terça-feira, 30 de abril de 2019

A CRIATURA MAIS MAGNÍFICA CRIADA POR DEUS


Lendo o livro “Summa Daemoniaca – Tratado de demonologia e manual de exorcistas”, do sacerdote e teólogo espanhol, José Antônio Fortea, pertencente ao presbitério da Diocese de Alcalá de Henares (Madri), deparei-me com um capítulo impressionante, cujo título é igual ao do presente artigo. O livro é de 2010 e altamente recomendável pela profundidade e clareza teológicas, mesmo para leitores leigos.

QUAL FOI A CRIATURA MAIS MAGNÍFICA CRIADA POR DEUS, A VIRGEM OU LÚCIFER?

Este é, na verdade, o título do capítulo 59, ou melhor, da Questão 59 colocada pelo Autor. Um católico responderia, sem titubear, que tal criatura magnífica seria a Virgem..., No entanto, a resposta é surpreendente: na verdade, a criatura mais magnífica criada por Deus, segundo o Teólogo e Autor, foi Lúcifer!

EXPLICAÇÃO DO AUTOR
“A palavra Lúcifer é originária do latim e significa “Estrela da manhã”. Ninguém deve estranhar que um ser maligno tenha um nome tão belo, pois este foi o nome que Pai dos anjos colocou na criatura ao criá-la. O certo é que este era seu nome antes de cair. (Anotação no pé da página do livro sobre este tópico: Eu, o autor, não intento julgar os valores sobre as questões que escrevi, mas esta é a minha favorita dentre todas as encontradas em Summa Daemoniaca.)
É preciso entender que a natureza mais magnífica criada por Deus foi a de Lúcifer. A Virgem se santificou dia a dia, com esforço. Ela, com seu sacrifício, seus atos e a Graça de Deus, conseguiu ser a criatura mais magnifica. Mas sua magnificência não foi um ato da criação de Deus, e, sim, de santificação. Tanto que a criatura mais magnífica que Deus criou foi a maior de todas as criaturas angélicas. Deus criou Lúcifer magnífico em sua natureza, e ele se corrompeu. Deus criou Maria humilde em sua natureza, uma simples mulher e, portanto, inferior aos anjos, mas foi ela que se santificou. Como se vê, há um grande paralelo entre ambas as figuras, mas um paralelo inverso:
  • Uma delas é a criatura mais perfeita por natureza, a outra pela graça;
  • Uma delas se corrompe; a outra se santifica;
  • Uma delas quer ser rei e não servir, e, ao final, não é nada; a outra quer ser nada e servir e, no final é rainha.

Além disso, inclusive com relação aos nomes, há um paralelo entre a estrela da manhã (Lúcifer) e a estrela da manhã da redenção (Maria):
  • A primeira estrela caiu do firmamento angélico; a segunda estrela se elevou;
  • A primeira estrela, que era espírito, caiu na Terra; a segunda estrela, que era corpo, ascendeu aos Céus;
  • Lúcifer não quis aceitar o Filho de Deus feito Homem; a Virgem não somente O aceitou como O acolheu em seu ventre;
  • Lúcifer era um ser espiritual que, finalmente, se tornou pior do que uma Besta (sem deixar de ser espiritual); ela era um ser material que, finalmente, se fez melhor do que um anjo (sem deixar de ser material);
  • Lúcifer se bestializou; ela, se espiritualizou;

Agora existe apenas uma estrela da manhã, que é a Virgem. Pois, embora a primeira estrela tenha caído, a segunda brilhou com a luz da graça, muito mais bela e intensamente que a primeira estrela, que brilhou somente com a luz de sua natureza.”
CONCLUSÃO
A luz da graça – e este termo poderia e deveria ser escrito com maiúscula!  (como o Autor faz, na primeira vez que o usa, acima) – é uma luz que vem da Graça de Deus, que é, constantemente, derramada sobre os corações abertos e desejosos de recebê-la. Maria, pelo fato mesmo de ter sido concebida sem pecado original, foi uma criatura de Deus cujo coração esteve totalmente aberto e desejoso de ser preenchido e iluminado pela Graça. Que sejamos, um pouquinho, como Maria: corações abertos e desejosos de receber a Graça e a luz que dela vem sobre nós, para nossa santificação e nosso crescimento espiritual. Para que, como Ela, nos espiritualizemos e, não, ao contrário, como Lúcifer, nos bestializemos.
Referência: FORTEA, J. A. Summa Daemoniaca – Tratado de demonologia e manual de exorcistas. Palavra & Prece, São Paulo, 2010. Tradução: Ana Paula Bertolini. (E-mail da editora: editora@palavraeprece.com.br. Site: www.palavraeprece.com.br.)
Uilso Aragono. (Abril de 2019.)

domingo, 31 de março de 2019

OS SACRAMENTAIS SÃO O ADUBO DA FÉ


Muitos católicos podem achar que só existam os sacramentos na vida da Igreja. No entanto, algo parecido com os Sacramentos são os Sacramentais. Este artigo visa a tentar esclarecer o que são os Sacramentais, não somente do ponto de vista do leigo – de uma forma bem popular, como se usa o termo “adubo” no título do artigo –, como, também, a partir do Catecismo da Igreja Católica (CIC).


O QUE DIZ O CIC

O Catecismo da Igreja Católica nos ensina que os sacramentais:
“são sinais sagrados pelos quais, à imitação dos sacramentos, são significados efeitos, principalmente espirituais, obtidos pela impetração da Igreja. Pelos sacramentais os homens se dispõem a receber o efeito principal dos sacramentos e são santificadas as diversas circunstâncias da vida”. (CIC, nº 1667)

Falando de outra forma, podemos interpretar os sacramentais como sendo algo parecido com os sacramentos (aqueles 7 conhecidos: Batismo, Confirmação, Eucaristia, Matrimônio, Sacerdócio, Unção dos enfermos e Confissão), uma vez que eles (os sacramentais), também, têm efeitos espirituais, pelo poder e pela intercessão da Igreja. E, por meio deles, as pessoas se preparam para receber os Sacramentos, especialmente, vale dizer, a Eucaristia.

Os sacramentais são instituídos pela Igreja para a santificação das pessoas e da vida cristã. E “compreendem sempre uma oração, acompanhada de determinado sinal, como a imposição das mãos, o sinal-da-cruz ou a aspersão com água benta (que lembra o Batismo)”. (CIC, nº 1668)


TRÊS CARACTERÍSTICAS DO SACRAMENTAIS

Conforme o CIC, são 3 os traços, ou características, dos sacramentais:
– São instituídos pela Igreja;
– Dependem do sacerdócio batismal (do ser cristão);
– Não conferem a graça do Espírito Santo, como os Sacramentos (mas preparam para o seu recebimento). (CIC, nºs 1668–70)


QUAIS SÃO OS SACRAMENTAIS?

Em primeiro lugar, entre os sacramentais, estão as bênçãos: de pessoas, da mesa, de objetos e de lugares. (CIC, nº 1671)

A bênção é, sempre, um louvor a Deus e um pedido para a obtenção de Seus dons. (CIC, nº 1671)

Embora a maioria das bênçãos esteja associada ao ministério ordenado (bispos, padres e diáconos), muitas delas podem ser dadas, também, por qualquer leigo batizado, pois “todo batizado é chamado a ser uma ‘bênção’ e a abençoar”. (CIC, nº 1669)

Depois das bênçãos – e há várias gradações de importância das diversas bênçãos: do Papa, do bispo, dos padres, com a Bíblia, com o Santíssimo... – vêm os objetos e devoções da vida cristã associadas à religiosidade popular. Aqui podemos citar, dentre outros, a veneração de relíquias, as visitas a santuários, as peregrinações e procissões, a via-sacra, as danças religiosas, o rosário, as medalhas, os escapulários, os óleos bentos, os santos óleos, a água benta, o sinal da cruz,etc. (Conf. CIC, nº 1674)


SACRAMENTAIS: O ADUBO DA FÉ

Conforme este último traço dos sacramentais, e usando uma expressão bem popular, podemos dizer que os sacramentais são como que o “adubo” da nossa Fé. Isto acontece porque eles nos preparam para receber “a graça do Espírito Santo”; favorecem a abertura de nosso coração para, finalmente, receber a graça de Deus por meio dos sacramentos.

Podemos, então, imaginar a cena: os sacramentais, como um adubo, preparam o solo de nosso coração para que as sementes de graças, que Deus nos quer dar, possam brotar e produzir os seus frutos de santidade.

Por meio dos sacramentais, portanto, os cristãos preparam-se melhor, tornam-se mais dignos, dispõem-se melhor, para receberem as graças associadas aos sacramentos e, assim, “pavimentam” a estrada que nos conduz à santidade. Mas, para que o uso dos sacramentais seja conforme a orientação da Igreja, faça-se, sempre, uma oração prévia ao seu uso. Por exemplo, recomenda-se, para o uso diário do escapulário: o sinal da cruz e 3 Ave-Marias. Isto garante que o uso de tal sacramental não se constitua em uma superstição, mas alcance, de fato, o significado pleno de um sacramental: o adubo da fé!



FINALIZANDO

A frequência a e o uso de tais sacramentais, particularmente os objetos (água benta, escapulário, medalhas...), são, portanto, muito indicados aos cristãos batizados para que usufruam de uma melhor disposição interior para receber os Sacramentos. Que todos os cristãos possam conscientizar-se do papel e da importância complementares que os sacramentais possuem para a vida cristã. Que todos os cristãos possam adubar, com o uso dos sacramentais, o terreno da sua vida espiritual, para que as graças lá lançadas possam produzir abundantes frutos de santidade, para o bem da sua vida, da vida da Igreja e do mundo inteiro.

Uilso Aragono (março de 2019)


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

SOBRE O EVANGELHO DA TRANSFIGURAÇÃO

Muitos cristãos se perguntam sobre o significado da passagem bíblica sobre a Transfiguração de Jesus, no suposto monte Tabor, diante de Pedro, Tiago e João, quando estes viram as figuras de Moisés e Elias ao lado de Jesus transfigurado. A seguir apresento minha interpretação sobre esse belíssimo trecho do Evangelho.


Neste Evangelho da Transfiguração, o Evangelista quer dizer que:

1. Jesus sintetiza e realiza todo o Antigo Testamento, que é representado por Moisés (a Lei) e por Elias (os Profetas): a Lei e os Profetas são e eram considerados a essência das Sagradas Escrituras.

2. Jesus é verdadeiramente Deus, revelando aos apóstolos Pedro, Tiago e João, a sua verdadeira face luminosa (divina), que, normalmente, é apagada pela sua Encarnação, como verdadeiro homem que, também, era, exceto no pecado.

3. Deus-Pai deseja que todos “escutem o que Ele diz”. E isto vem confirmar as palavras que a Mãe Maria disse (no Ev. de Lucas) quando Jesus realizou o seu primeiro milagre, a pedido dela: “Façam tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5).

4. Jesus antecipava e preparava os três apóstolos para o seu destino doloroso e para a sua Ressurreição, que não era bem compreendida por eles. Pois nem todos os judeus aceitavam a ressurreição dos mortos: a corrente dos Saduceus, por exemplo.

5. Elias já veio, mas de forma metafórica. Pois na verdade, Elias (o grande Profeta) veio na pessoa de outro grande profeta, João Batista.

À nossa vida prática, do dia a dia, este Evangelho deseja que: 

a) aceitemos que Jesus seja, verdadeiramente Deus (glória) e Homem (sofrimento) e que devemos buscar a nossa salvação pelo “escutar” atentamente a Sua Palavra (ordem de Deus-Pai!); 

b) que tenhamos a nossa Fé aumentada, pelo testemunho de Moisés e de Elias e pelo Testemunho de Deus-Pai: Jesus, sendo Deus, não poderá morrer como todos os mortais, mas ressuscitará para a vida definitiva, pois, como dirá S. Paulo: “Se Jesus não ressuscitou, vã é a nossa fé” (I Cor 15,14).

Uilso Aragono. (Fev. de 2019)

domingo, 27 de janeiro de 2019

COMO DOMINAR SEU TEMPO


Todos nós temos a impressão de que o tempo ou passa rápido demais ou demora muito a passar. São, logicamente, percepções psicológicas que temos, diante de situações por que estamos passando. Mas, na verdade, todos sentimos que nos falta tempo para realizar as coisas a que nos propomos ou temos desejo de realizar. Em geral, portanto, as 24 horas não são suficientes para darmos conta de tudo o que queremos fazer. Como resolver tal problema? A seguir, apresento um resumo de dicas de especialistas para “evitar a procrastinação e aumentar a produtividade”, conforme pode ser lido, com detalhes, na revista Dossiê Superinteressante, de junho de 2018. (Ler este artigo vai lhe economizar muito tempo: a Revista tem 65 páginas!)


A PERCEPÇÃO DA VELOCIDADE DO TEMPO

Segundo alguns pesquisadores, a percepção da velocidade com que o tempo passou dependerá de situações rotineiras ou situações inovadoras que tenham sido vividas. Em retrospectiva, a sensação será:
               Uma semana de atividades rotineiras è o tempo passou muito rápido!

               Uma semana de atividades inovadoras è o tempo passou muito devagar!

Conclui-se que a rotina comprime o tempo passado: o tempo passou rápido, porque não se fez nada de diferente! Rompendo-se a rotina, com atividades variadas e diferentes (inovadoras), estende-se o tempo passado: o tempo passou lentamente, porque se fez muita coisa naquele período de tempo! A antirrotina estende o tempo passado.

Dois exemplos básicos:

          Para sobreviventes do Holocausto, o tempo lá vivido, ao olhar para trás, passou rapidamente (rotina: dias iguais...). Mas durante aquele tempo, a impressão é de que o tempo não passava...

           Para os que gozaram férias de uma semana, o tempo lá vivido, ao olhar para trás, passou muito lentamente (demorou a passar). Mas durante aquele tempo, a impressão é de que o tempo passou muito rápido...

São situações, exatamente, inversas! Portanto, pode-se concluir que o segredo para alongar o tempo é superar a rotina, procurando viver a antirrotina!

ALGUMAS DICAS, PARA COMEÇAR

Há várias dicas e sugestões que os especialistas dão para se dominar e controlar o tempo disponível. Qualquer uma delas pode ser adotada. Elas se complementam, se reforçam ou são independentes umas das outras. Ou, a partir delas, faça seu plano de domínio do tempo!

               (1) As tarefas são “importantes e urgentes” e “importantes e não urgentes”: listá-las de forma a que se encaixem, durante o dia, para que todas sejam feitas. “Bote as primeiras coisas primeiro”: acostumar-se a priorizar as atividades. Critério: o que é valioso e verdadeiramente importante na sua vida! Com base neste critério, são feitas as priorizações e as listas de tarefas. [SI: p.14-15]

               (2) Nosso cérebro costuma ficar atulhado de informações: liberar espaço torna-se muito importante! Anotar, analisar, organizar, refletir e fazer: sequência para liberar o espaço mental. Ao organizar, hierarquizar (ver Critério, acima) e decidir: fazer (se for rápida a tarefa), delegar, adiar ou jogar fora! Isto mesmo! Jogar fora tarefas não verdadeiramente importantes; – o que é valioso na sua vida?... [SI: p. 16]

               (3) Considere tarefas “circunstanciais”, além das “importantes e urgentes” e “importantes e não urgentes”: são aquelas que não são nem importantes nem urgentes. Para isto, sugere-se um software disponível em https://neotriad.com/planos (escolha o plano pessoal). Neste software, sugere-se: um planejamento “semanal” é mais eficaz que um planejamento “diário”; e começar pelas tarefas mais rápidas e fáceis é mais produtivo! [SI: p. 17]

               (4) Considere ainda a pergunta: “o que fazer hoje para tornar o dia de amanhã melhor e mais eficiente?”. A questão aqui é “criar” tempo, liberando tempo na agenda: automatizar algumas tarefas (por exemplo: contas no débito automático); delegar tarefas, se possível; avaliar se é realmente necessária ou se pode ser eliminada (jogada fora!); adiar alguma tarefa, se possível: uma procrastinação positiva – pois adiante, ela pode não mais ser necessária... [SI: p. 18]

               (5) Use marcadores para sinalizar as tarefas do dia, do mês e do semestre: uma bolinha, um ponto, um travessão. É a sugestão do site https://bulletjournal.com: usar um “Bullet Journal” ou “Quadro de Marcadores”, em tradução livre, para organizar tudo: metas, desejos, ideias, tarefas, eventos, notas, etc. É um método analógico: usa um caderno ou equivalente! Há um vídeo e muitas orientações no site indicado. [SI: p. 19]

               (6) Divida as tarefas, especialmente as mais longas, em pedaços: trabalhe em cada pedaço como um sprint (acelerada, disparada), focando no pedaço pelo período escolhido. Pode-se trabalhar, por exemplo, em sprints de uma semana. A cada pedaço pronto (mesmo se imperfeito) tem-se a impressão de progresso, de avanço, em menos tempo. Exemplo: para escrever um livro, faça sprints de capítulos; se for um idioma, faça sprints de uma lição ou um bloco. O período escolhido – diário, semanal, ou outro qualquer – deve ser avaliado após cada sprint, e modificado, se necessário. [SI: p. 21]

AUMENTANDO A EFICÁCIA DA APRENDIZAGEM

Normalmente, nossas tarefas passam por aprendizagem, particularmente por meio de leitura. Os especialistas indicam, então, em investir na leitura dinâmica: técnica que permite passar-se das 250-300 palavras por minuto (com compreensão de pelo menos 80%) para cerca de 450 palavras por minuto, o que economizaria ao leitor mais rápido cerca de 15 min a cada hora de estudo/leitura. O aplicativo SPRITZ (spritzinc.com), para smartphones, ajuda no exercício pelo método de apresentação na tela de uma palavra por vez, na velocidade escolhida pelo usuário. [SI: p. 22-27]

MAIS SAÚDE, MAIS PRODUTIVIDADE

Estresse e falta de sono são vilões da saúde e da produtividade. Superar a procrastinação – que é o adiamento de atividades chatas e banais para ficar com as que dão prazer no curto prazo (= dopamina na cabeça!)  – pode, também, muito contribuir para melhorar a produtividade. Para superar a procrastinação [SI: p. 30-33]:

(a)    Descubra a causa: pode ser TOC (transtorno obsessivo-compulsivo) ou TDAH (transtorno do déficit de atenção com hiperatividade) – tratar!
(b)   Conte de 5 para 1: diante de uma tarefa difícil (ir para a academia): 5) pense na academia; (4) olhe em volta; (3) respire; (2) levante-se; (1) vá para a academia.
(c)    Divida uma tarefa em tarefinhas: leia duas páginas por dia, em vez de se obrigar a ler muito tempo; de grão em grão...
(d)   Crie recompensas significativas: se for cumprida uma tarefa, dê-se um presente – umas horas de filmes, por exemplo.

Superar os maus hábitos e adotar novos bons hábitos é mais um fator de aumento da saúde e da produtividade. Os maus hábitos nascem por uma noção negativa de que as pessoas têm de si mesmas. Mudar essa visão, por uma visão mais positiva ajudará na mudança de hábitos. Para esta acontecer, os entendidos sugerem, por exemplo, para reduzir as horas perdidas no smartphone [SI: p. 34-39]:

(i)    Identifique o loop (infinito) do mau hábito: o que o leva a tal perda de tempo?
(ii)  Descubra o gatilho (automatismo que dispara o mau hábito): o que despertou o desejo de abrir o WhatsApp?
(iii)  Teste uma nova recompensa: leia algo prazeroso; ligue para alguém que há muito deseja; ou resolva aquela pendência que não sai da cabeça;
(iv)  Faça um plano: o que funcionou mais (das novas recompensas acima)? Adote esse novo bom hábito; veja quanto já foi reduzido de seu tempo perdido.

ISTO NÃO É PERDA DE TEMPO

Algumas atividades humanas necessárias, no dia a dia, não são perda de tempo! Por isso, os especialistas alertam para não se querer economizar tempo em [SI: p. 40-45]:

           Sono: pelo menos 7 horas por dia são necessárias para um adulto! Menos que isto, cumulativamente, leva à perda de produtividade pela falta de atenção e problemas de saúde durante o dia, no trabalho. Para evitar a insônia pelo uso noturno do smartphone, recomenda-se um app: procure por “filtro de luz azul”.
                Atividade física: gera saúde e aumenta a disposição para encarar a rotina do trabalho, e para turbinar a agenda. Além disso, melhora o raciocínio, a aprendizagem e a capacidade de tomada de decisões. Os exercícios aeróbicos são os mais indicados.
             Meditação: chamado, aqui no Ocidente, de mindfulness (atenção plena), esta prática, consiste em redirecionar a atenção sempre que se esteja divagando, levando a mente para um foco de atenção: a respiração, um mantra, sons ao redor, ou o toque da pele na cadeira. Esse exercício ajuda a controlar a atenção e reduz a ansiedade.
               Ficar à toa: o devaneio ajuda no equilíbrio mental e estimula a criatividade, conforme testes psíquicos demonstraram. Portanto, ficar à toa, por alguns momentos, não deve ser fonte de ansiedade ou de sentimentos de culpa: faz parte da vida, é positivo!
                 Comer devagar: não se deve tentar economizar tempo na hora do almoço ou do lanche. Há formas de se gastar menos tempo – racionalmente –: preparar várias refeições para a semana ou usar receitas básicas que se possam metamorfosear em pratos diferentes. Um almoço lento, durante o expediente, ajuda descansar a cabeça – e contribui para a melhor produtividade.

MENOS É MAIS

Adotar a cultura minimalista que surgiu no final da Segunda Grande Guerra e visa a simplificar, desapegar-se, comprar menos, etc. Sugere-se o site theminimalists.com (em inglês). Para o aumento da produtividade, esses conceitos minimalistas são muito convenientes. Alguns exemplos [SI: p. 46-51]:

               Usar o mesmo tipo de roupa todo dia (supera a indecisão sobre o que vestir). Steve Jobs (fundador da Apple) costumava vestir-se, sempre, com blusa de gola preta combinada com jeans. Mark Zuckerberg (dono do Facebook) tem cerca de 20 camisetas de cor cinza.

               Esvaziar gavetas e armários, doar livros já lidos. Critério: identificar o que é importante; eliminar o resto...

               Fazer muitas coisas inclui, certamente, coisas desnecessárias: sobrecarga e estresse são o resultado.

               Simplifique a casa. Segundo Marie Kondo (a guru da arrumação radical), alguns passos para  simplificação e arrumação da casa:

(a)    Cerque-se de suas coisas favoritas: a vida flui melhor.
(b)   Presentes não precisam ser guardados: já cumpriram seu papel no momento em que foram dados. (Idem para: cartões, contas e papeis avulsos.)
(c)    Só duas categorias de papelada: urgente e arquivo (a ser usado no futuro).
(d)   Supérfluo vai para o lixo: o resto ganha vida nova!
(e)    Quando cada coisa tem seu lugar, nunca se perde mais nada.
(f)     Use apenas boas peças em casa: elimine a “roupa de casa”.

    Simplifique no trabalho. Segundo os especialistas:

(g)    Diminua o caminho da informação que chega: um único e-mail. E meia hora de atenção total por dia (incluindo as redes sociais: WhatsApp, etc.).
(h)   Faça uma única lista de tarefas e lembretes: defina quando realizar as mais importantes e tente diminui-la.
(i)     Foque apenas no que está à frente e ajuste um timer: o minimalismo não é multitarefa...
(j)     Adquira livros somente se for para lê-los, de fato! (Vale para a casa.)

11 APPs PARA GANHAR TEMPO

Usar a tecnologia a favor da produtividade é uma outra e última sugestão dos entendidos. Para tal, sugerem-se os seguintes aplicativos para smartphones: [SI: p. 60-61]:
(1)   Ubook (ubook.com): um Netflix sonoro.
(2)   Spritz (spritzinc.co): exercício de leitura dinâmica.
(3)   Pocket (getpocket.com): salva textos e links para ler depois.
(4)   Wally (wally.me): organiza as despesas de um jeito simples.
(5)   Zoom (zoom.com.br): economiza perda de tempo na pesquisa do melhor preço.
(6)   Asana (app.asana.com): organiza qualquer tarefa por meio de projetos.
(7)   Trello (trello.com): agenda virtual, compartilhável de forma rápida.
(8)   Google Keep (google.com.br/keep): bloco de notas digital (dá para gravar áudio).
(9)   Qualitytime (qualitytimeapp.com): para desligar o celular – mostra o tempo gasto com ele.
(10) Camscanner (en.ccint.compersonal-camscanner): celular vira scanner (com OCR).
(11) Pomodoro (Pomodoro Timer; Pomodrone [iOs]): divide a jornada em intervalos de 25 min.

POR MAIS ÓCIO NO SOFÁ

Para melhorar, ainda mais, a economia de tempo com as atividades domésticas – e sobrar mais tempo para o ócio (já visto como positivo!) – sugerem-se as várias dicas que podem ser encontradas com facilidade por pesquisa rápida na internet [SI: p. 62-65]:

(a)    Casa mais organizada: como dobrar camisas e lençol de elástico.
(b)   Cerveja gelada em 3 minutos.
(c)    Lavar a louça mais rápido.
(d)   Descongelar alimentos.
(e)    Procurar objetos pequenos.
(f)     Desentupir a pia.
(g)    Receitas de emergência.
(h)   Como dormir mais rápido e melhor.

CONCLUSÃO

Para controlar-se melhor o tempo disponível, tanto pessoalmente como na empresa, há muitas técnicas e dicas (nem todas com base cientifica) que podem ajudar muito no aumento da produtividade. Acima foram citadas, em resumo, as várias dicas e orientações publicadas na Revista Dossiê Superinteressante (junho/2018). Adotar umas ou outras das sugestões, certamente, haverá de contribuir para o aumento da produtividade. A escolha é pessoal e as sugestões podem ser combinadas, independentemente da fonte particular. Em geral, não se contrapõem nem se confrontam, mas têm muitas bases (empíricas) em comum.

Uilso Aragono (Jan. de 2019)

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

UMA POESIA DE NATAL

Neste mês de dezembro, onde se celebra a segunda maior festa do Cristianismo - o Natal! - ofereço ao leitor, uma despretensiosa poesia de natal... 

                                POESIA DE NATAL
O Natal é festa tão grande 
Que não cabe em um só dia 
Por isso a gente entende 
Festejos vão até a Epifania. 

      Natal é a alegria de saber 
      Que o Amor se encarnou 
      E veio ao mundo sofrer
      E com Deus nos reconciliou 

              Natal é cada um decidir 
              Que amar é a melhor opção 
              E que pra desse jeito agir
              O melhor é nos darmos a mão. 

      Natal é revisão de vida 
      É olharmos à nossa volta 
      E ver que estamos de ida  
      E o bem é o que importa. 

Natal é a Deus agradecer  
A Jesus que veio e nos salvou 
E se temos um pouco de sofrer 
Mais sofreu Quem tanto nos amou.  

Feliz Natal ! 

Uilso Aragono. (Dez. de 2018)

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

CORRUPÇÃO É DESONESTIDADE


Embora alguns afirmem que não vivemos uma crise de corrupção, a verdade é, exatamente, o contrário! Vivemos, sim, uma grande crise de corrupção no País! Há anos o Brasil vem sendo vítima da corrupção exercida por nossos próprios cidadãos, por nós próprios brasileiros...

Há uma saída para tanta roubalheira? – para usar uma expressão bem mais popular que “corrupção”.
Sim, é roubalheira, mesmo! É desonestidade, mesmo! Mas, de onde vem tanta desonestidade? Porque é isto o que está por trás da corrupção de nossas “autoridades” e, como que, a “alimenta”. É a desonestidade! ...  

COMO VENCER A CORRUPÇÃO?

Para responder à pergunta do título deste artigo, talvez devamos, primeiramente, pensar na origem do conceito “honestidade”. Será este, verdadeiramente, um valor para nós, cidadãos brasileiros? Porque o que é valor é guardado; enquanto o que não tem valor se joga fora!

Onde está a origem da honestidade? Talvez esteja associada aos valores cristãos de nossa Sociedade, que tem vivido e pregado – através de seus líderes religiosos, e por já muito tempo – que nós, cristãos, busquemos a santidade e evitemos o pecado. E respeitar o outro e os seus bens, é ser honesto, e é um passo importante para a santidade do cristão. Retroagindo ainda mais no tempo, podemos encontrar a honestidade como um dos grandes valores morais vividos e propostos já por Sócrates e outros grandes nomes da História. O grande filósofo e orador romano, Marco Túlio Cícero, já escrevia: “Viver feliz não é mais do que viver com honestidade e retidão”.

Portanto, já podemos afirmar que a honestidade é um bem e um valor cristão e moral, e já antigo nas sociedades ocidentais. Mas, por que tem sido tão difícil viver-se, na prática, a honestidade? Por que, particularmente, no nosso Brasil, tem sido mais valorizado o questionável desvalor moral do querer dar-se bem em tudo, a famosa lei de Gerson? Será que o brasileiro é, geneticamente, egoísta, e tudo faz para se dar bem nos aspectos social e material? ...

VANTAGENS PRÁTICAS DA HONESTIDADE

Supondo-se aceitável que seja a honestidade, ou sua falta, o que está por trás da corrupção generalizada em nosso País, o que fazer para resgatar esse valor? Talvez uma reflexão prática sobre os ganhos, os benefícios e as vantagens de vivermos honestamente nos leve a uma tomada de decisão a favor do resgate desse grande valor.

No que tange à consciência, um efeito prático da vida em honestidade é o sono tranquilo e reparador. Pois quem assim vive, não terá dor na consciência e terá, por conseguinte, um “sono dos justos”. Aquele, portanto, que não vive a honestidade, não pode se queixar de insônia ou de dores mal dormidas... É a consequência natural de uma vida desonesta.

Em relação à vida em sociedade e às suas leis, uma consequência natural e prática da honestidade – que neste aspecto, se revela no respeito a essas leis – é o fato de que todos saem ganhando, se todos forem honestos. Explica-se: as leis são feitas para o bom convívio entre as pessoas, portanto, respeitar as leis é trabalhar para que o bom convívio exista, de fato, entre tais pessoas. Se cada pessoa respeitar, por exemplo, as leis de trânsito, isto é, se cada pessoa for honesta em relação a tais leis, todos saem ganhando, pois os acidentes serão, de fato, praticamente inexistentes. A velocidade máxima, por exemplo, sendo respeitada, por si só, já diminuirá em muito, se não os acidentes, pelo menos as suas consequências. Um mundo novo surgiria se todos decidissem viver a honestidade diante das leis de trânsito! Um mundo quase sem mortos e feridos no trânsito, a não ser por aquelas verdadeiras fatalidades, ou verdadeiros acidentes.

Em relação às demais leis, todos, igualmente, sairíamos ganhando, se diante delas todos fôssemos honestos. Pois as leis, a princípio, foram e são feitas para o benefício de todos os cidadãos, tendo em vista, inclusive, suas diferenças. E se uma lei, por acaso, não se revelar legítima, que seja expurgada pelos próprios legisladores, como ressonância da manifestação (honesta) da sociedade. Mas sendo lei legítima e boa, o seu respeito só trará benefícios. Este conceito, aliás, da utilidade da Lei, precisa ser objeto de mais debates e estudos na Escola, para que todo futuro cidadão possa entender, profundamente, que ser honesto diante da lei não é um fardo pesado, mas, ao contrário, é exatamente a certeza de que todos se sentirão livres e leves nas relações sociais, pois todos estarão protegidos pelas boas leis e pelo respeito que todos dedicam a elas.

NINGUÉM É FELIZ SOZINHO

Com relação à felicidade e à realização pessoal, familiar e profissional do indivíduo, pode-se afirmar que uma vida vivida na base da honestidade – de preferência sob todos os aspectos da vida – concorre diretamente para a felicidade da pessoa e, indiretamente, para a felicidade de todos aqueles que a rodeiam. De fato, se formos honestos, faremos tudo para que as coisas aconteçam da melhor forma possível, não só para nós, mas para os outros, também. Pois todos somos interdependentes na sociedade e ninguém consegue ser feliz sozinho... Este é outro aspecto que precisa ser mais bem debatido e estudado na Escola, de tal forma a levar o aprendiz a ter consciência de que ninguém será feliz sozinho. Talvez assim este se torne um cidadão honesto, realizado e realizador.

SER HONESTO É ...

Aceitar que todos têm direito à vida com qualidade;
Aceitar as consequências das próprias decisões;
Respeitar as leis da boa convivência (em todos os campos);
Respeitar os próprios limites e viver com o que se tem;
Reconhecer que tem demais, quando outros têm de menos;
Garantir uma vida feliz para si e para os outros.

CONCLUSÃO

Para vencermos esta atual crise de corrupção que assola o Brasil, temos de nos unir em torno da luta contra toda desonestidade. Melhor, temos de nos unir para resgatar a honestidade de vida como um grande bem para todos. E para começar isto, tendo em vista a força do exemplo (bom ou mau), que todas as nossas autoridades, políticas, civis, religiosas e militares se conscientizem de que têm de ser honestas e demonstrar honestidade em tudo o que falam e fazem. E que a Escola e a Família assumam, mais uma vez, a sua responsabilidade de formar mentes e corações honestos por meio da valorização das vantagens práticas da honestidade.

Uilso Aragono (Nov. de 2018)

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

O QUE É O HUMANISMO SECULAR OU PAGÃO


Tendo em vista as inúmeras mensagens humanísticas, positivas e "politicamente corretas" que circulam pela Internet, vale a pena refletir sobre o Humanismo Pagão (ou Secular) que está por trás delas. Mensagens que não levam em conta a presença de Deus na vida humana e que fazem do Homem o seu deus. É o novo paganismo moderno. O texto abaixo foi retirado e adaptado do site https://www.gotquestions.org/Portugues/humanism-secular.html.


O ideal do humanismo secular  (ou pagão) é que a humanidade se reconheça como uma parte da natureza eterna e incriada; a sua meta é a autocorreção do homem sem a referência a Deus ou sua ajuda. O humanismo secular/pagão cresceu a partir do Iluminismo do século 18 e do pensamento livre do século 19. Alguns cristãos podem se surpreender ao perceberem que possuem alguns compromissos em comum com os humanistas seculares. Muitos humanistas cristãos e seculares compartilham um compromisso com a razão, com a investigação livre, com a separação entre Igreja e Estado e com os ideais de liberdade e de educação moral; no entanto, diferem em muitas áreas. Os humanistas seculares/pagãos baseiam a sua moralidade, e suas ideias sobre a justiça, na inteligência crítica, sem a ajuda das Escrituras, das quais os cristãos dependem para obter conhecimento sobre o certo e o errado, sobre o bem e o mal. Além disso, embora os humanistas seculares/pagãos e os humanistas cristãos desenvolvam e usem a ciência e a tecnologia, para os cristãos, essas ferramentas devem ser usadas no serviço do homem para a glória de Deus, ao passo que os humanistas seculares veem essas coisas como instrumentos destinados a servir fins humanos, sem referência a Deus. Em suas investigações sobre as origens da vida, os humanistas seculares não admitem que Deus tenha criado o homem do pó da terra, depois de ter criado primeiro o planeta e todos os seres vivos, a partir do nada. Para os humanistas seculares, a natureza é uma força de autoperpetuação eterna.

Os humanistas seculares podem se surpreender ao saber que muitos cristãos compartilham a mesma atitude de ceticismo religioso e estão comprometidos com o uso da razão crítica na educação. Seguindo o padrão dos nobres bereianos (At 17, 10.11: “os bereianos eram mais nobres que os tessalonissences”), os humanistas cristãos leem e ouvem a instrução e examinam todas as coisas à luz das Escrituras (At 17,11). Simplesmente não aceitamos toda declaração ou percepção mental que entra em nossas mentes, mas testamos todas as ideias e "conhecimentos" em relação com o padrão absoluto da Palavra de Deus, a fim de obedecer a Cristo, nosso Senhor (ver 2Cor 10,5.1; Tm 6,20). Os humanistas cristãos entendem que todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos em Cristo (Col 2,3) e procuram crescer com o pleno conhecimento de todas as coisas boas para o serviço de Cristo (Fil 1,9; 4,6; Col 1,9). Ao contrário dos humanistas seculares/pagãos, que rejeitam a noção de verdade revelada, aderimos à Palavra de Deus, que é o padrão que usamos para medir ou testar a qualidade de todas as coisas. Estes breves comentários não elucidam totalmente o humanismo cristão, mas acrescentam vida e relevância à definição clínica dada em dicionários (por exemplo, o Terceiro Novo Dicionário Internacional de Webster, que define o Humanismo Cristão como "uma filosofia que defende a autorrealização do homem no quadro dos princípios cristãos").

Antes de considerarmos uma resposta cristã ao humanismo secular, devemos estudar o próprio termo humanismo. O humanismo geralmente traz à mente a restauração do saber e da cultura antigas, o que ocorreu durante a Renascença. Durante esse tempo, os "humanistas" desenvolveram modos rigorosos de estudo baseados nos modelos gregos e romanos, e também tentaram construir um novo estilo latino (nas artes literárias e plásticas) e nas instituições políticas com base nele. No entanto, muito antes da Renascença, o "humanismo cristão" prosperou nas obras e no pensamento de Agostinho, Tomás de Aquino, Erasmus e outros. Alguns, até mesmo, veem em Platão, um filósofo pagão, um tipo de pensamento que é compatível com a doutrina cristã. Enquanto Platão oferece muito do que é rendável, suas pressuposições e conclusões certamente não eram bíblicas. Platão, como Nietzsche, acreditava no "eterno retorno" (reencarnação); ele (e os gregos em geral) dava um respeito superficial aos seus deuses, mas realmente acreditava que o homem fosse a medida de todas as coisas. As expressões contemporâneas do humanismo secular rejeitam tanto os elementos nominais cristãos dos seus precursores quanto as verdades bíblicas essenciais, tais como o fato de que os seres humanos têm a imagem de seu Criador, o Deus revelado na Bíblia e na vida e no ministério terreno do Senhor Jesus.

Durante a revolução científica, as investigações e descobertas de cientistas amplamente treinados, que podem ser considerados humanistas (homens como Copérnico e Galileu), desafiaram o dogma católico romano. Roma rejeitou as descobertas das novas ciências empíricas e emitiu pronunciamentos contraditórios sobre questões que não faziam parte do domínio da fé. O Vaticano defendia que, já que Deus criou os corpos celestes, eles devem refletir a "perfeição" do seu Criador; portanto, rejeitou as descobertas dos astrônomos de que as órbitas dos planetas eram elípticas e não esféricas, como se acreditava anteriormente, e que o sol tinha "pontos" ou áreas mais frias e mais escuras. Estes fatos empiricamente verificáveis, e os homens e mulheres que os descobriram, não contradizem os ensinamentos bíblicos; a viragem da verdade bíblica em direção ao humanismo naturalista - caracterizada pela rejeição da autoridade e da verdade bíblica e pela inclinação a uma forma declaradamente secular do humanismo – ocorreu durante o Iluminismo, movimento que atravessou os séculos 18 e 19 e criou raízes em toda a Europa, florescendo especialmente na Alemanha.

Numerosos panteístas, ateus, agnósticos, racionalistas e céticos investiram em vários projetos intelectuais sem levar em consideração a verdade revelada. Em seus caminhos separados e distintos, homens como Rousseau e Hobbes buscaram soluções amorais e racionais para o dilema humano. Além disso, obras como Fenomenologia do Espírito, de Hegel, Crítica da Razão Pura, de Kant, e A ciência da ética fundamentada nos princípios do conhecimento, de Fichte, lançaram as bases teóricas para os humanistas seculares posteriores. Consciente ou inconscientemente, os acadêmicos contemporâneos e humanistas seculares constroem sobre essa fundação quando promovem abordagens exclusivamente "racionais" às questões sociais e éticas e às formas antinomianas de autodeterminação em áreas como a autonomia individual e a liberdade de escolha nas relações sexuais, na reprodução e na eutanásia voluntária. No domínio cultural, os humanistas seculares confiam em métodos críticos ao interpretarem a Bíblia e rejeitam a possibilidade da intervenção divina na história humana; na melhor das hipóteses, eles veem a Bíblia como uma "história sagrada".


Não é necessário ser um cristão para perceber que o humanismo alimentado apenas pela razão não pode ter sucesso. Até mesmo Emmanuel Kant, escrevendo a sua Crítica da Razão Pura, durante o auge do Iluminismo alemão, entendeu isso. Nem devem os seguidores de Cristo ser vítimas da sedução da filosofia e da tradição humana ou serem aprisionados por formas de humanismo baseadas sobre a fé romântica na possibilidade da autorrealização humana (Col 2,8). Hegel baseou o progresso humano no ideal da razão como um espírito "fundamentando" a si mesmo através de estágios progressivos e dialéticos da história; mas se Hegel tivesse vivido para ver as duas guerras mundiais do século 20, é duvidoso que ele tivesse persistido em detectar o progresso humano nesses desastres da história. Os cristãos entendem que qualquer forma de humanismo, quando longe da redenção de autoria divina, está condenada ao fracasso e à falsa fé. Baseamos uma visão elevada do homem em uma visão elevada de Deus, já que a humanidade é feita à imagem de Deus, e nós concordamos com a Escritura quanto à situação desesperadora do homem e quanto ao plano de salvação de Deus.

Adaptado do site:  
https://www.gotquestions.org/Portugues/humanism-secular.html.

Uilso Aragono (out. 2018)

Quem sou eu

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Sou formado em Engenharia Elétrica, com mestrado e doutorado na Univ. Federal de Santa Catarina e Prof. Titular, aposentado, na Univ. Fed. do Espírito Santo (UFES). Tenho formação, também, em Filosofia, Teologia, Educação, Língua Internacional (Esperanto), Oratória e comunicação. Meu currículo Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4787185A8

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