Este texto visa a discutir
sobre as qualidades ou características positivas do comunicador católico, isto
é, dos agentes de pastoral, dos ministros da evangelização e até dos agentes
administrativos, numa perspectiva da comunicação interpessoal. Serão
apresentadas as qualidades e as expressões a serem evitadas nessa relação, para
que a comunicação seja eficaz.
1.
INTRODUÇÃO:
A comunicação eficaz interpessoal de alguém que se diz
católico deve estar baseada no Amor Cristão, com letra maiúscula! E um Amor
baseado na fé verdadeira! Particularmente, a comunicação de um comunicador católico
e que está em relação constante com seus irmãos na busca da evangelização! A boa
e eficaz comunicação é a base para que uma equipe de pastoral seja eficaz na
evangelização. Mas o que é comunicação eficaz? O que é uma saudável relação
interpessoal comunicativa? Quais são as principais características ou
qualidades dessa comunicação?
2.
Comunicação – o que é?
É serviço de caridade, uma vez que as pessoas envolvidas
são cristãs e trabalham, voluntariamente, com objetivos de evangelização.
É relacionar-se no amor, já que, como diz S. Agostinho: Ama
e faze o que quiseres. Isto é: se você ama de verdade (caridade cristã),
suas escolhas e suas ações tenderão ao bem, porque o amor autêntico orienta
a vontade e as ações.
Comunicação é, classicamente definida como passar ou receber
uma ideia, uma orientação, um esclarecimento etc. Isso, no âmbito de uma
pastoral qualquer de uma paróquia católica, deve acontecer de uma maneira igualmente
cristã. Por isso o afirmar-se que a comunicação é um serviço de caridade, de
relacionamento no amor cristão. É, na prática, olhar nos olhos do outro, é
acolher, é compreender, é perdoar... é amar!
3.
O comunicador católico
É o agente de pastoral, é o ministro da evangelização (os
clérigos: padres e diáconos), e até o agente administrativo. Porque todas as
pessoas cristãs católicas envolvidas no projeto geral de evangelização
paroquial devem buscar essa comunicação eficaz, baseada no amor, na caridade,
na compreensão etc. Todos os agentes paroquiais, voluntários ou não, devem
estar atentos a que a comunicação ocorra nesses moldes cristãos. Para tanto,
algumas qualidades ou características positivas devem ser ressaltadas.
4.
Qualidades importantes do comunicador católico
4.1.
Ele propõe, ao invés de impor suas ideias ou
orientações, sendo, ao mesmo tempo, um líder ou um simples membro de equipe humilde
e participativo.
4.2.
Ele é otimista e confiante, porque confia na graça
de Deus, visto que sabe que “Tudo pode naquele que o fortalece”, como nos
ensina o próprio Cristo. Por isso também é cheio de fé e pessoa orante.
4.3.
Ele se recicla e se renova espiritualmente
sempre! Ele compreende e respeita o outro.
4.4. Porque sabe ainda que o cristão precisa estar atento a essa necessidade de como que “recarga das baterias espirituais”. Daqui a necessidade de serem oferecidos oportuna e periodicamente retiros espirituais aos agentes pastorais leigos, a exemplo do que fazem os clérigos diocesanos, que participam de retiros espirituais pelo menos uma vez por ano, sendo que alguns religiosos o fazem até com mais frequência. E é retiro mesmo: retirar-se do mundo para mergulhar em Cristo, através de palestras, meditações, leituras individuais da Palavra de Deus, missas, confissões etc. Somente assim o comunicador católico vai reunir verdadeiras condições para colocar em prática as boas qualidades de um comunicador católico eficaz.
5. Expressões a serem evitadas na comunicação eficaz
5.1 “O problema é seu” – Não! O problema é sempre “nosso” ...
5.2 “Não tenho nada a ver com isso” – Não!
Todos são responsáveis pelas decisões e ações da equipe.
5.3 “Você não está entendendo” – É
preferível dizer: “não me fiz entender” ...
5.4 “Cala a boca” – Totalmente inadequada!
5.5 “Você é um incompetente” –
Igualmente! Xingar um colega de pastoral é inadmissível.
5.6 “O que você está fazendo aqui?” – Se
alguém apareceu na reunião de alguma equipe sem ter sido designado para tal,
tem de ser acolhida: é dever, antes de tudo, de caridade!
5.7 “O que você veio fazer aqui?” –
Igualmente.
5.8 “Não se meta onde não é chamado” – Quem
pode afirmar que o Senhor não o tenha convocado?...
5.9 “A culpa é sua!” – Se houve alguma
culpa, deve ser assumida por todos!
5.10 “Você está nervoso!” – Se se chegou a
esse ponto, está na hora de um “coffee break”
5.11 “Você não entende disso!” – A humildade
nos torna todos “ignorantes” ...
5.12 “Não é da sua conta!” – Sim! É da
conta de todos!
5.13 “Qual é o seu problema?” – Mesmo que alguém
aparente ter um “problema”, não se foque nele!
5.14 “Não aguento mais...” – Dizer isso é
como dizer que os demais não conseguem acompanhar! ...
5.15 “Quem manda aqui sou eu" – Abuso
de poder? ...
5.16 “Você não serve pra nada!” – O cúmulo
da humilhação do outro!
5.17 “Você só serve para atrapalhar” –
Idem.
5.18 “Vai cuidar da sua vida” – Mas
estamos ali para cuidarmos uns dos outros! ...
5.19 “Você estragou o meu dia!” – Se foi
pelo que o outro falou, é o cúmulo da falta de diálogo ...
5.20 “Estou cansado disso!” – É como dizer
que os demais não conseguem acompanhar! ...
6.
CONCLUSÃO:
As características de um comunicador católico eficaz são
tais que o ajudam a bem evangelizar, servindo, relacionando-se no amor e trocando
ideias, opiniões, e esclarecimentos com aqueles com quem se relaciona. O
comunicador católico é o agente de pastoral, o ministro do evangelho e o agente
administrativo: todos estarão empenhados na busca da melhor comunicação entre
si. Em particular, a fé e o amor, que é respeito, compreensão e valorização do
outro, são a base para essa comunicação interpessoal eficaz, que evitará certas
expressões que só atrapalham o tão desejável relacionamento cristão entre os
agentes paroquiais. Que a oração, baseada na fé cristã, nos ajude a todos a
crescermos na busca de uma comunicação interpessoal eficaz, produtiva e
verdadeiramente evangelizadora.
Uilso Aragono. (abril de 2026)
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