, da qual havia expulsado sete demônios. Ela foi anunciar isso aos seguidores de Jesus, que estavam de luto e chorando. Quando ouviram que ele estava vivo e fora visto por ela, não quiseram acreditar. Em seguida, Jesus apareceu a dois deles, com outra aparência, enquanto estavam a caminho do campo. Eles também voltaram e anunciaram isso aos outros, que não acreditaram nem mesmo nesses. Por fim, Jesus apareceu aos onze discípulos enquanto estavam comendo. Jesus os repreendeu por causa da falta de fé e pela dureza de coração, poque não tinham acreditado naqueles que o tinham visto ressuscitado (Mc 16, 9-14). – Neste episódio da ressurreição de Jesus, o que fica marcante é a descrença dos discípulos, que são repreendidos severamente pelo Senhor, quando resolve lhes aparecer face a face. Impressiona-nos a repreensão de Jesus aos discípulos: Ele dá muito valor à crença baseada em um coração puro, como o de uma criança. Não é à toa que Jesus nos disse: “Quem não tiver um coração como o dessas crianças, não entrará no Reino de Deus!”.

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Uilso Aragono (Fev. 2020)

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

OS MILAGRES DE JESUS NO EVANGELHO DE MARCOS – PARTE V


Os milagres de Jesus, descritos nos quatro Evangelhos, são obras maravilhosas e, verdadeiramente, arrebatadoras! São capazes de nos encantar a todos e de provocar uma profunda reflexão sobre quem é este Homem, capaz de tantos feitos impossíveis aos homens comuns... O texto abaixo procura identificar, a partir de uma busca nos Evangelhos, quais são esses milagres, e apresenta-os por meio de uma breve descrição. Desta vez, em relação ao Evangelho de S. Marcos. Algum comentário comparativo entre os Evangelhos é feito.

21. JESUS CURA UM SURDO-MUDO: Jesus saiu de novo da região de Tiro, passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia, atravessando a região da Decápole. Levaram então a Jesus um homem surdo e que falava com dificuldade, e pediram que Jesus pusesse a mão sobre ele. Jesus se afastou com o homem para longe da multidão; em seguida, pôs os dedos no ouvido do homem, cuspiu e com a sua saliva tocou a língua dele. Depois, olhou para o céu, suspirou e disse: “Efatá”, que quer dizer: “Abra-se!”. Imediatamente os ouvidos do homem se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade. Jesus recomendou que não contassem nada a ninguém (Mc 7, 31-36a). – Neste milagre de Jesus, não lhe pediram a cura do doente, mas que “pusesse a mão sobre ele”. Daqui vemos não só o poder de curar os doentes que Senhor quis demonstrar, mas que este poder estava associado a impor as mãos sobre alguém. Tão associado que os discípulos lhe pediram – depois de terem visto, certamente muitas vezes, o Senhor colocar as mãos e curar – que “pusesse a mão sobre ele”, isto é, que o curasse. Portanto: o impor as mãos de Jesus é igual a curar alguém, na experiência dos discípulos contemporâneos do Senhor.  Mas com o tempo, passou a ser, também, para além de uma expressão de bênção, expressão de cura entre todos os discípulos de Jesus, por meio da Fé.

22. SEGUNDA MULTIPLICAÇÃO DE PÃES E PEIXES: Naqueles dias, havia de novo uma grande multidão e não tinham o que comer. (...) Jesus mandou que a multidão se sentasse no chão. Depois, pegou os sete pães, agradeceu, partiu-os e ia dando aos discípulos, para que os distribuíssem. Tinham também alguns peixinhos. Depois de pronunciar a bênção sobre eles, mandou que os distribuíssem também. Comeram e ficaram satisfeitos, e recolheram sete cestos dos pedaços que sobraram. Eram mais ou menos quatro mil. E Jesus os despediu (Mc 8, 1. 6-9). – Este segundo episódio do milagre da multiplicação dos alimentos – muito semelhante à primeira multiplicação (vide número 17, no Blogue de Dez/19) – indica que, possivelmente, várias vezes tenha ocorrido essa situação de carência de alimentos no meio da multidão de pessoas que acompanham o Senhor. Naquele tempo, não havia a abundância de mercearias, supermercados, padarias e lanchonetes, como temos hoje. E as multidões reuniam-se em lugares afastados e silenciosos, para que pudessem ouvir bem o Enviado do Senhor. E tendo abençoado os alimentos, Jesus os distribuía aos discípulos, e estes às pessoas esfomeadas. E todos ficavam satisfeitos. Ainda hoje, Jesus quer nos alimentar por meio de seu próprio corpo e de seu sangue, como ocorre na Eucaristia (Missa ou Celebração Eucarística). Nesta, o sacerdote cristão oferece a Deus a renovação do sacrifício redentor de Cristo, e os pães (partículas de pão ázimo ou hóstias) são transformados em Seu Corpo e Seu Sangue, para nossa alimentação corporal e espiritual, e para que nos tornemos, cada um de nós, comungantes, um outro Cristo para o irmão.

23. JESUS CURA UM CEGO: Chegaram a Betsaida. Algumas pessoas levaram um cego e pediram que Jesus tocasse nele. Jesus pegou o cego pela mão levou-o para fora do povoado, cuspiu nos olhos dele, pôs as mãos sobre ele e perguntou: “Você está vendo alguma coisa?”. O homem levantou os olhos e disse: “Estou vendo homens; parecem arvores que andam.”. Então Jesus pôs de novo as mãos sobre os olhos dele, e ele enxergou claramente. Ficou curado e enxergava todas as coisas com nitidez, mesmo de longe. Jesus mandou o homem ir para casa, dizendo: “Não entre no povoado.” (Mc 8, 22-26). – Uma pergunta surge, naturalmente: por que Jesus não curou o cego imediatamente, mas em dois tempos? Talvez possamos entender desse episódio que Jesus, como um novo Moisés, que bateu nas pedras três vezes para que a água jorrasse para o povo, no deserto, quis identificar-se com ele e com todos os seus futuros discípulos, que, ao pedirem uma cura a Deus, viessem a ter a humildade de pedir repetidamente, com fé e insistência, até que a cura viesse a acontecer. Ou talvez possamos entender, simplesmente, que Jesus tem misericórdia e paciência até com a natureza morta (nosso corpo) que pode insistir em permanecer em seu estado doentio...

24. A TRANSFIGURAÇÃO DE JESUS: Sei dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e seu irmão João, e os levou sozinhos a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E se transfigurou diante deles. Suas roupas ficaram brilhantes e tão brancas como nenhuma lavadeira no mundo as poderia alvejar. Apareceram-lhe Elias e Moisés, que conversavam com Jesus.  Então Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: “Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias.”. Pedro não sabia o que dizer, pois eles estavam com muito medo. Então desceu uma nuvem e os cobriu com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz: “Este é o meu Filho amado. Escutem o que ele diz!”. E, de repente, eles olharam em volta e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus com eles (Mc 9, 2-8). – Este episódio é poderoso para nos ensinar que Jesus é, verdadeiramente, nosso Deus e Senhor. Pois sua transfiguração – rosto e roupas brilhantes, como Moisés no deserto, depois de ter visto Deus – mostra-nos a verdadeira natureza de Jesus, o Filho de Deus encarnado! Ele, sendo um homem-Deus, deveria aparecer aos demais homens como um homem diferente: com um rosto brilhante, luminoso, totalmente diferente dos demais... pois Ele é Deus com o Pai e o Espírito Santo! Mas Jesus não queria que sua natureza divina fosse revelada claramente, por isso, com humildade, abrindo mão de sua natureza divina – como nos ensina São Paulo – oculta-se diante dos homens. Mas, neste episódio, revela-se aos seus discípulos preferidos como Ele verdadeiramente é. E lhes dá um presente de Fé.

25. A CURA DE UM MENINO ENDEMONIADO: Alguém da multidão respondeu: “Mestre, eu trouxe a ti meu filho que tem um espírito mudo. Cada vez que o espírito o ataca, joga-o no chão e ele começa e espumar, range os dentes e fica completamente rijo. (...) E levaram o menino. Quando o espírito viu Jesus, sacudiu violentamente o menino, que caiu no chão e começou a rolar e a espumar pela boca. Jesus perguntou ao pai: “Desde quando ele está assim?”. O pai respondeu: “Desde criança. E muitas vezes já o jogou no fogo e na água para matá-lo. Se podes fazer alguma coisa, tem piedade de nós e ajuda-nos”. Jesus disse: “Se podes!... Tudo é possível para quem tem fé”. O pai do menino gritou: “Eu tenho fé, mas ajuda a minha falta de fé”. Jesus viu que a multidão corria para junto dele. Então ordenou ao espírito mau: “Espírito mudo e surdo, eu lhe ordeno que saia do menino e nunca mais entre nele”. O espírito sacudiu o menino com violência, deu um grito e saiu. O menino ficou como morto e por isso todos diziam: “Ele morreu!”. Mas Jesus pegou a mão do menino, levantou-o e o menino ficou de pé (Mc 9, 17-18a. 20-27). – Este episódio nos ensina, pelo menos, duas coisas muito importantes: a necessidade da fé em Deus e a realidade dos anjos decaídos ou demônios. Sobre a fé, todos nós aprendamos a repetir com o pai do menino: Eu creio, Senhor; mas aumenta a minha fé! Sobre os demônios, ser angélico espiritual que rejeitou a Deus e tem inveja dos homens, são uma realidade, são uma verdade, que eles mesmos gostariam de ver rejeitada pelos homens. E muitos não creem na existência do diabo, de satanás. Mas se não fosse verdade, como é que se pode aceitar que Jesus, a Verdade – como Ele mesmo se proclama: “Sou o Caminho, a Verdade e a Vida” – tenha falado com o espírito mau e ordenado a ele que saísse do menino? Se os demônios não existissem, Jesus teria corrigido essa suposta falsa interpretação ou superstição e ensinado às pessoas a considerarem tais problemas simples doenças. E teria curado a surdez e o mutismo do menino impondo-lhe as mãos, como fez inúmeras outras vezes.

26. A CURA DO CEGO DE JERICÓ: Jesus saiu de Jericó, junto com seus discípulos e uma grande multidão. Na beira do caminho havia um cego que se chamava Bartimeu, o filho de Timeu; estava sentado, pedindo esmolas. Quando ouviu dizer que era Jesus Nazareno que estava passando, o cego começou a gritar: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!”. Muitos o repreenderam e mandaram que ficasse quieto. Mas ele gritava mais ainda: “Filho de Davi, tem piedade de mim!”. Então Jesus parou e disse: “Chamem o cego!”. Eles chamaram o cego e disseram: “Coragem, levante-se, porque Jesus está chamando você”. O cego largou o manto, deu um pulo e foi até Jesus. Então Jesus lhe perguntou: “O que você quer que eu faça por você?”. O cego respondeu: “Mestre, eu quero ver de novo”. Jesus disse: “Pode ir, a sua fé curou você”. No mesmo instante o cego começou a ver de novo e seguia Jesus pelo caminho (Mc 10, 46-52). – Assim como no episódio dos dois cegos de Jericó, relatado por Mateus (20, 29-34), aqui Jesus cura a cegueira, mas de somente um cego, e identificado como Bartimeu, o filho de Timeu. Mas em ambos os episódios evangélicos, os cegos são curados imediatamente: num caso Jesus toca os olhos, no outro, o cego Bartimeu é curado pela simples ordem de Jesus: pode ir, a sua fé o curou. Interessante notar que os evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) coincidem essencialmente, mas não nos detalhes dos relatos. E isto é muito bom! Porque se coincidissem em tudo, seriam apenas cópias uns dos outros, e seriam reduzidos a um único relato evangélico. Mas, ao contrário, os detalhes revelam maneiras ligeiramente diferentes de se contar os fatos verdadeiros, mas contados por pessoas que, embora inspiradas por Deus, mantêm a sua individualidade, a sua humanidade e, por isso, revelam detalhes um pouco diferentes uns dos outros, de acordo com a tradição oral e, talvez, escrita, que lhes chegava aos ouvidos. Daí a riqueza de relatos evangélicos que muito nos ensinam.

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Uilso Aragono. (Janeiro de 2020)

(CONTINUA NO PRÓXIMO BLOGUE)

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

OS MILAGRES DE JESUS NO EVANGELHO DE MARCOS – PARTE IV


Os milagres de Jesus, descritos nos quatro Evangelhos, são obras maravilhosas e, verdadeiramente, arrebatadoras! São capazes de nos encantar a todos e de provocar uma profunda reflexão sobre quem é este Homem, capaz de tantos feitos impossíveis aos homens comuns... O texto abaixo procura identificar, a partir de uma busca nos Evangelhos, quais são esses milagres, e apresenta-os por meio de uma breve descrição. Desta vez, em relação ao Evangelho de S. Marcos. Algum comentário comparativo entre os Evangelhos é feito.


16. JESUS CURA ATRAVÉS DE SEUS DISCÍPULOS: Então os discípulos partiram e pregaram para que as pessoas se convertessem. Expulsavam muitos demônios e curavam muitos doentes, ungindo-os com óleo (Mc 6, 12.13). – Jesus deu aos seus discípulos o poder de curar os doentes e expulsar os demônios. E isto, de fato, aconteceu! Que poder é este que uma pessoa (Jesus) pode passar para outras pessoas? Se isto é verdade – e nós acreditamos que sim! – também nós temos, em menor escala, a capacidade de passar para nossos irmãos, amigos e parentes algumas virtudes poderosas: o amor, a amizade, o consolo, o perdão, a alegria, etc. E veja-se, ainda, a importância de um sacramental: a unção com óleo! Unidos à fé e à oração, milagres podem ser feitos pela unção com óleo bento...

17. JESUS MULTIPLICA OS PÃES E OS PEIXES: Quando saiu da barca, Jesus viu uma grande multidão e teve compaixão, porque eles estavam como ovelhas sem pastor. (...) Então Jesus mandou que todos se sentassem na grama verde, formando grupos. (...) Depois, Jesus pegou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu, pronunciou a bênção, partiu os pães e ia dando aos discípulos, para que os distribuíssem. Dividiu entre todos também os dois peixes. Todos comeram, ficaram satisfeitos, e recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e também dos peixes (Mc 6, 34.39.41-43). – Como no Evangelho de Mateus (14, 17-20a), aqui, também, o Senhor multiplica pães e peixes. É um verdadeiro milagre! Não há como se interpretar que tenha sido apenas o efeito de uma partilha: os discípulos perceberam que não havia o que comer no meio da multidão. Tanto é que só encontraram cinco pães e dois peixes. Certamente buscaram entre as pessoas o que havia de disponível. Jesus, então, toma os alimentos, abençoa-os e os vai entregando aos discípulos, que os repassam aos grupos formados. E realiza-se o que o próprio Jesus dissera um pouco antes: “Vocês é que têm de lhes dar de comer” (Mc 6,37b).

18. JESUS ANDA SOBRE AS ÁGUAS: Ao anoitecer, a barca estava no meio do mar, e Jesus sozinho em terra. (...) Então, entre as três e as seis horas da madrugada, Jesus foi até os discípulos andando sobre o mar, e queria passar na frente deles. (...) pensaram que fosse um fantasma. (...) Mas Jesus logo falou: “Coragem! Sou eu, não tenham medo!”. Então subiu com eles na barca. E o vento parou (Mc 6, 47.48b.49b.50b-51a). – Como em Mateus (14,25-27), aqui, igualmente, Jesus demonstra seu poder divino, andando sobre o mar da Galileia. E não há como negar que tenha sido um milagre! Jesus, diante de seus discípulos mais chegados (seus apóstolos) não se recusava a demonstrar-lhes sua divindade... pelos menos em seus atos. Na transfiguração, vai além: demonstra aos três discípulos, que tem, também, uma verdadeira aparência divina, luminosa, que, normalmente, mantinha escondida aos homens...

19. JESUS CURAVA A TODOS, EM GENESARÉ: Logo que desceram da barca, as pessoas imediatamente reconheceram Jesus. (...) E aonde ele chegava, tanto nos povoados como nas cidades ou nos campos, colocavam os doentes nas praças e pediam que pudessem ao menos tocar a barra da roupa de Jesus. E todos os que tocavam, ficavam curados (Mc 6, 54.56). – Como na passagem paralela de Mateus (14, 35b-36), Jesus se deixa tocar, enquanto os doentes passam diante dele, desejos de serem curados. Certamente, Jesus estava orando e intercedendo ao Pai por cada um desses doentes. É interessante notar que Jesus “curava a todos”, não exigindo, aqui, que manifestassem mais fé do que aquela revelada pelo simples buscar e tocar a barra da roupa do Senhor! Que também nós, aprendamos a buscar Jesus, com fé, para, ao menos, tocar em sua roupa. Hoje, podemos tocar na barra da roupa de Jesus ao tocarmos na Eucaristia! Quantos milagres de curas o Senhor não deseja fazer ainda hoje, por nós?

20. JESUS CURA UMA MULHER PAGÃ: Então Jesus saiu daí e foi para a região de Tiro e Sidônia. Uma mulher que tinha uma filha com um espírito mau, ouviu fala de Jesus. A mulher era pagã, nascida na Fenícia da Síria. Ela suplicou a Jesus que expulsasse de sua filha o demônio. Jesus disse: “Deixe que primeiro os filhos fiquem saciados, porque não está certo tirar o pão dos filhos e jogá-los aos cachorrinhos.”. A mulher respondeu: “É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos ficam debaixo da mesa e comem as migalhas que as crianças deixam cair”. Então Jesus disse: “Por causa disso que você acaba de dizer, pode voltar para casa; o demônio já saiu da sua filha.”. Ela voltou para casa e encontrou sua filha deitada na cama, pois o demônio já tinha saído dela (Mc 7, 24a.25a.26-30). – É um episódio semelhante ao do Evangelho de Mateus (15,21-28), em que uma criança – filha de uma mulher pagã (ou cananeia) – é beneficiada pela fé de sua mãe e tem o demônio expulso a distância por Jesus. Jesus atribui à fé da mãe, que se reconhece uma pessoa indigna (um “cachorrinho”), mas confia na misericórdia do Senhor, a cura de libertação realizada. Libertação, nos Evangelhos, tem, normalmente o significado de: libertação dos pecados ou da ação dos demônios.

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Uilso Aragono. (Dezembro, 2019)

sábado, 30 de novembro de 2019

OS MILAGRES DE JESUS NO EVANGELHO DE MARCOS – PARTE III


Os milagres de Jesus, descritos nos quatro Evangelhos, são obras maravilhosas e, verdadeiramente, arrebatadoras! São capazes de nos encantar a todos e de provocar uma profunda reflexão sobre quem é este Homem, capaz de tantos feitos impossíveis aos homens comuns... O texto abaixo procura identificar, a partir de uma busca nos Evangelhos, quais são esses milagres, e apresenta-os por meio de uma breve descrição. Desta vez, em relação ao Evangelho de S. Marcos. Algum comentário comparativo entre os Evangelhos é feito.




11. JESUS ACALMA O MAR E O VENTO: Começou a soprar um vento muito forte, e as ondas se lançavam dentro da barca, de modo que a barca já estava se enchendo de água. Jesus estava na parte de trás da barca, dormindo com a cabeça num travesseiro. Os discípulos o acordaram e disseram: “Mestre, não te importas que nós morramos?”. Então Jesus se levantou e ameaçou o vento e disse ao mar: “Cale-se! Acalme-se!”. O vento parou e tudo ficou calmo. Depois Jesus perguntou aos discípulos: “Por que vocês são tão medrosos? Vocês ainda não têm fé?”. Os discípulos ficaram muito cheios de medo e diziam uns aos outros: “Quem é esse homem, a quem até o vento e o mar obedecem?” (Mc 4, 37-40). – Diante de um tal portento, admiraram-se os discípulos diante de Jesus: “Quem é esse homem?”. No Evangelho de Mateus (14, 32-33), uma passagem correlata, os discípulos não somente se admiram, mas confessam: “De fato, tu és o Filho de Deus.”. Interessante observar como os evangelhos não são simplesmente cópias idênticas uns dos outros, mas revelam aspectos ligeiramente diferentes ou complementares, de acordo com aquilo que o escritor sagrado, inspirado pelo Espírito Santo, lembrava ou desejava ressaltar como verdade a ser testemunhada.

12. JESUS EXPULSA UMA LEGIÃO DE DEMÔNIOS: Vendo Jesus de longe, o endemoniado correu, caiu de joelhos diante dele e gritou bem alto: “Que há entre mim e ti, Jesus, Filho do Deus altíssimo? Eu te peço por Deus, não me atormentes!”. O homem falou assim, porque Jesus tinha dito: “Espírito mau, saia desse homem!”. Então Jesus perguntou: “Qual é o seu nome?”. O homem respondeu: “Meu nome é ‘Legião’, porque somos muitos”. E pedia com insistência para que Jesus não o expulsasse da região. (...) Os espíritos maus suplicaram: “Manda-nos para os porcos, para que entremos neles”.  Jesus deixou. (...) E a manada – mais ou menos dois mil porcos – atirou-se monte abaixo para dentro do mar, onde se afogou (Mc 5, 6-10.12.13ac). – Este episódio, semelhante ao de Mateus (8, 28-32), é interessantíssimo para nos mostrar alguns aspectos da ação demoníaca sobre os homens: os demônios conhecem Jesus (Filho do Deus altíssimo); são obrigados a adorá-lo (ajoelharam-se diante dele);  dependem da vontade de Deus (eu te peço, não me atormentes); são obrigados a responder, em verdade, à pergunta de Jesus; o possuído tem mais de um demônio em seu corpo (‘Legião’); têm prazer na morte, mesmo que seja de animais, e no prejuízo dos seres humanos (com a morte dos porcos). Constatamos, ainda, que quanto mais afastados de Deus, mais à mercê do demônio está a pessoa, pois estavam numa região pagã...

13. A MULHER QUE SOFRIA DE HEMORRAGIA: Aí chegou uma mulher que sofria de hemorragia já há doze anos (...). A mulher tinha ouvido falar de Jesus. Então ela foi no meio da multidão, aproximou-se de Jesus por trás e tocou na roupa dele, porque pensava: “Ainda que eu toque só na roupa dele, ficarei curada”. A hemorragia parou imediatamente. E a mulher sentiu no corpo que estava curada da doença (Mc 5, 25.27-29). – Esta passagem, semelhante à de Mateus (9, 20-22) nos mostra a importância da fé em Deus! Na sua humildade, a mulher nem ousava pedir sua cura ao Mestre, mas no seu íntimo tinha fé em que Ele fosse capaz de realizar sua cura mesmo sem vê-la ou ouvir seu pedido. Que tenhamos, com a graça de Deus, essa humilde e confiante atitude diante dele: Ele atende nossas mais íntimas orações, desde que feitas com fé.

14. JESUS CURA A FILHA DE JAIRO: Aproximou-se um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo. Quando viu Jesus, caiu a seus pés e pediu com insistência: “Minha filinha está morrendo. Vem e põe as mãos sobre ela, para que sare e viva”. (...) Quando chegaram à casa do chefe da sinagoga, Jesus viu a confusão e ouviu as pessoas chorando. (...) Mas Jesus mandou que todos saíssem, menos o pai e a mãe da menina, e os três discípulos que o acompanhavam. Depois, entraram no quarto onde a menina estava. Jesus pegou a menina pela mão e disse: “Talita cúmi”, que quer dizer: “Menina, – eu lhe digo – levante-se!”. A menina levantou-se imediatamente e começou a andar, pois já tinha doze anos (Mc 5,22-23.38.40b-42). – Episódio semelhante ao do Evangelho de Mateus (9,18-25) mostra-nos a importância da fé em Jesus. Mesmo sabendo que a filha estava morta, não tem dúvidas do poder de Jesus em fazê-la voltar à vida! Não há dúvidas: Jesus é Deus conosco! E Deus tem o poder de nos curar, nos dar vida, e vida plena!

15. JESUS CURA POUCOS DOENTES EM NAZARÉ: Jesus foi para Nazaré, sua terra, e seus discípulos o acompanharam. Quando chegou o sábado, Jesus começou a ensinar na sinagoga.   (...) E ficaram escandalizados por causa de Jesus. Então Jesus dizia para eles que um profeta só não é estimado em sua própria pátria, entre seus parentes e em sua família. E Jesus não pôde fazer milagres em Nazaré. Apenas curou alguns doentes, pondo as mãos sobre eles. E Jesus ficou admirado com a falta de fé deles (Mc 6, 1.2.3c-6). – Neste episódio, Jesus nos chama a atenção para não desvalorizarmos aqueles que, entre nós, possam estar manifestando algum dom de Deus para o serviço da comunidade. Não é porque alguém vem de fora que, por isso, terá mais poder ou sabedoria do que aqueles que convivem conosco. Deus não discrimina ninguém, negativamente! Qualquer pessoa, próxima, ou distante de nós, pode manifestar dons do Espírito Santo para o serviço da comunidade! Que sejam, sempre, bem-vindos!

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quinta-feira, 31 de outubro de 2019

OS MILAGRES DE JESUS NO EVANGELHO DE MARCOS – PARTE II

Os milagres de Jesus, descritos nos quatro Evangelhos, são obras maravilhosas e, verdadeiramente, arrebatadoras! São capazes de nos encantar a todos e de provocar uma profunda reflexão sobre quem é este Homem, capaz de tantos feitos impossíveis aos homens comuns... O texto abaixo procura identificar, a partir de uma busca nos Evangelhos, quais são esses milagres, e apresenta-os por meio de uma breve descrição. Desta vez, em relação ao Evangelho de S. Marcos. Algum comentário comparativo entre os Evangelhos é feito.


6. JESUS CURA MUITOS DOENTES E ENDEMONIADOS:  À tarde depois do pôr-do-sol, levavam a Jesus todos os doentes e os que estavam possuídos pelo demônio. A cidade inteira se reuniu na frente da casa. Jesus curou muitas pessoas de vários tipos de doença e expulsou muitos demônios. Os demônios sabiam quem era Jesus e por isso Jesus não deixava que eles falassem (Mc 1, 32-34). – Como no Evangelho de Mateus (8,16), mas com a observação de que os demônios eram proibidos de falar sobre Jesus. Jesus, como Filho de Deus, se curava e expulsava os espíritos malignos a muitos, e não a todos, certamente era por conta da falta de fé daqueles que não foram curados.

7. JESUS RESGATA OS MARGINALIZADOS: Um leproso chegou perto de Jesus e pediu de joelhos: “Se queres, tu tens o poder de me purificar”. Jesus ficou cheio de ira, estendeu a mão, tocou nele e disse: “Eu quero, fique purificado”. No mesmo instante a lepra desapareceu e o homem ficou purificado (Mc 1, 40-42). – Observa-se, aqui, a ira de Jesus como expressão de sua indignação diante da discriminação injusta a que eram submetidos os doentes de hanseníase (como é denominada a “lepra” hoje em dia). E Ele não tinha medo de “tocar” no doente, atitude comum para as pessoas da época.

8. A CURA DO PARALÍTICO DESCIDO PELO TELHADO: Levaram então um paralítico, carregado por quatro homens. Mas eles não conseguiam chegar até Jesus, por causa da multidão. Então fizeram um buraco no teto, bem acima do lugar onde Jesus estava e, pela abertura, desceram a cama em que o paralítico estava deitado. Vendo a fé que eles tinham, Jesus disse ao paralítico: “Filho, os seus pecados estão perdoados” (Mc 2, 3-5). – Sabemos que Jesus, depois de perdoar os pecados do paralítico (porque assim pensavam os judeus na época: a doença era fruto do pecado), desafiou os doutores da Lei e curou o doente. E isto mostrou-lhes que o pecado – já perdoado ao paralítico – não curou sua doença, sendo esta, portanto, independente dos seus pecados. Para um bom entendedor... isto deveria estar claro na cabeça dos tais doutores da Lei.

9. JESUS CHAMA O PECADOR LEVI: Enquanto ia caminhando, Jesus viu Levi o filho de Alfeu, sentado na coletoria de impostos, e disse para ele: “Siga-me”. Levi se levantou e o seguiu (Mc 2, 14). – Este convite de Jesus, feito a Levi, teve o efeito de uma ordem, dada a força moral da figura de Jesus diante das pessoas daquela época. É um verdadeiro milagre, porque a regra do comportamento das pessoas não inclui uma aceitação de tal convite como aconteceu com Levi: levantou-se e seguiu Jesus. É para provocar em nós, hoje em dia, uma reflexão: estamos deixando acontecer o milagre em nossa vida, diante do convite de Jesus? Ele não é uma pessoa qualquer... é o próprio Filho de Deus que nos chama! Como Levi, Pedro, André, etc., não deveríamos nós, também, levantarmo-nos e segui-lo sem pestanejar?

9. JESUS CURA A MÃO SECA: Jesus entrou de novo na sinagoga, onde estava um homem com a mão seca. (...) Jesus disse ao homem da mão seca: “Levante-se e fique no meio”. Depois perguntou aos outros: “O que é que a Lei permite no sábado: fazer o bem ou fazer o mal, salvar uma vida ou matá-la?”. Mas eles não disseram nada. Jesus então olhou ao seu redor, cheio de ira e tristeza, porque eles eram duros de coração. Depois disse ao homem: “Estenda a mão”. O homem estendeu a mão e ela ficou boa (Mc 3, 1.3-5). – Outra vez Jesus fica indignado com as pessoas da época, porque não tinham compaixão dos doentes, dos fracos, dos pobres. Usavam a Lei do descanso sabático para, além de não trabalhar, nada fazerem pelos outros. Isto é: caridade zero no dia de sábado. O que, certamente, era muito conveniente para aqueles que tinham posses, pois viam-se dispensados de fazer qualquer coisa pelo necessitado.

10. JESUS CURA MUITOS DOENTES:  Então Jesus pediu aos discípulos que arrumassem uma barca, para ele não ficar espremido nomeio da multidão. Com efeito, Jesus tinha curado muitas pessoas, e todos os que sofriam de algum mal se jogavam sobre ele para tocá-lo. Vendo Jesus, os espíritos maus caíam a seus pés gritando: “Tu és o Filho de Deus!”. Mas Jesus ordenava severamente para não dizerem quem ele era (Mc 3, 9-12). – Novamente, Jesus cura muitos doentes e liberta muitos endemoniados. Bastava aos doentes, pela fé, “tocar” em Jesus! E nós? Procuramos Jesus para tocá-lo e sermos curados? O exemplo está dado. Basta que nos disponhamos a segui-lo.

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Uilso Aragono (Outubro de 2019)

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

OS MILAGRES DE JESUS NO EVANGELHO DE MARCOS – PARTE I


Os milagres de Jesus, descritos nos quatro Evangelhos, são obras maravilhosas e, verdadeiramente, arrebatadoras! São capazes de nos encantar a todos e de provocar uma profunda reflexão sobre quem é este Homem, capaz de tantos feitos impossíveis aos homens comuns... O texto abaixo procura identificar, a partir de uma busca nos Evangelhos, quais são esses milagres, e apresenta-os por meio de uma breve descrição. Desta vez, em relação ao Evangelho de S. Marcos. Algum comentário comparativo entre os Evangelhos é feito.



1. O BATISMO DE JESUS: Nesses dias, Jesus chegou de Nazaré da Galileia e foi batizado por João no rio Jordão. Logo que Jesus saiu da água, viu o céu se rasgando e o Espírito, como pomba, desceu sobre ele. E do céu veio uma voz: “Tu és o meu Filho amado; em ti encontro o meu agrado” (Mc 1, 9-11). – É uma manifestação sobrenatural, na medida em que não há alguém que possa falar em voz tão alta a ponto de ser ouvido por todos os que testemunharam o batismo de Jesus. Sim, embora o texto diga que Jesus viu uma pomba e ouviu uma voz, outros também devem ter, pelo menos, ouvido a voz, para que o testemunho tenha sido registrado nos evangelhos de Marcos e de Mateus. Neste último Evangelho, o registro é, praticamente, igual.

2. JESUS É TENTADO NO DESERTO. Em seguida, o Espírito impeliu Jesus para o deserto. E Jesus ficou no deserto durante quarenta dias, e aí foi tentado por Satanás. Jesus vivia entre animais selvagens e os anjos o serviam (Mc 1, 12-13). – Neste texto não há detalhes sobre esse tempo que Jesus ficou no deserto. No texto correspondente de Mateus, Jesus jejua, sente fome e é tentado pelo “tentador” nos aspectos do prazer, do poder e da riqueza. Aqui, em Marcos, Jesus é, simplesmente, “tentado” por Satanás, e o “tentador” recebe um nome. Em ambos os textos, Jesus é servido pelos anjos.

3. JESUS CHAMA SIMÃO E ANDRÉ: Ao passar pela beira do mar da Galileia, Jesus viu Simão e seu irmão André; estavam jogando a rede ao mar, pois eram pescadores. Jesus disse para eles: “Sigam-me, e eu farei vocês se tornarem pescadores de homens”. Eles imediatamente deixaram as redes e seguiram a Jesus (Mc 1, 16-18). – O mesmo aconteceu, logo em seguida, com Tiago e João, filhos de Zebedeu. Impressiona a atração humana que Jesus exerceu sobre esses primeiros apóstolos: um encontro, um chamado... e uma decisão de seguimento imediato. Só pode ser um milagre! Este texto é idêntico ao que há no Evangelho de Mateus (4,19-20).

4. A CURA DE UM ENDEMONIADO: Nesse momento, estava na sinagoga um homem possuído por um espírito mau, que começou a gritar. “Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus!” Jesus ameaçou o espírito mau: “Cale-se, e saia dele!”. Então o espírito mau sacudiu o homem com violência, deu um grande grito e saiu dele. Todos ficaram muito espantados e perguntavam uns aos outros: “Que é isso? Um ensinamento novo, dado com autoridade... Ele manda até nos espíritos maus e eles obedecem!” (Mc 1, 23-27). – Este milagre não consta do Evangelho de Mateus, mas pode ser encontrado no de Lucas (4, 33-36). Interessante observar que o possesso não tem apenas um demônio, mas vários, já que diz: “Que queres de nós, Jesus Nazareno?”. E Jesus, com uma única palavra – “Saia dele!” – expulsa, definitivamente, o demônio. Ainda hoje, embora em número bem menor do que no passado, antes da vida de Cristo, existem casos de possessão, cujos exorcistas só às duras penas conseguem libertar o possesso da escravidão do demônio...

5. JESUS CURA A SOGRA DE SIMÃO:  Saíram da sinagoga e foram logo para a casa de Simão e André, junto com Tiago e João. A sogra de Simão estava de cama, com febre, e logo eles contaram isso a Jesus. Jesus foi aonde ela estava, segurou sua mão e ajudou-a a se levantar. Então a febre deixou a mulher, e ela começou a servi-los (Mc 1, 29-31). – Como no Evangelho de Mateus (8,14-15), bastou um toque de Jesus – tomando-a pela mão – para que a sogra de Simão Pedro levantasse, curada, e começasse a servi-los. O Senhor Jesus é o médico dos médicos, pois tem o poder, divino, de curar não só as doenças do corpo, mas, também, as do psiquismo (mente) e as da alma. Uma observação: as curas de Jesus são completas, perfeitas! Não são curas parciais! No Evangelho de Lucas (4,38-39), o texto narra o mesmo milagre.

– CONTINUA NA PARTE II, NO PRÓXIMO BLOGUE.
Uilso Aragono. (Setembro de 2019)

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Sou formado em Engenharia Elétrica, com mestrado e doutorado na Univ. Federal de Santa Catarina e Prof. Titular, aposentado, na Univ. Fed. do Espírito Santo (UFES). Tenho formação, também, em Filosofia, Teologia, Educação, Língua Internacional (Esperanto), Oratória e comunicação. Meu currículo Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4787185A8

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